quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EBD - As bem-aventuranças do Reino de Deus


Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 100 - Editora Betel
Mateus - Lição 06
Comentarista: Bp. Manuel Ferreira













Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes
Pb. Bene Wanderley













Texto Áureo
Mateus 4.18
E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores.

Texto Áureo
Mateus 5:1
“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos.”

Verdade Aplicada
Os pertencentes ao Reino dos céus são conhecidos pelo seu caráter, convicção e grande alegria.

Textos de Referência
Mateus 5:3-9

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus...
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados...
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra...
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos...
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia...
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus...
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus...


O Sermão da Montanha
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

O famoso “Sermão da Montanha”, pode ser considerado o A-B-C do cristianismo, já que nele, somos discipulados nos requisitos primordiais para o ingresso definitivo no Reino dos Céus. É preciso compreender que Jesus, enquanto homem, foi um dedicado estudante da lei mosaica, e seu domínio do Talmude era reconhecido até mesmo pelos líderes da sinagoga de Nazaré, que se assentavam para ouvir seus ensinamentos (Lucas 4:16-30). Jesus dominava os preceitos da Torá e esmiuçava em detalhes os relatos dos profetas antigos desde a mais tenra idade (Lucas 2:41-52), e agora, com seu ministério público a todo vapor, Jesus ansiava por revelar aos seus discípulos uma nova visão sobre a lei, obscurecida por uma religiosidade corrompida. Cristo era um cumpridor da lei, e este é um fato inquestionável. Jesus respeitou a cultura local, cumpriu rituais da religião judaica e pagou os impostos devidos a Roma. Porém, como parte de sua missão, veio para corrigir pontos falhos desta mesma lei, e dar uma dimensão espiritual para conceitos até então, apenas materiais (Mateus 5:48). A lei instruía, fiscalizava e punia  ações praticadas, mas Jesus estava preocupava em conscientizar as pessoas sobre as “intenções do coração”, um conceito que embora esquecido pelos religiosos, estava estabelecido desde o Antigo Testamento (I Samuel 16:7). Embora Lucas cite alguns trechos deste grandioso discurso, Mateus parece transcrevê-lo na íntegra, tornando seu texto numa base obrigatória para qualquer discipulado cristão.

Mateus relata que uma grande multidão se agrupou em torno de Jesus, a fim de ouvi-lo.  Aquela audiência era formada por pessoas vindas de todas as partes da Judeia, inclusive, da capital Jerusalém, além de muitos viajantes oriundos da costa marítima de Tiro e Sidom. Grande parte desta gente estava enferma, e almejava uma cura. Outros tantos eram atormentados de espírito e buscavam libertação, e todos tentavam desesperadamente “tocar” em Jesus, a fim de receber sua virtude. Então, para ter uma maior abrangência, Cristo se dirigiu a uma região montanhosa, escolhendo ali um lugar “plano”, criando assim um tipo de “anfiteatro improvisado” (Mateus 5:1 / Lucas 6:17). Os discípulos de Jesus se assentaram a sua volta, e Ele começou a ensiná-los. Mais do que “dar o peixe”, Jesus ensinaria aquela multidão a “pescar”. Pela primeira, vez Jesus se dirige a um mundo legalista e imerso em religiosidade vazia, clamando em alto e bom som por uma mudança de comportamento social e religioso, que deveria passar primeiro pela reforma do próprio pensamento humano. Seus seguidores são ensinados a pensar com a mentalidade do Reino dos Céus, priorizando o “eternal” em lugar do “efêmero”, o “celestial” ao invés do “terreno”. E é aí, que reside a dificuldade em por em prática tais ensinamentos, pois seu fundamento básico é levar o indivíduo a deixar de ser “quem ele é”, e se tornar “quem Deus deseja que ele seja”. A renúncia pessoal é a maior característica dos integrantes do Reino dos Céus, e este é o princípio básico de todo ensinamento de Jesus, e quem deseja se engajar em sua “causa santa”, imediatamente se coloca na contramão do fluxo natural do mundo, nadando contra forte correnteza. Ser cristão, é se opor a um sistema dominante, o que certamente, colocará um alvo em nossos costas, nos fazendo vítimas de ataques diários e incessantes, quando não, mortais. E segundo o próprio Cristo, isto deve ser para nós, motivo de alegria. Tem como ser mais paradoxal? Sim!

