quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

EBD - Deveres da família à luz da Bíblia



Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 98 - Editora Betel
Casamento e Família - Lição 03
Comentarista: Pr. Valdir Alves de Oliveira

Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes
Pr. Wilson Gomes
Pb. Bene Wanderley


Texto Áureo
I Timóteo 5:8
Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.

Verdade Aplicada
Como cristãos, devemos conservar a família no seu conceito original, dentro do plano de Deus.

Textos de Referência
Efésios 5:21, 22, 25 / Colossenses 3:18-21

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.
Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.
Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor.
Vós, maridos, amai a vossas mulheres e não vos irriteis contra elas.
Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor.
Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.


A responsabilidade do livre arbítrio
Comentário Adicional:
Pb. Miquéias Daniel Gomes

No Éden, Adão e Eva eram como duas crianças descobrindo o mundo e seus recantos maravilhosos. Deus, se encarregava pessoalmente de ensina-los sobre os mistérios da vida, e toda tarde, descia ao jardim para conversar com o infante casal. Todo o conhecimento adquirido por eles vinha de Deus. Como um Pai carinhoso e dedicado, o Criador se alegrava em mostra-lhes os recônditos do paraíso, e explicar minuciosamente o funcionamento de cada item da criação. Tudo que sabiam tinham aprendido com o Senhor. Em Deus só existe bondade, benevolência, justiça e paz. Assim, o primeiro casal “via” e “conhecia” o mundo sob a perspectiva de Deus. Não havia malícia, perniciosidade, mentira, enganos, tristeza, vergonha ou dor. Para garantir que as coisas permaneceriam assim, Deus os proibiu de comer o fruto da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”, pois se dele comessem, conheceriam o lado sombrio de um mundo do qual estavam protegidos dentro do Éden. Deus sabia o que era melhor para seus filhos, mas eles precisavam enfrentar a responsabilidade do livre arbítrio. Enganados pela antiga serpente, Adão e Eva desobedeceram ao Senhor e sucumbiram à tentação de experimentar do “poder do conhecimento”. Intentaram ser como Deus e o resultado foi desastroso. No instante em que provaram o sabor do “pleno conhecimento”, as cortinas da inocência se abriram, e uma realidade cruel se revelou diante de seus olhos. Medo, vergonha e remorso adentraram de solavanco em suas vidas, e a morte foi convidada a entrar no reino dos homens (Gênesis 2:7). Um Pai deve estar presente em todos os momentos da vida de seus filhos, e Deus não se omite desta responsabilidade. Ao cair da tarde daquele fatídico dia, Ele desce ao Jardim e encontra Adão escondido entre as folhagens, envergonhado por estar nu. Como havia alertado, Deus dá ao casal exatamente aquilo que queriam... Conhecer o bem e o mal... A partir daquele momento, o homem que até então só conhecia a satisfação do trabalho bem feito, agora sentiria o peso do labor. Seu alimento seria obtido da terra regada a suor. Eva, entenderia que a maternidade é uma benção agridoce, pois com dores iria trazer seus filhos ao mundo, e além disso, sua “vontade” seria para seu marido. Deus os expulsa do Jardim e entrega para eles o resto do “mundo”. O cuidado do Criador não lhes fora suficiente, então, teriam que batalhar com as próprias mãos pela sobrevivência. As responsabilidades de cada um seriam exponencialmente aumentadas.

Desde o primeiro casal, nenhum homem ou mulher está imune a responder por seus atos. Viver requer muita responsabilidade, esforço e comprometimento. Fomos criados para constituir famílias, sem as quais, nenhuma civilização teria existido. Dentro do núcleo familiar, cada um tem sua função, regida por direitos e deveres muito bem delineados. Já no Eden, o homem foi incumbido de ser o provedor de seu lar, e a mulher, designada para ser seu amparo nesta árdua tarefa. A Bíblia dá atenção especial as relações familiares, e dentro dela encontramos os segredos de um lar bem-sucedido. Atencioso a esta questão, o apóstolo Paulo recheou suas epístolas com aconselhamentos familiares, frisando que o cuidado que temos com nossa família é um parâmetro para medir nossa vida cristã (I Timóteo 5:8). Assim, faz-se necessário que estejamos enquadrados nos desígnios de Deus para executa-los com zelo e amor dentro de nossa morada, transformando a “casa” em um “lar”. CASA pode ser definido como qualquer edifício destinado a morada de alguém, mas o LAR pode ser entendido como um ambiente de harmonia onde as pessoas vivem e se sentem bem.

Harmonia, ausência de conflitos, paz, concórdia... Como a Bíblia incentiva o desenvolvimento destas qualidades dentro da família. Um bom exemplo pode ser encontrado em Efésios 5:22-28. Neste texto, Paulo aconselha as mulheres para que sejam submissas aos maridos. Ao contrário do que muitos machistas de plantão tendem a acreditar, neste contexto, a palavra submissão conota o sentido que a esposa deve auxiliar seu esposo no cumprimento da missão a ele outorgada, pois o homem é a cabeça que governa a casa. Porém, o texto prossegue e traz um vislumbre da tal “missão” dada aos maridos. Parte dela é exatamente amar suas mulheres como Cristo amou a Igreja, e se preciso for, morrer por ela. Em resumo, todo homem tem como dever matrimonial fazer sua esposa plenamente feliz. E se esta é a missão do marido, a submissão da esposa se revela no fato que ela deve agir de modo a facilitar o êxito desta "jornada". Ambos trabalham em conjunto para o sucesso desta empreitada, não se omitindo em momento algum.  Afinal, só pode exigir “direitos” quem cumpre piamente seus “deveres”. Se o homem governa a casa, é a mulher quem edifica o lar (Provérbios 14:1).


Deveres que competem ao casal

A Bíblia é o estatuto para toda a relação entre os membros da família. Quando se cumprem os princípios bíblicos, os lares tendem a ser mais felizes e as famílias mais saudáveis e estruturadas. O marido e a mulher são os esteios da família. Para isso, eles precisam desempenhar bem as suas atribuições e responsabilidades, nunca jogando para cima do outro aquilo que é da sua alçada. O marido deve amar a esposa como a si mesmo (Efésios 5:28-33). Quem não ama a si mesmo como irá amar alguém? Deve amar a esposa como Cristo amou a Igreja (Efésios 5:25). Esse é o amor sacrificial que funciona sem exigir recompensa, nem visando benefício. Não tratar a esposa asperamente, nem se irritar contra ela (Colossenses 3:19). Tratá-la com dignidade. Considerar a esposa como a parte mais frágil (I Pedro 3:7). Assumir o papel de cabeça do casal, não com autoritarismo, mas com amor (I Coríntios 11:3 / Efésios 5.23). Ser o provedor material, emocional e espiritual, assim como Cristo alimenta sua Igreja e cuida dela (Efésios 5:29 / I Timóteo 5:8). Saber como convém agradar à esposa (I Coríntios 7:3-5, 33). Além disso, deve governar bem a sua própria casa (I Timóteo 3:5). O homem, como líder da sua casa, é, automaticamente, provedor, sacerdote e cabeça. Não se admite um homem que não cumpra as suas funções conforme o ensino bíblico. Mesmo que a mulher trabalhe fora para ajudar no orçamento familiar, o homem não pode negligenciar a sua responsabilidade, não deve inverter os papéis, nem comer o pão da preguiça, mas, do suor do seu rosto, comer do trabalho das suas mãos (Gêneses 3:19 / Salmos 128:2).

As esposas devem ser submissas aos seus maridos como a Igreja é submissa a Cristo. Devem respeitar o marido na sua missão (Efésios 5:33 / I Timóteo 3:11 / Tito 2:4-5). Mostrar ao marido honestidade e temor (I Pedro 3:2). Ter o Espírito manso e tranquilo (I Pedro 3:4). Ser adjutora e companheira do seu esposo (Gêneses 2:18). Saber como agradar ao marido (I Coríntios 7:3-5, 34b). A esposa deve administrar o lar sem preguiça, sem desleixo e com sabedoria para edificar sua casa (Provérbios 14:1, 31:10-31). Nunca negligenciar as suas funções, mesmo tendo outras ocupações. De acordo com o Pr. Hernandes Dias Lopes, a mulher deve ser submissa ao marido por causa de Cristo (Efésios 5:22). A submissão da esposa ao marido não é igual à submissão a Cristo, mas por causa de Cristo. A submissão da esposa ao marido é uma expressão da submissão da esposa a Cristo. A esposa se submete ao marido por amor e obediência a Cristo. A esposa submete-se ao marido para a glória de Deus (I Coríntios 10:31). A esposa submete-se ao marido para que a Palavra de Deus não seja blasfemada.

