quinta-feira, 7 de abril de 2016

EBD - Os perigos da febre das redes sociais


Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 99 - Editora Betel
Fruto do Espírito - Lição 02
Comentarista: Pr. Israel Maia

Comentários Adicionais
Pb. Bene Wanderley
Pb. Miquéias Daniel Gomes
Cp. Lucas Passarelli Gomes


Texto Áureo
Isaías 55:6
Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

Verdade Aplicada
Não podemos permitir que nada seja mais suficiente para nós do que uma vida verdadeiramente em Cristo.

Textos de Referência
Salmos 128:1-6

Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos.
Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.
A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa.
Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.
O Senhor te abençoará desde Sião, e tu verás o bem de Jerusalém em todos os dias da tua vida.
E verás os filhos de teus filhos e a paz sobre Israel.


Licitude e Conveniência
Comentário Adicional
Pb. Bene Wanderley

Estamos felizes por termos em nossas mãos, esse material tão precioso e benéfico, não somente para nossa vida cristã diária, mas também para nosso crescimento individual com uma maior compreensão de nosso papel como “igreja” junto à sociedade. O fato é que estamos sendo bombardeados pelo inferno, caminhando por um perigoso campo minado de perniciosidade. Em meio aos vários tipos de perigos aos quais estamos expostos, salta aos olhos as armadilhas presentes nas redes sociais, com as quais, inegavelmente, estamos intimamente ligados em nosso dia a dia. Com o avanço desenfreado da corrupção, da libertinagem e do hedonismo, aliados a uma crescente falta de interesse pelo sagrado, assistimos de camarote a degradação moral e espiritual das pessoas. Como bem sabemos, a pós- modernidade e a tecnologia presente em seu contexto, não são maléficas em si, mas tem sim, potencial para ser usada por mãos malignas. Infelizmente as pessoas têm super valorizado às coisas criadas, e renegado com suas vidas, ao Criador de todo e todos. A grande verdade é que nosso conceito de prioridade (pessoas, bens, igreja, família, relacionamentos, ambições, trabalho, satisfações, ministério...), é o real problema desta era tão atarefada e escassa de horas...  E as redes sociais vêm ocupando um espaço cada vez maior numa agenda já apertada. Isto tem sim, tornado-se um problema gravíssimo, com consequências quase irreversíveis, até mesmo dentro das famílias cristãs.

A internet não pertence a Satanás. Isto é um fato. Mas astuto como o inimigo é, ele tem usado as redes sociais como parte vital de seu plano diabólico, que consiste basicamente em destruir a coroa da criação de Deus, levando um número de almas cada vez maior para o inferno. Satanás não descansa, não vacila não se distrai e com isso, não perde seu foco. Infelizmente, esta “determinação” não é encontrada em muitos crentes, que constantemente são atraídos por pontos de falsa luz, caindo nas garras do tentador e praticando todo tipo de pecado, do mais sútil ao abominável, que em essência são igualitariamente danosos. E parte significativa da causa raiz de toda essa desgraça, vem do uso indevido e exagerado das redes sociais. Seria uma grande incoerência de nossa parte, demonizar o Facebook, o Watsapp e qualquer outra mídia social, pois elas são excelentes meios de comunicação, e tem servido de apoio à divulgação do evangelho. Mas se Satanás não criou as redes sociais, ele fez sim perfis em todas elas, e diariamente nos envia solicitação de amizade.  

É preciso urgentemente erguer nossas vozes para despertar as pessoas sobre o perigo do uso "indevido e exagerado" desses meios; pois é estarrecedor o volume de caso de famílias inteiras sendo destruídas pelo descontrole digital.  As escrituras ensinam o cristão a como se comportar quando estão fazendo uso das redes sociais: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas por nenhuma eu me deixarei dominar (I Coríntios 6:12) Devemos orar nesses dias tão difíceis, em busca da capacidade de produzir o Fruto do Espírito, para assim, vencer esses ataques ininterruptos das hostes malignas, que tentam nos sufocar sutilmente, até que espiritualmente estejamos mortos.  É preciso imediatamente por em prática a mansidão e o domínio próprio, citados por Paulo em Gálatas 5:23, é que estão presentes no Fruto Espiritual. Se buscarmos em Deus estas virtudes espirituais, seremos capazes de vencer todos esses obstáculos, que visam nos afastar da caminhada cristã.


Teia de Alcance Mundial
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes


A “World Wide Web” (teia de alcance mundial), é sem duvidas, um dos maiores avanços da história da humanidade, interligando o mundo inteiro em tempo real. Nunca foi tão fácil se comunicar, obter informações, transferir arquivos, armazenar dados e encontrar pessoas. Através da grande rede, qualquer um pode observar o mundo por uma janela de poucas polegadas.  A internet nasceu nos laboratórios militares dos EUA durante os anos 60. Inicialmente, ela foi desenvolvida para viabilizar a troca de informações entre os computadores do governo, e era chamada de Aparnet. Em 1989, já nos laboratórios da CERN (organização europeia para pesquisa nuclear), o físico inglês Tim Berners-Lee desenvolveu as características do que hoje conhecemos por "www", estabelecendo uma linguagem padrão para a circulação de dados, permitindo que qualquer computador, independentemente de onde estivesse no planeta, pudesse ter livre acesso a esse mundo virtual. Desde então, a internet só evoluiu, fazendo com que as empresas envolvidas com qualquer tipo de comunicação invistam valores exorbitantes no desenvolvimento de novas tecnologias, tanto para melhoria do serviço, quanto para facilitar o acesso de qualquer indivíduo às informações disponibilizadas na Rede.  Já em 1969, com o desenvolvimento da tecnologia dial-up (conexão a internet por redes telefônicas) e o lançamento da CompuServe (serviço comercial de conexão com a internet), surgiram os primeiros relatos de socialização de dados. Este era o embrião das Redes Sociais.

O envio do primeiro e-mail é datado de 1971, sendo que em 1978, dois especialistas em informática de Chicago desenvolveram o BBS (Bulletin Board System), sistema que utilizando modem e linha telefônica, possibilitava o envio de convites para eventos e a realização de anúncios pessoais. Em 1984, o Prodigy, um novo serviço comercial de conexão é lançado nos EUA. Em 1985, a American Online (AOL) passou a fornecer ferramentas para que pessoas criassem perfis virtuais na rede, bem como o desenvolvimento das primeiras “comunidades”. Em 1997, a mesma empresa implementou um sistema de mensagens instantâneas, criando o primeiro “chat”, pioneiro entre os serviços de “menssegers”.

Os primeiros traços de redes sociais surgiram em 1994 com o lançamento do GeoCities, também da AOL. Mas é em 1995 que surge definitivamente a primeira rede social da história: o Classmates, que ultrapassou a marca de 50 milhões de usuários. Em 1997, o SixDegrees levou o conceito de “rede social” ao patamar que conhecemos hoje. Daí em diante, os avanços não pararam mais: Fotolog (2002), Friendster (2002), MySpace (2003), Linkedin (2003), Orkut (2004), Facebook (2004) e Twitter (2006). Outras redes que também somam milhões de usuários ao redor do mundo são: Tumbler, Blogger, Instagram, Flickr, Pinterest, Google+ e o WhatsApp, que segundo seus criadores, chegou em 2016, a marca de 990 milhões de usuários. O grande problema é que as Redes Sociais podem exercer uma influencia devastadora sobre o indivíduo, capaz até mesmo de destruir famílias. Ou seja, a chave para o BEM ou para o MAL está na ponta nossos dedos.


O começo de tudo

Nos últimos anos, as redes sociais se transformaram no maior meio de contato virtual. Porém, também contribuíram para o afastamento de muitos do seu convívio social. Abordaremos nesta lição este polêmico, mas real, tema. O conceito de redes sociais teve seu início na segunda metade dos anos 90 do século XX com a criação dos chamados chats de bate papo. As pessoas começaram a se relacionar via Internet e a se conhecerem virtualmente. Em meados de 1995, foi criado o Mirc, site com a proposta de colocar as pessoas em contato através da rede mundial de computadores. A partir daí, foi dada a largada ao que chamamos de relacionamentos virtuais. O Mirc viria a ser substituído no início da década seguinte pelos chamados mensageiros instantâneos, como o MSN.