O termo “bem-aventurado”, que abre o sermão de Jesus, significa mais do que o estado emocional representado pela felicidade. Ele inclui um bem-estar espiritual, baseado na aprovação de Deus e na plena certeza que nossa felicidade está assegurada na eternidade, mesmo que a vida na terra nos reserve apenas sofrimento, abnegação e renúncia. Em seu sermão, Jesus nos ensina a sermos a luz num mundo de trevas e o sabor numa sociedade insípida. Em outras palavras, temos que ser diferenciais. Amar os inimigos, orar por em nos persegue, abençoar quem nos amaldiçoa, oferecer a outra face a quem esbofeteia nosso rosto. Cristo nos ensina que não existem recompensas para que barganha o amor (amar por ser amado), ou para quem usa a devoção como marketing pessoal, já que Deus nos vê em secreto (Mateus 5:46; 6:6). A lei punia o homicídio, mas agora Jesus equipara a calúnia ao assassinato. Se a religião condenava o adultério, Cristo vai muito mais fundo ao censurar os pensamentos lascivos (Mateus 5:21-28).

A grande (e dolorosa) verdade é que, quando revistamos o Sermão do Monte, nossas ações e pensamentos são confrontados pela “legislação” do Reino dos Céus, e temos a compreensão de como ainda estamos distante de cumpri-la com totalidade. Conhecemos "de cor e salteado" o texto de Mateus 7:13, e falamos com empolgação sobre a porta “estreita”, mas de fato, desconhecemos suas reais dimensões. Ser cristão é nascer de novo, da água e do espírito (João 3:1-4). O nascimento da água pode ser entendido como um processo de purificação, onde o homem, através de sua fé em Cristo, é limpo de todo seu pecado e lavado pelo Sangue de Cristo, símbolo máximo da Aliança Neo Testamentária (I Coríntios 11:25) . Já o nascer do Espírito remete a uma mudança completa na forma de pensar e agir, quando o velho homem é crucificado com Cristo, amortizando assim a vontade da carne e dando vazão ao espírito que desde o princípio clama por Deus. Esta transformação leva a um indivíduo a um novo estado de prioridades, onde elementos terrenos, antes causadores de tristezas e frustrações permanentes, são renegados a um status de inferioridade, sendo nossa mente ocupada por temas “eternais”. E se esperamos em Deus e no seu Reino, vivemos em graça e esperança, acalentados pelas promessas fieis de nosso Deus. Não existe felicidade maior


A descrição das bem-aventuranças

Bem-aventuranças são o estado permanente da perfeita satisfação e plenitude apenas alcançada pelos súditos do Reino. Isso significa que os Seus discípulos precisam aprender dEle como serem felizes desde já. Jesus enunciou aos Seus discípulos uma série de bem-aventuranças. Será que elas têm importância para nós hoje? Sim, elas são um modo de expressarmos um caráter que glorifique ao Pai e de nos realizarmos como súditos do Reino e discípulos de Jesus. Bem-aventurado no grego é “macários”, que significa “estado de felicidade profunda”, cujo sinônimo perfeito no português é beatitude. Da mesma raiz latina “beatus”, que significa “feliz”. Deus nos preparou um caminho de felicidade ligado à ética. Felizes são os humildes de espírito em relação a Deus e ao próximo e não os soberbos desse mundo. Afortunados são os que choram, não por tristeza comum, mas por sofrerem pelo Reino dos Céus. Felizes são os mansos, capazes de manterem a força da paciência quando sofrem oposição e são insultados. A engrenagem principal que deve promover a felicidade plena e permanente é a prioridade do Reino de Deus na vida do cristão (Mateus 6:33). A dependência de Deus, seu choro e sua paciência em meio ao sofrimento, por causa do Reino dos céus não torna os cristãos infelizes, pelo contrário, torna-os possuidores de uma indescritível felicidade e gratidão a Deus, porquanto a atenção da pessoa está centralizada no Reino e não em si mesma.

