quinta-feira, 14 de julho de 2016

EBD - A voz do que clama no deserto



Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 100 - Editora Betel
Mateus  - Lição 03
Comentarista: Bp. Manuel Ferreira

Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes
Pb. Bene Wanderley


Texto Áureo
Mateus 11:11
Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista; mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele.

Verdade Aplicada
João Batista foi a voz do que clama no deserto e abalou a todo Israel em seus dias.

Textos de Referência
Mateus 3:1-5

E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.
Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
E este João tinha o  seu vestido de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.
Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão.


A Voz e a Luz
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

O evangelista João abre seu testemunho não deixando dúvidas quanto a origem divina de Jesus: - No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram criadas por Ele, e sem Ele nada que foi criado existiria. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandeceu na escuridão, mas a escuridão não compreende a luz (João 1:1-4). A encarnação do próprio "DEUS"  consumada em Jesus, é de fato, é evento grandioso demais para ser entendido por mentes puramente naturais. É preciso uma revelação especial. E exatamente por isso, João – o discípulo amado, faz uma poética introdução de seu homônimo, João – o Batista: - Embora ele não fosse a “LUZ”, veio para apresentar a “LUZ” aos homens, afim de que saíssem da escuridão. Mateus, recorre aos livros proféticos do Antigo Testamento para provar aos seus leitores que, João – o Batista, era de fato, a “VOZ” predita, que anunciaria ao mundo a chegada do Emanuel. João e Jesus, primos consanguíneos, formadores de discípulos inflamados, esmiuçadores de paradigmas, portadores da PALAVRA que mudaria o mundo para sempre. Enquanto João escolheu o deserto como altar, Jesus honrava sua família terrena levando uma vida pacata em Nazaré, ocupando como filho mais velho, as atribuições do saudoso José no patriarcado da casa. Jesus ainda estava encoberto pelo anonimato quando João se tornou uma figura pública de grande destaque e influência. Porém, no tempo de Deus, João escolheria “diminuir” para que seu primo mais ilustre pudesse “crescer”.

Desde a mais tenra idade, Jesus já se destacava como um exímio orador. Aos doze anos, deixou boquiaberta toda a cúpula da sinagoga em Jerusalém, explanando com propriedade o livro da lei para aos maiores mestres daquele tempo. O evangelista Lucas não apenas relata este fato, como testifica sobre o constante crescimento do menino, em graça e em conhecimento. (Lucas 2:41-52). Dentro da cultura judaica daquela época, um jovem estava apto a seguir sua vocação após os vinte anos de idade, mas apenas aos trinta, a sociedade passava a aceitar sua liderança. Jesus, como homem, respeitou milimetricamente esta questão cultural, e se lançou na vida publica apenas após completar seu trigésimo aniversário. Jesus era um frequentador assíduo da sinagoga, sendo reconhecido por seus pares como um Rabi, que significa “mestre” (João 13:13). Ele usava a Torá como base didática e sempre impressionou seus ouvintes por sua autoridade no falar. Mas foi somente a partir de seu batismo, que Jesus iniciou seu ministério pessoal, propondo uma revolução espiritual e oferecendo uma visão inovadora sobre o Reino de Deus, já que sua mensagem se expandia para além da fria letra da lei. Jesus cuidava em cumprir todos os preceitos estabelecidos por Moisés, mas almejava que seus ouvintes não amassem a Deus por uma ordenança legislativa, e sim com inteireza de coração. Sua pregação condenava veementemente o pecado, mas ao mesmo tempo acolhia calorosamente o pecador com braços misericordiosos. Jesus expunha as fragilidades do sistema religioso judaico, e apresentava o caminho prefeito para o Reino dos Céus, que nem sequer passava perto dos “atalhos” apregoados pelos líderes da religião judaizante.

A mensagem de Jesus, assim como a de João, era profunda, instigante, veemente, inquietante e afrontava diretamente inúmeros interesses pessoais de gente mui poderosa. Com isso, um grande grupo de religiosos influentes se posicionava publicamente contra o jovem pregador proveniente da pequena cidade de Nazaré. Jesus não se intimidou. A duração de seu ministério seria extremamente curta, e não havia tempo a se perder. Ele fazia valer sua popularidade para ajuntar ao seu redor as multidões, e as ensinava a amar ao Senhor e ao próximo, com toda a força da alma e com sinceridade de coração. João veio primeiro para expor as serpentes que estavam no meio da seara, e agora Jesus chegava para realizar uma grande colheita. Palavras de amor e justiça borbulhantes em um mesmo caldeirão. A VOZ e A LUZ, duas provas irrefutáveis da perfeição do planejamento divino para a redenção de toda humanidade (João 3:16)


Antes de falar de João

O Reino de Deus estava para ser imediatamente manifestado em Israel em sua plenitude na pessoa e obra do próprio Messias. Para esta grande chegada os homens precisavam preparar um caminho em seus corações. Um longo tempo se passou desde o retorno de Jesus do Egito e o estabelecimento da família em Nazaré. Enquanto Jesus ainda estava morando em Nazaré. João apareceu no deserto da Judeia. Jesus nasceu numa família estruturada. José era pai de coração de Jesus, pois este foi gerado pelo Espírito Santo, e Maria a sua mãe. Jesus era sujeito a ambos (Lucas 2:51). Ele tinha irmãos (Tiago, Jose, Judas e Simão) e irmãs (Marcos 6:3). Na falta de José, Ele possivelmente ajudou cuidar do sustento deles, visto que falecera antes do início de seu ministério público. Ou seja, Jesus, ao aprender a profissão de carpinteiro, cumpriu com o dever de filho primogênito após o falecimento de José, Isso se pode concluir por ocasião das bodas de Caná, posto que ali José aparece (João 2:1-12). Antes de se revelar como o Cristo, Jesus foi um exemplo também como pessoa. É claro que Mateus não explora em nada esse assunto tão curioso, mas podemos constatar alguma coisa aqui e ali nos outros evangelhos. Jesus não apenas exerceu a liderança de filho mais velho, como também demonstrou uma vívida preocupação com Maria, sua mãe. Ali na cruz, apesar de toda a dor, Ele não a negligenciou, mas pediu para que o Seu discípulo João, irmão de Tiago, cuidasse dela (João 19:26-27).

Não temos detalhes sobre a vida do Senhor Jesus. O que temos são noções breves do que lhe aconteceu com base nos outros evangelhos. Infelizmente, é aí que os inimigos de Jesus de Nazaré de hoje tentam lançar suas heresias para pôr em dúvida a sua divindade. Porém, com certeza o que podemos afirmar é que Jesus em Nazaré se desenvolveu num lar comum à sua época com sabedoria, graça e também fisicamente (Lucas 2:52). Ele também aprendeu a ler e escrever na sinagoga (Lucas 4:16-17), e, posteriormente, herdou a profissão de José (Marcos 6:3). Jesus era uma criança diferente pelo fato de ser Filho de Deus, porém teve uma vida completamente normal em seu desenvolvimento. Ele fazia tudo o que era comum a um menino em sua época fazer. Frequentava a sinagoga de Nazaré, onde aprendeu a ler e escrever. Jesus também ajudava seu pai na carpintaria como faziam os meninos que acompanhavam os pais. Infelizmente, há certo desprezo pela figura paterna em nossa sociedade e por isso tal coisa tem gerado muitos problemas e a ira de Deus. Falta liderança estabelecida por Deus nos lares.

Jesus praticou a vida religiosa como qualquer pessoa que nasceu no contexto de um lar judaico. Ele foi circuncidado ao oitavo dia, em seguida foi apresentado no quadragésimo dia no templo. As crianças de sua época eram encaminhadas à sinagoga, onde decoravam a Torá a partir dos cinco anos. Ali também aprendiam a ler e escrever. Aos treze anos, o rapaz se tornava homem, ou seja, era lhe declarado a maioridade em uma cerimônia especial, chamada bar-mitzvá, que significa “filho da Lei”. Os judeus se reuniam em assembleia na sinagoga e o menino lia um trecho da Lei de Moisés. Este evento era celebrado com grande alegria. Jesus também orava e participava das festas religiosas com a sua família. Jesus participava da vida comum de seu povo. Ele não vivia como um eremita, mas era uma pessoa bastante conhecida desde a sua infância em Nazaré. Nesse sentido, Jesus Cristo passou por todas as etapas comum aos meninos e jovens onde residia, isto é, indo a sinagoga e participando das festividades em Jerusalém.