Ao contrário do que muitos pensam, as redes sociais, como conhecemos hoje, não são algo novo, elas também tiveram as suas primeiras inserções na rede em meados de 1990. Na segunda metade da década, surgiu aquele seria considerado o precursor do Instagram, o Fotolog. Assim como a popular rede social de hoje, o Fotolog era utilizado para postagens de fotos com pequenos textos e também começava a tornar popular aqueles que criavam o seu perfil naquela rede. Nesta época, surgiram também o Flogão e ainda as páginas pessoais gratuitas, como Geocities, HPG e Kit Net. A grande diferença hoje é a exposição instantânea, devido ao acesso acelerado dos smartphones e à internet móvel. A chegada da internet móvel e o avanço da tecnologia dos aparelhos de telefone celular, as redes sociais ganharam grandes aliados, pois os usuários de tais meios de comunicação puderam ter um acesso quase que imediato à Internet. Na época do Fotolog e Flogão, o usuário tinha que tirar as fotos em máquinas fotográficas, leva-las até um computador e assim coloca-las em seu perfil ou página. Isso, dependendo de cada usuário, poderia levar dias ou até semanas. A internet rápida aumentou a possibilidade de exposição imediata, fazendo crescer a procura pelas redes sociais.

Ainda falando dos anos noventa, podemos destacar que a grande novidade desta época eram as salas de bate-papo, pois elas proporcionavam contato rápido com parceiros virtuais. Isso foi uma grande oportunidade para adolescentes tímidos que tinham dificuldade de se relacionar, principalmente com adolescentes do sexo oposto, Em 1996, surgiu o ICQ que, em menos de uma ano, já contava com mais de um milhão de usuários, se tornando o veículo de mensagem rápida preferido desta faixa etária de internautas. O ICQ se manteve na liderança até o inicio dos anos 2000, depois de conquistar cerca de 160 milhões de usuários, quando perdeu a primazia para o MSN. As salas de bate-papo e os sites de relacionamento não serviam apenas para encontros amorosos. Antes das grandes redes sociais serem criadas, estes meios de contato foram largamente utilizados por muitos empresários como espaço para realização de negócios. Muitos professores se utilizaram deles para darem aulas particulares a alunos com necessidade de reforço escolar e também serviu como porta de entrada de muitas igrejas no mundo virtual. A utilização destes meios de comunicação não é de todo ruim.

Ao longo das últimas três décadas, o comportamento humano vem sendo modificado pela influência deste tipo de acesso à Internet. Enquanto, foi na primeira década do século XXI que a exposição virtual apresentou um maior impulso. Em 2004, chegou à rede aquele que seria o grande inovador do conceito de rede social, o outrora maior site de relacionamento da Web, o Orkut. Este site, durante 10 anos, dominou o inconsciente dos internautas, tendo sido extinto pelos seus criadores em setembro de 2014, pela vertiginosa perda de espaço para redes que ofereciam melhores opções de acesso: o Twiter e o Facebook. O Orkut influenciou os comportamentos e os relacionamentos durante os dez anos que permaneceu no ar. Através desta rede social, os indivíduos começaram a se expor, postando fotos e comentários em seu perfil e deixando transparecer sua maneira de pensar. Outros postavam coisas que não condiziam com sua verdadeira personalidade, criando assim, uma ideia falsa a seu respeito. O Orkut influenciou até no vocabulário diário das pessoas, criando novas palavras e dando significados diferentes a outras já existentes.


A ilusão da falsa realidade
Comentário Adicional
Cp. Lucas Passareli

Você já percebeu que os pequenos momentos de prazer oferecidos pelas mídias sociais - quando alguém “curte” o seu post, por exemplo - podem não nos fazer bem? Pessoas que usam as redes sociais com muita frequência têm uma probabilidade maior de manter seu foco no prazer e na fama, e uma probabilidade menor de valorizar coisas mais importantes, como a família. Quantos deixam de dialogar com pessoas que estão ali do lado para enviarem mensagens para os amigos, conhecidos, paqueras que estão do outro lado da sua tela. Neste mundo digital podemos ser quem quisermos, pois não estamos expressando nada, apenas digitando ou fazendo post nas redes sociais de nossos momentos felizes. Pesquisas afirmam que o uso em excesso poderia levar a dificuldades na construção de relacionamentos e no aprendizado acadêmico. Pesquisadores da Universidade de Windsor, no Canadá, entrevistaram 149 voluntários e descobriram que as pessoas que usam as redes sociais frequentemente, mas em pequenas “explosões” rápidas de mensagens (tipo 10 minutinhos), curtidas e comentários, tendem a ser “moralmente superficiais”. Logan Annisette, psicólogo da Universidade de Windsor, disse: - “O uso frequente e ultra-breve das mídias sociais está associado a efeitos negativos na forma como o usuário reflete e em alguns indicadores que comprometem o julgamento moral, isso pode potencialmente levar a um declínio na performance acadêmica e aumentar a dificuldade de formação de relacionamentos sociais – duas tarefas extremamente importantes para adolescentes e jovens adultos, os grupos etários que enviam mensagens de texto e usam as mídias sociais com mais frequência.”

Além do mais, olhar o Facebook dos outros pode nos deixar mais tristes. Amigos postando fofocas de festas animadas das quais você não participou; conhecidos registrando em fotos uma viagem para algum destino paradisíaco; celebridades mostrando seu cotidiano de luxo e agito. Se você passa seu tempo observando, passivamente, esse tipo de conteúdo no Facebook talvez já tenha experimentado uma sensação de tristeza. E não está sozinho. Alguns estudos têm mostrado como a rede social pode afetar negativamente nosso bem-estar e provocar sentimentos como inveja. Uma recente pesquisa da Universidade de Michigan (EUA) com a Universidade de Leuven (Bélgica), publicada no "Journal of Experimental Psychology General", analisou 84 estudantes universitários, que foram instruídos a usar o Facebook por dez minutos dentro de um laboratório e, em seguida, responder um questionário a respeito de suas emoções. E os que usaram o Facebook passivamente, meramente observando as atividades e fotos de seus conhecidos ou pessoas famosas, se sentiam significativamente mais tristes e mais invejosos ao longo do tempo. Sabemos que a vida nos traz dificuldades; nos sentimos bem e nos sentimos mal. Se você está constantemente vendo como a vida das outras pessoas vai bem, vai se sentir pior quanto a sua vida, porque, em comparação, ela parece não ir tão bem. Mais esta sensação é puro ilusionismo digital.

O jornal "The New York Times" chamou atenção para um fenômeno no recém-terminado verão americano, em meio às milhares de postagens de celebridades nas redes sociais exibindo suas glamourosas rotinas, em fotos de corpos perfeitos, cenários deslumbrantes e companhias igualmente famosas. A exposição foi tanta, a ponto ter sido popularizada a hashtag "medo de estar perdendo" ("fearofmissing out" em inglês, ou #FOMO), usada nas redes sociais por pessoas chateadas por não estarem aproveitando as férias com a mesma intensidade. Mas a verdade é que poucos estão. É preciso lembrar que as redes sociais mostram uma versão "editada" de nossas vidas. Quando as pessoas postam no Facebook e redes sociais, tendem a postar coisas boas, como fotos bonitas delas em férias. Se você está usando passivamente o Facebook, o que você vê constantemente são esses acontecimentos positivos das vidas dos outros que não são um retrato fiel de suas vidas nem de suas rotinas. Todos fazem de tudo para mostrar o seu melhor (na rede social). Quem teve um dia absolutamente banal não vai contar no Facebook ou em qualquer outra rede social. A vida comum (a que de fato vivemos) não é popular na internet


A infelicidade nas redes sociais

Nosso estudo não tem a intenção de demonizar nem a Internet, nem as redes sociais, mas mostrar o que de bom e ruim temos tanto em uma, quanto em outra, já que essas têm servido de maneira satisfatória à pregação do Evangelho. O problema está no exagero. Pesquisas realizadas por universidades através do mundo comprovam que o tempo de exposição às redes sociais vem causando infelicidade em muitos indivíduos. Alguns usuários têm se desesperado em busca de atenção nas redes e são capazes de divulgar os mais terríveis posts em busca de curtidas. Fotos extravagantes, e até mesmo íntimas, têm povoado a timeline (linha do tempo) de muitos internautas. Só isso já é suficiente para refletirmos sobre que tipo de valores têm permeado a nossa família e sociedade. Atualmente, são realizados alguns testes pelas redes sociais, que visam descobrir até onde os indivíduos podem ser afetados por aquilo que é colocado em sua “timeline”. A ideia é saber se há algum tipo de mudança no comportamento diante de determinado conteúdo. Isso é medido por aquilo que eles irão postar depois de expostos a conteúdos positivos ou negativos, uma espécie de "teste de Pavlov*" virtual.

* Nota:
O fisiologista russo Ivan Petrovich Pavlov foi premiado com o Nobel de Fisiologia / Medicina em 1904, por suas descobertas sobre os processos digestivos de animais. Ele entrou para a história por sua pesquisa sobre o papel do condicionamento na psicologia do comportamento (reflexo condicionado). A ideia básica do condicionamento clássico consiste em que algumas respostas comportamentais são reflexos incondicionados, ou seja, são inatas em vez de aprendidas, enquanto que outras são reflexos condicionados, aprendidos através do emparelhamento com situações agradáveis ou aversivas simultâneas ou imediatamente posteriores. Através da repetição consistente desses emparelhamentos é possível criar ou remover respostas fisiológicas e psicológicas em seres humanos e animais.

