domingo, 12 de abril de 2015

De volta ao Primeiro Amor


Na noite deste domingo, durante o Culto da Família, nosso Pr. Wilson Gomes ministrou uma palavra sobre o retorno ao primeiro amor: Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres (Apocalipse 2:4-5). Ainda impactados com esta palavra, nossa redação encontrou em seus arquivos o texto intitulado “A Noiva” escrito pelo Pb. Miquéias Daniel Gomes, que translitera para um belíssimo conto, a essência da palavra que ouvimos hoje. Sinta-se amado e volte a amar como da primeira vez.

Ah como ela era feia. Na verdade, estava feia.

Ela nasceu linda e perfeita, imagem e semelhança do que havia de mais belo em todo o universo. 

Em sua infância ela correu livremente por jardins e campinas, absorvendo o perfume de cada flor, alimentando-se da doçura dos mais suculentos frutos, dançando alegremente em parceria com o vento... Como era deslumbrante sua beleza e insinuante sua inocência, tanto que olhos cobiçosos se voltaram para ela. Entretanto, sobre a jovem moça havia uma promessa de casamento, e ela já tinha um compromisso assumido com o Noivo mais desejável da história. Cada minuto de sua existência suspirava por este momento, cada dia que terminava, morria em paz e felicidade, pois também trazia para mais perto o esperado dia. A pequena Noiva crescia e se desenvolvia, e passado muito tempo, se tornou mulher, e cada segundo de sua vida era dedicado ao preparo esmerado para o casamento... 

Mas então, eis que em um garboso corcel negro, de cujos olhos flamejavam labaredas de fogo, surge um príncipe ardiloso, que reina nas partes mais obscuras da Terra. Sua voz é doce e aveludada, sua mão tem a textura das mais suaves pétalas, e seus olhos brilham como diamante, corando a beleza de um rosto esculpido no mais raro mármore. E ele sabe como fazer promessas cativantes... E ele conhece profundamente o mundo, em cada detalhe, em cada recanto, em cada vale e fenda. Ele é o senhor do engodo e da enganação, e seu convite astuto e malicioso é praticamente irrecusável:

- Venha comigo e te mostrarei as coisas mais lindas e incríveis, com quais você se quer sonhou... Venha comigo e te levarei a conhecer os mistérios e os prazeres da vida. Te darei liberdades e privilégios... Te livrarei das algemas do amor, e te levarei a experimentar das delicias existentes na paixão... Apenas rompa seu compromisso com o Noivo e fuja comigo para onde apenas as fantasias ousam viajar....

E então, incauta e vislumbrada com tamanho garbo e fervor, a Noiva abraça a promessa feita na penumbra da noite, e imerge numa fantasiosa vida de alegria, onde conhece os prazeres indescritíveis da vida, mas em contra partida descobre que o preço cobrado para esse desfrute é imenso e amargo, e sua dívida se torna tão grande, que ela não tem condições de pagar...

Da inadimplência, nasce a escravidão... É o príncipe misterioso se revela um carrasco de alma enegrecida, ávido por retirar da Noiva tudo o que lhe fora dado na criação, e assim, dia após dia, sua luz vai sendo apagada, seus sonhos vão sendo eliminados, sua beleza vai se esvaindo, com sua alma sendo dilacerada.

É questão de tempo até que ela esteja jogada em uma sarjeta, suja e empoeirada, fedendo a pecado e a vergonha, vestida de trapos, com os cabelos emaranhados e sebosos, com um rosto desfigurado, marcado pela dor e coberto de cicatrizes, as mesmas cicatrizes que se fundem aos ferimentos que ainda sangram, em seu corpo, alma e espírito.

Pobre Noiva... Tantas promessas... Tantos planos... Tantos sonhos... 

E agora, ali jogada no chão, tudo que anseia da vida é a morte, pois ingenuamente ela pensa que o fim de sua existência, poria fim ao seu sofrimento. Mas o que ela não sabe, é que sua dívida permanece na eternidade. Isso só mudaria se alguém assumisse seus débitos e pagasse o alto preço por eles exigidos.

Mas quem se importaria com ela, agora que se tornará em uma criatura tão desprezível?

Enquanto seus olhos se fechavam, ela ainda consegue vislumbrar a figura de homem que se aproxima...

- Tanto faz... Deve ser apenas mais um...

Sem ter forças para qualquer reação, a Noiva apenas espera... Mas ao invés de sentir uma mão qualquer tocar seu corpo, ela sente uma mão conhecida que toca carinhosamente seus cabelos...

- Minha amada Noiva, finalmente te encontrei... Há muito tempo estou te procurando, mas hoje te encontrei...

Com as últimas forças que lhe restavam, a Noiva abre os olhos e contempla o rosto radiante do Noivo... Ela não lembrava de como ele era belo e de como sua voz era suave... Seu coração acelera e ela sente novamente como o amor é delicado e verdadeiro, e por um instante, todo medo e toda dor deixam de existir...

Mas a realidade é cruel, e logo a desesperança surge avassaladora:

- É muito tarde para mim...  Balbucia a Noiva – Eu cometi muitos erros, abri mão da verdadeira felicidade por prazeres passageiros, e agora, eu devo morrer...

- Não! Minha amada! Não deixarei que isso aconteça... Não posso viver sem você – Respondeu o Noivo com total convicção...

- Sinto muito meu amado... Mas eu não tenho o direito de viver ao seu lado... Eu não mereço ser feliz...

Enquanto dizia estas palavras, a Noiva sente a morte apertando seu pescoço... O pecado veio cobrar a dívida... A morte é uma agiota com quem não se negocia, e assim, alguém tinha que morrer... O Noivo então segura as mãos da Noiva e fecha seus olhos... Uma luz cintilante começa a emanar de seus olhos, e a Noiva não pode acreditar no que está acontecendo...

Uma a uma, suas cicatrizes começam a desaparecer, seus ferimentos se fecham instantaneamente, sua roupa começa a se refazer no mais refinado e puro linho branco, sua sujeira desaparece, seu cheiro é substituído pelo mais delicioso aroma, seu medo vai embora e leva junto suas culpas e dores. A Noiva está bela outra vez, seus cabelos bailam ao vento e seu hálito é como o cheiro das romãs...

Infelizmente sua alegria termina quando ela olha para o lado, e percebe o corpo do Noivo jazendo no chão. Ele está todo ferido, seu rosto desfigurado pelas mesmas cicatrizes que ela tinha adquirido. Sua roupa está rasgada e suja, e a Noiva finalmente entende o tamanho do amor que aquele homem sentia por ela, ao ponto de morrer em seu lugar, tomando sobre ele toda a aflição, angustia e flagelo que para ela estava destinado.