João, o maior entre os Profetas
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Predito por Isaías com 700 anos de antecedência, e posteriormente confirmado por Malaquias, o nascimento de João foi sem dúvidas, a realização de um grande milagre. Seus pais já estavam em idade bastante avançada quando um anjo apareceu para Zacarias enquanto este oferecia incenso no templo, e  anunciou que ele finalmente seria pai, e que seu filho seria o precursor do Messias. O velho sacerdote foi tão impactado pela visão angelical, que acabou perdendo a fala.   Zacarias era sacerdote e sua esposa Isabel pertencia a sociedade das “Filhas de Arão”, também provindas de linhagem sacerdotal. Durante a miraculosa gestação, Isabel se hospedou na casa de Maria, com a qual tinha parentesco, e que também já estava gestante de Jesus.  No encontro, enquanto as mães eram visitadas pelo Espírito Santo, João se agitou no ventre, como se já reconhecesse seu “primo” como o prometido Salvador. Na interpretação de estudiosos do evangelho de Lucas, João (cujo nome fora indicado pelo anjo), foi nazireu de nascimento. O voto dos nazireus os restringia de beber vinhos ou qualquer outra bebida forte, também deveriam deixar o cabelo crescer e não deveriam aparar a barba. João, porém, escolheu um caminho ainda mais asceta, vivendo de forma resignada no deserto. Após a morte de seus pais, João iniciou seu ministério público na Judéia, conclamando os judeus ao arrependimento, pois deveriam estar preparados para a chegada do Messias. Sua figura era pitoresca, mas a mensagem que trazia era ainda mais impactante. João passou a habitar no deserto, se alimentando exclusivamente de gafanhotos e mel silvestre. Suas vestes eram feitas de pele de camelo e cingidas por um cinto de couro.

- Raça de Víboras – Exclamava ele a seus ouvintes. – Quem ensinou vocês a fugirem da ira que está chegando? Com esta indagação inquietante, João iniciava seus discursos cada vez mais populares. Sua pregação era toda centralizada num chamado para a produção de “frutos de arrependimento”. João se identificava como sendo a “voz que clamaria no deserto” anunciada pelos profetas. João ensinava seus discípulos a não se apegarem ao fato de serem filhos de Abraão, pois até mesmo das pedras, Deus poderia constituir uma nova família. Segundo ele, o machado já estava posto na raiz para cortar toda árvore infrutífera e lançá-la ao fogo. Porém, este discurso duro e incisivo convergia rapidamente para uma mensagem de fé e esperança: - Eu batizo vocês com água para arrependimento, mas depois de mim virá alguém, e Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo. E eu não sou digno nem mesmo de amarrar seus sapatos (Mateus 3:7-11). Apesar da enorme humildade de João, foi Jesus quem o procurou para também ser batizado. Centenas de pessoas procuram João diariamente para descer as águas batismais, após confissão de pecados. O batismo era um rito já praticado no judaísmo, porém João encontrou no gesto de submergir uma pessoa em águas, uma forma de externar arrependimento e realizar uma confissão pública de fé, fosse o candidato judeu ou gentil. Com isso, recebeu o título pelo qual é até hoje lembrado: “João, o Batista”.

Embora Jesus não precisa passar por este procedimento, fez questão que João o batizasse, afim de cumprirem a justiça de Deus. Durante a cerimônia, João viu os céus abertos e o Espírito repousar sobre Jesus em forma de pomba, enquanto a voz de Deus bradava: - Este é meu filho, e nele tenho prazer. Acredita-se que João tenha tido cerca de trinta discípulos, os quais orientou a seguir Jesus. Entre eles, dois se destacaram entre os doze apóstolos: João e André. Sobre seu “primo”, Jesus testificou que entre os nascidos de mulher, João era o “maior” (Mateus 11:11), superior a todos os profetas que o antecederam. O que destaque João numa galeria tão distinta, é que homens como Isaías e Miquéias apontavam para o Messias vindouro, e João, apresentou o Cristo presente. Assim que foi batizado por João, Jesus se dirigiu ao deserto onde durante quarenta dias foi bombardeado por todo tipo de provação. Após ser tentado no deserto, Jesus retornou a Betânia para iniciar seu ministério público, e ao avistá-lo, João testificou dizendo: – Aí está o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:36). Esta foi a primeira indicação publica de que Jesus era o Messias Prometido, e coube a João, a honra de apresentá-lo ao mundo.


João, a voz do que clama no deserto

João, a “voz do que clama no deserto”, rompeu com um silêncio profético de quatrocentos anos. Ele veio preparar os corações para a chegada do Messias, por isso denunciava os pecados, advertia-os frontalmente do juízo vindouro e pregava a promessa de um glorioso batismo de fogo. Ele foi um homem que desempenhou o seu ministério de modo brilhante e fora do normal, como cumprimento do que dissera o profeta Isaías (Mateus 3:3 / Isaías 40:3-4). João era um homem resignado e por isso morava no deserto. Ele se vestia de peles de camelo e se alimentava de mel silvestre (Mateus 3:4). Era como a luz que brilhava em meio as densas trevas. João denunciava o pecado de quem quer que fosse: pessoas comuns, publicanos, militares, sacerdotes, etc. Nem mesmo Herodes Ântipas, aquele que tomou por esposa a mulher de seu irmão Filipe, foi poupado (Lucas 3:19). João Batista foi o mensageiro profetizado que prepararia o caminho, o Elias que deveria vir e veio (Mateus 11:10-14). A resignação e a palavra profética que tornaram João Batista o maior vulto que precedeu ao Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento. Convém frisar que a vida de João Batista foi cumprimento profético anunciado por Isaías e que, de maneira inteiramente resignada, ele cumpriu o seu chamado.

A mensagem central de João era a chegada do Reino de Deus. E ali, no deserto da Judeia, ele rompeu com o silêncio profético a fim de preparar os corações para este momento. Muitos Judeus sabiam e sentiam em seus corações que chegara um novo tempo acerca do qual deveriam estar preparados. A mensagem de João foi tão incisiva, urgente preparatória como se necessita hoje. Esta mensagem tinha três aspectos: o arrependimento a ser demonstrado com frutos dignos dessa atitude mental e comportamental (Mateus 3:2-8); a severa advertência do juízo e castigo vindouro aos impenitentes (Mateus 3:7); e por último o anúncio do batismo de fogo (Mateus 3:11-12). A mensagem principal de João Batista era a chegada do Reino de Deus. O Messias era uma figura oculta prestes a se manifestar aos judeus com glória e verdade, mas que havia o risco de ser rejeitado dado à ignorância e oposição do povo. Todavia essa rejeição lhes traria terrível juízo divino. O Reino de Deus estava para ser imediatamente manifesto em Israel em sua plenitude na pessoa e obra de nenhum outro senão o próprio Messias, isto é, Jesus Cristo. Para esta grande chegada, os homens precisavam preparar um caminho em seus corações através da mensagem de arrependimento (Mateus 3:3).

Pessoas de todas as classes sociais buscavam a João. Grande era a afluência de pessoas vindas de todas as partes de Israel à procura dele, mas principalmente de Jerusalém e da circunvizinhança do Jordão (Mateus 3:5). Mateus também fala de fariseus e saduceus que eram duramente advertidos e chamados de raças de víboras, por serem resistentes e duros de coração (Mateus 3:7-10). Qualquer um que lê a narrativa de Mateus fica surpreso com a apresentação de João e de como ele era procurado. Porém os fatos não param por aí, pois até mesmo o Senhor Jesus procurou João para ser batizado. O plano divino era para todos, mas nem todos o acataram, como hoje também acontece. Os fatos ocorridos envolvendo como protagonista João Batista não foram fatos privados. Aquelas coisas sucederam publicamente e todas as pessoas daquela época tomaram conhecimento disso. Por esse motivo, elas procuravam João para serem batizadas. Porém, nem todos davam crédito a João e um fato triste ilustra isso. Quando, posteriormente, o Senhor Jesus perguntou aos anciãos do povo: “O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens?”, eles responderam o seguinte: “não sabemos” (Mateus 21:25). Dessa forma, estava caracterizado o desprezo pelas coisas de Deus. Devemos ter cuidado para não desprezarmos o agir de Deus em nossa época.