Pesquisas comprovam que os brasileiros chegam a passar quatro horas diariamente nas redes sociais. Isso tem sido tremendamente nocivo para o seu crescimento individual, pois, quando confrontados acerca do porquê não estudar ou esforçar-se mais em busca de uma melhora profissional, muitos alegam falta de tempo. Esse tempo cedido às redes sociais pode, inclusive, afetar o crescimento espiritual. Parte desse tempo poderia ser utilizada com a meditação da Palavra e contemplação das bênçãos recebidas do Senhor. O texto de Isaías 55:6 nos adverte a buscar o senhor enquanto está perto. O uso exagerado das redes sociais promove o nosso afastamento de Deus, afetando a nossa comunhão com Ele. O grande mal que as redes sociais têm provocado está na mudança radical do comportamento humano. Muitos têm se tornado narcisistas, agindo desrespeitosamente em relação a opinião dos outros e com um comportamento extremamente reativo, repleto de respostas prontas. Essa nova maneira de se relacionar tem se tornado, em alguns casos, um tanque de roupa suja. Reforce para os alunos que, infelizmente, essa mudança de comportamento tem provocado algumas desavenças entre os próprios irmãos em Cristo. Estamos deixando de observar as Escrituras (I Coríntios 6:1-11).

Uma vida de fantasia tem levado muitos indivíduos a um estado de depressão. Geralmente, quando descobrem algumas farsas plantadas por sites inescrupulosos, ou então têm suas intimidades expostas por pessoas que outrora tinham com íntimas, passam a ter uma vida reclusa, com medo da discriminação da sociedade. Esse tipo de atitude, a exposição de intimidades, tem se multiplicado, causando a infelicidade de muitos usuários, pois inocentes têm tido seus perfis invadidos. A invasão de perfis tem sido responsável por muitas desavenças. Ao acessar a rede, os menos avisados podem se tornar presas fáceis para invasores, que irão utilizar seus perfis para fins promíscuos, como divulgar pornografia infantil, por exemplo. Existe uma rede gigantesca especializada na prática de invasão de perfis e que qualquer um que acessa a Internet está sujeito a um ataque de hackers (invasores). Por isso, é importante que, ao se receber de alguém qualquer tipo de conteúdo suspeito, antes de julgar, procure informar-se com tal amigo para não fazer juízo temerário. As redes sociais podem sim criar muitas armadilhas, principalmente para quem não tem um bom domínio do uso da Internet. Por isso, é sempre bom buscar ajuda de quem tem conhecimento.


Patologias Modernas
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Segundo especialistas, o vício em internet é forte como a dependência química, sendo cada vez mais aceito nos meios clínicos como uma patologia capaz de gerar, inclusive, transtornos mentais. Podemos definir o vício como um comportamento compulsivo que leva a efeitos negativos quando um hábito nocivo é negado. Assim, quando um viciado em internet fica "desconectado" por longos períodos, pode ter reações imprevisíveis. A exposição constante as Redes Sociais (seja passiva ou ativa), também pode desenvolver no indivíduo quadros de baixa estima, fobia social, isolamento, solidão, inveja, insegurança, vitimização, autopiedade, insatisfação, sentimento de inadequação, depressão, ansiedade e transtorno de personalidade narcisista. Além disso, a falta de atividades físicas e a alimentação desequilibrada (inerentes ao vício), podem colaborar para o desenvolvimento de doenças como a trombose e a embolia pulmonar. 

Outro aspecto alarmante é a criação de um mundo utópico e o estabelecimento de objetivos inalcançáveis (já que as Redes Sociais expõem “momentos” que podem ser entendidos como uma felicidade que de fato não existe), além de um senso competitivo pernicioso. Este fenômeno é chamado por analistas de "Depressão do Facebook", pois jovens tendem a se deprimir ao ver fotos e comentários de outras pessoas, achando que sua vida é inferior à deles.  Atualmente, a mesma rede é citada entre os motivos que mais levam  casais a se divorciarem na América. Outras patologias associadas ao vício digital são: "Síndrome do Toque Fantasma (pequenos delírios que remetem a vibrações ou toques inexistentes do celular), "Nomophobia" (sensação de desespero ao ficar sem celular, ou até mesmo quando a bateria do mesmo esta acabando), "Náusea Digital" (vertigem provocada por exposição a movimentos na tela, que fazem o corpo reagir como se também se movesse), "Cibercondria" (quando se toma por real qualquer informação divulgada pela internet) e o "Efeito Google" (o cérebro passa a reter menor quantidade de informações em decorrência da facilidade para realização de pesquisas digitais).

O chamado "Transtorno de Dependência da Internet" é tão presente em nossos dias, que especialistas já conseguem medir até mesmo o IMV (Índice de Massa Virtual) de um individuo, processando dados como a quantidade de aparelhos conectáveis que uma pessoa possui e seus hábitos na grande rede. Cabe então, o excelente conselho do sábio rei Salomão, (escrito a milênios num bom e velho pergaminho): Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todas as coisas debaixo do céu (Eclesiastes 1:1). A internet pode ser uma benção ou uma maldição dentro da família, tudo depende do “como”, “quando” e “quanto” escolhermos usá-la.  Ao “navegar” por ela, lembre-se sempre que seu nome original é “teia”... Então redobre a vigilância para não ficar preso em suas armadilhas.


Lições práticas

O uso contínuo das redes sociais vem, ao longo do tempo, comprometendo os relacionamentos. Hoje em dia, temos um número sem fim de amigos nas redes, mas com quantos poderíamos contar em caso de real necessidade? As redes sociais criaram um novo conceito acerca de amizade. Hoje, muitas amizades são pautadas em relacionamentos superficiais, os quais não oferecem nenhuma segurança. Em busca de amigos virtuais acabamos por perder a amizade de Jesus, o nosso melhor amigo (João 15:15). Relações insípidas e impessoais promovem um vazio interior, pois o indivíduo acaba descobrindo que ninguém está realmente se importando com ele. Infelizmente, o que tem valido cada vez mais é o individualismo. O que parece ser maravilhoso, ter muitos amigos na rede, termina com uma grande sensação de abandono, levando muitos a sofrerem com a depressão.

Muitas crises conjugais têm sido atribuídas às redes sociais. “Amizades” entre homens casados e moças solteiras têm causado muitas brigas entre casais. O esfriamento do contato com o cônjuge também tem sido a reclamação de muitas pessoas, principalmente as mulheres, que se sentem abandonadas por seus esposos. A Bíblia ensina que o homem deve deixar pai e mãe e unir-se a sua mulher, fazendo com ela uma só carne (Gêneses 2:24 / Marcos  10:7 / Efésios 5.31). Então, por que não deixar um pouco de lado os relacionamentos virtuais e valorizar o casamento, que Deus criou para realização de seu maior projeto: a família? Em muitos casos, vemos a atenção aos filhos sendo negada em favor de uma vida voltada para o contato diário nas redes. Lembre-se de que os filhos são herança do Senhor e o cuidado deles é o nosso compromisso (Salmo 127:3). A Internet não pode ser totalmente culpada pelo término de um casamento, mas ela pode funcionar como desculpa. Então devemos vigiar para que não sejamos traídos por nossas ações. O apóstolo Paulo nos adverte a não abandonarmos nosso cônjuge em longos períodos de oração e consagração (I Corintos 7:5). Entretanto, muitos têm abandonado seus cônjuges por longas horas na Internet. Cuidado, a atenção negada pode ser oferecida por um enviado do diabo.

Podemos ter acesso a todas as coisas, entretanto não podemos nos deixar dominar por elas (I Coríntios 6:12). Quando percebermos que o uso das redes sociais está fugindo do nosso controle, invadindo a nossa privacidade, afastando do nosso cônjuge e da nossa família, devemos imediatamente buscar o amadurecimento do fruto do Espírito, que nos garantirá o retorno a uma perfeita comunhão com o Senhor e esse retorno resgatará o que tivermos perdido. Quanto mais aproximarmos do Senhor menos interesses teremos em querer saber o que está “rolando” nas redes sociais. Uma comunhão perfeita com Deus produz em nós um desejo de ter uma vida real, com relacionamentos reais e duradouros. “O que Deus ajuntou não separe a Internet”.