Muitas atividades domésticas são de responsabilidade dos dois. Marido e mulher podem revezar por exemplo: a disciplina e correção dos filhos, o acompanhamento escolar e o ensino dos deveres de casa, o lazer dos filhos e a orientação na escolha de profissão ou de um futuro promissor. Os pais devem dar o exemplo de vida dentro da ética e da moral, condizentes com a Palavra de Deus, para os filhos copiarem. Também é responsabilidade do casal levar seus filhos para a igreja, principalmente a Escola Bíblica Dominical, e dar as devidas orientações espirituais. O homem deve ajudar a mulher nos trabalhos domésticos. A mulher também pode ajudar o seu marido no orçamento familiar. Os dois são responsáveis por manter a união saudável. Numa época como a nossa de falência da virtude e enfraquecimento da família, a ideia cristã de casamento deve ser difundida com mais frequência entre as pessoas. De acordo com o escritor Curtis Vaughan, o dever da esposa é respeitar o marido e o dever do marido é merecer o respeito dela (Efésios 5:33).


Os Mandamentos do Matrimônio
Comentário Adicional: 
Pr. Wilson Gomes

Satanás tem lutado ferozmente contra os valores familiares. Inúmeras armas ele tem usado neste intento nefasto, tais como sexo ilícito, vícios e modismos. A televisão e o cinema tem sido porta voz desta ideologia deturpada, que joga a família em segundo plano e submete os valores cristãos ao desejo da “libertação” do próprio “EU”. E infelizmente podemos constatar que nosso inimigo tem logrado êxito como nunca, no que tange a destruição de lares e vidas; e nada (nada mesmo) desestabiliza tanto uma família quanto a destruição de um casamento. Mas é possível vedar o núcleo familiar contra as investidas do mal, simplesmente adotando hábitos saudáveis e praticando dentro do lar, o zelo, a equidade e o amor. Muitas mazelas podem ser evitadas com uma mudança de postura de um cônjuge em relação ao outro. Olhares mais ternos e carinhos espontâneos são excelentes pontos de ignição para acender a chama do romantismo,  do respeito e da paixão. Em uma de suas dedicatórias, o escritor Max Lucado escreveu: - “Quando chegar ao céu não me impressionarei com os anjos, pois acordo toda manhã ao lado de um. ” Se o marido conseguir ter este conceito de sua mulher, o que o inferno poderá fazer contra eles? Por sua vez, a esposa deve construir esta visão diante de seu esposo. Quando o rei Lemuel estava na idade apropriada para se casar, sua mãe procurou aconselha-lo, listando alguns requisitos necessários em uma mulher para que ela se tornasse digna daquela união real. O conselho desta sábia mãe tem atravessado os milênios e continua ainda hoje, tão atual como no tempo em que foi escrito, sendo este texto conhecido por nós como “A Mulher Virtuosa“.

Este compêndio de qualidades está registrado em Provérbios 31:10-31 e começa com a seguinte indagação: “Mulher virtuosa, quem a achará?” Podemos, segundo o texto de Provérbios, assim descrever uma mulher / esposa / mãe, cujo valor é maior que o de muitos rubis: Ela transmite credibilidade e seu marido confia nela; é prestativa e faz o bem; é trabalhadora e produtiva; é cuidadosa, zelosa e traz prosperidade ao lar; é segura e tem confiança no futuro; fala com propriedade e sabedoria; influencia positivamente sua família, é aceita pelos seus e louvada por seus filhos. De maneira objetiva, Cecil Osborne descreve gestos e ações que, se praticados pelos cônjuges, farão que virtudes listadas em forma de poesia, tornem-se reais aos olhos de quem mais amamos. E se algum dos itens abaixo lhe parecer difícil de realizar, lembre-se que somente a pratica leva a perfeição!

Os 10 mandamentos do esposo
 01º) Trate sua esposa com firmeza e gentileza.
02º) Seja pródigo no louvor e na reafirmação.
03º) Defina suas responsabilidades.
04º) Lembre-se da importância das pequenas coisas.
05º) Reconheça a necessidade de estarem juntos.
06º) Evite críticas.
07º) Dê-lhe um sentido de segurança.
08º) Reconheça a validade do estado de espírito dela.
09º) Coopere com ela em todo o esforço para melhorar o casamento.
10º) Descubra as necessidades individuais dela e tente satisfaze-las.

Os 10 mandamentos da esposa
 1º) Aprenda o verdadeiro significado do amor.
2º) Desista de seu sonho de um casamento perfeito e lute por um bom casamento.
3º) Descubra as necessidades pessoais de seu marido e tenta satisfazê-las.
4º) Abandone toda a dependência de seus pais e todas as críticas dos parentes dele.
5º) Faça elogios e mostre apreciação em vez de criticá-lo.
6º) Abandone toda tendência possessiva e o ciúme.
7º) Cumprimente seu marido com afeto em vez de fazer reclamações ou exigências.
8º) Abandone toda a tendência de mudar seu marido através da crítica ou do ataque.
9º) Vença o complexo de princesa.
10º) Ore por paciência.


Deveres que competem aos pais

Os pais são espelhos para os filhos. Precisam tomar cuidado com as palavras que não edificam, com as atitudes insensatas e os exemplos negativos. Ensinar a criança “no” caminho em que deve andar. Não adianta só mostrar o caminho, tem que ir junto (Provérbio 22:6). Dar instruções devidas em todo lugar, em todo tempo (Deuteronômio 6:6-7). Os pais não devem deixar a igreja, a escola, o mundo e a vida a tarefa de ensinarem seus filhos, pois é dever primário dos pais. Ensinar os filhos o princípio de que na vida não se pode fazer somente o que se quer. Ensiná-los também que na vida não teremos tudo o que queremos (Provérbios 29:15). Criá-los com correção, mas com moderação, sem espancar (Provérbios 23:23 / 29.17). Os pais devem sempre atentar para o fato de que a geração dos filhos é outra e não adianta querer que eles vivam do mesmo jeito que a geração passada. O desenvolvimento chegou, a evolução está diante dos nossos olhos, a informação está disponível a todos eles. O cuidado é para evitar a iniquidade, que está embutida nas redes sociais e que vem com a modernidade. Apesar das mudanças e evoluções, os princípios bíblicos permanecem os mesmos e são por meio deles que os pais necessitam ensinar os seus filhos.

Os pais não devem tratar os problemas da igreja diante dos filhos, nem fazer comentários maldosos e piadas negativas contra a liderança. Por causa disso, há filhos rebeldes e outros afastados da igreja. Muitos pais tratam os filhos só como amigo, no entanto, a responsabilidade dos pais é bem maior, pois devem ser provedores das necessidades dos filhos. Isso deve ocorrer tanto espiritual, quanto emocional e fisicamente. Os pais devem ser orientadores e conselheiros para um futuro próspero e brilhante dos filhos. Devem providenciar uma recepção agradável no nascimento de cada filho, dando a eles nomes que não os envergonhem quando crescerem e que tenham significados honrados na sociedade. Infelizmente, há pais que não são nem um pouco prudentes na escolha dos nomes dos filhos.

Os pais precisam dar exemplo de vida para os filhos. Os filhos podem fechar os ouvidos para os conselhos, mas abrem os olhos para os exemplos. Os pais devem trata-los com dignidade e respeito para não serem desprezados ou ridicularizados pelos filhos. Não ser violentos nem abusar de suas autoridades, pois isto leva os filhos a obedecer apenas por medo e não por amor e carinho. Nunca devem amaldiçoar os filhos, pois as palavras têm poder e essa atitude deprecia os próprios filhos e os desestimulam para a vida. As palavras tendem a comover, mas o exemplo é que se reveste da maior importância. Pais devem ser exemplo para os filhos, pois a maior herança que os pais podem deixar para os filhos não são os bens patrimoniais nem os diplomas, mas uma vida de moral, de caráter ilibado, acompanhada de uma vida cristã e uma espiritualidade condizente com a Palavra de Deus. A grande tarefa dos pais é se tornar referenciais dignos de serem copiados pelos filhos (Ezequiel 16:44). Os pais devem orientar os filhos de tal maneira que não lhes causem irritação e venham a ficar desanimados. Os pais devem evitar castigos exagerados, punições sem ensino, rigidez excessiva e radicalismo (Efésios 6:4 / Colossenses 3:21).