João, fidelidade até o fim
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Quando Herodes se casou com a própria cunhada Herodides, esposa de seu irmão Felipe, João Batista, criticou publicamente os pecados da casa real, causando desconforto no palácio. Embora a consciência cauterizada de Herodes Ântipas I pouco se importasse com a repercussão das palavras do profeta, ele acabou decretando sua prisão para acalmar os “ânimos” da casa. João Batista foi preso em Peréia, acusado de incitar uma rebelião e levado a fortaleza de Macaeros, onde permaneceu encarcerado por dez meses, até ser condenado a morte.  Após sua prisão, João Batista nunca mais pregaria em público novamente. Enquanto Herodes o mantinha encarcerado para “evitar” tumultos entre o povo, Herodides tinha planos bem mais aterradores. Durante um banquete de aniversário, quando o rei já estava sob o efeito do vinho, aquela mulher perversa fez com que sua filha Salomé (sobrinha de Herodes), adentrasse ao salão e dançasse sensualmente para o tetrarca. Inebriado com a beleza da moça, Herodes prometeu em público, que daria para ela qualquer presente que pedisse. Devidamente instruída por sua mãe, Salomé pediu ao rei que a presenteasse com a cabeça de João Batista numa bandeja de prata. Mesmo a contragosto, Herodes cumpriu com sua palavra e ordenou a execução de João.

Nos meses em que esteve preso, João Batista viveu momentos de terríveis convulsões emocionais. Por um instante chegou até mesmo a duvidar de seu próprio ministério, quando pediu para que alguns de seus discípulos fossem até Jesus em busca da uma confirmação de que Ele era mesmo o Cristo, ou se ainda haveria outro por vir. João sabia que o Messias viria ao mundo para implantar um Reino de Justiça, e agora, sendo ele mesmo uma peça fundamental deste reinado, estava injustamente preso, aguardando que se cumprisse a infame sentença capital. João se sentiu injustiçado, e talvez até tenha interpretado que Jesus pouco se importava com esta condição, afinal, um homem que transformava água em vinho poderia facilmente abrir as celas de uma prisão. Mesmo sendo o “maior” entre os homens (Mateus 11:11), João não estava imune ao medo e a frustração, tão inerente a condição humana. Ele havia dedicado sua vida em prol de uma causa santa, e agora seria recompensado com a morte.

A resposta de Jesus aos discípulos de João não foi dada apenas com palavras, e sim com ações: Jesus respondeu: “Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim (Mateus 11:5-6). Os discípulos voltaram maravilhados com o que viram e ouviram, e compartilharam com João tudo o que Jesus estava fazendo. E então, o seu coração arredio se apaziguou. João teve a real compreensão do Reino dos Céus, e entendeu a plenitude de sua justiça. Perfeita e atemporal. A morte não silenciou a mensagem do Batista, pois o sucesso de seu ministério é evidenciado na obra do próprio Cristo, de quem fora escolhido por Deus como antecessor. João morreu em paz, absolutamente convencido que em Jesus, toda a sua vida havia valido muito a pena. Ele, João foi o último profeta da Antiga Aliança, sendo o único que presenciou em loco o pleno cumprimento das profecias messiânicas, além de participar ativamente do ministério de Cristo, batizando-o no Jordão e até mesmo compartilhando discípulos. Em João, se encerra o ministério profético do Antigo Pacto, e a profecia passa a existir como dom.


João e seu ministério batismal

Dois eram os batismos anunciados por João. Um batismo natural em água que cabia a João batizar e o outro sobrenatural que apenas caberia a Cristo fazê-lo. E aí temos o ponto culminante com a chegada de Jesus para receber o batismo em água. A palavra “baptizo” no grego significa “mergulho”, ou seja, o que João quis dizer literalmente em Mateus 3:11 foi, “eu vos mergulho em água para o arrependimento”. O mergulhar aqui não significa o arrependimento em si, mas um símbolo deste. Eis aí o motivo pelo qual as igrejas pentecostais escolhem o batismo por imersão. O ato de batizar é algo simbólico referente a uma postura espiritual. Ele em si não salva, mas é um testemunho público do compromisso com o Senhor Jesus Cristo e a sua Igreja na Terra. Quem se batiza demonstra obediência ao Senhor Jesus (Mateus 28:18-20). O batismo por imersão, em nosso contexto pentecostal, exige o mínimo de preparação, isto é, o discipulado dos novos convertidos, que nada mais é do que o ensino e aprendizado das verdades basilares das Sagradas Escrituras, para que o ato do batismo não seja simplesmente um banho ou um mergulho qualquer, mas um compromisso assumido diante de Deus e da Igreja.

Quanto ao batismo sobrenatural há um quê de profético nas palavras de João, pois de antemão ele anunciava algo além de seus dias. Este batismo cabia àquele acerca do qual João não era digno de desatar as suas sandálias cumprir. E era o batismo com o Espírito Santo e com fogo. Este batismo é um mergulho sobrenatural no Espírito Santo e em seu fogo, a fim de capacitar o cristão a tornar-se testemunha de Cristo. João Batista frisou: “Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo”. Todos nós precisamos desse batismo e João mesmo disse a Jesus: “eu careço de ser batizado por ti” (Mateus 3:14). João, o Batista, ao identificar Jesus como Messias, queria imediatamente receber o batismo com Espírito Santo e com fogo. Ele era um homem resignado, um profeta destemido que denunciava o pecado do povo de Israel de seus dias. Se ele disse que precisava ser batizado por Jesus, imagine nós hoje?

O Senhor Jesus saiu da Galileia à procura de João para ser batizado. O batismo em água era para o arrependimento dos pecados. Porém, no caso de Jesus tinha um sentido diferente, visto que Ele é o Filho de Deus, gerado e nascido sem pecado. Assim, o seu batismo representa a Sua morte e ressurreição em favor dos pecadores (João 12:23-24). Inicialmente, João recusou batizar Jesus e disse a Ele: “Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?” Mas o Senhor disse-lhe: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça”. Ao receber o batismo, o Senhor Jesus deixa–nos um precioso exemplo para todos os Seus futuros discípulos. João depois de batizá-lo tem uma grande confirmação, isto é, ele vê os céus abertos, vê o Espírito de Deus descer sobre Jesus e ouve a voz de Deus dizendo-lhe: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo.” O Senhor Jesus Cristo não precisava ser batizado. O batismo era e é para pecadores arrependidos, caso este que não se aplica ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Todavia, Jesus o fez para deixar o exemplo para todos nós. Reforce para os alunos que o Batismo de Jesus Cristo tem um sentido profético ligado a sua morte e ressurreição.


João, o homem improvável
Comentário Adicional
Pb. Bene Wanderley

Sem dúvidas, esta foi mais uma lição sugestiva e produtiva, pois nos trouxe particularidades da vida de Jesus Cristo e de João Batista, o precursor do mesmo. O profeta Isaías, em suas inúmeras profecias, trás luz ao povo judeu sobre o que viria em dias futuros, e inclui neste contexto a pessoa de João. A Bíblia o livro mais fantástico que existe, pois nela temos relatos precisos do passado, um panorama real do presente e vislumbres proféticos do futuro. As profecias bíblicas são enigmáticas, e mui precisas, atraindo a atenção (e a curiosidade) de cristãos e não crentes também. Embora a Bíblia seja muitas vezes apontada como um livro, que numa primeira visão, pareça ser alegórico ou mera fantasia da mente humana, ela vem ao logo dos séculos se mostrando viva e eficaz no que concerne ao passado e ao futuro da humanidade. A Bíblia nunca ainda não errou, o que nos da garantias de sua confiabilidade como nossa bússola para o amanhã.  Por exemplo, evangelho de Mateus traz a narrativa de um homem nada comum em seu tempo (seria incomum até mesmo na extravagância dos dias de hoje); pela escolha de um modo de vida sem grande atratividade, contrariando todo conceito preestabelecido para um profeta aguardado por tantos séculos, cujo ministério já fora predito com séculos de antecedência. E João é realmente um paradoxo para os profetas de hoje Primeiro, ele escolheu o lugar mais improvável como base ministerial, e que usualmente ninguém escolheria para iniciar um ministério: o deserto da Judéia. Não era propriamente um deserto como o do Saara, pois nesta região corria as águas caudalosas do Jordão um dos rios mais importantes de Israel. O estranho é que para alguém que se dirigia as massas, João optou por um púlpito quase anônimo. A grande verdade é que ele nunca ambicionou “ostentar”.