É possível viver sem Facebook?
Comentário Adicional
Cp. Lucas Passareli

Aparentemente o Facebook substituiu a TV em termos de consumo passivo e pode fazer as pessoas perderem seu referencial. Se você vê sempre todas as pessoas muito felizes enquanto você está se sentindo frágil por qualquer motivo, aquilo vai deixá-lo triste - é instintivo. É como se você estivesse constantemente cercado por um grupo de pressão, que só te mostra o que faz de melhor. Usuários de Facebook por períodos mais prolongados acreditam que as outras pessoas são mais felizes e tem uma vida melhor do que a delas. Uma dica boa é, que quanto mais você interagir diretamente com outras pessoas"offline", mais seu humor melhorara ao longo do tempo. Uma forma de se proteger da tristeza causada pelas redes sociais é tentar ao máximo tomar consciência dos efeitos que elas provocam. O Facebook é algo relativamente “novo” e muito intenso. Primeiro, precisamos aprender a utilizá-lo em relação a seu ambiente social e seu conteúdo. Como muita gente moveu seu grupo social para dentro dele, o perigo é que passem a acreditar que o que acontece ali seja um retrato fiel do que acontece na vida real. E se você se sente mal (com os estímulos recebidos das redes sociais), uma sugestão é largá-las por um tempo, tirar um período de férias das redes sociais. Há vida fora do Facebook. E essa não é uma pergunta. É uma afirmação.  O silêncio tende a lhe dizer coisas, entre elas,  que o barulho é desnecessário.

A grande questão aqui é tempo, Ou melhor, priorizar as coisas que realmente são importantes. Quando você deixa de fazer todas as atividades típicas de um usuário de Facebook, tais como curtir fotos, postar atualizações, checar as atualizações dos outros ou jogar Farmville (ufa...),  você ganha tempo, que pode utilizar para fazer o que realmente importa, como, por exemplo,  praticar exercícios físicos, caminhar pelo parque,  ler livros, brincar com seus filhos, sair com os amigos, e ainda mais: estudar a Bíblia, orar, meditar na mensagem ouvida, frequentar reuniões na igreja... Você pode até escrever em um blog... (aham). Embora sejamos criaturas sociais, o fato é que a socialização online é ainda muito superficial. Conversar com alguém durante duas horas no Facebook não se equivale a alguns minutos de conversa olhos nos olhos. Talvez a necessidade de se socializar se deva ao fato de ficarmos com medo de estarmos sozinhos. E será que isso não seria bom? Experimente se desconectar num sábado, ou qualquer outro dia da semana, sem e-mail, sem Facebook, sem Twitter ou qualquer outra rede social. Um dia sem Internet. Sem vida digital. Desligue, e apenas crie, reflita, faça um “braistorm*”, ande, sente-se sozinho, medite, leia um livro.

Esta solidão pode ser assustadora, mas com o tempo podemos aprender a ser o nosso próprio companheiro, e tornar-se em uma ótima companhia. Às vezes é preciso desconectar-se do mundo, para se reconectar a você mesmo. E finalmente se ligar sem reservas em Deus. E este é exatamente o aconselhamento de Paulo em I Coríntios 11:28: Avalie o homem a si mesmo. Definitivamente, vivemos a era da distração. São tantas as coisas a nos perturbar, mensagens de SMS, mensagens no Whatsapp, novos emails, novas atualizações no Facebook, telefonemas, notícias de última hora, que a tarefa mais difícil seja mesmo a de se manter concentrado em uma única atividade. Sair do Facebook (ou permanecer fora dele, para quem nunca entrou) tem implicações, pois não estaremos mais em “sintonia com o resto do mundo”. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, na medida em que a menor quantidade de ruído exterior lhe permitirá dar “mais ouvidos” ao seu “eu interior”. Você aprenderá a andar em seu próprio ritmo. Você aprenderá a estabelecer seus próprios objetivos, ao invés deles serem estabelecidos pelos outros. Acima de tudo, você terá mais tempo para refletir e para ter, e sobretudo viver, comportamentos mais alinhados aos seus próprios interesses, e não aos interesses dos outros.

Nota:
Brainstorming significa tempestade cerebral ou tempestade de ideias. É uma expressão inglesa formada pela junção das palavras "brain", que significa cérebro, intelecto e "storm", que significa tempestade. No sentido literal seria para você fazer uma reflexão de tudo aquilo que você tem feito, sendo bom ou ruim.


Conclusão

Muitos relacionamentos têm sofrido pelo mau uso dos meios de comunicação, contudo, pudemos observar que existem meios de controlar esse uso e nos mantermos ligados à modernidade, sem  nos afastar do que realmente tem valor para o homem: Deus e a família.





O Fruto Espiritual é uma prova eficaz que estamos progredindo em nosso processo de santificação, tornando nossa maturidade espiritual perceptível. 
Este fruto só será completo e de qualidade inquestionável se for constituído de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperanças. Para aprender ainda mais sofre o Fruto do Espírito, e a frutificação espiritual na era da pós modernidade, participe neste domingo, 10 de abril de 2016, de nossa EBD.





quarta-feira, 6 de abril de 2016

Quarta Forte Escatológica - Bodas do Cordeiro


Estudar escatologia é como tentar entender o enredo de filme lendo apenas a sua sinopse. Tudo o que podemos ter são vislumbres de eventos futuros, sem nunca de fato, imaginar com precisão os detalhes ou entender a magnitude dos fatos. Se o Arrebatamento da Igreja é citada com riqueza com detalhes pelo apostolo Paulo em I Coríntios 15:51-52 e I Tessalonicenses 4:16-17, permitindo boa compreensão teológica sobre o assunto, temas como “As Bodas do Cordeiro” requerem muita conjectura e uma boa dose de interpretação.

E este foi exatamente o tema da QUARTA FORTE ESCATOLÓGICA, realizada no dia 06 de abril de 2016, na qual o Pb. Miquéias Daniel Gomes, explanou sobre “A Festa das Bodas do Cordeiro”, evento que marca a união definitiva entre o Cordeiro de Deus (Cristo) e sua Noiva (a Igreja).

Após o “Arrebatamento da Igreja”, enquanto os salvos comparecem diante do Tribunal de Cristo para receberem seus galardões, a Terra começa a vivenciar os eventos da Grande Tribulação. Durante os 42 meses iniciais, o Anticristo se firmará no cenário mundial como um líder político de escala global, aclamado pelos principais governantes do planeta. Ele será responsável por um cenário de paz plastificada, moldada por mentiras e sinais miraculosos produzido por forças malignas. Em contra partida, esse líder sanguinário destilará sua fúria contra todos os que se negarem a adorar sua imagem e aceitar sua marca. Nenhuma força na terra se mostrará capaz de parar o enfrentar, até que os juízos de Deus iniciem a derrocada do mal. É durante esta transição entre “tribulação” e “grande tribulação”, quando o poder de Deus se revela aos homens com intensidade jamais vista, que na Glória é anunciada as “Bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19:7).

Para melhor entendermos as “Bodas do Cordeiro”, vale uma rápida analise do contexto cultural no qual vivia João, o autor do livro das revelações. Naquele tempo, o casamento judaico se dava em três fases distintas:

(1º) Era assinado um contrato de casamento entre o noivo e os pais da noiva. O compromisso era validado quando a família da noiva pagava um dote ao noivo. A partir daí, o casal estava “desposado” (noivos), situação vivida por Maria e José durante a encarnação de Cristo.

(2º) Um ano depois, o noivo reunia seus amigos e familiares para buscar sua noiva. Um desfile era realizado pelas ruas da cidade, como os participantes levando em suas mãos tochas acessadas. Durante o cortejo, todos cantavam e dançavam. Durante todo o tempo da espera, a noiva se preparava para o casamento com uma serie de banhos especiais, a fim de se manter limpa e perfumada. Nas ultimas horas, suas amigas se mobilizavam para adorná-la com belos enfeites, a fim de surpreender o noivo.

(3º) Já reunidos, os noivos se dirigiam para o local da festa, a famosa “Bodas de Casamento”, que dependendo do poder aquisitivo da família, poderia durar muitos dias.

Espiritualmente falando, Cristo já firmou um compromisso com sua Igreja, e ele mesmo pagou um dote por ela, preço pago com o sangue derramado na cruz.

O Arrebatamento da Igreja é o ápice do grande cortejo, quando o Noivo virá para buscar sua Noiva. Ela, então, receberá vestes novas (Apocalipse 19:8) e no Tribunal de Cristo, será finalmente adornada, ataviada para o encontro definitivo (I Coríntios 3:10-15).

“As Bodas do Cordeiro” é a celebração definitiva da união eterna entre Cristo e sua Igreja. A festa tem a duração de três anos e meio, ocorrendo entre o Tribunal de Cristo e a Batalha do Armageddon. Felizes são aqueles que irão tomar parte das Bodas do Cordeiro, a saber, os santos que já descansam no Senhor, a Igreja Arrebatada e os Mártires da Grande Tribulação. Enquanto alguns terão coroas na cabeça, outros terão palmas nas mãos, mas todos estarão exultando em alegria.