Prósperos são “os que têm fome e sede de justiça” e não os que folgam com a injustiça e a causam. O sentimento da busca pela justiça que vem dos céus deve ser tão forte como a fome, em que a pessoa sinta dor e não seja capaz de pensar facilmente noutras coisas. Os súditos do Reino devem ser cheios de misericórdia e não insensíveis à miséria alheia. Devemos demonstrar a prática da bondade em favor dos miseráveis e aflitos. “Os limpos de coração” são aqueles que cultivam internamente o temor a Deus e se santificam. Os tais terão uma visão beatífica, que é o próprio Deus! Estas bem-aventuranças são exercícios interiores que se expressam externamente e visam que a pessoa cultive em seu coração o dever de promover o seu semelhante, isso é ter fome e sede de justiça e praticar misericórdia. Tal prática não lhe dá o direito de se sentir superior, nem de ser cobiçoso de vanglória, mas servo de Deus como Jesus Cristo foi (Filipenses 2:5-11). Igualmente, a limpeza de coração não diz respeito apenas a adultérios e invejas, mas um temor a Deus em que a pessoa se santifique de toda contaminação e rapina (Mateus 23:25; Lucas 11:39). Jesus chama de bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, isto é, os que desejam acima de tudo ajustar-se à mente do Senhor. Eles não anelam por se tornarem ricos, poderosos ou eruditos, mas por serem santos. Bem-aventurados são todos os tais. Um dia terão o suficiente do que desejam, acordarão revestidos à semelhança de Deus e serão satisfeitos (Salmo 17:15).

Os pacificadores são aqueles que não apenas amam a paz, ou aqueles que preferem a paz do que a uma “boa demanda”, mas são aqueles que promovem pacificação de fato. São os que têm maturidade suficiente para reconciliar inimigos. Os tais tornam-se participantes da natureza divina, ou seja, filhos de Deus. A seguir, “os que sofrem perseguição por causa da justiça” são agentes de transformação de um sistema corrupto e injusto que não se renderão, seja no âmbito religioso, político ou os dois simultaneamente. Na mesma categoria estão os que sofrem perseguição por amor a Cristo. São vítimas de calúnias, perseguição e toda sorte de mentiras. A estes pertencem não só o Reino, mas também o galardão. O Senhor Jesus Cristo estabeleceu que a ética dos súditos do Reino de Deus consiste em ir além do mero amor à paz ou ausência de conflitos. É lamentável que existam pessoas que busquem confusões e cismas. A Palavra nos diz que Deus abomina os tais. Devemos estar conscientes que Deus quer usar as nossas vidas como agentes de transformação do meio, através de Cristo e Sua justiça, mas para isso temos que sofrer, olhando sempre para Jesus (Filipenses 2:5-11; Hebreus 12:2). Os pacificadores são os que exercem a sua influência pessoal a fim de promoverem a paz e o amor, tanto em particular como em público, em casa ou no estrangeiro. São os que se esforçam para que todos os homens se amem mutuamente (Romanos 13:10). Bem-aventurados são todos esses, pois, estão realizando a mesma obra que o Filho de Deus iniciou, quando veio à Terra pela primeira vez, e que Ele terminará em sua segunda vinda.


Súditos do Reino dos Céus
Comentário Adicional
Pb. Bene Wanderley

Ser súdito do Reino de Deus implica em se empenhar resolutamente para viver o padrão ético que o Senhor estabeleceu para o seu povo. Entre os diversos sermões proferidos por Cristo aos seus discípulos, o Sermão do Monte, como ficou conhecido, traduz de forma clara e reveladora a essência e a natureza de sua doutrina. Temos neste trimestre, não só a oportunidade ímpar de conhecer ou recordar as vigas mestras do caráter do Reino de Deus, mas, acima de tudo, de procurar fazer desse ensino singular, o ideal de nossas vidas, se desejamos, sinceramente, praticar o cristianismo bíblico. Diante dos fatos que vivenciamos em nossos dias, esse ensino cai como luva sobre nós.  É fato que nossa geração de crentes, é a mais descrentes de todas as épocas. O desinteresse pelas escrituras é alarmante em nosso meio, a corrupção vergonhosa de muitos ministérios e ministros, a ensurdecedora falta de humildade, a falta de respeito ao Santo Culto do Senhor, a vexatória depravação ética que campeia em nosso meio...