Filhos, herança do Senhor
Comentário Adicional:
Pb. Miquéias Daniel Gomes
Pb. Bene Wanderley

Nenhum relacionamento unilateral é saudável. Toda relação aprazível e produtiva se baseia numa via de mão dupla, onde muitas vezes é preciso perder para ganhar. Os pais são a autoridade constituída de um lar, tendo a premissa nas decisões e responsabilidade nas escolhas que norteiam sua família. Isto, porém, não lhes dá direito ao autoritarismo desmedido e nem justifica uma ditadura retrograda. É preciso dialogo, entendimento e companheirismo, para que as divergências sejam equalizadas numa solução aceitável a todos os envolvidos. Que todo o “SIM” seja responsável e o “NÃO” revestido de justiça. A vida apresenta pontos salientes onde são exigidas grandes decisões que determinam nosso futuro (bem como o de nossos filhos), mas é na sutileza do dia-a-dia, através das pequenas ações, baseado em nossas posturas e atitudes cotidianas, que construímos  os pilares desta relação familiar. Ida e volta. O Pb. Bene Wanderely ilustra esta verdade muito bem: Todo pai precisa entender que recebeu a missão maravilhosa de conduzir seus filhos a Deus. Os filhos são como um presente do Senhor, uma espécie de joia fina e muito rara, que precisa ser lapidada com esmero e amor. Conduzir, preservar e preparar os filhos para Cristo é dever de seus progenitores. Podemos comparar os filhos com os vasos. Um vaso foi fabricado para ser cheio de algo, mas alguém precisa escolher o conteúdo e despejá-lo ali. Cristo é este conteúdo que está destinado para eles (Colossenses 4:7). A primeira noção espiritual que os pais precisam ter com relação aos filhos que Deus lhes deu, é que eles precisam ser cheios de Cristo.

Quando um filho nasce, seus pais têm a oportunidade de compreender com um pouco mais de propriedade o amor do próprio Deus. Afinal, para aquele pequeno ser que acaba de chegar ao mundo, é destinado todo o afeto e cuidados que seus progenitores são capazes de gerar. Amor sacrificial, incondicional e irrestrito, externado em total devoção, mesmo sem (na maioria das vezes) receber nada em troca, da mesma forma que Deus age em nosso favor. Em Romanos 8:15, Paulo afirma que através do Espírito somos adotados pelo próprio Deus e passamos a ter o direito de chamá-lo “ABA PAI”. Este termo, derivado do aramaico, conota intimidade na relação paternal, podendo ser entendido como “meu pai” ou “paizinho”, e em sua etimologia original remete a forma como uma criança pequena se refere ao seu pai. Foi usado pelo próprio Jesus em algumas oportunidades (Marcos 14:36), já que sua relação com o Deus Pai era vinculada em uma unidade perfeita e imutável (João 17:10-11). Deus, que nos criou conforme sua semelhança deseja intimidade com sua “família” (Mateus 12:50). O Senhor nos concede parte do seu tesouro particular em forma de “filhos”, e transmite-nos a mensagem, que é este o mesmo relacionamento que espera existir entre nós e nossa preciosa semente.

O Salmo 127 ressalta que o nascimento dos filhos deve ser motivo de muita alegria, pois eles são como “flechas na mão do valente”. Por outro lado, o texto expõe com veemência a responsabilidade que temos para com nossa prole: - Os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão (Salmo 127:3). A grande verdade aqui explicitada pelo salmista é que Deus “não” nos dá filhos, ele nos “confia” seu galardão. Nossos filhos são propriedade de Deus, herança do Senhor, e o papel a ser desempenhado pelos pais não é de posse, e sim de mordomia. Cuidamos de um bem precioso que não nos pertence. É de Deus. Segundo o jargão popular, criamos nossos filhos para o “mundo”, mas pela Bíblia, os estamos guardando para o Senhor. Como é maravilhosa esta revelação, e ao mesmo tempo, aterradora. Deus zela pelos que são seus, e nossa mordomia será medida, pesada, avaliada e cobrada. O que teremos a apresentar? Um dos mais importantes elementos da história do filho pródigo, e que durante sua ausência, todos os dias o pai ficava no portão, olhando o horizonte, esperando pelo filho. Ele tinha certeza que seu menino iria voltar, pois sabia que tinha honrado a paternidade confiada a ele pelo próprio Deus, e mesmo distante, o filho se lembraria do caminho de volta. Oxalá, possamos ter a mesma certeza!


Deveres que competem aos filhos

A Palavra de Deus ordena aos filhos que, ao casar, deixem seu pai e sua mãe, mas nunca orientou a abandonar os pais (Gêneses 2:24). Muitos filhos deixam seus pais em asilos ou repousos para velhos ou passando fome com uma vida indigna. É preciso que os filhos pensem também no seu futuro. Os filhos não devem desamparar os pais na velhice deles (Deuteronômio 27:16 / Provérbios 23:22), até porque eles também chegarão à velhice. E o que nos ensina a lei da semeadura? (Gálatas 6:7).  O primeiro mandamento com promessa é para os filhos que honram, respeitam e obedecem aos pais (Efésios 6.1-3). Os filhos que assim procedem terão à sua disposição algumas promessas: as coisas irão bem a seu favor, terão uma vida boa e viverão muito tempo sobre a terra, desfrutando da longevidade de dias. Muitos filhos não sabem por que sofrem, mas será que estão obedecendo este mandamento? Não chamem os seus pais de quadrados e retrógrados. Eles também viveram em outra geração e muitos deles não conseguem acompanhar a evolução. Respeite-os como eles são. Os olhos que zombam do pai ou desprezam a obediência à mãe pagarão um alto preço (Provérbios 30:17). Aqui vale muito ressaltar a seguinte citação: “Quando teus pais tentarem te ensinar, procure aprender, porque a vida não ensina com o mesmo amor!”. A experiência dos pais enxerga muito além da pista boa e pavimentada que estamos vendo no momento. A experiência dos pais sempre vê a ponte caída lá na frente.

Os filhos devem se comportar de tal maneira que levem seus pais a se sentirem felizes pelos filhos que têm. O filho sábio alegra o pai, mas o insensato é a tristeza da mãe (Provérbios 10:1). Há filho que amaldiçoa seu pai e não bendiz sua mãe (Provérbios 30:11). Os pais podem fazer de tudo que eles não os chamam bem-aventurados (Provérbios 31:28ª). Os filhos não podem entristecer e ser vergonha para seus pais, se entregando às aventuras perigosas deste mundo, principalmente naquilo que os pais não ensinaram. E, se os pais fizeram diferente, os filhos podem mudar a história da família e seguir por outro caminho mais digno. Se os meus pais erraram, não preciso errar também! O apóstolo Paulo menciona três motivos para que os filhos sejam obedientes aos pais. São eles: a natureza, a lei e o Evangelho. Em primeiro lugar, a obediência dos filhos aos pais é uma lei da própria natureza (Efésios 6:1), pois é o comportamento padrão de toda a sociedade. Em segundo, é uma lei (Efésios 6:2-3). Honrar pai e mãe é honrar a Deus (Levíticos 19:1-3). Resistir a autoridade dos pais é insurgir-se contra a autoridade do próprio Deus. Por último, o Evangelho (Efésios 6:1) Os filhos devem obedecer aos pais porque eles são servos de Cristo. Os filhos devem obedecer aos pais por causa do relacionamento que têm com Jesus Cristo.

Os filhos precisam entender que há normas e princípios para obedecer. Onde não tem regulamento, tudo vira “bagunça”. No passado, os pais corrigiam os filhos e eles os respeitavam (Hebreus 12:9-11). Isso não deve mudar. O filho tolo despreza a correção do seu pai (Provérbios 15:5), mas o filho sábio ouve a correção (Provérbios 13:1). Muitos filhos são incapazes de reconhecer o esforço e trabalho dos pais para cria-los. Não agradecem o que fizeram ou o que fazem até os dias de hoje. Os pais se preocupam com os filhos até depois de casados. Alguns só passam a valorizar os pais quando casam e têm filhos, pois veem e sentem o peso da responsabilidade. Infelizmente, alguns só valorizam seus pais quando eles morrem. Você que viver dias felizes? Zele, cuide, honre e obedeça aos seus pais!