Sobre a celebração, nada podemos antever. Segundo o apostolo Paulo, que em visão testificou as maravilhas celestes, o que existe ali são maravilhas “inenarráveis”: - Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam (I Coríntios 2:9).

Jesus declarou aos seus discípulos que estava voltando para o paraíso, a fim de preparar para eles uma morada especial. Pelo relato de Apocalipse 21 e 22, temos um vislumbre da Nova Jerusalém, uma cidade real e minuciosamente construída. A partir daí, podemos conjecturar que os ornamentos e artefatos que serão usados nas Bodas do Cordeiro, além de serem produzidos com o mais nobre dos materiais, foram também produzidos de forma “artesanal” por habilidosas mãos celestiais. Tudo será singular e magnífico.

Quando ceou com seus discípulos na noite que antecedeu sua morte, Jesus instituiu a cerimônia que hoje chamamos de “Santa Ceia do Senhor”, onde substituiu os elementos da páscoa judaica por “pão” e “vinho” como um memorial de seu sacrifício. Naquela oportunidade, Jesus revelou aos discípulos que desejava ardentemente celebrar aquele momento com eles, pois não voltaria que cear com seus amigos, até que chegasse o “grande dia” em que “ela” seria realizada no Reino de Deus (Lucas 22:16). Naquele instante, o coração de Cristo já queimava em comoção, esperando pelas “Bodas do Cordeiro”.

Durante a ceia aquela noite, mesmo aflito pela eminência de sua morte, Jesus consolou seus discípulos, instruiu-os acerca do Reino, revelou a eles verdades espirituais e adorou ao pai com hinos e orações.

Jesus ministrou em pessoa a primeira ceia, que marcou o inicio de longo sofrimento e pavimentou o “estreito” e “difícil” caminho até o céu. Ele também será o celebrante da ultima ceia, “As Bodas do Cordeiro”, que desta vez marca o inicio de uma eternidade de paz e felicidade, onde Deus enxugará de nossos olhos toda lágrima. 


José e Moisés - O Egito e o Nilo



As histórias de José e Moisés, são ao mesmo tempo paradoxal no desenvolvimento e semelhantes nos propósitos. Enquanto José ascendeu da escravidão ao governo, Moisés parece fazer exatamente o caminho contrário, deixando para traz o legado dos faraós e assumindo a causa de um povo escravizado. 

Entretanto, quando visualizadas numa única perspectiva, estas histórias paralelas revelam um grandioso projeto divino, minucioso em seus detalhes.  José ainda era um adolescente de 17 anos quando foi vendido por seus irmãos, e chegou ao Egito junto a caravana de mercadores ismaelitas. Negociado como escravo, logo se tornou o mais exemplar serviçal da casa de um militar egípcio chamado Potifar, que o promoveu para mordomo. Porém, a esposa de Potifar, via qualidades em José que iam muito além de seu primoroso serviço, e tentou, sem sucesso, seduzir o jovem hebreu. Frustrada pela negativa de José, aquela mulher lhe acusa de assédio e tentativa de estupro, assim, vitimado por esta enorme injustiça, José é conduzido a prisão, onde passará os próximos anos de sua vida.

No cárcere, José tem a oportunidade de conhecer dois funcionários do palácio de Faraó, suspeitos por intentar contra a vida do rei. Através da interpretação dos sonhos de seus companheiros de cela, José revela que o padeiro será condenado a morte e o copeiro será libertado e retornará aos seus afazeres. Em três dias, a previsão se realiza piamente. Os anos seguintes foram arrastados, mas mesmo numa situação adversa, José impressionava a todos por sua postura e nobreza, tanto que foi promovido a “auxiliar” de carcereiro. 

Alguns anos depois, quando o poderoso Faraó se viu às voltas com um sonho perturbador e indecifrável que lhe tirava completamente a paz, o seu copeiro se lembrou do companheiro de cela visionário. Então, José é retirado da prisão e conduzido a presença do monarca. Ali, o jovem hebreu (já na casa dos 30 anos), não apenas revela o significado do sonho real (sete anos de fartura seguidos por sete anos de fome e escassez), como também apresenta um plano para evitar um desastre nacional. Sem pensar duas vezes, o Faraó ascende José ao cargo de “governador”, uma mistura de ministro da fazenda com vice-presidente. Agora, o antes escravo e prisioneiro, é o segundo em comando no poderoso Egito.

Quando seus irmãos se apresentam a fim de comprar alimentos, José enfrenta uma intensa batalha contra seus próprios sentimentos, e depois de uma série de provas impostas, ele perdoa seus irmãos, e pede que Jacó seja trazido para o Egito. Gênesis 46:27 revela que 70 hebreus chegaram ao Egito, onde foram regiamente recebidos, e acomodados na terra de Gosén, afim de apascentar em calmaria os seus rebanhos. José sabia que o Egito não era a terra que Deus prometerá a seu bisavô Abraão, tanto que fez jurar os seus descendentes, que quando retornassem para casa, seus ossos deveriam ser levados dali (Êxodo 13:19).

Em determinado momento da história egípcia, a elite religiosa e administrativa da nação, entrou em rota de colisão com o Faraó, e para enfraquecer seu domínio, facilitou a entrada de estrangeiros no país. Foi neste contexto que os Hicsos, povo em constante desenvolvimento, viu a oportunidade de “invadir” o Egito e ocupar suas férteis planícies. Esta ocupação foi até certo ponto pacífica, mas o desgaste inevitável veio com o tempo, e o Egito se viu esfacelado em culturas distintas por quase 150 anos. Para recuperar a hegemonia, os egípcios precisaram enfrentar pelo menos duas grandes batalhas contra os hicsos. Foi apenas entre os anos de 1570-1546 a.C, que o Egito foi unificado e os invasores hicsos (semitas como os hebreus), foram expulsos sob o comando de Amósis, e segundo alguns  historiadores, este teria sido o Faraó que não “conhecerá” a José. Aqui, o termo “conhecer” remete ao fato de que este governante não tinha qualquer empatia por José e seus descendentes, vendo os como um “inimigo íntimo”, que poderia sim, virar uma nova “pedra em sua sandália”.

Amósis inicia então uma pesada campanha publicitária afim de convencer a opinião pública da nocividade representada pela presença dos hebreus - O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra (Êxodo 1:9-10). A estratégia funcionou, e com o apoio popular, o Faraó passou para a próxima fase de seu plano, isolando os israelitas em sua terra e elevando drasticamente os impostos cobrados, o que obrigou aos hebreus a trabalharem exaustivamente afim de pagar seus tributos. O texto original usa a palavra “bepharech”, que remete a ideia de “trabalho forçado capaz de quebrar o corpo” - E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas (Êxodo 1:11).

Mesmo com tamanha opressão, o povo de Israel continuava a crescer e se multiplicar, tornando-se mais forte a cada dia. A linhagem dos Faraós, temerosa que uma nova “invasão estrangeira” minasse seu poder, passou a tomar medidas cada vez mais drásticas. Por exemplo,  ordenou as parteiras que atendiam as gestantes hebreias, que assassinassem os meninos hebreus recém nascidos, ordem esta, que não foi obedecida. Alguns estudiosos (entre eles Flavio Josefo), acreditam que existia um tipo de “profecia” oriunda dos magos egípcios, sobre um menino que nasceria e desafiaria o poder do Faraó, mas que este guerreiro, teria na água o seu ponto fraco. Isto justificaria a próxima ação arbitrária e cruel do Faraó, que baixou um terrível decreto sobre toda a terra do Egito: - Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida. (Êxodo 1:22). É exatamente neste tempo de densas trevas, que nasce Moisés, um libertador para seu povo.

A história de Moisés revela um engendrado plano traçado antes mesmo de seu nascimento e que culmina com o retorno a terra prometida. Porém, quando analisamos alguns detalhes bem específicos, podemos de fato constatar como nosso deus é minucioso em seus propósitos. O nome Moisés, provavelmente tem sua origem na palavra egípcia “Mes”, que significa “filho ou criança”, mas quando pronunciado na língua hebraica, ele tem a fonética alterada para “Mosheh”, que pode ser interpretado como “tirado”, neste caso, tirado das águas.