Mas calma, está história tem um final feliz. Afinal, a morte não sabia que a inocência e pureza do Noivo era tanta, que mesmo pagando toda a dívida da Noiva, ainda sobravam créditos para uma vida eterna, e assim, três dias depois o Noivo está de volta para viver este amor.

Uma alegria gigantesca, invade o coração da Noiva, quando atende a campainha naquela manhã de domingo... Ela não podia acreditar em seus próprios olhos... O Noivo estava ali, vivo, mais belo do que nunca, com um sorriso estampado em seu rosto e o amor latejando em seu olhar...

- Voltei minha amada... Voltei pra você... Mas ainda não é hora do casamento... Preciso retornar para meu Reino, e ali vou construir uma casa para nós, bela e eternal, e assim, que tudo estiver pronto, eu irei regressar para você, e te levarei para morar comigo em um lugar onde não existe mais dor, sofrimento e lágrimas.... Apenas aguarde o meu retorno e jamais duvide de meu amor...

- Mas e se eu fraquejar novamente... E se eu não amar o suficiente? – Preocupou-se a Noiva.

- Eu amarei por nós dois... E embora você não me veja, eu estarei aqui para te ajudar todos os dias, até que os séculos se encerrem. – Respondeu o Noivo.

- E como poderei falar com você durante minha espera?

- Em poucos dias – Prometeu o Noivo – Um amigo muito especial virá para te fazer companhia. Ele caminhará com você, adornará você, instruirá você e te consolará quando sentires saudades de mim.

- E como ele se chama, meu Noivo?

- O nome dele é Espirito Santo!

E desde então, a Noiva aguarda ansiosa pelo dia do seu casamento, mas desta vez está vigilante, guardando tudo o que tem, para que ninguém retire dela sua coroa.


O Espirito e a Noiva dizem: VEM! E todo aquele que ouvir diga: VEM! (Apocalipse 22:17)

Pr. Wilson Gomes

sábado, 11 de abril de 2015

Herança Divina - Crucificando o velho homem


Escrevendo aos cristãos em Roma, o apóstolo Paulo os aconselha a crucificar o “velho homem” com Cristo, afim de morrermos com Ele e assim como ele ressuscitou, ressuscitarmos também, livres do pecado (Romanos 6:6-8). Parece complicado, mas não é.

O que Paulo chama de “velho homem” é aquela impetuosa inclinação para o pecado, que vez ou outra, causa um reboliço em nosso interior. E o restolho do homem natural que foi amortizado pelo homem espiritual que nasceu no dia que entregamos nossa vida a Cristo. O nascimento da “água e do espírito” nos torna novas criaturas, promovendo uma mudança interior que transforma nosso modo de pensar e agir. Com isso, somos libertos da escravidão do pecado, pois se o “velho homem” é um serviçal de Satanás que nos empurra para a pratica do mal, está morto, vivemos por Cristo que impede a atuação do maligno em nós.

Crucificar o “velho homem” é o primeiro passo para iniciarmos o processo de santificação em nossa vida, sem o qual, não é possível a nenhum homem o encontro com Deus (Hebreus 12:14). Uma vez iniciado, o processo de santificação vai pouco a pouco nos lapidando conforme a imagem do próprio Cristo, nos tornando parecidos com Ele em gestos e palavras. O “velho homem” é mau, mesquinho, inconsequente e orgulhoso, mas o “homem espiritual” vive por Deus e por Deus, moldando seu caráter em Cristo, apto a se sacrificar, perdoar e amar intensamente, pois se sente amado pelo Senhor.

Esta foi a mensagem ministrada pelo Pb. Miquéias Daniel Gomes, no culto especial de varões promovido pelo Grupo Herança Divina e realizado na noite deste sábado, 11/04/2014. Conduzida pelo Dc. Bene Wanderley, esta festa de louvor foi para além dos cânticos, proporcionando uma reflexão sobre nosso papel como cristão, além de nos induzir a questionamentos sobre quem somos e para onde estamos indo, e se nossas intenções são condizentes com a vontade do Senhor. Feliz é o homem que ouve estas palavras e as põem em prática (Mateus 7:24)

Pb. Miquéias Daniel Gomes e Dc. Bene Wanderley

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Deus não muda


Os cristãos não precisam ter nenhuma insegurança em relação a Deus. Seus caráter e verdade, seus caminhos e propósitos, seu amor e promessas não sofram variação (Isaías 46:9-11). Ele nunca será mais nem menos de que Ele é (Mateus 3:6)

As pessoas mudam devido a inadequação de sua capacidade, a sua falta de conhecimento, as variações das circunstancias ou a perda de interesse.

Deus não é desprovido de nenhuma capacidade, Ele conhece, controla e está envolvido em todas as coisas.

Deus não deixe nada inacabado (Isaías 41:4), nunca muda de humor (Hebreus 13:8) e não perde suas afeições (Jeremias 31:3) ou entusiasmo (Filipenses 1:6). Sua atitude para com o pecado não mudou desde o jardim do Éden e seu amor é mesmo que Ele demonstrou na cruz (Romanos 5:17).

Deus nunca altera seus planos, pois ele os faz com absoluto conhecimento e controle (Salmos 33:11).

Aquilo que Ele realiza no tempo foi planejado na eternidade (Isaías 46: 9-11). Deus é maior do que todas as coisas e portanto, “Não Muda”.

Bom Final de Semana... Abraços.


Texto Compilado


quinta-feira, 9 de abril de 2015

EBD - Conhecendo as limitações do tempo


Texto Áureo
E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam.
Atos 7.25

Verdade aplicada
O discernimento para compreender as fazes da vida e a paciência para manter-se fiel a uma visão são fatores imprescindíveis para se alcançar um objetivo.

Textos de referência
Hebreus 11:23-26

Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei.
Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.