Mas foi ali junto das águas do rio Jordão que João iniciou seu ministério de proclamar a chegada e a manifestação do Reino de Deus. Conforme narra Mateus, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia, e miraculosamente, muitos se achegavam para ouvi-lo. O segundo (e não menos importante), ponto de destaque, é que João veio como o precursor do Messias. Ele não era “Luz”, mais veio para anunciar a chegada da “Luz”, o Messias prometido e esperando. João sabia qual era sua missão, e entendeu ao logo dos anos de preparo no deserto que ele, em si,  não era o “Astro”, o “Grande”, o “Maravilhoso”, o “Conselheiro”, o “Príncipe da Paz”. João tinha impregnado na alma a sua real condição de servo, coadjuvante de uma história muito maior.  O que mais me fascina na vida de João é a sua capacidade de assimilar as oportunidades, privilégios e ônus, que sua missão lhe proporcionava. Ele demonstrou real lealdade, humilde e capacidade de desenvolver sua tarefa em um lugar incomum e aquém do sucesso. Eu o chamo de o “homem do improvável”. Como seria bom se todos nós, pregadores, pastores, teólogos, mestres e doutores, fizéssemos um análise sincero, sem hipocrisia, sem demagogia e sem medo, daquilo que chamamos de ministério cristão hodierno. Se todos nós olharmos para o farol chamado João Batista, a voz que clama no deserto, não seríamos este fracasso que, como “Igreja,  estamos nos tornando, representantes e precursores do Reino da Luz, vivendo cada dia mais em escuridão.

Procuramos as glórias humanas e as honrarias dos homens, nos alojamos nos templos religiosos com assentos estofados e achamos que somos os tais. Queremos atrair os perdidos com as nossas ideologias baratas compradas nas bancas do diabo, e ainda temos a pachorra de bater no peito e dizer: nós somos a bola da vez. Queremos levar os perdidos para Cristo com pregações genéricas e coloridas, e muitas vezes omitimos a mensagem do Reino: - Arrependei- vos e crede no evangelho porque o fim está próximo. Buscamos ludibriar aos homens de nossa deficiência espiritual, com nossa incapacidade mental de entender que só a verdade liberta, afinal, como diz João 8:32, “conhecereis a verdade é a verdade vos libertará”. João Batista tinha um único propósito em sua vida, “ser aquilo que ele veio para ser", ou seja, o precursor do Messias. Sua tarefa era cumprir a tarefa.

Em terceiro lugar, João reconhecia que Jesus era exatamente quem que as escrituras diziam ser. Ele compreendeu Jesus. Seu discurso relatado por Mateus não deixa duvidas sobre esta convicção: - “Eu vos batizo com água, mas, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu”. João sabia quem era Jesus é fez questão de trazer luz à mente de seus ouvintes, que ele (João)  poderia ser capaz de grandes feitos, mas que o Todo Poderoso (Jesus) viria após ele. Este detentor de todo poder, teria a capacidade de batizar com Espírito Santo e com Fogo, um batismo transformador, e não apenas simbólico. Inspirados na mensagem de João, precisamos urgentemente restaurar o lugar do Todo Poderoso em nossos altares, no nosso ministério, e na nossa vida diária. João carregava o peso da Glória do Messias, e mesmo assim, nunca precisou dos grandes centros comerciais e urbanos de sua época, mas, as multidões iam ao encontro dele no deserto. Um evangelho sustentado apenas sobre a própria Palavra. Humildemente oremos: - Deus nos faça ver- te como João te via. Amém.


Conclusão

Mateus fala da grandeza de João Batista. Seu ministério foi fecundo e profético, encerrando dessa maneira a dispensação do Antigo Testamento. O Senhor Jesus ao receber o batismo de João deixou-nos um grande exemplo a ser obedecido.





A imagem que Mateus nos apresenta de Jesus é a de um homem que nasceu para ser Rei. Sua intenção é mostrar o senhorio de Jesus Cristo e que, com toda autenticidade, o Reino, o poder e a glória são dEle. Mateus entrelaça o Antigo Testamento ao Novo, com a preocupação de revelar aos judeus: que em Jesus se cumpriram todas as palavras do profeta, que Ele é o Rei por excelência e o Messias de Seu povo. Para saber mais sobre as profundas verdades existentes em cada linha deste evangelho, participe neste domingo, 17 de Julho de 2016, da Escola Bíblica Dominical.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quarta Forte com Ministério Unção de Adoradores


A Quarta Forte é um trabalho evangelístico que já está em sua quarta temporada, e tem como regra geral, mesclar a essência do louvor e o poder da Palavra. E assim tem sido, com a graça de Deus, que a cada semana usa poderosamente seus servos que prontamente atendem nosso convite para tomar parte nesta celebração. O sucesso deste trabalho não tem sido medido por público ou qualidade técnica, mas sim pela salvação de almas. Não há melhor recompensa!

E neste dia, 13 de julho de 2016, mais uma vez, o Senhor foi honrado, louvado e ministrado, tocando corações e mudando vidas.  Mais uma vez fomos abençoados através dos levitas da casa, Benê Wanderley e Valquíria Gomes, e recebemos o Ministério de Louvor Unção de Adoradores, da cidade de Limeira SP, que através de seus vocalistas, Anderson Souza e Marcos Nascimento, foram boca de Deus, ministrando palavras proféticas de fé e esperança sobre a congregação, além de exaltar ao nosso Deus com belíssimas canções.

O homem é um ser invejado por Satanás, afinal, foi criado para herdar as glórias que o antigo anjo de luz perdeu por orgulho e desobediência. Desde o Éden, o inimigo dedica-se a minar nossa relação com Deus, e infelizmente, tem obtido grande êxito neste intento nefasto. O ser humano se deixou influenciar de forma tão intensa, que seu pecado o fez abominável diante do Criador, tanto, que em Gêneses 6:6-7, nos é relatado que o Senhor Deus, com grande pesar em seu coração, arrependeu-se de criar o homem, e decidiu purificar a Criação, eliminando-o da terra.  Seria o fim da humanidade, criada com tanto esmero e dedicação?

Para entender esta questão, é preciso ter em mente que Deus está numa linha temporal diferente da nossa. Enquanto vivemos o “cronos”, regulado por minutos, dias e anos; Deus habita no kairós, o tempo perfeito e completo, medido apenas de eternidade a eternidade. Logo, nós aqui na terra, vivemos e analisamos os fatos de forma imediata, enquanto Deus visualiza passado, presente e futuro em uma única óptica. Assim, em nosso entendimento, Deus pode até ter “mudado” seu modo operante, mas na verdade, o desígnio continua intacto. Ou seja, muda se a ação imediata, mas o resultado a longo prazo será o mesmo.

Quando olhamos para a Bíblia e nos deparamos com as expressões como “Deus se arrependeu””, “voltou atrás” ou “mudou de opinião sobre determinada questão”, estamos na verdade enxergando uma postura de Deus em relação as escolhas feitas pelo próprio homem e não de reviravoltas mirabolantes em seu próprio plano. Digamos que existe apenas “o” ponto final, mas quem decide como chegar lá, é a própria humanidade. Ou seja, Deus não muda e de fato não se arrepende, mas atua de formas diferentes, dependendo da postura tomada pelo homem.
Estas decisões erradas da humanidade, jamais irão alterar o plano original de Deus, mas certamente aceleraram um processo imediato de intervenção, seja para bem ou para mal. 