Mais que apenas um nome, a nomenclatura “Moisés” é uma síntese perfeita do projeto divino do próprio Deus. Quando Joquebede decide construir uma cesta de junco, para colocar seu filho de três meses dentro dela e depois depositá-la no Rio Nilo, certamente nem fazia ideia que era direcionada pelo próprio Deus. O Nilo é até os dias de hoje considerado “sagrado” dentro da cultura egípcia, e esta veneração pelo rio era ainda mais extremada no tempo dos faraós. Quando a princesa do Egito se banhava no Nilo, avistou a pequena cesta que flutuava pela correnteza, e ordenou que suas damas a buscassem. Ali dentro estava um menino hebreu sentenciado a morte, porém, ela se recusou a matá-lo, afinal, aquele era um presente do “Nilo”, enviado pelos próprios deuses. Nem mesmo a casa real se opôs a criação da criança, pois não ousava questionar suas divindades. Ou seja, Deus usou da crença pagã da família real, para salvar a vida de Moisés e colocá-lo no palácio afim de criar o vínculo familiar necessário, para que anos mais tarde, ele tivesse acesso irrestrito ao dialogar com o Faraó.

Outro fato interessante é que enquanto a cestinha boiava no rio, Miriam, a irmã de Moisés a acompanhava veladamente. Quando percebeu que a princesa se vislumbrará com a criança, se aproximou e disse conhecer uma excelente ama de leite, já que o menino precisaria ser alimentado. A filha de Faraó imediatamente ficou interessada na proposta, pois conhecia a fama das hebreias. Quando as parteiras se negaram a matar os meninos hebreus, alegaram ao Faraó que as mulheres de Israel davam a luz com muita facilidade e sem precisar de amparo médico.

Assim, dentro do palácio, correu a notícia que as mães hebreias eram mui prendadas e exímias parideiras. Miriam indicou Joquebede para cuidar do menino, e a princesa imediatamente aceitou, pois o curriculum materno de uma hebreia a gabaritava para amamentar um príncipe do Egito.  Certamente Joquebede aproveitou cada minuto ao lado de seu filho para ensina-lo acerca de seu Deus e de seu povo, semeando em seu coração a devoção ao “GRANDE EU SOU”, que se revelaria anos depois. Como um dia disse o seu antepassado José – “Deus transformou o mau em bem" (Gênesis 50:20).

Pb. Miquéias Daniel Quaresma Gomes

terça-feira, 5 de abril de 2016

A Tarde da Benção voltou!


Por Valquíria Andrade Gomes

A Tarde da Benção está de volta para sua sétima temporada, e chega revitalizada, com nova diretoria, novos projetos e com uma visão diferenciada. Mesmo assim, mantém intacta sua essência, que a tornou um marco nas tardes estivense.

Para 2016, o trabalho vem com a divisa “CONECTADOS COM DEUS”, que se baseia no texto de João 15:4-7: Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito (João 15:4-7).

A nova diretoria será liderada pelo Pb. Abdenego Alves Wanderley, e composta pelo seguinte corpo de obreiros: Missª Elza Lino, Dca. Ednéia Marques, Dca. Juscilene Alves Luis, Dca. Valquíria Andrade Gomes, Virginia Sabino, Caio Nunes e Fabiano Gonçalves de Oliveira.

Na tarde desta terça-feira, 05 de abril de 2016, o Ev. Hugo Munhoz foi o instrumento usado por Deus para abrir com chave de ouro a TARDE DA BENÇÃO 2016. Com uma palavra embasada no texto de Ezequiel 37, o ministro de Senhor vocalizou o nosso maior sonho, que é resgatar vidas para Cristo, levantando um exército de onde só exista ossos secos.

A TARDE DA BENÇÃO – Conectados com Deus, estará de portas abertas todas as terças feiras, a partir das 14:00 horas, e todos estão convidados para se “ligar” em Deus com a gente!




Testemunho - Uma história de Poder (Lidiane Avilé)



A Paz do Senhor a todos. Me chamo Lidiane Avilé, e gostaria de compartilhar com vocês um grande livramento que recebi da parte do Senhor.

Em junho de  2014,  estava eu, juntamente com minha mãe, indo para a cidade de Mogi Guaçu SP, usando como transporte uma moto do modelo “Biz”. Quem estava pilotando o veículo era a mamãe, e tudo corria bem, até que, de repente, ela parou a moto no acostamento, e me disse que havia escutado uma voz gritando numa entonação que demonstrava muito ódio.

O problema é que estávamos numa pista cheia de veículos circulando em alta velocidade, e fiquei muito apreensiva com aquela situação, então, pedi a ela para continuarmos a viagem, saindo rapidamente daquele local.

Enquanto retomávamos o caminho, comecei a cantarolar o louvor "Ressuscita-me" da cantora Aline Barros. Conforme cantava, meu coração ia se acalmando, e em pouco tempo me tranquilizei. Eu já nem estava mais pensando no estranho acontecimento de minutos atrás, quando ouvi mamãe gritar: - JESUS! 

Me agarrei na cintura dela, fechei os olhos e não vi mais nada. Caímos...

Pressenti que a cabeça de minha mãe estava “raspando” no asfalto e me desesperei. Fomos arrastadas em cima do veículo por cerca de quinze metros, até que a moto parou. Não conseguia me mexer, e estava com medo de abrir os olhos, por temer que uma tragédia tivesse acontecido. Porém, quando eu a vi, ela já estava acenando para os carros pararem, afim de me proteger e evitar um novo acidente. Comecei a glorificar a Deus por vê-la em pé, e usando o capacete, tive plena consciência que o Senhor havia nos protegido.

Mas só percebi a dimensão do tamanho deste livramento, quando olhei para trás e vi um caminhão parado na diagonal de onde tínhamos caído, e era exatamente ele, que impedia outros veículos  de nos atingirem em cheio.

Fechei os olhos, agradeci ao Senhor e me acalmei. Estava sentindo muita dor, mas quando analisei meu corpo, pude constatar que só haviam pequenas escoriações. A exceção era meu joelho, que sangrava muito, e para falar a verdade, isso pouco importava, pois eu e minha mãe estávamos vivas, e entendi que o que pensei ser a cabeça dela contra o asfalto, era o som do capacete batendo na pista, o que para a honra e glória de Jesus, a protegeu de qualquer trauma permanente.

Em pouco tempo, já haviam muitos veículos parados, inclusive de pessoas que nos reconheceram.  Fomos então socorridas pelos rodoviários, cuja base de trabalho ficava perto do local do acidente. Coincidência? Acho que não... Deus foi tão bom, que o acidente aconteceu exatamente embaixo de um viaduto, e ficamos ali, esperando o socorro na sombra.

Já no hospital, tirei um raio X onde se constatou que estava tudo normal. Minha mãe se machucou um pouco mais, precisando levar uns pontinhos em seu cotovelo. Nada comparado ao que poderia ter acontecido se a mão do Senhor não nos tivesse protegido.

Mais tarde, ficamos sabendo que o acidente aconteceu porque um dos pneus da moto estourou. O motorista do caminhão que estava atrás de nós, testificou que só não nos atingiu, porque fomos “arrastadas” com a moto, e ele teve tempo para manobrar na direção oposta. Com isto, ele serviu de escudo, evitando que os carros que vinham em alta velocidade, fossem obrigados a parar também.

Deus é maravilhoso, sei que foi sua mão que nos livrou! Ele removeu a pedra, nos chamou pelo nome, mudou a nossa história e fez um milagre... Hoje entendo, que mesmo de forma não consciente, através do louvor que cantava, eu estava profetizando nosso livramento, e que Deus já trabalhava para quebrar o laço do inimigo, que estava furioso e “gritando” sua raiva contra nós.

Acabamos vendendo a moto, e Deus nos presenteou com um carro, para a honra e Glória Dele! Hoje, valorizo ainda mais fôlego de vida que Deus nos concedeu, me chamando para viver, uma história de poder!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O que é a "Mordomia Cristã"?



Quando Deus presenteia seus filhos com dons e talentos especiais, cabe ao presenteado desenvolve-lo em amor e zelo, buscando constantemente aperfeiçoá-lo. Presentes não são dados e depois tomados, logo podemos concluir que os “dons/presentes” são sim irrevogáveis, o que não impede que o portador faça mal uso dele ou o torne inativo em sua vida.

Romanos 11:29 diz que os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento, ou seja, uma vez que o dom é entregue a alguém não há devolução ou troca, e ele estará sob total responsabilidade de seu portador.  Imagine agora que em seu aniversário alguém lhe presenteie com um “Bonsai” (pequena árvore doméstica de origem japonesa). Uma vez dada a você, aquela frágil árvore estará completamente em suas mãos, sujeita a sua vontade. Se for plantada, adubada, regada e podada com regularidade, ela irá se desenvolver-se tornando um lindo ornamento que trará benefícios a todo o ambiente. Mas se você não cuidar dela corretamente, ela irá murchar secar e morrer. Porem mesmo morta dentro de seu vaso, aquela planta continuará a ser sua.  Assim acontece com os Dons dados pelo Espírito. A partir do momento em que somos presenteados com eles, passamos a ser responsáveis pela produtividade ou pela inércia dos mesmos.