A história pela História

Uma das maiores dificuldades em se precisar historicamente os eventos do êxodo consiste no fato que os egípcios se negavam a registrar eventos que de alguma forma lhes desabonassem. Por exemplo, muitos historiadores e teólogos apontam para Hatshepsut como a mãe adotiva de Moisés (a famosa filha de Faraó citada em Êxodo 2:5-7). Historicamente falando, Hatshepsut foi a quinta governante egípcia da XVIII Dinastia, filha de Tutmosis I com a rainha Ahmose e casada com seu meio-irmão, Tutmosis II. Em 1479 a.C, com a morte de seu marido, o herdeiro legal Tutmosis III, foi nomeado para o trono. Mas como ele ainda era muito jovem, Hatshepsut tornou-se a rainha regente do Egito. Os dois governaram juntos até 1473 a.C., quando Hatshepsut se autodeclarou a única Faraó. Seu reinado de 22 anos foi marcado por inúmeras divergências com os sacerdotes, que muitos historiadores acreditam ser derivadas da recusa de seu filho adotivo em se tornar um membro da casta sacerdotal. Ela morreu em 1458 a.C, sendo sepultada no “Vale das Rainhas” em Luxor. Embora o “Templo de Hatshepsut”, também conhecido como “Templo de El Der El Bahari”, seja um dos mais belos e luxuosos do Antigo Egito, Tutmósis III mandou que muitos registros sobre a rainha fossem retirados dos autos históricos e muitas pinturas que se referiam a ela, foram raspados de templos e monumentos.  Com isso, informações relevantes e comprobatórias do registro bíblico se perderam.

Obviamente, estas lacunas históricas em nada afetam a veracidade do texto bíblico, já que seu maior respaldo é alicerçado na fé, e não na ciência. Mesmo, assim, o tempo tem se encarregado de testificar a precisão histórica do Pentateuco, com descobertas arqueológicas que comprovam com evidencias físicas, as revelações bíblicas de séculos atrás. Um bom exemplo desta verdade, são as moedas egípcias encontradas pela equipe do Dr. As’id Muhammad Thabet, contendo versos corânicos comprovando que elas eram utilizadas no Egito na época de José. Além disso, algumas moedas estampam a figura de uma vaca, referenciando ao providencial sonho de Faraó interpretado pelo jovem hebreu. Outras peças trazem a imagem do próprio José, com o seu nome estampado duas vezes em hieróglifos, o original, “José”, e o egípcio, Zafenate-Panéia. Com o avanço das descobertas arqueológicas, cada vez mais o ceticismo em relação ao texto bíblico vai sendo minado. Mas ainda que nenhuma evidencia existisse, todavia nossa crença permaneceria inabalada, já que a Bíblia não tem por objetivo ser um preciso tratado histórico, mas sim revelar o grandioso plano de Deus para a humanidade através dos séculos, projeto este que tem se mostrado preciso ao longo dos séculos. A história de Moisés é um exemplo perfeito do “Kairós” de Deus, o tempo perfeito onde tudo acontece com um propósito específico, e cada detalhe converge para uma causa maior. Nomes de Faraós, datas precisas e registros históricos são validos para conhecimento e a título de curiosidade, mas detalhes irrelevantes quando analisados num contexto eternal.

Moisés viveu cento e vinte anos e sua vida pode ser dividida em três períodos de quarenta anos. Nos primeiros quarenta anos, ele passou no Egito, sendo cuidado pela sua mãe e aprendendo nas escolas egípcias; no seu segundo ciclo, passou no deserto vivendo como um pastor de ovelha, sendo nutrido pela solidão e ensinado por Deus; em seus últimos quarenta anos, esteve no deserto com o povo hebreu sendo ensinado pelas provações para se tornar inquestionavelmente o principal personagem do Antigo Testamento, a figura central do Pentateuco.


Moisés – Um homem de fases

Moisés passa por três fases significativas em sua vida. A primeira é quando ele pensa ser alguém, pois era o príncipe do Egito e instruído em toda a ciência (Atos 7:22); a segunda é quando vai viver no deserto e descobre não ser ninguém; a terceira é quando se torna líder e descobre que depende de Deus. Joquebede, a mãe de Moisés, desempenha o papel principal tanto em criar quanto em salvar seu filho. O escritor aos Hebreus dedica-lhe um lugar especial na galeria da fé (Hebreus 11:23). Ela, com certeza, planejou toda formação espiritual de seu filho e, com o auxílio de Miriã, sua filha mais velha, o menino permaneceu com a família tempo suficiente para firmar suas raízes hebreias (Êxodo 2:5-9). Deus transformou a maldição em bênção e o que para Joquebede era risco de vida passou a ser uma satisfação. A bênção foi tão grande que ela recebeu salário para criar o próprio filho. A fé e o planejamento sempre andam de mãos dadas. A sabedoria de Joquebede nos ensina que Deus age no impossível e que nós agimos observando oportunidades.Moisés cresceu no palácio foi criado como um príncipe, instruído em toda a grandeza do Egito. Todavia, Deus criou um meio de firmar suas raízes em família, algo que será imprescindível em seu destino profético. O plano divino era fazer de Moisés um intermediário entre Ele e Faraó e nada melhor que uma pessoa muito bem instruída para tal missão, pois Moisés conhecia bem o terreno inimigo.

A providência divina deu em um novo lar para Moisés (Êxodo 2:10), onde deveria crescer e ser instruído até o dia em que seria impelido a libertar seu povo (Atos 7:22). Moisés foi educado na civilização mais adiantada daquele tempo. O seu treinamento foi projetado para prepará-lo para um alto cargo ou até mesmo o trono do Egito. Ele ficou familiarizado com a vida na corte de Faraó, com toda a pompa e grandeza da adoração religiosa egípcia. Foi educado na escrita e nas literaturas do seu tempo. Também aprendeu a administração e a justiça. É importante ressaltar que a mudança de lar e todas as implicações e benesses que favoreciam Moisés jamais o afastaram do que deveria ser. Podemos afirmar que por fora ele era egípcio, mas, por dentro, havia um hebreu clamando por liberdade e justiça.

A terceira fase da vida de Moisés é marcada por um rompimento provocado pela justiça (Êxodo 2:11). O hebreu que havia dentro da cartilagem egípcia emergiu e, a partir daí, começaria uma nova etapa em sua vida. A morte do egípcio em defesa do hebreu fez Moisés voltar ao nada outra vez. Devemos observar atentamente que todo seu preparo no Egito seria usado mais tarde pelo Senhor.Nessa fase da vida, Moisés sabia muito bem quem era. Não sabemos ao certo se teve uma revelação pessoal, mas, seguramente, ele tomou a decisão de renunciar a tudo o que era por acreditar em que Deus o faria ser (Hebreus 11:24-27).