Tudo isso vem causando uma degradação na moral da irmandade e nos valores cristão, como nunca se viu na história. É aterrador o que estamos vivendo em nossos dias no seio do Corpo de Cristo. Um verdadeiro terrorismo religioso, (eu me sinto em uma verdadeira zona de guerra), onde muitos crentes vivem como homens bombas, esperando o momento do suicido espiritual que também destrói tudo o que está a sua volta. Nós não sabemos de onde virá a próxima explosão de hedonismo, materialismo e heresias, que vem para matar a fé de muitos filhos de Deus. Mas porque tais coisas, aversas ao cristianismo original, está justamente acontecendo em nosso meio? A resposta é: não temos seguido os ensinamentos do Mestre Jesus. Não buscamos na sua lei a orientação do bom viver, não queremos seguir os seus conselhos, desprezamos o direcionamento do Espírito Santo... 

Na verdade, muita gente que está dentro de nossas comunidades cristãs ("igrejas"), nunca tiveram, de fato, um verdadeiro encontro com Jesus, ou passaram pela experiência do novo nascimento.  Todo cristão que se preze, deveria sentir uma vergonha devastadora ao se deparar com o texto de Mateus 5, onde temos o “abecedário” da vida cristã, e que revela nossa mediocridade em relação aos conceitos estabelecidos pelos céus. Ao contrário do que muitos crentes acham, viver nesse Reino é torna-se semelhante ao seu Senhor, que mesmo sendo Deus, em forma humana não julgou o ser igual a Deus, antes se sacrificou morrendo na cruz (Filipenses 2:5-11).

A lição aqui estudada, nos mostra com muita propriedade, que são felizes todos os que sofrem e padecem perseguições por amor ao nome de Jesus. Felizes são os que choram, por que o seu choro trará consolo, felizes os mansos, pois através de sua postura santa e resignada herdarão a terra. São inúmeras as bênçãos dos que procuram viver sobre o padrão ético e moral das escrituras. Precisamos cultivar em nosso ser a boa semente do evangelho puro e Santo de Jesus Cristo. Sinceramente desejo que todos nós sejamos renovados através desta verdade.


De quem são as bem-aventuranças?

A felicidade é um estado pertencente aos que nasceram de novo, tornando-se assim filhos de Deus (João 1:12). É tanto um estado quanto um direito assegurado aos herdeiros de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor. Há dois aspectos em relação ao reino dos Céus referindo-se ao indivíduo: situação e tempo. Em relação à situação, é estar dentro ou fora do Reino. Para os que estão dentro pelo novo nascimento há o aspecto presente e porvir do Reino de Deus. Portanto, esse estado de felicidade pertence aos discípulos de Cristo, aos que ouvem e atendem a sua Palavra. Ou seja, aos que estão dentro do Reino pelo novo nascimento e obediência. Qual a sua situação em relação ao Reino de Deus? Você já experimentou o novo nascimento? O estado de felicidade profunda só pode ser desfrutado pelos que nasceram de novo e permanecem dentro do Reino de Deus. Ser bem-aventuranças é diferente de possuir uma confissão religiosa, e/ou estar ligado a uma instituição. É sim ter uma fé prática na Palavra de Cristo. É obedecê-lo incondicionalmente até a morte.

As virtudes arroladas pelo Senhor Jesus Cristo nas bem-aventuranças são: humildade, choro, mansidão, sede e fome de justiça, misericórdia, santificação a partir do coração e o ser perseguido por causa da justiça e por amor a Cristo. Para alguns, nem todas deveriam ser consideradas virtudes, pois o choro e a mansidão poderiam ser consideradas como fraquezas. Não devemos nos preocupar com isso, pois Jesus determinou como virtude. A mentalidade natural nunca entenderá as coisas do Espírito (I Coríntios 2:14). Paulo também discorre sobre a maioria das bem-aventuranças, porém ele as chama de Fruto do Espírito. Ser feliz segundo as palavras de Jesus é cultivar as beatitudes. As beatitudes são elementos éticos que não só demonstram o entendimento do propósito de Deus para a vida, mas também são um estado de felicidade tão profunda e de alegria que só os filhos de Deus experimentam na sua maior intensidade.