Conclusão

Quando o casamento segue as orientações da Palavra de Deus e é regulamentado pela mesma, não têm como dar errado. Se cada um fizer a sua parte, fica mais fácil promover a felicidade e a integração dos membros no lar. Quando honramos a família, honramos o próprio Deus que a instituiu.



Casamento e família são os maiores patrimônios que a sociedade tem. Salvar o nosso casamento e a nossa família é algo que não tem preço. O tema é bastante salutar e propício para os dias de hoje, pois o casamento e a família são bombardeados o tempo todo. A Igreja do Senhor Jesus não pode abrir a guarda e se conformar com a concepção deste mundo tenebroso, onde o errado está passando a ser certo. Participe neste domingo, 17 de janeiro de 2016, da Escola Bíblica Dominical, e aprenda também a proteger sua família dos ataques incessantes de Satanás. 





quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Quarta Forte com Ev. Rodolpho Clemente


A Quarta Forte está de volta, e mais forte do que nunca. Cumprindo o 10º dia de nossa campanha de oração, a nave da igreja ficou repleta de homens e mulheres sedentes por Deus, dispostos a clamor ao Senhor com todo o fervor de suas almas. E o Altíssimo se manifesta onde seu nome é invocado!

Sob a direção do Ev. Lucas Gomes, a Quarta Forte realizada neste dia 13/01/2016, se alternou entre momentos de oração, ministrações e louvores, levando a igreja a uma atmosfera de adoração, onde o Espirito Santo teve liberdade para trabalhar. Todos os presentes receberam uma unção especial do presbitério, que impondo as mãos sobre a cabeça de cada um, bradando aos céus pela provisão Divina. Estamos certos que Deus já está providenciando o cordeiro!

O primeiro preletor da Quarta Forte 2016 foi o Ev. Rodolpho Clemente (Mogi Mirim SP), que inspirado pelo testemunho de Abrão, trouxe uma poderosa palavra de despertamento para a fé e a confiança nas promessas de Deus.

Abrão entra na história bíblica exatamente quando o Deus Criador lhe pede para que deixe sua cidade e sua família, e vá até uma terra que lhe seria indicada ao longo do caminho. Esta jornada consome muitos anos da vida de Abrão, que agora, já avançado em idade, recebe de Deus uma promessa que daria novo sentido a sua vida: sua descendência seria mais numerosa que as estrelas do céu. Nesta ocasião, seu nome é mudado para Abraão (pai de nações) e sua esposa “Sarai” se torna Sara (princesa). O problema é que ela era estéril, e o casal não tinha filhos. Deus havia dito a Abraão que nele seria bendita todas as famílias da terra, mas os anos continuavam implacáveis com o casal, e a cada primavera passada, a esperança da promessa parecia cada vez mais utópica. Tentando reverter a situação, Sara cede sua serva Hagar ao marido, afim de ele possa ter filhos. Deste relacionamento nasce Ismael, que apesar de sua importância histórica, não era o filho prometido, e mais tarde, desencadearia conflitos dentro do lar (Gênesis 12-18).

Abraão já era um homem centenário quando recebeu a visita de três moços em sua tenda, sem perceber que eram anjos do Senhor. São eles que informam ao patriarca que em um curto período de tempo, sua esposa estaria com seu filho nos braços. Sara, que já estava com a idade avançada e com seu ciclo menstrual encerrado, ao ouvir a notícia começou a rir, e foi então que um dos visitantes declarou que o menino deveria receber o nome de Isaque, que significa exatamente “sorriso”. Apesar das dúvidas de Sara, em poucos meses ela percebeu algumas mudanças em seu corpo, experimentando em plena velhice da benção da maternidade. Mas muito antes de que sua família se tornasse uma nação, a fé de Abraão passou por um teste definitivo, que redefiniria todos os conceitos de confiança nas promessas de Deus... Ele teria que devolver para Deus o filho que de Deus recebera. Isaque tinha que ser sacrificado.

A longa jornada até Moriá foi fúnebre e silenciosa. Cada passo dado aproximava pai e filho de um destino cruel. A inocente ignorância do olhar de Isaque contrastava como os olhos pesarosos de Abraão. Ele estava certo que no alto da montanha, teria que tirar a vida do próprio filho, parti-lo ao meio, escorrer o sangue e depois queimar seu corpo. Mas enquanto caminha lado com seu filho em direção ao altar do holocausto, seu coração se enche de uma certeza: Ainda que das cinzas, Deus vai trazer Isaque de volta para vida! Moriá é o lugar onde Deus se revela com intensidade a Abraão, onde lhe renova as promessas e o torna exemplo de fé para todas as gerações. Na hora do sacrifício, Abraão é impedido por um anjo. Em Gênesis 22:1-2, é o Senhor que ordena a Abraão que sacrifique Isaque em Moriá. Mas, em Gênesis 22.12, o anjo que impede Abraão diz a seguinte frase: “Não estenda a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho”. No lugar de Isaque, um outro cordeiro morreu!




Filme - A Diretoria

“A Diretoria” (The Board) é um curta-metragem produzido pela  Bethesda Bapistst Church. Com um custo de U$$ 350.00,00; a produção contou com o envolvimento de mais de 60 membros da igreja, e o investimento da Wexler California Videos. No Brasil, a distribuição é da Graça Filmes...  

Esse filme é um drama que expõe, de maneira simples e objetiva, aquilo que acontece no mais íntimo de uma pessoa. No filme, a alma é composta por seis integrantes: Mente, Memória, Emoção, Coração, Vontade e Consciência. Os interesses são diferentes, mas apenas uma votação unânime pode decidir que direção seguir.

Quando um deles surge com uma pergunta que pode trazer consequências eternas para todos, o grupo se vê em uma situação de risco. Muitas coisas ainda estão ocultas, mas precisam vir à tona. As dores e os ressentimentos do passado começam a surgir. Por fim, ao enfrentar uma poderosa acusação, a autodefesa hipócrita é exposta e se opõe a decisão final dos demais. A Diretoria lhe mostrará como Deus fala à sua alma quando você medita a respeito da eternidade.

A reunião chegou ao fim... A batalha começou... A sentença impactará a eternidade





terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Biografia - Ulrico Zuínglio



No dia 1 de janeiro de 1484, na pequena cidade de Wildhaus, nascia um personagem bastante influente na Suíça de seus dias, mas cuja história, por estes estranhos motivos que a vida nos reserva, é pouco conhecida em nossos dias. Recebeu de seus pais o nome Ulrich Zwingli, mas tarde, porém, adotou a graça de  Huldrych Zwingli. Em português, no entanto, o conhecemos como Ulrico Zuínglio.

Wildhaus é uma pequena vila alpina, situada no vale de Toggenburg, cujos habitantes viviam principalmente do pastoreio. Ali, Zuínglio seria educado na religião católica pelos pais tementes a Deus, em seus primeiros anos de vida, e logo cedo se destacaria por sua inteligência e amor à verdade. Aos oito anos ele teria dito que estava considerando se a mentira não deveria merecer uma punição maior que o roubo, já que a verdade seria “a mãe de todas as virtudes”. Por isto o pai achou uma injustiça confiná-lo à vida pastoril, como fizera com seus irmãos Heini e Claus. Decidiu assim deixá-lo aos cuidados de seu irmão Bartholomew, deão em Wesen, que influenciou bastante o humanismo de Zuínglio. Ele ficaria com seu tio por 2 anos, quando este o enviaria para Basileia, para a escola St. Theodore, aos cuidados de George Binzli. Ali Zuínglio aprenderia latim e grego, além de aprender música, algo que ele gostava muito. Depois de 3 anos, Zuínglio seria ainda enviado a Berna, onde Heinrich Wölflin, ou Lupulus, conhecido como o melhor estudioso clássico e poeta latino da Suíça, tinha uma escola. Ali ensinava vários alunos sobre as obras de autores gregos e romanos clássicos.