Moisés - Filho e Irmão

Joquebede nos é apresentada pelo escritor do Êxodo como uma mulher de muita fibra e obstinação, inconformada com o morticínio ordenado pelo Faraó. Provavelmente durante sua gravides, Joquebede por muitas vezes orou ao Deus de seus antepassados para que a criança em seu ventre fosse uma menina, prece que obviamente não foi atendida. Mesmo assim, ela não perdeu as esperanças de preservar intacta sua família, e durante três meses usou de todos os recursos disponíveis para manter seu filho no anonimato. Quando o nascimento da criança foi descoberto, a única opção daquela mulher era jogar seu filho nas águas do Nilo, conforme ordenava a lei. E assim Joquebede fez, porém, lançou mão de uma última tentativa para poupar a vida do pequeno. Construiu um cesto de palha e o impermeabilizou com betume. Dentro dele pôs seu filho, e depositou a embarcação junto aos juncos que margeavam o rio, deixando que as águas o levassem rumo aos propósitos de Deus. Talvez Joquebede não tivesse essa consciência, mas cada ação por ela tomada era diretamente guiada pelo Jeová Jireh, o Deus da Provisão. Quando colocou a criança no rio, aquela mãe literalmente parou de lutar com suas próprias forças, e entregou sua peleja para Deus. Ali, na margem do Nilo, Joquebede retira as mãos do leme da vida de seu filho, e Deus assume definitivamente a embarcação, conduzindo o cesto aos braços da princesa egípcia.

Se a obediência de Joquebede levou o menino rumo ao seu destino glorioso, foi a persistência de sua irmã Miriã, que o trouxe de volta pra casa. Enquanto o cestinho navegava entre juncos e crocodilos, levando consigo o infante que dormia em paz, ela o acompanha pela margem do rio. Com precisão cirúrgica, a criança acorda e chora no momento exato. É o “alarme” capaz de chamar a atenção da princesa. Ela ordena que o cesto lhe seja trazido, e embora saiba que aquela é uma criança hebreia, a empatia entre ambos é imediata, pois um “presente” do Nilo não se pode rejeitar. Miriã entende a situação e percebe a oportunidade. Arriscando a própria vida, já que não poderia estar ali, se dirige a princesa e oferece os “serviços” de uma excelente “ama de leite”. Conhecendo a fama das mães hebreias, a princesa ordena que a mesma seja trazida a sua presença, e antes que aquele dia trágico em seu raiar chegasse ao fim, Joquebede trazia de volta para casa o seu filho, para de criá-lo em amor, escoltado e protegido pela guarda real e ganhando um excelente salário para isso. Posteriormente, Moisés receberia o treinamento diferenciado e se versaria na cultura egípcia, mas antes, Joquebede teve a oportunidade de educar seu filho como um hebreu, gerando nele grande empatia por seu povo e temor pelo Deus de seus pais (Êxodo 2:11; 3:6). No momento em que a nacionalidade egípcia de Moisés confrontou sua nacionalidade hebraica, os laços sanguíneos falaram mais alto, e para proteger um “irmão” escravo, o príncipe acabou assassinando um “súdito” egípcio.


Do palácio ao deserto

Quando Moisés foi descoberto, ele temeu por sua própria vida e fugiu do Egito para o deserto de Midiã. Ali começou uma nova fase em sua vida, onde se tornou pastor de ovelhas e se casou com uma das filhas de Jetro, passando então a cuidar dos rebanhos de seu sogro.É difícil perscrutar o que passava na mente de Moisés ao fugir para Midiã e assentar-se junto ao poço (Êxodo 2:15). Com certeza, aquele deve ter sido o nível mais baixo que sua vida poderia estar. Moisés não chegou até ali cantando, ele estava confuso, frustrado e decepcionado. Ele compreendeu que não se pode plantar uma semente carnal e colher um fruto espiritual. Ele agiu na carne e estava colhendo o resultado do que havia plantado. Em questão de momentos, Moisés desce o topo da pirâmide, pois era o escolhido de Faraó, à condição de um fugitivo que tinha somente a vida por preciosa. Estar sentado junto ao poço reflete o que estava na sua alma: sede, o desejo de tentar entender o que deu errado na sua vida.Se Moisés imaginasse as consequências do que passaria por ter assassinado o egípcio, não teria saído da sua zona de conforto. Entretanto, é claro que o Senhor Deus conduzia o fluxo de sua história; por tornar-se um homem poderoso em palavras e obras, chegou a imaginar que pudesse livrar os filhos de Israel de seu cruel cativeiro. Porém, a verdade é que ainda não havia chegado a hora, nem ele estava preparado para as pressões próprias de um empreendimento daquela envergadura – a libertação dos filhos de Israel. Isso ocorreria, mas só no futuro.

Deus impeliu Moisés para o deserto porque seria o lugar onde usaria (Êxodo 2:19). O libertador hebreu ainda estava por dentro de Moisés e Deus quebrou sua resistência pouco a pouco, até que o egípcio morresse e o hebreu se apossasse por completo de Moisés. Deus levou quarenta anos para instruí-lo, quarenta anos para purifica-lo e mais quarenta anos para usá-lo ministerialmente. Para todo vasto ministério existe um grande preparo e com Moisés não foi diferente. Deus não almejava enviar somente um pastor com poderes especiais para libertar Seu povo, Ele queria escrever a história da humanidade a partir de Moisés. Por isso, o Eterno preparou e enviou um representante legal do seu poder (Êxodo 4:16).

Moisés chega a Midiã sem qualquer perspectiva de sucesso em sua vida. Mas Deus inicia uma nova fase em sua vida, dando-lhe uma esposa, filhos e confortando seu coração. Sua mulher Zípora, lhe deu dois filhos varões: Gérson e Eliézer (Êxodo 2:22; 18:4). Por um tempo determinado, o libertador caiu em esquecimento, dando lugar ao pastor de ovelhas. Deus estava treinando Moisés na função em que desempenharia seu chamado e, sem que ele se desse conta, estava aprendendo com ovelhas o significado de um rebanho espiritual. Deus deveria desintoxicar Moisés das grandezas do Egito, reduzi-lo a nada esvaziá-lo para depois torna-lo a encher. Quando chegasse o tempo, o mundo conheceria um Moisés sem igual: um homem dotado de sabedoria, ciência e poder, mas humilde, submisso e totalmente dependente de Deus.