A felicidade que Jesus fala não abre mão do sofrimento. Se observarmos, o sofrimento se faz presente desde a primeira bem-aventurança até a última. Vivemos num mundo que idolatra a soberba e a auto-suficiência. Dessa maneira, a humildade não é bem-vinda e ainda merece desprezo, oposição velada ou até mesmo escárnio. Ser fiel a Deus é suportar essas coisas com paciência e resignação até a morte. Ninguém gostaria de sofrer ou sentir alguma dor por coisas boas, mas o mundo se afastou de tal maneira de Deus que não tem como ser diferente. Há lugares em que cristãos são presos, torturados, confiscados os seus bens, entre outros. Entretanto, eles não devem ser considerados desafortunados, mas venturosos. A vida cristã é feliz em meio ao sofrimento. Visto que a vida cristã se fixa no propósito de agradar a Deus, mas, pelo fato de o mundo estar corrompido pelo pecado e o maligno, certo é que todo o cristão terá dificuldades, oposições e perseguições. Não há um padrão e sim níveis de perseguições, pois à medida em que o retorno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo se aproxima o espectro da perseguição tende a aumentar. Todavia, o verdadeiro cristão é feliz na esperança da sua salvação. Assim, ele não reclama, não amaldiçoa e não ressente do mal.


A maior das bem aventuranças
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Jesus não nos prometeu uma vida cor-de-rosa, livre de tribulações e afrontas. Pelo contrário, nos alertou sobre perseguições diárias e tribulações ferrenhas, além de nos enviar como “ovelhas para o meio de lobos” (Mateus 10:26). Porém, a beleza do evangelho é exatamente transformar o mal em bem, a dor em regozijo, a tristeza em alegria, a perseguição em honra, o perigo em galardão, a lágrima em sorriso, o agora na eternidade. O genuíno discípulo de Jesus, encontra motivos para ser feliz mesmo nos dias mais tristes e cinzentos, pois a fonte de sua felicidade não é deste mundo. Ele está “seguro” em Deus. O alicerce da fidelidade é a convicção, e esta é por sua vez, o mais evidente fruto da fé genuína. Logo, é impossível desvincular uma da outra; e esta é uma verdade intrínseca em cada página da Bíblia e explícita na história de seus mais importantes personagens. Homens fiéis são dotados de grande fé, e a está fé gera a convicção exigida para que a fidelidade se mantenha intacta, e esta a base da felicidade plena. O anônimo escritor da epístola aos Hebreus não apenas define o conceito “FÉ” com perfeição (Hebreus 11:1), como também apresenta uma extensa lista de homens e mulheres, que convictos de sua fé, mantiveram-se fieis ao Senhor em todos os momentos de suas vidas, e alerta: “sem ela (a fé), é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6).  E foi exatamente por intermédio do “firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que ainda não existem”, que os antigos heróis da fé, ainda nos inspiram e testificam do grande poder de Deus.

A fé, aliada a fidelidade, levou Abel ao oferecimento de um sacrifício puro e verdadeiro. Enoque andou com Deus em tempo integral até ser transladado. Noé construiu uma arca para sobreviver ao dilúvio, mesmo ainda não havendo chuvas no céu. Abraão foi chamado “Amigo de Deus” e habitou na terra da promessa, assim como seus descendentes Isaque e Jacó, sendo pai de uma nação, ainda que sua esposa Sara estéril. Fé e fidelidade nortearam esta família, com bênçãos sendo ministradas de pais para filhos, até que o número dos seus não pudesse mais ser contado. Por fé, Moisés abdicou de uma vida no palácio para viver no deserto, conduzindo seu povo de volta para a terra da promessa. Por fé, Raabe, por generosidade acolheu os espias hebreus, e por conta deste ato, sobreviveu a queda dos muros de Jerico. Hebreus 11 ainda lista outros exemplos de homens fidedignos, tais como Gideão, Baraque, Sansão, Jefté Davi, Samuel e outros profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga exércitos poderosos e as mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos. Como a fidelidade é recompensadora não? 

Mas às vezes ela nos leva a testes ainda mais intensos, onde a fé e a convicção são exigidas em sua plenitude. O escritor aos Hebreus, que até então narrava aos atos portentosos de homens que estavam convictos de sua fé, passa agora a narrar feitos ainda mais impressionantes. Pela Fé, e por Fidelidade, alguns foram torturados, abrindo mão de seu livramento. Outros experimentaram escárnios, açoites e até prisões. Muitos foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada. Andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados, errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos eles, mesmo mantendo se fiel a sua fé, não alcançaram a promessa, mas morreram em paz e alegremente, sabendo que o seu testemunho inspiraria muitas vidas. Somos aconselhados em Apocalipse 2:10 a sermos fieis até o fim, mesmo que este “FIM” seja a morte, pois aqueles que assim procedem, recebem na eternidade, das mãos do próprio Cristo, a Coroa da Vida. Esta é sem dúvidas, a maior das bem aventuranças.