De 1500 a 1502, ele estudaria na Universidade de Viena, que se tornara um centro de estudo dos clássicos através dos trabalhos de distintos humanistas, como Corvinus, Celtes, e Cuspinian. Ali ele estudaria filosofia escolástica, astronomia e física, além de estudar sobretudo os clássicos antigos. Desenvolveria também sua vocação para a música, tocando vários instrumentos, como o alaúde, harpa, violino, flauta, saltério e um chifre de caça. Por isto ganharia o apelido “carinhoso” de “tocador de alaúde evangélico, flautista e assobiador” de seus oponentes católicos. Em 1502 ele retornaria para Basileia, onde ensinaria latim na escola de São Martim. Ali também prosseguiria seus estudos, adquirindo grau de mestre em artes em 1506, sendo por isto chamado sempre de Mestre Ulrico. Ali também ele conheceria Leo Judae, que se tornaria grande amigo durante os anos da Reforma em Zurique. Ele seria seu parceiro no futuro, na tarefa de traduzir a Bíblia dos idiomas originais para o dialeto alemão da Suíça. Decisivo para Zuínglio, no entanto, foi conhecer Thomas Wyttenbach, professor de teologia desde 1505. É ele quem Zuínglio chama de amado e fiel professor, que teria aberto seus olhos para vários abusos da Igreja, principalmente as indulgências, ensinando a “não confiar nas chaves da Igreja, mas a buscar a remissão dos pecados apenas na morte de Cristo, e abrir acesso a ela pelas chaves da fé”.
Zuínglio em Glaru.

Naquele tempo, a igreja de Glarus, situada no Cantão de mesmo nome, estava sem um sacerdote. Henry Goeldli, de Zurique, teria sido indicado para a vaga, já que contava com o favor papal. Os cidadãos de Glarus, no entanto, perceberam as intenções puramente financeiras de Goeldli, mandando-o de volta a Zurique. Sua percepção parecia ser bem precisa, já que os mais de 100 florins em moedas de ouro e prata levantados por eles para pagar a Goeldli garantiram que a “devolução” fosse a mais rápida e pacífica possível.

Ainda com o problema da falta de um sacerdote para a cidade, os cidadãos de Glarus elegeram o jovem Zuínglio para a vaga. O pedido formal seria feito em 1506. Ele seria então ordenado padre em Constança no mesmo ano, pregando seu primeiro sermão em Rapperschwyl, às margens do lago de Zurique, e logo depois celebraria sua primeira missa em Wildhaus, iniciando suas atividades sacerdotais em Glarus no fim daquele ano. Ali ele ficaria por 10 anos.

Durante estes 10 anos em Glarus, Zuínglio se dedicou a aperfeiçoar seus conhecimentos nos idiomas bíblicos, especialmente o grego, para que pudesse ler a Bíblia em seus idiomas originais, estudando sozinho o grego. Foi assim que o processo de conversão de Zuínglio se iniciou em Glarus. Certamente sua conversão não foi repentina mas um processo intelectual gradual, que se completaria somente em Zurique. Em Glarus ele era um patriota e humanista, não um teólogo ou um professor religioso. Somente ao adotar a Bíblia como guia única para a vida é que ele rompeu com as tradições de Roma, as quais nunca o influenciaram muito.

Era um costume suíço enviar padres aos campos de batalha como capelães, e por isto Zuínglio presenciou várias batalhas durante este tempo. É daí que Zuínglio inicia suas preocupações patrióticas, que o motivariam também a reformar a igreja, como nos relata Justo Gonzalez: O patriotismo de Zuínglio foi despertado pela prática de serviço mercenário, que era uma das principais fontes de renda para muitas cidades e vilas suíças. Por gerações, os suíços haviam usufruído da reputação de serem soldados bravos e consistentes, e tinham se beneficiado dessa reputação para vender seus serviços a príncipes estrangeiros. Nos dias de Zuínglio, isto havia se tornado uma prática aceita e raramente uma voz era ouvida contra a mesma, embora muitos reconhecessem que a vida dos soldados mercenários, tendo que complementar sua renda saqueando, não conduzia a padrões mais elevados de moralidade. O próprio Zuínglio apoiou a prática do serviço mercenário e lucrou com ela. Mas depois da batalha de Marignano (1515), onde um grande número de soldados suíços morreu por uma causa indigna que não lhes pertencia, quando outros simplesmente se venderam para Francisco I por um preço mais alto, Zuínglio começou a atacar a prática do serviço mercenário. Estes ataques não foram bem recebidos por alguns de seus paroquianos na cidade de Glarus, e ele se sentiu compelido a deixar aquela paróquia.

E assim, Zuínglio foi obrigado a deixar Glarus em 1516, por conta de intrigas com o partido político francês, que chegou ao poder depois da batalha de Marignano. Zuínglio aceita então um chamado a Einsiedeln, uma vila com um convento beneditino no Cantão católico de Schwyz. No entanto, manteria seu cargo de sacerdote em Glarus até seu chamado a Zurique, mantendo ali um vicário. Em Einsiedeln, Zuínglio faz grande progresso no estudo das Escrituras e dos pais da igreja. Várias anotações suas foram feitas nas laterais das obras destes pais, sendo que os seus preferidos eram Orígenes, Ambrósio, Jerônimo e Crisóstomo. Embora citasse muito Agostinho, ele não chegou a gostar dele tanto quanto Lutero. É ali que ele fez uma cópia manual de todas as epístolas de Paulo e a carta aos Hebreus. Ao mesmo tempo ele iniciaria em Einsiedeln os ataques a alguns abusos por parte da Igreja, especialmente a venda de indulgências. Ele diria que teria iniciado a pregar o Evangelho antes que o nome de Lutero fosse conhecido na Suíça, mas com a diferença de depender demais dos pais da igreja. Myconius, Bullinger e Capito relatariam em concordância que ele teria pregado a adoração exclusiva a Cristo ao invés de Maria. Diria ao cardeal Schinner que o papado não se baseia nas Escrituras. A inscrição na porta do convento que prometia completa remissão de pecados seria retirada. Por causa da força destes testemunhos é que alguns historiadores costumam apontar o ano de 1516 como o início da Reforma suíça.

No entanto, esta Reforma promovida por Zuínglio diferia da Reforma de Lutero por suas consequências. Ele era apenas um erasmiano, lutando por uma educação melhor, ao invés de uma renovação teológica. Por isto mesmo continuava a ter a confiança do cardeal Schinner, que lhe ofereceu uma pensão de 50 florins anuais para a compra de livros, para que continuasse a seguir em seus estudos. Seria apontado ainda, em 24 de agosto de 1518 como capelão papal, com todas as honras e privilégios que o cargo oferecia. Foi oferecido ainda a ele uma duplicação de sua pensão e um sacerdócio em Basileia ou Coire, com a condição de que ele promovesse a causa papal. Ele rejeitaria todas estas ofertas, menos a pensão inicial, que terminaria rejeitando em 1520. Curiosamente em 23 de janeiro de 1523, o próprio papa Adriano VI, desconhecendo o verdadeiro estado das coisas, escreve uma carta amável e respeitosa a Zuínglio, esperando assegurar através dele a influência em Zurique para a sé romana.

Einsiedeln atraía muitas pessoas em peregrinação, e foi assim que a fama de Zuínglio como pregador e patriota cresceu ainda mais, lhe assegurando um chamado para a posição de pastor em Grossmünster, a principal igreja de Zurique. Seus inimigos fizeram o possível para impedi-lo, criticando seu gosto pela música e o acusando de impureza. Myconius teria exercido toda sua influência em seu favor. Ele seria então eleito por 17 votos de 24, em 10 de dezembro de 1518.
A conduta de Zuínglio.

Zuínglio chegaria em Zurique em 27 de dezembro de 1518, recebido com calorosas boas vindas. Prometia cumprir seu chamado fielmente, iniciando a pregação a partir de Mateus, para expor toda a vida de Cristo perante o povo. Este foi um afastamento do costume de seguir as lições prescritas do Evangelho e das Epístolas, justificada nos exemplos dos antigos pais, como Crisóstomo e Agostinho, que pregavam a partir de livros inteiros. As igrejas reformadas reafirmariam o direito de selecionar textos livremente, enquanto que as igrejas luteranas manteriam o sistema católico de perícopes. Zurique era a cidade que mais florescia na Suíça alemã. Grossmünster foi construída no século 12, passando para a comunhão reformada juntamente com outras igrejas em Basileia, Berna e Lausana. Zurique era o centro de relações internacionais da Suíça no começo do século 16, sendo inclusive residência de embaixadores. Por isto seus cidadãos tinham um espírito de ganância e rivalidade enorme. Bullinger diria que antes da pregação do evangelho ali, Zurique era para a Suíça o que Corinto era para a Grécia.