As Lições do Deserto

Tudo na vida de Moisés teve um propósito. Os anos em que viveu no palácio de Faraó lhe municiaram de conhecimento estratégico e militar. Ele bebeu da fonte de uma das mais evoluídas culturas de toda a história, versando-se na arte da guerra, da arquitetura e medicina. Além disso, os anos na casa real serviram para criar vínculos políticos e elos familiares com a linhagem dos Faraós, o que posteriormente lhe deu acessibilidade para dialogar com o rei egípcio durante sua missão libertadora. O relato do Êxodo evidencia que Moisés tinha livre acesso ao palácio, e possuía privilégios para falar com o rei sem hora marcada, fatos que comprovam que já havia uma relação pré estabelecida entre Moisés e a linhagem faraônica de Tutmosis. Segundo historiadores, Moisés nasceu e foi adotado por Hatshepsut durante o reinado de Tutmosis I, que o aceitou como neto, e inclusive iniciou o seu processo de preparo para assumir o trono após sua morte. Entretanto, foi o marido de Hatshepsut que assumiu este posto adotando o nome de Tutmosis II. Vendo em Moisés uma ameaça ao seu poderio, ele desenvolveu certa aversão por seu “enteado”, e teria sido ele o Faraó que ordenou a morte de Moisés, o que culminou com a fuga do hebreu para Midiã (Êxodo 2:15). Todos estes eventos apenas serviram a um propósito maior, pois o deserto seria para Moisés uma escola preparatória. Ali, o príncipe iria se transformar em pastor. O grande arquiteto passaria a conhecer a geografia do deserto, a como achar água em meio a aridez e a como se guiar por entre as dunas de areia. A fartura do Egito daria lugar à provisão diária. O sábio iria descobrir que seu vasto conhecimento na verdade, ainda não lhe valia de nada. O deserto ensina, e Deus é o professor.

Em Agosto de 2013, o Pr. Wilson Gomes escreveu um texto para o informativo oficial da igreja, dizendo que só existem três tipos de crente: os que já passaram pelo deserto, os que estão nele e os que ainda vão passar; listando uma série de lições que devemos tirar de nossa estadia nesta escaldante escola de Jeová:

- Quando nos vemos frente à frente com o deserto e a única opção é enfrentá-lo, aprendemos a depender e confiar exclusivamente no Senhor.
- O deserto não acontece por acidente. Ele está previsto na agenda de Deus, pois faz parte do cronograma divino para nossas vidas.
-De tempos em tempos, é o próprio Deus quem nos conduz ao deserto.
- O deserto é a escola de ensino superior do Espírito Santo, onde Deus treina e capacita seus melhores soldados.
- O deserto te molda. Você sai dele um cristão melhorado, autêntico e genuíno; pois o orgulho, a vaidade e o egoísmo viram cinzas no calor das areias.
- Deus está mais interessado no que somos do que no que fazemos. No deserto somos lentamente lapidados, purificados e preparados; sem pressa; no tempo perfeito do Senhor.
- Por oitenta anos Deus preparou Moisés para uma jornada que durou apenas a metade deste tempo; treinou Elias por mais de três anos para um evento que não passou de umas poucas horas no cume do Monte Carmelo e é por estas e outras razões que no deserto se aprende a confiar mais no provedor e menos na provisão. 
- No deserto não existem meios termos. Ou somos sustentados por Deus ou então morremos de fome.
- É fácil louvar a Deus quando estamos em evidência e há fartura em nossa mesa, mas um dia, impreterivelmente, somos pegos no olho do furacão da vontade divina e levados para uma terra árida onde as fontes são secas e a mesa é vazia.
- No deserto sempre nos fazemos as mesmas perguntas: Onde estou? Pra onde vou? O que devo fazer? - Deus tem respostas satisfatórias para todas elas.
- Suas fontes podem sim estarem completamente secas, mas as de Deus estarão sempre jorrando. Suas provisões podem estar chegando ao fim, mas o provedor continua cuidando de você a cada instante.
- Há varias fontes vulneráveis a esses tempos de estiagem: vida, casamento, finanças, saúde, relacionamentos... E quando os recursos humanamente possíveis cessam, os recursos de Deus nos são disponibilizados integralmente.
- Deus jamais nos levara ao deserto ao bel prazer. Deserto é aprendizado para algo grande dentro do Reino. Deus não fabrica super-crentes industrializados, pelo contrário, seu processo é rústico e artesanal, à base de fogo, marreta e bigorna. Somos aquecidos ao limite no fogo, postos sobre a bigorna e moldados na marretada... E isso dói demais, porém o resultado é grandioso.
- Quando for enviado ao deserto, vá SORRINDO! Deserto é lugar de milagres, onde o poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas e limitações


O tempo e seus ensinamentos

Discernir os tempos e entender em que fase da vida se está vivendo não somente tornará a nossa vida mais feliz, como também não nos deixará esmorecer na fé. Moisés sabia que era o salvador de seu povo, somente não compreendia as fases do tempo. Não é porque temos uma unção e um grande chamado que devemos agir na hora em que bem entendemos. Sem perceber, Moisés entrou naquele período que chamamos de “impaciência ministerial” (Atos 7:25). Moisés não sabia que a unção não deve apenas estar posta sobre a cabeça de alguém, ela deve tomar todo o ser, deve absorver as impulsões humanas e, quando ela prevalece, Deus dá o Seu aval e nos informa a hora de agir. Devemos ter em mente que quando Davi foi ungido, já era rei a partir daquele dia, mas não reinou após ter recebido a unção de rei. Ele passou pelo tratamento da paciência, da experiência e da fé para, só depois, vir a reinar. É comum ficar ansioso quando sabemos de algo tão grande e vemos que nada acontece. O perigo está em querer agir por conta própria como Moisés (Atos 7:23). A impaciência e a ansiedade o levaram a um golpe prematuro que resultou num tremendo desastre, um atraso de quarenta anos. Sendo desejoso de fazer a vontade de Deus, ele agiu imprudentemente e matou uma pessoa. Forçar a situação, além de atrasar o projeto de deus para sua vida, ainda o levou a uma catástrofe pessoal.

Não agir quando deus ordena pode ser tão perigoso quanto agir quando Deus não envia (Atos 7:27). Moisés estava consciente de que era o libertador da nação. Ele acreditava que seu povo iria entender. Ele só não entendeu que o povo ainda o via como um filho de faraó. A vontade de agir o cegou por um momento. Quando ele age por sua própria conta, em vez de salvar uma nação, quase que nem escapa com vida. Em um só momento, Moisés foi destituído de tudo, por não saber discernir o tempo de agir. Quando chegou o tempo, o próprio Deus fez questão de enfatizar (Atos 7:34). A melhor maneira para entender o tempo de deus é estando vazio de si mesmo. Deus estava preparando algo tremendo através da vida de Moisés que marcaria o mundo para sempre. Libertar o povo era fácil para Deus. Ele poderia ter feito isso na primeira aparição de Moisés. Hoje podemos entender isso perfeitamente. Jesus Cristo, por exemplo, não é conhecido em muitos lugares, mas uma coisa é certa: em todas as partes do globo se conhece a história da travessia do mar vermelho. Precisamos estar conscientes que, ao não compreender o que Deus está fazendo, devemos estar como Moisés quando este chegou a Midiã (Êxodo 2:15). Quatro coisas sucederam que corroboraram para favorecer e configurar o ambiente para libertação. Primeiramente, a morte de Faraó; depois, como nada mudou em relação a servidão, os hebreus passaram a orar fervorosamente por uma intervenção divina; a seguir, Deus mudou Sua disposição em relação aos filhos de Israel ouvindo suas orações e, por fim, enviou o libertador. No entanto, tudo isso aconteceu no tempo exato (Daniel 2:21).