Agora imagine que se ao invés de te presentear com o Bonsai, aquela pessoa o tivesse “presenteado” com a “confiança” de que você cuidaria muito bem dele durante uma longa viagem que tivesse que fazer. Quando ele retornasse e fosse requerer de volta sua preciosa arvorezinha, como ela estaria?  Viva e radiante ou murcha e desfalecida? Devemos ter consciência que tudo o que temos é de Deus. Dele vem e para ele volta. O nome deste princípio é “mordomia”, e consiste no manejo responsável dos recursos do reino de Deus que foram confiados a uma pessoa. O termo “mordomo” vem do grego “oikos” / “oikonómos” e se refere a quem administra uma propriedade ou bens que são seus. O Novo Testamento evidencia que somos “mordomos” e “despenseiros” de Cristo (Lucas 12:42 / I Coríntios 4:1 / Tito 1:7 / I Pedro 4:10). A chave que abre as portas deste ministério (e todas as bênçãos inerentes a ele) é ser fiel. O termo “FIDELIDADE” vem do latim “fidelis”, e faz alusão a atitude de quem é leal, honesto, confiável e verdadeiro nos compromissos que assume, sendo constante em sua conduta. Numa definição mais pragmática, podemos dizer que a FIDELIDADE é uma observância rigorosa e exata da verdade, ou ainda, firmeza e lealdade. 

Escrevendo aos crentes em Roma, Paulo os aconselha que o ministério individual seja desenvolvido com zelo não remisso e fervor de espírito.  Remisso é ser negligente, tardio para fazer e vagaroso. Todos devemos ser zelosos nos diversos aspectos da nossa vida e tal zelo deve ser redobrado ao lidarmos com a obra do Senhor (Romanos 12:1-12). Uma vez que nossos talentos estão disponibilizados para a obra do Senhor com fidelidade e zelo, então sentiremos queimar no amago de nosso ser, aquilo que o apóstolo chamou de Fervor de Espírito.

John Wesley, renomado pregador britânico conhecido como “o tição tirado do fogo” (referência ao fato de ter sido salvo de um incêndio em sua infância), sentia a chama do Espírito queimar tão forte em seu coração que declarou: “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo!”

Com tal fervor de espírito, John Wesley foi o estopim que causou uma explosão de avivamento na Europa entre os séculos XVII e XVIII. Ainda hoje o Espírito procura homens dispostos a serem capacitados com fervor capaz de incendiar o mundo.

O Princípio da Mordomia Cristã se aplica a todos os elementos de nossa vida, e sobre os quais serão requeridos resultados, tal como as nossas finanças, nossos filhos e nossos ministério. Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido (Lucas 12:48).
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domingo, 3 de abril de 2016

Culto Profético com Ev. Anderson Cordeiro



O apóstolo João esteve exilado na Ilha de Patmus, foi arrebatado em espírito aos céus, onde contemplou o Trono de Deus, e se reencontrou com seu amigo Jesus, desta vez, revistado de poder e glória. O Cordeiro agora era Leão. Dentre as coisas inefáveis que João viu e ouviu, destaca-se as sete cartas ditadas pelo Senhor, e que foram enviadas para as sete igrejas da Ásia. 

A igreja em Éfeso é chamada a reacender a chama do primeiro amor... A igreja em Smirna é encorajada a enfrentar com fé os dias de aflição... A igreja em Pergamo é aconselhada a ser veemente no combate aos falsos ensinos....  A igreja em Tiatira é inquirida a abandonar o pecado... A Igreja em Sardes é intimada a corrigir suas obras más.... A igreja em Laodicéia é chamada a uma decisão eternal de arrependimento e constrição... Já para Filadélfia, foi aberta uma porta que não se pode fechar...

Na noite deste domingo, 03 de abril de 2016, o Culto da Família recebeu o Ev. Anderson Cordeiro, vaso do Senhor usado na ministração da palavra e no uso dos dons espirituais, para uma reunião profética e transformadora, onde o nosso Deus se manifestou poderosamente, transformando vidas e fazendo latejar o sentimento puro e glorioso do primeiro amor.

A antiga cidade de Filadélfia, cujo nome significa “Amor Fraternal”, estava situada a duzentos metros acima do nível do Mediterrâneo, e retrata perfeitamente ao ambiente em que viveram aqueles que cumpriram o propósito de Deus ao erguerem unânimes as suas vozes num alto brado. Uma “cidade edificada num lugar alto”, e a igreja estabelecida ali, vivia a plenitude do Evangelho Eterno, o mesmo que deveria proclamar aos que habitam sobre a Terra, a toda nação, e tribo, e língua, e povo. Situada em uma vasta colina entre dois vales férteis, regados pelo rio Hermus, Filadélfia era uma cidade estratégica, principal rota do correio imperial de Roma para o oriente. Oferecia uma passagem natural, uma porta aberta, por isso ela é também chamada de “a porta do oriente”. 

A carta dirigida à Igreja em Filadélfia (Apocalipse 3:7-13) compreende o sexto período histórico de um povo, contra o qual as portas do hades jamais prevaleceram (Mateus 16:18) e depois de suportar com firmeza as intensas perseguições durante o período negro da história (538 a 1798 dC), volta ao cenário mundial para cumprir as palavras de Jesus: “E ser-me eis testemunhas..., até os confins da Terra. ” O ambiente em que este povo vivia não era dos mais favoráveis, pois em sua volta viviam aqueles que seguiam as tradições idólatras da igreja romana, com seus altares e seus templos. Mesmo diante de todas as dificuldades, os fiéis que formavam as suas fileiras, esquadrinhavam profundamente seus corações, consagravam-se diariamente a Deus e suas vidas transbordavam de paz, gozo e amor em Jesus.

Deus fortalece o coração da sua igreja, garantindo a ela que ele é fiel e vê-la pelas suas palavras. Ao contrário de suas igreja co-irmãs, Filadélfia é abraçada por Deus com palavras de carinho e promessas de vitória. Jesus se apresenta aos seus fiéis como aquele que detém todo o poder, e está respaldado por honra e justiça: - Estas são as palavras daquele que é santo e verdadeiro, que tem a chave de Davi. O que ele abre ninguém pode fechar, e o que ele fecha ninguém pode abrir.

Mas o carinho demostrado pelo Todo Poderoso para com a igreja em Filadélfia não era obra do acaso ou sentimento aleatório. Havia uma história construída, envolvendo devoção, sacrifico e fé, tanto que o próprio Cristo testificou: - Eu conheço as suas obras.... Sei que você tem pouca força, mas guardou a minha palavra e não negou o meu nome.

E sobre esta fidelidade repousa uma recompensa: - Eis que coloquei diante de você uma porta aberta que ninguém pode fechar.

A igreja em Filadélfia também tinha dias de trevas para enfrentar.... Uma verdadeira instituição liderada pelo próprio Satanás havia se levantado para a afrontar. Mesmo assim, os cristãos não se deixaram abalar. Eles defenderam sua fé diante das impossibilidades, e adoraram em meio à crise. E por guardarem a palavra da paciência de Cristo, por Ele seriam guardados da hora da tentação que haveria de vir sobre todo o mundo. Mas era preciso perseverar em vigilância:

Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. 

E ainda hoje, as palavras desta carta pulsam em nossos corações.... Temos sido como nossos irmãos em Filadélfia? Nossa fidelidade tem aberto portas? Deus se “orgulha” de nossas ações?

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.



sábado, 2 de abril de 2016

Evangelho de Amor e Poder



A mundo está em crise ética e moral. O Brasil está imerso em crise política e econômica. E a Igreja, infelizmente, vive uma crise de identidade, com o enfraquecimento de suas frentes evangelísticas. As ferramentas para se disseminar o Evangelho de Cristo se multiplicaram. Enquanto os pioneiros evangelizavam nas ruas, com panfletagem e pregação no “gogó”, hoje temos acesso a meios de comunicação massagistas, e o planeta se está ao alcance de nossos dedos. Tudo está muito mais fácil, entretanto, parece mais difícil...