Zuinglio começaria seus trabalhos públicos em seu trigésimo sexto aniversário, em 1 de janeiro de 1519. No outro dia anunciou uma série de exposições no primeiro evangelho, que passaria depois para Atos, as cartas paulinas e as cartas católicas, de forma que completou a exposição homilética em todo o Novo Testamento em 4 anos (deixaria de fora Apocalipse, no entanto, por achar que este não era apostólico). Durante a semana ele pregava com base nos Salmos. Ele teria feito de seu principal objetivo “pregar Cristo da fonte” e “inserir o puro Cristo nos corações”. Ele não pregaria nada que não pudesse provar pelas Escrituras, o que já mostra suas ideias reformatórias, já que o alvo da Reforma era reabrir as fontes do Novo Testamento para o povo. No entanto, ele não atacaria a igreja Católica em seus sermões, mas apenas o pecado no coração dos homens. Logo suas pregações começariam a ficar famosas em Zurique.

Neste meio tempo, a Reforma de Lutero na Alemanha começaria a abalar a igreja. Alguns livros de Lutero seriam reimpressos em Basileia em 1519, sendo enviados a Zuínglio por Rhenanus. Várias ideias luteranas estavam no ar e ele não poderia escapar delas. É verdade que a controvérsia eucarística iria separar os dois reformadores, mas também é verdade que Zuínglio mantinha um profundo respeito pelo reformador alemão e seu grande serviço para a igreja.

Em Julho de 1522, Zuínglio e mais 10 padres redigiram um pedido em latim para o bispo, e uma petição em alemão para a Dieta suíça, pedindo permissão para a livre pregação do Evangelho e permissão para o casamento de clérigos, como único remédio contra os males causados pelo celibato. Ele citaria as Escrituras sobre a divina instituição e direito ao casamento, implorando aos confederados que permitissem aquilo que o próprio Deus sancionou. As petições, no entanto, não foram concedidas. Vários padres desobedeceram abertamente. Um se casou com uma freira do convento de Oetenbach (1523), Reubli de Wyticon se casou em 28 de abril de 1523, Leo Judae em 19 de setembro de 1523. Zuínglio se casaria em 1522, mas por precaução ele não tornou o casamento público até 5 de abril de 1524. Sua esposa, Anna Reinhart, era a viúva de Hans Meyer von Knonau, mãe de três filhos e mais velha que ele dois anos. Seus inimigos espalhariam que ele teria se casado por interesse, mas ela tinha apenas 400 florins além de seu guarda-roupas e joias, que teria parado de usar depois de seu casamento.

Os pontos de vista de Zuínglio, em conexão com a reforma luterana na Alemanha, causaram grande comoção em toda Suíça. Assim, o conselho da cidade de Zurique decidiu ordenar uma disputa pública que deveria estabelecer a questão com base nas Escrituras. Para esta disputa, Zuínglio então publicou uma série de 67 Artigos de fé, consideradas a primeira declaração pública da Fé Reformada, embora não tenham adquirido autoridade simbólica. Pareciam com as 95 Teses de Lutero, mas marcam um grande avanço no sentimento protestante, cobrindo grande número de assuntos.

A primeira disputa ocorreu em 29 de janeiro de 1523, perante 600 pessoas, incluindo todo o clero e membros do conselho maior e menor de Zurique. St. Gall foi representado por Vadian, Berna por Sebastian Meyer, Schaffhausen por Sebastian Hofmeister. Oecolampadius de Basileia não esperava nada de bom de disputas e desistiu de vir. O bispo de Constança enviou seu vicário geral, Dr. Faber, até aqui amigo de Zuínglio e um homem de grande respeito, hábil estudioso e hábil debatedor, com outros três conselheiros e juízes. Faber se recusou a entrar em discussões teológicas detalhadas, que ele achava ser apropriadas para Concílios ou Universidades. Zuínglio responderia suas objeções, convencendo a audiência. Por isto, no mesmo dia, os magistrados decidiriam em favor de Zuínglio, permitindo que ele proclamasse a verdade, proibindo também que qualquer sacerdote pregasse algo que ele não conseguisse demonstrar pelas Escrituras. As consequências desta primeira disputa logo vieram. Ministros começaram a se casar, o batismo era feito no idioma vernacular e sem exorcismo, as imagens foram retiradas, rejeitadas.

Não demoraria muito para uma segunda disputa pública ser marcada, no dia 23 de outubro de 1523, demorando desta vez 3 dias e contando com 900 pessoas. Esta disputa contaria com 350 clérigos e 10 doutores, e tinha como objetivo discutir a questão das imagens e da missa. O conselho foi presidido por Dr. Vadian de St. Gall, Dr. Hofmeister de Schaffhausen e Dr. Schappeler de St. Gall. Zuínglio de Leo Judae defenderam a causa protestante, contando com superior conhecimento e argumento nas Escrituras. O partido católico exibia mais desconhecimento, embora Martin Steinli de Schaffhausen tenha habilmente defendido a missa. Konrad Schmid de Küssnacht tomou uma posição moderada e causou grande efeito na audiência por sua eloquência.

O Conselho no entanto, não estava preparado ainda para abolir a missa e as imagens. Ele puniu extremistas que surgiram depois da primeira disputa, apontando ministros (entre eles Zuínglio) para ajudar a esclarecer a população através da pregação e de escritos. Assim Zuínglio prepararia seu “Pequena instrução cristã”, que seria enviado pelo Conselho dos Duzentos a todos os ministros do Cantão, aos bispos de Constança, Basileia e Coire, à Universidade de Basileia e a doze outros Cantões. Com tais esclarecimentos, a opinião pública foi preparada para as reformas que se seguiriam. A destruição seria radical, mas ordenada, contanto com a ajuda dos ministros e magistrados civis. A reforma começaria no Pentecoste e se completaria em 20 de junho de 1524. Pinturas foram queimadas, ossos dos santos foram enterrados, paredes foram repintadas, órgãos foram retirados das igrejas. Zurique agora era uma cidade Protestante.

Uma terceira disputa aconteceria ainda em 20 de janeiro de 1524, onde os defensores da missa seriam mais uma vez refutados. Foram então ordenados a não mais resistir as decisões dos magistrados, embora pudessem aderir à sua fé. Foi nesta disputa que Zuínglio pregou contra o estado lastimável do clero de sua época, que posteriormente foi reimpresso com o título “O pastor”. No verão de 1524, várias respostas às decisões de Zurique apareceriam, embora infrutíferas. O conselho da cidade já teria decidido seguir a reforma implantada por Zuínglio.

Chegamos em meados de 1530, quando vários fatores políticos dão origem a uma batalha entre os Cantões protestantes e católicos. Entre eles, está a questão dos soldados mercenários e da proibição de pregar o Evangelho em Cantões católicos. Zuínglio acreditava na necessidade da batalha, apelando para os exemplos de Josué e Gideão. Já tinha visto muitos de seus compatriotas morrerem por causas alheias, e parece que não estava disposto a permitir isto mais. Escreveria depois para seus amigos em Berna (30 de maio de 1529): “e não temam tomar armas. Esta paz, que alguns desejam tanto, não é paz, mas guerra; enquanto que a guerra para a qual chamamos, não é guerra, mas paz. Não temos sede de sangue humano algum, mas nós iremos cortar os nervos da oligarquia. Se evitarmos isto, a verdade do evangelho e a vida dos ministros nunca estarão seguras entre nós”.

Zuínglio acompanharia as tropas de Zurique a Cappel, recusando-se ficar em segurança enquanto os soldados lutam. Ele prepararia excelentes instruções para os soldados e um plano de campanha que deveria ser curta, decisiva e se possível, sem derramamento de sangue. A guerra seria declarada em 9 de junho de 1529. Zuínglio não admitiria trégua, senão se 4 pontos fossem satisfeitos:

Que a Palavra de Deus fosse pregada livremente na confederação inteira, mas que ninguém fosse forçado a abolir a missa, as imagens e outras cerimônias que se encontram sob influência da pregação escriturística.