Todo grande preparo passa pelo deserto. Até mesmo Jesus, o Filho de Deus, foi conduzido a ele pelo Espírito Santo. Precisamos entender que o deserto nunca é maior que a promessa feita por Deus. Lá é o lugar onde sempre estamos sós e prontos para ouvir as coordenadas para seguir adiante. Observamos que tudo o que deus faz deve passar pelo teste do tempo e agir de forma autônoma pode ser perigoso e frustrante. Moisés teve uma grande expectativa, mas aprendeu através da solidão do deserto que o homem passa por fases distintas até chegar a posição que Deus quer. Dessas fases, a mais importante é onde se descobre que precisamos de Deus e que sem Ele nada podemos fazer.



Assim como Moisés, venha aprender na escola de Deus para ser líder e profeta, participando neste domingo, (12/04/2015),  da Escola Bíblica Dominical.

Material Base:
Revista Jovens e Adultos nº 95  - Editora Betel
Moisés - Lição 02
Comentarista: Pr. Belchior Martins da Costa
Comentários Adicionais (em azul)
Pb. Miquéias Daniel Gomes


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Quarta Forte com Pr. Elói Buhl


Queila era uma cidade fortificada, cercada por um muro. Após defender a cidade de um ataque dos filisteus, Davi e seus homens se refugiaram ali, buscando abrigo da feroz perseguição de Davi. O muro protegia os habitantes dos assaltantes, mas também os prendia se estivessem cercados por inimigos. O rei Saul achou providencial que Davi e seus homens estivessem ali, e chamou todo o povo para irem cercar a cidade.  Davi sabia que estava vulnerável e que Saul planejava o mal contra ele, então orou ao SENHOR, e foi orientado a abandonar a cidade. Dali, saíram sem rumo, tendo como único destino as regiões desabitadas de Israel. O deserto de Judá é uma região árida e inóspita entre a região montanhosa e o mar Morto. Existem ali muitas cavernas e desfiladeiros onde eles podiam se refugiar e Saul não conseguiria achá-los.
No entanto, o filho de Saul e melhor amigo de Davi os encontrou. Jônatas fortaleceu a confiança de Davi em Deus, declarando que Saul não iria encontrá-lo para fazer-lhe mal, que era do conhecimento dele e do seu pai que Davi ia ser rei, e se dispôs a ser o segundo no seu reino. Eles ali renovaram a sua aliança perante o SENHOR e partiram, indo Davi para o deserto e Jônatas para a sua casa.
Mesmo no deserto de Zife havia gente disposta a trair Davi. Ele teve que sair de lá mas, eventualmente, o rei Saul conseguiu cercar Davi e os seus homens quando se refugiavam sobre uma rocha. Decerto teriam sido apanhados, se não houvesse chegado uma notícia a Saul que os filisteus estavam invadindo a terra. Saul teve que abandonar a perseguição e correr para enfrentar os invasores. Deus interveio na hora certa, fazendo uso dos filisteus quando a situação parecia perdida para Davi.
O rei Saul perseguiu os filisteus, depois voltou e soube onde Davi estava. Reuniu então um exército formidável de três mil homens, escolhidos entre todo o Israel e foi ao encalço de Davi e dos seus guerreiros. Chegando ali, Saul entrou numa dessas cavernas para aliviar-se, sem saber que Davi se encontrava assentado no fundo com seus homens. Estes logo perceberam a oportunidade que se oferecia e concluíram que o SENHOR havia entregue o rei Saul a Davi.
Davi foi furtivamente até onde Saul estava, mas apenas cortou a orla do manto de Saul e voltou para onde estavam os seus homens. A consciência de Davi ficou perturbada, pois tocar as vestes de Saul equivalia a tocar a pessoa do rei, e Davi sabia ser errado erguer a mão contra o rei ungido pelo SENHOR. Ele declarou isso aos seus homens, e com isso conteve aos seus homens, não permitindo que fizessem mal a Saul, pois embora o rei estive sendo rebelde a Deus, Davi ainda respeitava a posição que ele ocupava como o ungido por Deus. Sabia que um dia ia tomar o seu lugar, mas também que não lhe competia eliminá-lo ele próprio.

Foi com uma palavra baseada nesta inspiradora passagem da vida de Davi, registrada em I Samuel 23:14-28, que o Pr. Elói Buhl abrilhantou a Quarta Forte realizada em 08/04/2015. Foi um maravilhoso convite para se confiar em Deus mesmo nas mais adversas situações, pois Ele trabalha incessantemente em nosso favor. A Quarta Forte ainda contou com ministrações especiais do Pr. Wilson Gomes e do Ev. Luiz Carlos Candido, que impactaram poderosamente a vida de todos os presentes. Sem demagogias, a Quarta mais uma vez foi muito FORTE!
Pr. Elói Buhl, Pr. Wilson Gomes e Ev. Luiz Carlos Cândido


Vídeo: HardFlip

"HardFlipe" - O Filme,  entrou em cartaz oficial nos cinemas no dia 01 de junho de 2012, esta é uma produção cristã com atores de peso e grandes skatistas, como participações especiais de Christian Hosoi, Brian Sumner, Harada Bennett, e Jay Alabamy Haizlip. Mágoas do passado, divergências familiares e até a imaturidade da juventude são alguns pontos marcantes de nossa vida que contribuem para nos tornarmos quem somos. A mudança chega quando permitimos Deus entrar em nossa história para tudo se transformar.