A “morte”, neste caso, era apenas uma consequência das próprias ações da humanidade, já que a sentença de que o pecado atrairia a morte fora dada ao primeiro casal ainda no Éden, conforme registrado em Gênesis 2:17. Logo, Deus estava em seu total direito de tomar para si as vidas que lhe eram devidas em decorrência da calamidade pecaminosa que se instalará no mundo, e o dilúvio apenas “adiantaria” o processo. De qualquer forma, o plano original estava mantido. Em contrapartida, os desígnios de Deus convergiam para que a terra fosse povoada a partir de uma família, e neste caso, Deus mantém sua estratégia, apenas substituindo Adão por Noé. Muda-se os personagens, mas a história, do ponto de vista eterno, continua inalterável.

Numa linguagem figurada, podemos dizer que Deus não mexeu no tabuleiro, apenas reposicionou as peças. Os leitores mais atentos entendem que o “arrependimento sentido por Deus”, fala de sua tristeza pela condição humana, e é de fato o estopim para um recomeço, onde a iniquidade é, literalmente, lavada de sobre a terra, e uma nova semente de bondade é plantada através de Noé. Deus não escreve finais, mas sim recomeços melhorados. Com ele sempre existe a esperança (e a certeza) de um novo amanhã. 

Noé pregou em um período de desmoralização social, moral e espiritual tão intensa, que Deus decidiu destruir a humanidade. Entretanto, uma chance de arrependimento seria dada ao homem, e assim, o velho Noé é escolhido como portador de uma mensagem de salvação. Durante 120 anos, enquanto trabalhava em sua famosa ARCA, ele anunciava para toda gente a destruição eminente e apontava sua construção como o único meio de sobrevivência.

Numa análise superficial poderíamos dizer que Noé foi o pior pregador da história, pois seu “ministério” durou mais de um século, ele só disponha de um único sermão e ninguém acreditou em sua pregação. Entretanto, quando Deus fechou a ARCA por fora, toda a FAMÍLIA de Noé estava dentro dela. Nenhum vizinho se salvou, nenhum compatriota creu, nenhum amigo lhe deu crédito...

Mas Noé salvou toda a sua família, e pela fé de apenas oito pessoas, a humanidade não se extinguiu (Gênesis 6, 7 e 8).   As gerações seguintes cometeram os mesmos erros de seus antepassados, mas cumprindo a promessa feita de retardar a destruição, Deus investiu ao longo da história em novos começos. Em Abraão Ele iniciou Israel (uma nação para ser modelo), em Jesus iniciou a Igreja (um povo santo e separado para ser luz do mundo) e futuramente iniciará em Cristo, um reino perfeito de paz e felicidade permanente, descrito nos últimos capítulos de Isaías.

Se na antiguidade, a arca foi o meio proporcionado por Deus afim de que os que cressem escapassem da morte, hoje essa “saída” é Jesus, ele é a arca onde devemos nos refugiar, e esta é a mensagem que devemos pregar, independente de quem a escute e aceite.




Vida Cristã Familiar


Você já se perguntou alguma vez como deve viver a vida cristã? Afinal, vivemos numa época muito relativista, em que cada um faz sua própria verdade e tem seus valores éticos e morais alicerçados em puro hedonismo.

Mas se vivemos com Cristo, existe um viver padrão que nos foi ensinado por Ele mesmo. Mateus 5 nos revela como o Mestre dos Mestres era um grande cultivador. Ele sabia que sua tarefa era cultivar os corações dos seus seguidores “cuidar, zelar, conservar”, e por tanto passou a ensinar os seus discípulos as bases mestras da vida cristã em todos os seus aspectos. E como um bom cultivador expressou as mais sublimes palavras: bem aventurado os humildes de espírito, pois deles é o reino dos céus. Jesus começa seu ensino falando da humildade.

Ele sabia em seu espírito a necessidade de cultivar nos corações dos seus discípulos essa virtude de extrema necessidade, pois sem a humildade de espírito seria (e é) impossível fazer parte ou até mesmo herdar o Reino dos Céus. O humilde de espírito a que se refere esse ensinamento, pode ser entendido como um espírito sempre pronto a abrir mão dos seus próprios interesses em favor dos outros. O salmista em sua oração de confissão e arrependimento nos dá com clareza, um vislumbre desta realidade: “cria em mim, oh Deus, um coração puro e renova dentro de mim um coração sempre pronto, inabalável, disposto a obedecer, pronto se despojar dos próprios interesses" (Salmos 51:10).

Desde o alvorecer deste século, temos visto, ouvido e testemunhado uma avassaladora onda de perversão dos homens em todas as áreas da sua vida, a crescente desvalorização da ética e dos bons costumes, e por fim, a degradação da família. Em função da multiplicação da ciência e dos grandes avanços das modernas tecnologias estarem sobre fortes influências satânicas, temos enfrentado dias difíceis e, porque não dizer, insuportáveis de viver.

A falta de comunicação tem afetado em muitos aspectos os relacionamentos familiares, e as relações fraternais entre os fiéis no viver diário cristão. É bom ressaltarmos que um diálogo é o inverso do monólogo, onde só uma pessoa discursa sem deixar que outras pessoas se expressem também. O discurso monólogo é orgulhoso, soberbo, arrogante, presunçoso, vaidoso, violento, vil, sem graça e desprovido de humildade. Já o diálogo é quando as pessoas falam e se escutam, cada qual colocando seu ponto de vista e tendo a chance de se expressar. No diálogo todos tem e devem ter direito de serem ouvidos. Ouvir e falar no momento certo. O que temos visto no meio das famílias é a falta de diálogo e como resultado temos uma degradação dos valores éticos estabelecidos por Deus para guardar as famílias da corrupção maligna. Precisamos reavaliar nossos conceitos e tudo aquilo que temos tido como valores éticos. Incentivar nossas famílias ao diálogo, na verdade é uma reeducação familiar.

No entanto deve haver uma disponibilidade de todos para a prática da abnegação. Mateus 16:24 tem a chave- mestra para uma vida de vitória na caminhada de todo cristão: "renúncia ".  Negar a nós mesmo e seguir o caminho que nos está proposto. A vida cristã se caracteriza pelas renúncias que temos de fazer e devemos fazer. Isaías, o profeta messiânico, nos traz à luz aquilo que caracterizava a pessoa do Messias. Vemos o resultado da renúncia na vida do Cristo, Ele foi desprezado, o mais rejeitado dentre os homens, homem de dores, foi oprimido, humilhado, ficou em silêncio diante dos seus acusadores e foi moído pelos nossos pecados (Isaías 53:3-12), renunciar ainda é o caminho mais eficaz para uma vida de paz em nosso núcleo familiar cristão.

Isso com toda certeza não será uma tarefa agradável para muitos, pois infelizmente nossa geração tem desprezado os princípios cristãos acarretando sobre sim varias tribulações. É lamentável, mas a real situação de muitas famílias cristãs é de total degradação moral e espiritual. Pais que se fecham para o dialogo e a renúncia na família tem colhido a mais desastrosa colheita da história da humanidade “filhos abomináveis".  O termo parece duro e medieval, mas certamente é o que melhor defina essa geração corrupta, ainda pior que a descritas em Gênesis 6, fazendo uma comparação aos dias de Noé (Mateus 24:32-39).

Mas a renúncia precisa se ancorar na tolerância, pois esta é uma virtude gloriosa da parte de Deus que devemos cultivar com mais intensidade e "num desejo ardente", pois a palavra de Deus nos diz em Mateus 5:7 que bem-aventurados são os misericordiosos, pois eles alcançarão misericórdia. Ser paciente é ter a capacidade de suportar as fraquezas dos fracos e demonstrar misericórdia ao que falhou na tentativa de acertar. A tolerância no meio da família é uma arma poderosa para estabelecer relacionamentos quebrados. O que temos visto nas famílias é a inversão de valores que convergem para verdadeiros desequilíbrios mentais, filiais, maternais e paternais. Pais sem estrutura psicológica, sem estrutura financeira e moral.