Que toda pensão militar estrangeira fosse abolida

Que os originadores e despenseiros de pensões estrangeiras fossem punidos enquanto os exércitos estiverem ainda em campo

Que os Cantões da Floresta paguem os custos de preparação da guerra, e que Schwyz pague mil florins para o suporte dos órfãos do Kaiser (Schlosser) que foi recentemente queimado ali como herege.

Mesmo assim, houve uma trégua em 25 de junho de 1529, que não cumpriu todos os pontos acima, especialmente os pontos relacionados com as pensões de guerra. O tratado no entanto é importante por reconhecer pela primeira vez a igualdade legal entre católicos e protestantes. Porém, o tratado de paz, que não favoreceu católicos, foi descumprido por estes. Os Cantões da Floresta não estavam dispostos a admitir pregadores protestantes em seus territórios, insultando-os. A situação política iria se agravar, até que Zuínglio proporia novamente uma guerra aberta. No entanto, seu conselho foi recusado. Berna defendeu uma solução mais “amena”, que seria o corte de todos os suprimentos que os Cantões protestantes forneciam. Zuínglio protestaria: “Se vocês tem o direito de fazer os Cinco Cantões morrerem de fome, vocês tem o direito de atacá-los em uma guerra aberta. Agora eles irão atacá-los com a coragem do desespero”.

Zuínglio passaria os últimos meses de sua vida em ansiedade. Seu conselho foi recusado, mas mesmo assim era culpado de todos estes problemas. Cada vez mais seus inimigos minavam sua influência, pendendo para a política mais amena de Berna. Assim, ele resolveu deixar o serviço público. No dia 26 de julho ele compareceria no Grande Conselho e diria as seguintes palavras: “Onze anos eu preguei o evangelho a vocês e fielmente os avisei contra os perigos que ameaçam a confederação se os Cinco Cantões – ou seja, aqueles que odeiam o evangelho e vivem de pensões estrangeiras – forem permitidos a ganhar o domínio. Mas vocês não ouvem minha voz, e continuam a eleger membros que simpatizam com os inimigos do evangelho. E mesmo assim vocês me fazem responsável por todo este desfortúnio. Bem, eu de agora em diante me despeço, e procurarei em outro lugar meu suporte”. Ele deixaria a sala com lágrimas. Mas seu pedido foi rejeitado. Voltaria depois de três dias, dizendo que ficaria com eles até a morte.

Assim, a política de fome promovida por Berna acabaria, de fato, provocando o desespero dos Cantões católicos. Prontamente organizando um exército, marcharam para Zurique em 9 de outubro de 1531, que pegou a cidade desprevenida. Anos antes teriam organizado um exército de cinco mil, mas agora dificilmente organizaram mil e quinhentos homens, que marcharam para o encontro em Cappel. Zuínglio não os abandonaria neste momento, e os acompanhou. Zuínglio não teria usado nenhuma arma na batalha, mas estava ali consolando os soldados e os motivando. Ajoelhava para consolar um soldado que estava morrendo, quando levou uma pedrada na cabeça, que o levou ao chão. Levantando-se novamente, recebeu vários outros golpes. Levantando mais uma vez a cabeça, e vendo o sangue sair de suas feridas, ele proferiu suas últimas palavras: “O que importa este infortúnio? Eles podem matar o corpo, mas não podem matar a alma”. Ainda vivia quando o capitão Vokinger de Unterwalden, um dos soldados mercenários que tantas vezes Zuínglio havia condenado, o reconheceu. Com um golpe de espada o mataria, exclamando “Morra, herege obstinado”.

Assim, aos 47 anos de idade, morria o primeiro reformador da Suíça, o primeiro reformador da linha Reformada. Suas ideias, no entanto, continuariam por muito tempo.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Por que Deus pediu para Abraão sacrificar seu filho?



A chamada de Abraão foi um marco não apenas na vida do patriarca, mas também na história da humanidade. Ele obedeceu a voz de seu Deus e partiu em direção a uma terra desconhecida, sem ao menos entender a grandiosidade do projeto divino para sua vida. Abraão passou a viver por Deus e para Deus, sendo guiado por fé em seus decisões, escolhas e caminhos.

Mas a chegada de Isaque lhe trouxe novas prioridades, e seu filho tornou-se o centro de sua vida. O coração de Abraão pulsava pelo menino, e nele estava centralizado todo o afeto do velho. Obviamente, não existe nada a se censurar na relação afetuosa de pai (ou  mãe)  e filho , mas aos poucos, Abraão deixou que Isaque tomasse o lugar que antes fora de Deus em seu coração, e este era o problema.

Deus precisa estar entronizado em nossos corações, mas por vezes, deixamos que pessoas, coisas ou lugares ocupem este posto, e relegamos ao Senhor para uma condição secundária. Ainda o amamos e damos ouvido a sua voz, mas Ele já não é o centro e a essência do nosso viver.

Deus deseja ser nossa prioridade, pois somos sua prioridade também. Ele nos ama de forma incondicional, sua fidelidade é inabalável e suas promessas infalíveis. Em contrapartida, o Senhor deseja habitar em nossos corações e mentes, realizando em nós tanto o seu querer quanto o efetuar (Filipenses 2:3). Como Deus não aceita estar em segundo plano, toda vez que priorizarmos outro elemento em seu lugar, seremos levados a um ponto de decisão, onde precisaremos escolher a quem de fato servir (Mateus 6:24).

Isaque estava para Abraão numa posição que deveria ser de Deus. Assim, o patriarca é chamado pelo Senhor para uma decisão sacrificial onde as prioridades de sua vida seriam definitivamente estabelecidas. Abraão amava a Deus inquestionavelmente, mas amava seu filho incontrolavelmente. Agora, seria necessário optar por um deles.

E Abraão escolheu seu amor mais antigo, a fonte de sua vida e das promessas. Mais do que sacrificar o filho no altar do Senhor, o patriarca precisou realizar um verdadeiro rito onde confrontou seus próprios sentimentos, como planejar a viagem a Moriá, rachar a lenha que seria usado no holocausto e afiar a lâmina de seu cutelo para imolar Isaque. Cada uma dessas ações foi importante para que uma nova inversão de prioridades acontecesse no coração de Abraão, onde ele finalmente entendeu que sem ISAQUE ainda haveria um DEUS, mas sem DEUS, não haveria mais ISAQUE algum.

A longa jornada até Moriá foi fúnebre e silenciosa. Cada passo dado aproximava pai e filho de um destino cruel. A inocente ignorância do olhar de Isaque contrastava como os olhos pesarosos de Abraão.

Ele estava certo que no alto da montanha, teria que tirar a vida do próprio filho, parti-lo ao meio, escorrer o sangue e depois queimar seu corpo. Mas enquanto pensava na morte, Abraão se enchia de vida. Ele se lembrava das promessas de Deus, e como o Senhor tinha sido fiel no cumprimento de cada uma delas. Sua fé se potencializava na obediência e o “vale da sombra da morte” ganhava contornos de esperança. Pouco a pouco uma certeza imergiu do coração de Abraão como um facho de luz nas trevas: Ainda que das cinzas, Deus vai trazer Isaque de volta para vida! Neste instante, mesmo sem saber, a fé de Abraão já tinha sido provada e aprovada. Isaque foi sacrificado sem precisar morrer.
Ele havia chegado a um patamar espiritual que sequer imaginava ser capaz.  Mas Deus reconhecia este potencial, e o sacrifício de Isaque serviu para provar ao próprio Abraão o tamanho de sua fé e até onde ele estava disposto a ir para obedecer. Algo que Deus já sabia desde os tempos em Ur...

domingo, 10 de janeiro de 2016

Por cima dos muros



Livremente inspirado na ministração do Pr. Wilson Gomes no Culto da Família, realizado no dia 10/01/2016.

José ainda era um adolescente de 17 anos quando foi vendido por seus irmãos, e chegou ao Egito junto a caravana de mercadores ismaelitas. Negociado como escravo, logo se tornou o mais exemplar serviçal da casa de um militar egípcio chamado Potifar, que o promoveu para mordomo. Porém, a esposa de Potifar, via qualidades em José que iam muito além de seu primoroso serviço, e tentou, sem sucesso, seduzir o jovem hebreu. Frustrada pela negativa de José, aquela mulher lhe acusa de assédio e tentativa de estupro, assim, vitimado por esta enorme injustiça, José é conduzido a prisão, onde passará os próximos anos de sua vida.