O filme Hardflip conta a história de Caleb, rapaz apaixonado por skate que dedica sua vida ao sonho de tornar-se um grande profissional. Sem dúvida, a intensidade de seu empenho reflete a fuga de suas responsabilidades. Para não encarar a realidade de ter sido criado sem a presença do pai e conviver com a doença da mãe, Caleb busca no esporte o caminho para esquecer os seus maiores problemas. Após encontrar cartas de amor escritas pelo pai no passado, o jovem decide encontrá-lo. E, em busca por respostas, o rapaz vê a vida ser transformada diante de seus olhos. Em momentos de tensão, as histórias e mensagens comoventes ditas por um morador e pregador de rua chamado Ralph, que surge como grande amigo e conselheiro de Caleb, tocam sua alma e ensinam-lhe a compreender o valor do perdão e da Palavra de Deus. 

A mensagem de Hardflip mostra a importância de aprendermos a deixar as mágoas para trás. A sabedoria de Cristo é a fonte para perdoarmos a nós mesmos e ao próximo. Não deixe de conferir este filme emocionante!



terça-feira, 7 de abril de 2015

Biografia: João Ferreira de Almeida



Nascido na cidade de Torre de Tavares, nas proximidades de Lisboa, Portugal em 1628, filho de pais católicos, João Ferreira Annes d´Almeida (1628 – 1691), muito cedo se mudou para a Holanda, passando a residir com um tio, tendo aprendido o latim e iniciado os estudos das normas da igreja. Aos 14 anos, em 1642, aceitou a fé evangélica, na Igreja Reformada Holandesa, impressionado pela leitura de um folheto em espanhol, "Diferencias de la Cristandad", que tratava das diferenças entre as diversas correntes da crença cristã. Passado um tempo, direcionou-se à Málaca (Malásia) a serviço da igreja. Outras fontes nos indicam que Almeida teria se mudado diretamente para Málaca aos 14 anos, sem antes passar pela Holanda. Mas são concordes em afirmar que estava em Málaca a serviço da Igreja Reformada Holandesa, na qual se convertera ao protestantismo.
Nas regiões onde Almeida habitou, um tradutor de língua portuguesa era extremamente valorizado, e, ao que se sabe, o mesmo utilizava-se de linguagem ricamente erudita, o que dificultava um pouco o entendimento de seus sermões por parte da população menos escolarizada. Porém, há registros de que o mesmo se prontificou a organizar traduções para o “português adulterado” vulgarmente utilizado pelos colonos. Dois anos depois de sua conversão, 1644, começou a traduzir para o português, por iniciativa própria, parte dos Evangelhos, do livro de Atos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol. Além da versão espanhola, Almeida usou como fontes nessa tradução as versões Latina (de Beza), Francesa e Italiana - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. Terminada em 1645, essa tradução de Almeida não foi publicada. Mas o tradutor fez cópias à mão do trabalho, as quais foram mandadas para as congregações de Málaca, Batávia (atual ilha de Java, Indonésia) e Ceilão (hoje Sri Lanka). Mais tarde, Almeida tornou-se membro do Presbitério de Málaca, depois de escolhido como capelão e diácono daquela congregação. Essa obra, de tradução do Novo Testamento, foi concluída em 1645. Os manuscritos desta tradução quando estavam indo para serem impressos estranhamente extraviaram-se, fazendo com que Almeida amargasse uma das primeiras, dentre muitas que viriam, resistências às publicações de suas obras.
Com o intuito de aperfeiçoar suas traduções, Almeida decide estudar hebraico e grego no mesmo ano em que concluiu sua primeira tradução do Novo Testamento, 1645, aos 17 anos. Era de se esperar, por ele, que a próxima investida teria como trunfo a correção de muitos erros, uma vez que agora se trataria de uma tradução direta das fontes originais bíblicas. Em 1676, após ter dedicado vários anos com o estudo do grego e hebraico e se aperfeiçoado no holandês, Almeida concluiu a nova tradução do Novo Testamento, desta vez partindo das línguas originais, naquele mesmo ano remeteu o manuscrito para ser impresso na Batávia, no entanto, precisaria do consentimento do Governo da Batávia e da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Todavia, o lento trabalho de revisão a que a tradução foi submetida levou o autor a retomá-la em 1680 e enviá-la para ser impressa em Amsterdã, Holanda. Finalmente em 1681 surgiu o primeiro Novo Testamento em português, e em 1682 chega à Batávia, trazendo em sua identificação, reproduzida ipsis literis pela Bíblia de Referência Thompson (2002): “O Novo Testamento, isto he, Todos os Sacro Sanctos Livros e Escritos Evangélicos e Apostólicos do Novo Concerto de Nosso Fiel Salvador e Redentor Jesu Cristo, agora traduzido em português por João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Sancto Evangelho. Com todas as licenças necessarias. Em Amsterdam, por Viúva de J. V. Someren. Anno 1681.”
Milhares de erros foram detectados nessa tradução, muitos deles produzidos pela comissão de eruditos que tentou harmonizar o texto português com a tradução holandesa de 1637. O próprio Almeida identificou mais de dois mil erros nessa tradução. Quando começou a ser manuseada vários erros de tradução foram percebidos pelos leitores. Tal fato foi comunicado à Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia Holandesa das Índias Orientais. As autoridades holandesas determinaram também que se fizesse o mesmo com os exemplares que já estavam na Batávia. Mas, ao mesmo tempo, providenciaram para que se começasse, o mais rapidamente possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto. Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares foram destruídos, e correções foram feitas à mão com o objetivo de que cada comunidade pudesse fazer uso desse material, sendo distribuídos posteriormente às congregações. Um desses exemplares foi preservado e se encontra no Museu Britânico em Londres. Essa nova revisão duraria aproximadamente dez anos (1693), apenas após a morte de Almeida a mesma foi publicada. Segundo a mesma fonte, quando Almeida completou a tradução do Novo Testamento, foi recompensado pelo presbitério como a importância de 30 réis, quantia esta posteriormente aumentada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais em mais 50 réis.
Logo após a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou a tradução do Antigo, e em 1683, termina a tradução do Pentateuco para o português. Iniciou-se então a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Com a idade um pouco avançada e com saúde já prejudicada, as atividades de Almeida são diminuídas na congregação onde trabalhava, e por isso, pôde dedicar mais tempo às traduções. Mas mesmo assim não conseguiu completar a obra para a qual tinha dedicado toda sua vida. Ao falecer, em 6 de Agosto de 1691, ele havia traduzido até Ezequiel 41:21, outros autores dizem que traduzira até Ezequiel 48:21. O certo é que em 1748, o pastor Jacobus op den Akker, de Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por Almeida, e cinco anos depois, em 1753, foi impressa a Bíblia completa em português, em dois volumes. Estava, portanto, concluído o inestimável trabalho de tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida.