Infelizmente as igrejas não tem dado o devido valor ao ensino familiar pré e pós casamento. Temos visivelmente bons livros e revistas com o tema família, mas pouco (ou nenhuma prática). Cabe a nossa geração mudar sua própria história e a transformação começa no seio familiar.

Colaboração: Pb. Abdenego Alves Wanderley

terça-feira, 12 de julho de 2016

Biografia - Dwight Lyman Moody




Dwight Lyman Moody nasceu em 5 de fevereiro de 1837, numa pequena herdade perto da vila de Northfile, e era filho de pais pobres, mas descendentes dos nobres puritanos, que primeiramente colonizaram a América do Norte. Os pais de Moody tiveram nove filhos, dos quais ele foi o sexto. Falencendo o pai de Moody,quando este tinha apenas seis anos, sua mãe ficou nas mais precárias condições, para tratar de si e de sua numerosa prole. Por este motivo Moody, desde tenra idade, foi habituado a rudes trabalhos, para concorrer com o pequeno contingente, ao sustento de todos; e isso, adicionado à educação religiosa que lhe deu sua piedosa mãe, concorreu grandemente para formar nele um corpo forte e resistente e um caráter moral de grande envergadura.

Cedo teve a convicção de que Deus o chamava a coisas mais elevadas do que à vida simples da roça. Aos 17 anos deixou o lar materno, para ir à cidade de Boston em busca de uma vida mais ampla,de acordo com as suas aspirações. Depois de ter durante uma semana percorrido em vão as ruas de Boston em procura de trabalho conseguiu, afinal, obter um lugar de caixeiro na loja de calçados de seu tio, de nome Samuel Bolton, mas sob a condição de que iria todos os domingos à igreja, faria parte da escola Dominical e que nunca iria a um lugar de que tivesse vergonha que sua mãe soubesse. Religiosamente educado como já estava, Moody só podia aceitar tal condição com o melhor agrado. A igreja que começou a freqüentar foi a congregação de Mount Vernon, da qual era o pastor o dr.Eduardo Kirk. Foi arrolado numa classe de jovens da qual era o professor Eduardo Kimball.

Desde logo Moody demonstrou extraordinária aptidão para o negócio. Ativo, atencioso e cortês para com os fregueses, em breve se tornou o empregado mais popular da casa, adquirindo numerosa freguesia que preferia ser por ele servida. A mesma dedicação manifestou na escola dominical. Grangeou logo, pelo vivo interesse manifestado na classe, a mais profunda simpatia por parte de seu professor, o citado sr. Kimball, que notou, não obstante Moody manifestar viva apreciação pela escola dominical, e um espírito muito religioso, ainda não tinha experimentado em sua alma a obra regeneradora do Espírito Santo. Numa palavra, ainda não era cristão de fato, motivo pelo que se decidiu a falar-lhe muito particularmente.

Depois de muita oração pelo bom êxito de sua tentativa, Kimball dirigiu-se à loja de Bolton, a fim de falar com Moody acerca da sua salvação. Encontrou Moody nos fundos da loja, embrulhando uma caixa de calçados e, sem mais preâmbulos, pôs-lhe a mão no ombro e foi-lhe falando no grande assunto. Foi um momento solene, tanto um como para o outro. Mas o epílogo não tardou, porque Moody, sem demora nem hesitação, resolveu entregar o seu coração a Jesus. Desde aquele momento a sua vida se transformou por completo. A religião, que até aquela data seguia, como um dever, tornou-se-lhe o seu maior prazer, e isto até o fim da sua vida. Referindo-se ao acontecimento, ele mesmo assim se exprimiu: ¨Antes da minha conversão, eu caminhava para a cruz; depois, partia da cruz para o mundo, buscando os que se achavam perdido.

Em maio de 1855, Moody se apresentou como candidato a membro da igreja, à qual assistia; mas os oficiais da mesma, não se dando por satisfeitos, com a sua profissão de fé, adiaram a sua recepção. Em março do ano seguinte de novo se apresentou à igreja, sendo então aceito. O que nesta ocasião mais o recomendou foi a sua dedicação à leitura da Bíblia, e a oração desde a primeira vez que se manifestara convertido. E estas duas coisas caracterizaram toda a sua vida de crente.

Como já dissemos, era muito ativo e empreendedor, vindo mais uma vez esta qualidade a manifestar-se no fato de que, após dois anos de trabalho na loja de seu tio, acharam que seria melhor ir para Chicago, cidade mais nova, e que crescia de modo assombroso; e em 1856 lá estava instalado, cheio de radiosa esperanças. A primeira coisa, entretanto, que fez foi procurar o povo de Deus, e identificar-se com ele. Empregou-se numa casa de calçados, onde foi muito feliz, e tanto prosperava que lhe apareceu fácil adquirir fortuna dentro de poucos anos.

A mesma dedicação que manifestava no negócio nos dias da semana, demonstrava na igreja nos dias de domingo. De manhã trabalhava com afã, convidando pessoas a irem ao culto; e de tarde se esforçava em arranjar alunos para a escola dominical, que funcionava em um ponto de pregação. Foi tão bem sucedido em seus esforços em prol desta escola, que resolveu estabelecer uma outra num outro bairro da cidade, a qual tanto prosperou que veio torna-se uma igreja hoje de fama mundial, conhecida como a "Igreja de Moody". Os seus esforços em prol das escolas dominicais começaram então a desdobrar-se e a multiplicar-se porque teve uma larga previsão do valor que ofereciam às igrejas e à causa de Jesus no mundo; e pode-se dizer que o grande impulso moderno dado a esta fase do trabalho cristão lhe é devido.

A princípio se sentia muito embaraçado para pregar, não obstante o desejo ardente que nutria pela salvação dos pecadores; e chegou a fazer tão triste figura, que os diáconos da igreja sentiram necessidade de dizer-lhe francamente, que não tentasse mais falar em público, porque não tinha o dom da palavra, e podia melhor servir a Deus silenciando, do que falando.
O que mais embaraçava Moody era a sua absoluta falta de preparo. Torturava de tal modo a gramática e patenteava tanta ignorância acerca das Escrituras, que chegava a tornar-se ridículo. Apesar disso não se resignava a ficar calado; sentia dentro de si um impulso tão poderoso de pregar Cristo aos pecadores, que se não o fizesse, certamente explodiria, como a carga de dinamite tocada pela fagulha.

Por isso, não fazendo caso da situação desairosa que se criava, ia pregando o Evangelho, do melhor modo que podia fazer. E este zelo não se manifestava só para a pregação em público; tinha o mesmo zelo quanto ao pregar ao indivíduo. Anunciava o Evangelho a todos que conhecia; e mais do que isso: abordava frequentemente pessoas desconhecida, ás quais perguntavam se eram crentes e as convidava a unirem-se em oração consigo e a aceitarem Jesus como único Salvador.

Naturalmente um servo de DEUS, tão possuído do desejo de salvação de almas, não podia tardar em entregar-se completamente à santa e bendita obra do ministério cristão. Efetivamente resolveu deixar o emprego e entregar-se exclusivamente ao trabalho espiritual, vivendo das economias que tinha reunido. Sem autorização de qualquer igreja ou corporação, sem apoio moral e material de quem quer que fosse, mas tão somente obedecendo à voz de Deus, que lhe falava ao coração, começou aquela vida de serviço, que se tornou um portento na causa de Mestre Jesus.

Duas coisas que muito preocupava Moody: um interso desejo de se aprofundar mais e mais nos segredos da Palavra de Deus, e de se revestir do poder divino, para melhor executar a obra que se propusera a fazer.

Depois de por certo tempo se ocupar em várias fases do trabalho evangélico, resolveu ir passar dois meses na Inglaterra, para ver de perto os homens mais reconhecidamente espirituais, como George Müller, Charles Spurgeon e outros. Foi ali que ouviu uma declaração que por assim dizer, imprimiu a direção de sua vida do evangelista. Ei-la "O mundo ainda não viu o que Deus pode fazer com um homem, que inteiramente se rendesse a ele. Meditando em tão estranha asserção, disse consigo mesmo: " Eu serei esse homem."