Os porquês das bem-aventuranças

As bem-aventuranças são seguidas de oito porquês. Isso indica uma ênfase de Jesus Cristo em mostrar a razão delas. Significando também que a fé cristã não é “um tiro no escuro” e nem há surpresas totais, posto que Jesus é absolutamente transparente e a felicidade profunda do Reino é garantida. A vida cristã é feliz por ser resultado da comunhão, da presença de Deus e da perseverança dos santos. Mas a verdade é que nem sempre isso pode ser constatado. A explicação está na ausência de alguma das coisas supracitadas, ou de todas elas, tornando essa pessoa um cristão nominal, mas de fé morta. Porém, ao nos voltarmos para as bem-aventuranças, elas estão cheias de ditosas promessas: “serão consolados”, “herdarão a terra” etc. Assim, o fiel Deus tem um constante sentimento auspicioso. A felicidade cristã é, sobretudo, baseada na comunhão com o Espírito Santo (II Coríntios 13:13; Galatas 5:16). O próprio Espírito no interior dos crentes é o selo e penhor de uma gloriosa promessa: o resgate definitivo da Igreja, o Corpo de Cristo, por ocasião da vinda de Jesus (II Coríntios 1:22; 5:5).

A alegria do cristão não é um sentimento que este passivamente torna-se recebedor. É antes o resultado de uma escolha, de um cultivo e de obediência. Note que o Senhor Jesus diz: “Exultai e alegrai-vos, porque grande é o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12). Paulo também fala sobre a alegria sob a mesma perspectiva (Romanos 12:12; II Coríntios 13:11; Filipenses 4:4). Pela comunhão que cultivamos, já temos o fruto do Espírito denominado gozo, mas ante a expectativa de tais promessas devemos nos exultar e alegrar. Infelizmente, nem todos compreendem e obedecem esta palavra Jesus. Ao contrário, são manhosos, murmuradores e cheios de autopiedade, passando uma impressão muito negativa. Porém, haverá sempre os fiéis que exultam na esperança. A exultação do cristão é um elemento que o identifica com bem aventuranças, ou seja, “quem goza da bem-aventurança celeste”. Elabore as seguintes perguntas: “Com que lado da vida cristã você resolveu ficar? Você se concentra apenas nas provações ou nas promessas auspiciosas de Cristo?”.

As bem-aventuranças são atitudes e sentimentos que geram uma identidade de filhos de Deus. Os filhos de Deus têm uma maneira própria de pensar, de agir e de sentir que os tornam parecidos com o Pai celestial. É dessa maneira que eles são sal e luz do mundo, ou seja, toda uma vida que agrada a Deus e gera a glorificação do Seu Santo Nome. Somos desafiados a brilharmos diante dos infiéis com boas obras e dessa maneira glorificarmos ao Pai celestial. O apóstolo Pedro mais tarde também escreve sobre o assunto (I Pedro 2:12). Este é um alvo que devemos perseguir. Devemos ser imitadores de Cristo na busca de nos parecermos com o Pai celestial (I Coríntios 11:1).

Conclusão

As bem-aventuranças são tanto um estado de felicidade quanto um compromisso ético daqueles que são filhos de Deus, cujo objetivo final é, através do novo pensar, ter um estilo de vida que glorifique a Deus.




A imagem que Mateus nos apresenta de Jesus é a de um homem que nasceu para ser Rei. Sua intenção é mostrar o senhorio de Jesus Cristo e que, com toda autenticidade, o Reino, o poder e a glória são dEle. Mateus entrelaça o Antigo Testamento ao Novo, com a preocupação de revelar aos judeus: que em Jesus se cumpriram todas as palavras do profeta, que Ele é o Rei por excelência e o Messias de Seu povo. Para saber mais sobre as profundas verdades existentes em cada linha deste evangelho, participe neste domingo, 07 de agosto de 2016, da Escola Bíblica Dominical.