Almeida não se firmou simplesmente em traduzir os textos bíblicos sem dar a eles uma aplicação prática pessoal, ou seja, paralelamente aos estudos de línguas e traduções, o mesmo dedicava-se em atividades de ordem eclesiástica. Em 1648, começa atuar como capelão visitante de doentes. Em 1648, relata J. L. Swellengrebel, um holandês que teve acesso às Atas do Presbitério da Igreja Reformada da Batávia e às Atas da Companhia Holandesa das Índias Orientais, Almeida já estava atuando como capelão visitante de doentes, em Malaca, Malásia, percorrendo diariamente os hospitais e casas de doentes, animando e consolando a todos com as suas orações e exortações. A citação acima tenta ser fiel ao empenho de suas atividades de cunho espiritual, fazendo com que já no início de 1649 fosse escolhido como diácono e membro do presbitério (ordenação de presbítero), com a responsabilidade de administrar o fundo social, que prestava assistência aos pobres.
Em 1650, começaram a surgir boatos que Almeida teria feito declarações favoráveis ao catolicismo, e havia rumores que o mesmo pretenderia voltar a tal religião. Como forma de dar segurança aos fiéis quanto à sua fé protestante, Almeida traduziu para o português e, mais tarde para o holandês, o panfleto evangelístico de sua conversão “Diferencias de la Cristandad”. Em março de 1651, foi para a Batávia, para a cidade de Djacarta, ainda como capelão visitante de doentes, mas simultaneamente, desenvolvia seus estudos de Teologia e revisava o Novo Testamento. Em 17 de março de 1651, foi examinado publicamente, sendo considerado candidato a ministro. Depois de ser examinado, pregou com eloqüência sobre Romanos 10:4. Desenvolveu também um importante ministério entre os pastores holandeses ensinando-lhes o português, uma vez que ministravam nas igrejas portuguesas das Índias Orientais Neerlandesas. Em setembro de 1655, é submetido ao exame final, quando prega sobre Tito 2:11-12, mas só recebe a sua confirmação em 22 de agosto de 1656 como pastor na Indonésia. Neste mesmo ano, quase um mês depois, em 18 de setembro, é enviado como pastor para o Ceilão, atual Sri Lanka, para onde seguiu com um amigo de ministério, Baldaeus.  Ao que tudo indica, esse foi o período mais agitado da vida do tradutor. Durante o pastorado em Galle (Sul do Ceilão), Almeida assumiu uma posição tão forte contra o que ele chamava de "superstições papistas," que o governo local resolveu apresentar uma queixa a seu respeito ao governo de Batávia (provavelmente por volta de 1657). Entre 1658 e 1661, época em que foi pastor em Colombo, ele voltou a ter problemas com o governo, o qual tentou, sem sucesso, impedi-lo de pregar em português. O motivo dessa medida não é conhecido, mas supõe-se que estivesse novamente relacionado com as idéias fortemente anti-católicas do tradutor.
Em 1661, muda para Tuticorin, sul da Índia. A passagem de Almeida pelo sul da Índia, onde foi pastor por cerca de um ano, também parece não ter sido das mais tranquilas. Tribos da região negaram-se a ser batizadas ou ter seus casamentos abençoados por ele. De acordo com seu amigo Baldaeus, o fato aconteceu porque a Inquisição havia ordenado que um retrato de Almeida fosse queimado numa praça pública em Goa. Em 1662, Almeida já estava ministrando em Quilon, regressando para a Batávia em março de 1663, onde fica à frente da igreja portuguesa até dois anos antes de sua morte. Como dirigente desta igreja, em 1664, demonstra muita personalidade, expondo suas próprias ideias, mas com maturidade sempre aceitava as decisões superiores. Nesse mesmo ano tenta persuadir o Presbitério para que sua congregação tenha a sua própria celebração da Ceia, propõe também que os pobres que recebem auxílio do fundo social da igreja freqüentem obrigatoriamente as aulas de catequese, e elabora um folheto com orações para serem usadas nas igrejas portuguesas.
Em 1666, propõe a nomeação de anciãos e diáconos, como auxiliares do ministério, tendo sua proposta rejeitada, vindo ser aprovada somente quatro anos depois. Em 1670, recebe a Carta Apologética, após cerca de seis anos de diálogo por correspondência, a qual assinala a ruptura definitiva entre ele e o padre e teólogo Jerônimo de Siqueira, a quem tentou evangelizar. Depois desta carta, não só Almeida voltou a defender-se, como sofreu também os ataques do jesuíta João Baptista Maldonado, num Diálogo Rústico, terminando desse modo a polêmica. Em 1677, um novo ministro é chamado do Ceilão, para a Batávia, para caminhar ao lado de Almeida e futuramente substituí-lo, seu nome era Jacobus op den Akker. Em 1689, Almeida é considerado "pastor emérito" e também neste ano, em 16 de setembro ele pede a sua jubilação, em virtude de sua velhice e saúde debilitada. As últimas atas das reuniões do presbitério que se referem à sua presença datam de agosto de 1691. Na ata da reunião do dia 20 de agosto daquele ano ainda há menção do seu nome, mas ao que parece, ele já não estava mais presente.
João Ferreira de Almeida, ao falecer em 1691, deixa a esposa e um casal de filhos. O término de sua obra, como mencionado antes, deu-se através do seu colega de ministério, o pastor Jacobus op den Akker. Almeida lutou durante toda a sua vida para manter as comunidades evangélicas portuguesas nos seus próprios lugares, enquanto os holandeses iam ocupando os lugares do império português nas Índias. Almeida se esforçou continuamente para que essas comunidades tivessem outros livros na língua portuguesa. Numerosas traduções foram feitas por ele para o português, porém tais trabalhos não chegaram a ser publicados. Outros livretos, entretanto, foram impressos na Holanda e na Batávia.
A Bíblia de João Ferreira de Almeida passou a atingir diversos países de fala portuguesa e cruzou oceanos. Em 1948 organizou-se a Sociedade Bíblica do Brasil, destinada a dar Bíblia a Pátria. Esta entidade fez duas revisões no texto de Almeida, uma mais aprofundada, que deu origem à Edição Revista e Atualizada no Brasil, e uma menos profunda, que conservou o antigo nome Corrigida. João Ferreira de Almeida foi um instrumento precioso nas mãos de Deus, sempre objetivando dar aos povos de fala portuguesa a tradução mais difundida e aceita entre esses povos, antes colônias de Portugal.

Fonte: EBAH