E desde aquele momento até o fim de sua vida, todo o seu afã foi glorificar a Deus em tudo. O sucesso do seu trabalho fala eloquentemente da sinceridade da sua determinação, se bem que só Deus sabe se atingiu ou não o ideal proposto.

Mais ou menos por aquele tempo, Moody encontrou-se com Ira D. Sankey, em Pennsylvania, a quem ouviu cantar um solo. Ouvindo-o Moody ficou encantado e tratou de convencer Sankey de que devia acompanhá-lo nas suas excursões evangelísticas, para dirigia a parte musical dos cultos. Partiu dele a criação de um hinário evangélico, mais apropriado do que o então existente, culminando na riquíssima coleção hoje universalmente conhecido com o mesmo nome de Ira D. Sankey, a principal adotada em todas as igrejas evangélicas tradicionais. Este hinário, de que Moody era o proprietário, chegou a tão elevava reputação e uso, que tanto seu autor como seu proprietário poderiam ter ficado riquíssimos se o quisessem; mas, em vez de reservarem para si e seus herdeiros o lucro da publicação, que já em 1931 já era superior a mais de dois milhões de dólares, doados a diversas instituições beneficentes fundadas pelo mesmo Moody.

O ardente zelo evangélico de Moody, e seu desejo de privar com os homens proeminentemente espirituais, levou-o mais uma vez de visita à Grã-Bretanha. Chegando que foi a Londres, foi surpreendido com um convite do Rev. Teófilo Lessey, pastor de uma igreja do norte de Londres para pregar na mesma igreja no domingo próximo de manhã e de noite, convite que Moody aceitou. Na pregação da manhã Moody sentiu bastante dificuldade o que muito o entristeceu; mas de noite a coisa foi inteiramente diferente. O ambiente parecia carregado dum poder estranho, o auditório manifestou se impressionadíssimo ouvindo as palavras de Moody com avidez jamais vista. Quando no fim do seu sermão, Moody deu oportunidade aos que desejassem manifestar-se ao lado de Cristo, todo o auditório, a uma, se pôs de pé, fenômeno este precursor de um grande avivamento naquela igreja, resultando na conversão de cerca de 500 almas em uma só noite. O próprio evangelista ficou estupefato com tão maravilhoso resultado e tratou de descobri-lhe as causas

Aquela igreja tinha como membros duas irmãs, das quais uma era muito ativa na igreja, mas a outra, como era paralítica, nada podendo fazer que exigisse atividades físicas, limitava seus esforços à oração, serviço, entretanto, bendito e capaz de trazer benefícios inúmeros à causa de Cristo. Esta senhora, tendo lido em alguns jornais de certas conferencias de Moody muito abençoadas, em certa cidade americana, começou a orar que Deus de qualquer modo o trouxesse à sua igreja, e a sua pregação nela fosse ricamente abençoada.

Quando esta senhora soube que Moody, naquele domingo de manhã tinha pregado na sua igreja, como Maria ao ouvir a saudação do anjo, magnificou a Deus, por ter respondido tão visivelmente as suas orações. Esta senhora se chamava Marianne Adlard. O avivamento naquela igreja foram as primícias dos frutos copiosos da vida ministerial de Moody, que consistiram na salvação de muitos milhares de almas, e maior consagração de milhões de crentes na Inglaterra, Escócia, Irlanda, Estados Unidos e algures.

Após dois anos trabalhando na Grã-Bretanha, Moody regressou aos Estados Unidos, fixando residência em Northfield, perto do lugar onde nascera, onde também comprou uma pequena herdade que foi o início de um grandioso empreendimento, com a fundação de dois excelentes colégios - um para educação de moças pobres, que ficou conhecido como o colégio de Northfiel; e o outro para educação de moços pobres, ao qual foi dado o nome de Mount Hermon. Este dois colégios são importantíssimos, e o valor de suas propriedades monta a vários milhões de dólares. Milhares de jovens, de recursos limitados, anualmente cursam estes colégios, mesmo porque neles, não são aceitos filhos de pais ricos.

Durante quatro meses do ano, de julho a setembro, alguns dos edifícios de Northfield servem de alojamento a membros de todas as denominações evangélicas, que vão assistir às conferências anuais para cultivo da vida espiritual. Nessa ocasião fazem-se ouvir ali os mais proeminentes pregadores e expositores bíblicos dos Estados Unidos e Inglaterra.
Em conexão com a igreja, hoje conhecida por "Igreja de Moody", em Chicago o mesmo Moody fundou um Instituto Bíblico apra preparo de moços e moças, que desejassem consagrar suas vidas ao trabalho do Senhor na pátria e no estrangeiro. Esse empreendimento, como os demais, tem sido grandemente abençoado. Segundo o relatório de 1916, nada menos de 3.000 jovens de ambos os sexos, de 20 diferentes países, foram matriculados no dito Instituto.

Na mesma cidade, Moody fundou uma casa editora, para promover a circulação de literatura evangélica a preço módico. O mesmo Moody escreveu 16 volumes que tem sido publicados pela dita casa, em edições avultadas. Além destas, a casa editora tem publicado muitas outras obras de grande auxilio espiritual. Calcula-se que, durante a vida de Moody, mais ou menos, cem milhões de pessoas ouviram ou leram sermões seus.

Na volta de sua última viagem à Inglaterra, Moody passou por uma grande experiência, que bem patenteou o seu extraordinário poder da oração. Embarcara ele em companhia de seu filho mais velho, a bordo de vapor "Spree", do Llyd Alemão de Bremen. Três dias depois da saída, já em alto mar, e quando o navio navegava com toda a potencialidade de suas máquinas, ouviu-se grande estampido, imediatamente seguido de grande choque e parada súbta do navio. Verificou-se então com horror que o eixo da hélice partira, fazendo grande rombo no navio, pelo qual a água entrava impetuosamente, ameaçando afundá-lo em poucos minutos. A marinhagem correu a isolar aquele compartimento dos demais em frente ao rombo, para assim evitar o afundamento; mas, depois de esgotados todos os esforços, parecia que não restava outra sorte ao navio senão o naufrágio; e aos passageiros e tripulantes, a morte certa. Num mar grandemente agitado, a 350 léguas da costa, com 700 almas a bordo, a expectativa era horrível.

Aos pouco, o navio adernava pela pôpa, levantando a prôa; continuando, entretanto, a flutuar, mas arrastado à mercê das ondas furiosas. A confusão a bordo era naturalmente indescritível; todos contavam ser aqueles os últimos instantes de sua existência. Neste momento, Moody convidou todas as pessoas a reunirem-se no salão principal, para uma reunião de oração, convite logo aceito por todas aquelas 700 pessoas de várias religiões. Leu então e comentou os Salmos 91 e 107:20-31, e depois foram feitas várias orações. Seguiu-se uma grande calma e todos se tranquilizaram, não obstante o perigo não ter passado.

No dia seguinte viram aproximar-se um vapor inglês, que viajava de Montreal, Canadá, para Liverpool. Sendo chamado, correu a prestar socorro. O "Lake-Huron" levou o "Spree" a reboque até Queentown, onde todos os náufragos saltaram, sete dias após terem embarcado. Foi isto um verdadeiro milagre.

Moody faleceu em 22 de dezembro de 1899, com 62 anos de idade. As suas últimas palavras foram: "A TERRA RECUA E OS CÉUS SE ME ABREM". A sua vida de crente demonstrou o poder divino no homem que a Deus se consagra sem reserva. A graça de Deus tomou um jovem pobre, iletrado sem posição social, e fez dele um dos maiores pregadores, um dos maiores sábios, um dos maiores empreendedores, um dos maiores santos que o mundo jamais viu.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

O que a Bíblia diz sobre empréstimos, dívidas e juros?

Em Romanos 13:8, a cobrança de Paulo para que não devamos nada além de amor, é uma poderosa lembrança do desgosto de Deus por todas as formas de débito não prontamente pagos (veja também Salmos 37:21).