No cárcere, José tem a oportunidade de conhecer dois funcionários do palácio de Faraó, suspeitos por intentar contra a vida do rei. Através da interpretação dos sonhos de seus companheiros de cela, José revela que o padeiro será condenado a morte e o copeiro será libertado e retornará aos seus afazeres. Em três dias, a previsão se realiza piamente. Os anos seguintes foram arrastados, mas mesmo numa situação adversa, José impressionava a todos por sua postura e nobreza, tanto que foi promovido a “auxiliar” de carcereiro. Alguns anos depois, quando o poderoso Faraó se viu às voltas com um sonho perturbador e indecifrável que lhe tirava completamente a paz, o seu copeiro se lembrou do companheiro de cela visionário. Então, José é retirado da prisão e conduzido a presença do monarca. Ali, o jovem hebreu (já na casa dos 30 anos), não apenas revela o significado do sonho real (sete anos de fartura seguidos por sete anos de fome e escassez), como também apresenta um plano para evitar um desastre nacional. Sem pensar duas vezes, o Faraó ascende José ao cargo de “governador”, uma mistura de ministro da fazenda com vice-presidente. Agora, o antes escravo e prisioneiro, é o segundo em comando no poderoso Egito.

Quando seus irmãos se apresentam a fim de comprar alimentos, José enfrenta uma intensa batalha contra seus próprios sentimentos, e depois de uma série de provas impostas, ele perdoa seus irmãos, e pede que Jacó seja trazido para o Egito. Gênesis 46:27 revela que 70 hebreus chegaram ao Egito, onde foram regiamente recebidos, e acomodados na terra de Gosén, afim de apascentar em calmaria os seus rebanhos. José sabia que o Egito não era a terra que Deus prometerá a seu bisavô Abraão, tanto que fez jurar os seus descendentes, que quando retornassem para casa, seus ossos deveriam ser levados dali (Êxodo 13:19).

Um dos mais belos testemunhos sobre a vida de José foi dado por seu pai Jacó, que resumiu com perfeição a história de seu filho querido em forma de bênçãos: José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e odiaram. O seu arco, porém, susteve-se no forte, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacó (de onde é o pastor e a pedra de Israel). Pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos do abismo que está embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até à extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos. (Gêneses 49:22-26)

O segredo da vitória é estar plantado em Deus... Ainda que a terra seja seca e não haja chuvas do céu, nossas raízes serão tão profundas que encontraram mananciais de água, e daremos frutos em tempo e fora de tempo, estendo os ramos por cima do muro!



sábado, 9 de janeiro de 2016

Em você e através de você



O ano já está a todo vapor, e neste sábado, 09 de janeiro, o Grupo de Varões Herança Divina realizou o seu primeiro culto especial de homens de 2016. Sob a direção do Pb. Bene Wanderley, os varões da igreja testificaram das grandes obras do Senhor. Vários presbíteros tiveram oportunidade para ministrar uma palavra de aconselhamento a congregação, e coube ao Pb. Jackson Márcio Luiz, a responsabilidade da palavra final.

Marcos 5 nos conta a história de um homem endemoniado. Sem vida social, sua morada era nos sepulcros. Violentamente atormentado, assustava os moradores por sua fúria e perturbação. Ora gargalhava descontroladamente, ora uivava como um lobo no meio da noite. Podia ser ouvido a longas distâncias. Maltrapilho e sujo, o gadareno dividia território com os porcos. Ninguém sequer podia se aproximar do homem que quebrava cadeias e grilhões, sem permitir que o amansassem. Apesar do seu estado de loucura e abandono, o gadareno tinha uma família, que chorava sua perda. Mas aquela situação iria mudar...

Jesus atravessou o mar da Galiléia, desembarcou em Gadara, para mudar o destino de muitos naquele lugar. Assim que viu o Senhor se aproximar, os muitos demônios que dominavam o corpo daquele homem se lançaram em terra... Eles se sentiam incomodados com a presença de Jesus, pois sabiam que já tinham perdido aquela batalha espiritual antes mesmo de começar. Cristo, não tenha nada a falar com as legiões infernais, e ordena que se retirem... Seus olhos ternos e amorosos estão completamente voltados para aquele homem sofrido e angustiado.

Jesus libertou aquele homem, que prontamente se dispôs a servi-lo: “Deixa-me ir ter contigo, onde fores”. Jesus não permitiu e disse-lhe: "Vai para tua casa, testemunhar entre os teus". A família do liberto, também precisava participar do milagre e serem testemunhas da transformação. Precisavam de um renovo e o Espírito Santo de Deus, que agora morava no Gadareno, seria derramado naquele lugar. Uma grandiosa obra estava começando em Gadara....

Quanto ao homem liberto, segundo Marcos 5:20, ele foi e começou a anunciar em Decápolis, quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam. A arqueologia moderna já encontrou aquele lugar e entre as ruínas atuais da cidade, são contadas cerca de cinco igrejas do período antigo.

Podemos dizer que  o gadareno, (o mesmo comia com os porco), se tornou um grande evangelista, ganhando  muitas almas para Jesus. Sua família foi salva, muitos conheceram o amor sobrenatural de Jesus, através de sua história.

Deus pode (e vai) mudar sua vida... Mas não para por aí. Através de você, Ele também vai transformar o mundo ao redor. O poder de Deus não tem limites. Opera em você e através de você! 




sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Viúva por três horas



Uma das práticas mais relevantes da Igreja Primitiva consistia em que cristãos mais abastados se desfaziam de alguns bens e traziam o dinheiro angariado até os apóstolos, afim de que os mesmos repartissem aquele valor entre os mais necessitados. Lucas cita, por exemplo, que um levita natural de Chipre por nome Barnabé, após vender uma propriedade, reverteu toda a renda em prol dos menos favorecidos. Tal atitude generosa fez com que o mesmo fosse muito estimado pela congregação, abrindo precedentes para que outros irmãos agissem da mesma forma.

Ananias e Safira, também venderam uma propriedade, mas não tornaram público o valor da transação. Separaram uma parte do dinheiro obtido com aquela venda e trouxeram o montante aos apóstolos, dizendo que estavam ofertando aos necessitados todo o valor conseguido com a venda. Com isso, objetivaram ganhar em duas frentes. Se por um lado poderiam empregar o dinheiro guardado em novas propriedades, por outro seriam enaltecidos dentro da congregação por sua generosidade desapegada. Buscando ser duplamente honrados, o casal decide que cada um deverá levar separadamente, uma parte do dinheiro até os apóstolos, ressaltando que ali estava sendo entregue tudo quanto tinham conseguido arrecadar.

Porém, esta atitude hipócrita e gananciosa, com motivações meramente carnais, desagradou profundamente ao Espírito de Deus, que tomou aquela mentira como uma ofensa pessoal. Pedro ficou incumbido da dura tarefa de transmitir ao casal a terrível sentença desta irreverente ação.

Ananias foi o primeiro a se achegar ao altar, e assim que entregou sua “oferta” ao apóstolo, foi inquirido pelo homem de Deus: - Por que você deixou Satanás encher teu coração com mentiras? Alguém exigiu algo de você? A herança não era tua? O dinheiro da venda não era teu? Por que, então, decidiu por este engodo, mentindo não aos homens, mas sim ao próprio Deus? 

Assim que ouviu estas palavras, Ananias foi atingido mortalmente pelo Senhor e faleceu imediatamente, fazendo que um grande temor recaísse sobre toda congregação. Alguns jovens obreiros se encarregaram de retirar o cadáver do cenáculo e sepulta-lo nas imediações.

Passadas três horas, Safira se apresenta diante de Pedro, e incauta sobre o acontecido, repete a história contada anteriormente por seu marido. Diante de mais esta mentira, Pedro informa aquela mulher que as mesmas pessoas que sepultaram seu marido horas atrás, também seriam responsáveis pelo seu próprio sepultamento. Ao saber de sua viúves, e tomando consciência da gravidade de seu erro, imediatamente, Safira também morreu.

Com Deus não se brinca, e seu Espírito jamais se deixa enganar ou escarnecer.