Como era lindo o amor pelas almas que motivava nossos pais a “carregarem caixas de som” para o meio das praças, ou simplesmente enfrentarem o sol e a chuva, se lançando num evangelismo pessoal, batendo de casa em casa com uma mensagem simples capaz de transformar o homem: Jesus Salva! Ainda amamos as almas, mas o que parece, é que amamos ainda mais a nós mesmos.... Que tristeza.... Perdemos nosso tempo com assuntos supérfluos e mensagens afetadas, que mais saciam o ego de quem prega, do que o coração de quem ouve.... Estamos deixando de lado a essência de nossa missão, que tão bem foi explanada pelo Senhor Jesus aos seus discípulos em Lucas 10:2-11:

A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.
Vão! Eu os estou enviando como cordeiros entre lobos.
Não levem bolsa nem saco de viagem nem sandálias; e não saúdem ninguém pelo caminho. "Quando entrarem numa casa, digam primeiro: ‘Paz a esta casa’. Se houver ali um homem de paz, a paz de vocês repousará sobre ele; se não, ela voltará para vocês. Fiquem naquela casa, e comam e bebam o que lhes derem, pois, o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem mudando de casa em casa. "Quando entrarem numa cidade e forem bem recebidos, comam o que for posto diante de vocês.
Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês’.

Para se tornar um dos trabalhadores nos campos férteis do evangelho, a primeira exigência é o amor. Não é um domingo no parque e o céu nunca estará plenamente azul. Haverá dor, lágrima, choro, renúncia e sacrifício. Não há um plano “B” ou um caminho alternativo. Viver por Jesus é morrer todo dia, para ressuscitar diariamente para Cristo. É preciso amor intenso e sacrificial, mas só sentimentos não bastam... é preciso poder.

E o mesmo Jesus que nos comissionou a enfrentar este vale de morte, tambem nos capacita com poder e autoridade para neutralizar a força avassaladora de Satanás sobre os homens, conforme suas palavras em Marcos 16:15-18.Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.

Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados".

Em determinado momento de seu ministério, Cristo foi questionado por João Batista, que encarcerado, recomendou que seus discípulos perguntassem a Jesus se ele era o Messias, ou ainda era preciso esperar por outro. A resposta do Mestre não foi com palavras, mas sim com ações:

Naquele momento Jesus curou muitos que tinham males, doenças graves e espíritos malignos, e concedeu visão a muitos que eram cegos.
Então ele respondeu aos mensageiros: "Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa (Lucas 7:21-23).

Foi exatamente sobre a necessidade de um evangelismo pratico, sincero e objetivo, com palavras e ações, que o Pb. Bene Wanderley, ministrou na noite deste sábado, 02/04/2016, durante o Culto de Missões realizado pelo Grupo Ágape. O grande desejo de Cristo para sua Igreja, é que ela seja um diferencial neste mundo que jaz no maligno, um farol para guiar os perdidos rumo a um porto seguro, uma luz intensa e incessante em meio as trevas. Somos uma carta viva (e aberta), escrita pelo próprio Deus e enviada aos homens para testificar sobre Jesus.

A obra de Deus exige muito mais comprometimento do que geralmente empregamos. Até fazemos nossa parte com zelo e rigor, mas o Evangelho exige bem mais que isso, pois faz-se necessário entrega e paixão, virtudes que só são possíveis quando a chama do primeiro amor continua acessa ininterruptamente.  




sexta-feira, 1 de abril de 2016

O Relógio do Céu (Palavra Pastoral - Abril 2016)



Aguardar pacientemente as promessas de Deus se cumprirem em nossa vida é algo realmente desafiador.

Somos ansiosos por natureza (a vida é breve), e vivemos tempos onde se prega um “evangelho” imediatista, com profetas agendando datas para milagres, incitando verdadeiras barganhas espirituais, que nos dão a falsa sensação que Deus nos é um tipo de “sócio”, tendo compromissos contratuais a cumprir. Tudo demanda urgência, e queremos exigir de Deus uma relação unilateral onde o grande beneficiado é sempre o homem. É exatamente esta deturpação da mensagem cristã, que tem criado uma legião de crentes frustrados e decepcionados, pois acreditam piamente que Deus mentiu ou está atrasado.

A verdade é que o “céu” tem seu próprio relógio, e ele está sujeito plenamente ao Káiros, que também chamamos de “O Tempo de Deus”. E ele é diferente do nosso.... Simples assim... Não há fórmulas mágicas e nem equações mirabolantes.

Vivemos num espaço limitado, e se quer sabemos o que esperar do próximo minuto. Deus enxerga o contexto completo, começo, meio e fim, num único olhar. É muito mais seguro confiar no Tempo de Deus, do que se apegar a nossa perspectiva rasa e incompleta. Tenho observado com frequência, bons cristãos que estão sofrendo com a angústia da espera, almejando receber algo de Deus. Aí, em decorrência deste evangelho trágico e capitalista, eles são levados a pressionar Deus contra a parede, exigindo pressa e cobrando urgência, como se fosse realmente possível ao homem, “determinar” alguma coisa para Deus.

A angústia dessas pessoas aumenta cada vez mais, pois sentem que Deus não mais se importa com elas, se prendem ao tempo da terra, e passam a viver num torturante ciclo de esperar-frustrar-esperar...

O que devemos entender, é que existe uma aura de “espiritualidade” na espera, pois ela é um período onde Deus nos ensina sobre esperança, paciência e perseverança. Durante a espera, ansiamos por aquilo que é esperado, e assim, nos mantemos alerta. A espera não nos torna menores ou piores, apenas nos prepara para algo maior, da mesma forma que uma mulher grávida aguarda numa paciência ansiosa, a chegada de seu filho. Durante a espera, nos dilatamos e crescemos.

Tudo vai ficando pronto para o “melhor de Deus”.

Mas não se iluda... Assim como numa gestação, a espera é penosa e muito difícil. E existe um propósito nessa  dor: Por que em esperança fomos salvos, ora, a esperança que se vê não é esperança, porque o que alguém vê, como esperará? Mas se esperamos o que não vemos, com paciência esperamos (Romanos 8:24-25). 

Então, meus queridos, aquiete-se. Se você não pode fazer algo acontecer com suas próprias mãos, pare de insistir em tentativas tolas e espere Deus agir no tempo Dele. Se a vida só te dá limões, faça com eles uma bela limonada, e “adoce” com oração, lágrimas e muita adoração.

Relaxe e aprecie a passagem....

Quando chegar o tempo perfeito, e a hora correta for marcada no Relógio do Céu, sua honra será muito grande!



Quem já foi perdoado sabe amar



O relato de Lucas 7 nos mostra que  o religioso Simão estava começando a ver Jesus com outros olhos. Seu interesse em ouvir as palavras do Mestre nos leva a crer que a sementinha do Reino de Deus dava sinais de brotar em seu coração. Mas ao assistir a cena da pecadora ungindo os pés de Jesus, ficou tão abalado, que sua infante fé, minguou como manteiga no fogo.

Em seus pensamentos Simão conjecturava que não havia qualquer possibilidade de Jesus ser de fato um profeta, pois um homem dotado da revelação divina, teria discernimento para compreender o quão pecadora aquela mulher era, e assim, jamais permitir que a mesma o tocasse. Jesus, ciente dos pensamentos de seu anfitrião, educadamente pede que o mesmo lhe de permissão para contar uma história.  

O Mestre discorre sobre dois homens endividados, cujos bens estão empenhorados ao mesmo credor. Um deles possui uma dívida altíssima que ele não tem a menor condição de pagar. Já dívida do outro, embora também seja alta (e o pagamento esteja muito atrasado), é 10 vezes menor. O credor, porém, decide perdoar ambas as dívidas, e manda notificar aos envolvidos, que nenhum deles lhe deve se quer um centavo. Então, Jesus questiona a Simão sobre qual dos homens deveria mostrar mais gratidão, e em resposta, ouve o obvio: Aquele que devia mais. O Mestre, concorda com o raciocínio de Simão e completa dizendo: - Desta vez, seu julgamento está correto.... Mas deixe-me te explicar uma coisa...

É neste ponto que fica explícito o abismo que separa a liberdade cristã encontrada na graça e o legalismo pragmático implícito na religiosidade.

Aquela mulher, despida de moralidade hipócrita e desarmada das formalidades sociais, se torna um exemplo a ser seguido por cada cristão. Simão é lembrado que no momento da recepção de Jesus em sua casa, nem mesmo um beijo no rosto (tão inerente a cultura da época) lhe foi dado pelo anfitrião, mas a mulher, desde o momento que chegou, não parava de beijar seus pés. Simão também não tinha oferecido uma vasilha com água para que seus convidados lavassem as mãos (outro ritual relevante naquela sociedade), mas a “pecadora” lavou seus pés com lágrimas. Simão não ofereceu um único pedaço de pano para que Jesus enxugasse o suor de seu rosto, mas a mulher enxugava seus pés com os próprios cabelos. Simão, não disponibilizou uma única gota de óleo para ungir a cabeça de Jesus... A pecadora verteu o mais caro dos perfumes para ungir seus pés. 

E por que tamanha diferença? 

Jesus é taxativo ao afirmar: - Quem já foi perdoado sabe amar...