Normalmente, nós pensamos em débito em termos de uma obrigação monetária. Mas à luz do contexto desta passagem inteira (Romanos 13:1-10), Paulo parece ter em mente uma visão mais ampla de débito (Romanos 13:7). Ele não apenas fala dos tributos, impostos e tarifas que nos são impostas pelo governo, mas também do respeito, da honra e do louvor que nós devemos para aqueles que têm autoridade. Todos nós somos devedores para a graça de Deus. Assim como Ele nos mostrou amor, nós devemos estender o amor para aqueles ao nosso redor com quem nós vivemos e trabalhamos – mesmo aqueles que nos impõem taxas e nos governam.

Algumas pessoas questionam a cobrança de juros em empréstimos, mas diversas vezes na Bíblia nós vemos que é esperado que uma taxa justa de juros seja recebida com o dinheiro emprestado (Provérbios 28:8 / Mateus 25:27). Na antiga Israel, a Lei proibia a cobrança de juros em uma categoria de empréstimos – aqueles feitos aos pobres (Levíticos 25:35-38). Esta lei tinha diversas implicações sociais, financeiras e espirituais, mas duas devem ser mencionadas.

Primeiro, a lei genuinamente ajudava os pobres não tornando a sua situação pior. Era ruim o suficiente ter caído na pobreza, e poderia ser humilhante ter que procurar por assistência. Mas, se somado ao pagamento do empréstimo, uma pessoa pobre tivesse que fazer o pagamento de altos juros, tal obrigação seria mais dolorosa do que prestativa.

Segundo, a lei ensinava uma importante lição espiritual. Seria um ato de misericórdia aquele que empresta dinheiro deixar de cobrar juros sobre o empréstimo. Ele estaria perdendo o uso deste dinheiro ao emprestá-lo. Ainda assim esta seria uma maneira tangível de expressar gratidão a Deus pela Sua misericórdia ao não cobrar “juros” ao seu povo pela graça que ele havia lhes concedido. Assim como Deus havia misericordiosamente tirado os israelitas do Egito quando eles eram nada além de escravos sem valor algum, e dado a eles uma terra (Levíticos 25:38), assim Ele também esperava que eles tivessem uma compaixão similar para com os seus próprios cidadãos pobres.

Os cristãos estão em uma situação paralela. A vida, morte e ressurreição de Jesus pagaram a Deus o nosso débito causado pelo pecado. Agora, assim que tivermos oportunidade, nós podemos ajudar outros em necessidade, particularmente nossos irmãos, com empréstimos que não aumentem os seus problemas. Jesus até mesmo contou uma parábola sobre dois credores e a sua atitude com relação ao perdão (Mateus 18:23-35). Ele também instrui os Seus seguidores: “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8).

A Bíblia nunca permite ou proíbe expressamente o ato de pedir dinheiro emprestado. A sabedoria da Bíblia nos ensina que normalmente não é uma boa ideia ficar endividado. Dívidas essencialmente nos tornam escravos daqueles a quem devemos. Ao mesmo tempo, em algumas situações endividar-se é um “mal necessário”. Enquanto o dinheiro for utilizado de forma sábia e os pagamentos da dívida forem gerenciáveis – um cristão pode tomar para si o fardo da dívida financeira, se necessário.


domingo, 10 de julho de 2016

As três armas de Josafá


Livremente inspirado na ministração do Pr. Wilson Gomes no Culto da Família realizado em 10 de julho de 2016.

O que fazer quando enfrentamos situações adversas? Quando nossos aliados se voltam contra nós? Quando os recursos se tornam escassos? Quando ficamos impotentes diante do agora? Quando o medo se torna uma constante em nossa vida? Quando o desespero invade nossa alma?

Josafá foi um rei justo e pedioso, temente a Deus em todos os seus caminhos, e que nem mesmo por isso, deixou de lidar com todos os questionamentos acima. II Crômicas 20, registra um momento decisivo da vida deste monarca judeu, quando ele se viu às voltas com a maior crise de seu reinado. Três poderosos reinos daquela época uniram suas forças para uma ofensiva bélica contra Judá. Inimigos históricos agora estavam unidos para um ataque maciço à Jerusalém, e subiam de todos os lados contra Josafá.

Ao saber da ofensiva, o rei Josefa temeu e tremeu, pois sabia que não existia condições práticas e lógicas para se enfrentar tamanha ameaça, nem possibilidades de vencer o grandioso exército inimigo. Belicamente inferior, fragilizado emocionalmente e temeroso pelo destino de seu povo, Josafá recorreu a única opção que lhe restava: Deus.

Josafá reuniu todas as suas forças para subir a casa de Deus e levantar um clamor ao Senhor dos Exércitos.  Ele convocou um jejum nacional, e todo o povo, entregou nas mãos do Senhor uma batalha que sabiam não poder vencer. Josafá entendeu que algumas guerras  pertencem aos homens e são travadas na terra, e outras, são travadas pelo céu, e pertencem ao Senhor. Tomá-las em nossas mãos é certeza de fracasso, mas confiar em Deus garante nossa vitória! Neste caso, a primeira arma empunhada por Josafá foi a ORAÇÃO:

Senhor, Deus dos nossos antepassados, não és tu o Deus que está nos céus? Tu governas sobre todos os reinos do mundo. Força e poder estão em tuas mãos, e ninguém pode opor-se a ti.  Mas agora, aí estão amonitas, moabitas e habitantes dos montes de Seir, cujos territórios não permitiste que Israel invadisse quando vinha do Egito; por isso os israelitas se desviaram deles e não os destruíram. Vê agora como estão nos retribuindo, ao virem expulsar-nos da terra que nos deste por herança. Ó nosso Deus, não irás tu julgá-los? Pois não temos força para enfrentar esse exército imenso que está nos atacando. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti".

Enquanto o rei orava, todo o povo clamava com fervor. Homens, mulheres e crianças estavam decididos a não arredar o pé da Casa do Senhor, enquanto Deus não lhes desse uma resposta. E a voz do Altíssimo retumbou dos céus através do profeta Jazieel.

Assim lhes diz o Senhor: ‘Não tenham medo nem fiquem desanimados por causa desse exército enorme. Pois a batalha não é de vocês, mas de Deus. Amanhã, desçam contra eles. Eles virão pela subida de Ziz, e vocês os encontrarão no fim do vale, em frente do deserto de Jeruel. Vocês não precisarão lutar nessa batalha. Tomem suas posições; permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes dará, ó Judá, ó Jerusalém. Não tenham medo nem se desanimem. Saiam para enfrentá-los amanhã, e o Senhor estará com vocês’ ".

Deus estava tomando em suas mãos a causa de Josafá. A impossibilidade estava sendo esmiuçada pelo “Deus do Impossível”, o grandioso exército inimigo minguava diante do “Senhor Poderoso em Batalhas”. E Josafá lançou mão da segunda arma de seu arsenal. ADORAÇÃO.

O rei Josafá, reuniu o seu exército, armado e preparado para o combate, e estrategicamente o posicionou em fileiras. Espadas nas bainhas, escudos a meia guarda. Eles apenas testemunhariam o poder do Senhor. Na frente dos soldados, a infantaria mais improvável da história, formada por levitas, músicos, harpistas, percursionistas, flautistas, salmistas, coristas e menestréis. Josafá estava indo para a guerra usando a sua terceira arma com a capacidade de abalar o inferno: LOUVOR.

O louvor confundiu o adversário. Sem saber como reagir aquela situação, os inimigos de Judá começaram a se atacar mutuamente, derrotando uns aos outros. Todo trabalho que restou a povo de Deus foi recolher os despojos e espólios da guerra, enquanto cantavam um hino de agradecimento.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Kan Gu Ru


Você toma cuidado com que fala, a fim de outras pessoas não o interpretem de forma incorreta? E você tem o mesmo cuidado com o que escuta, para também não entender errado o que lhe é dito?

As vezes, “ouvir” errado pode se transformar num mal entendido que ninguém mais poderá reverter. Então muito cuidado com o que você diz e escuta.

Conta-se que quando James Cook desembarcou na Austrália no século XVII, quis saber o nome de um estranho animal saltitante que tinha perto do acampamento. Os arborígenes, não entendendo o que o navegador inglês lhes perguntava, responderam:  - “Kan Gu Ru”, que significa “não compreendo”.

Esse mal-entendido, nomeou oficialmente (e mundialmente) o pobre Canguru.