Quarta Forte com Ev. Rodolpho Clemente



A Quarta Forte deste dia 03 de agosto de 2016, foi mais uma vez marcada por corações ávidos por adorar ao Senhor, e ao mesmo tempo, prontos a serem semeados com a palavra viva que vem do céu. Fomos agraciados por belíssimas canções interpretadas por Benê Wanderley, Odair Toledo, Cléo & Isaías, além da participação especial do Grupo de Louvor Hosana, da Assembleia de Deus Madureira Jardim Chaparral (Mogi Guaçu SP).

Fomos lembrados que Deus nos sonda em segredo, e jamais nos deixa só. Que Ele está preparando para nós um novo amanhã, um tempo onde viveremos o seu melhor, sendo a mais gloriosa de todas as promessas, a aguardada volta de Jesus.

O preletor da noite foi o Ev. Rodolpho Clemente, que baseado no texto de Êxodo 1:15, ministrou sobre o grandioso plano de Deus para a nação de Israel.

Em determinado momento da história egípcia, a elite religiosa e administrativa da nação, entrou em rota de colisão com o Faraó, e para enfraquecer seu domínio, facilitou a entrada de estrangeiros no país. Foi neste contexto que os Hicsos, povo em constante desenvolvimento, viu a oportunidade de “invadir” o Egito e ocupar suas férteis planícies. Esta ocupação foi até certo ponto pacífica, mas o desgaste inevitável veio com o tempo, e o Egito se viu esfacelado em culturas distintas por quase 150 anos.

Para recuperar a hegemonia, os egípcios precisaram enfrentar pelo menos duas grandes batalhas contra os hicsos. Foi apenas entre os anos de 1570-1546 a.C, que o Egito foi unificado e os invasores hicsos (semitas como os hebreus), foram expulsos sob o comando de Amósis, e segundo alguns historiadores, este teria sido o Faraó que não “conhecerá” a José. Aqui, o termo “conhecer” remete ao fato de que este governante não tinha qualquer empatia por José e seus descendentes, vendo os como um “inimigo íntimo”, que poderia sim, virar uma nova “pedra em sua sandália”.

Amósis, iniciou então, uma pesada campanha publicitária afim de convencer a opinião pública da nocividade representada pela presença dos hebreus - O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra (Êxodo 1:9-10)

A estratégia funcionou, e com o apoio popular, o Faraó passou para a próxima fase de seu plano, isolando os israelitas em sua terra e elevando drasticamente os impostos cobrados, o que obrigou aos hebreus a trabalharem exaustivamente afim de pagar seus tributos. O texto original usa a palavra “bepharech”, que remete a ideia de “trabalho forçado capaz de quebrar o corpo” - E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas (Êxodo 1:11).

Mesmo com tamanha opressão, o povo de Israel continuava a crescer e se multiplicar, tornando-se mais forte a cada dia. A linhagem dos Faraós, temerosa que uma nova “invasão estrangeira” minasse seu poder, passou a tomar medidas cada vez mais drásticas. Por exemplo, ordenou as parteiras que atendiam as gestantes hebreias, que assassinassem os meninos hebreus recém-nascidos, ordem esta, que não foi obedecida. Alguns estudiosos (entre eles Flavio Josefo), acreditam que existia um tipo de “profecia” oriunda dos magos egípcios, sobre um menino que nasceria e desafiaria o poder do Faraó, mas que este guerreiro, teria na água o seu ponto fraco. Isto justificaria a próxima ação arbitrária e cruel do Faraó, que baixou um terrível decreto sobre toda a terra do Egito: - Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida. (Êxodo 1:22).

É exatamente neste tempo de densas trevas, que nasce Moisés, um libertador para seu povo. O tempo da liberdade havia chegado; um libertador havia nascido, um homem escolhido pela mão de Deus, um líder preparado especialmente para lidar com os israelitas e confrontar o Faraó. Embora houvesse planos terrestres para impedir a ação divina, o nosso Deus começou a agir da forma como Ele é: Grande. E Israel era seu projeto pessoal.

E você? Também é um projeto de Deus? Pode ter certeza que sim. 

Então, Faraó não vai conseguir te matar e a escravidão não vai destruir... A morte jamais triunfa sobre uma promessa divina. Você é um Projeto do grande "EU SOU", e tanto o projeto, quanto você, permanecerão de pé!

Colaboração: Felipe Pavan




quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Cartas Vivas



A palavra grega “ekklesia”, que na língua portuguesa se traduz por “IGREJA”, etimologicamente significa “alguém que é chamado para fora”. Ela é formada de uma preposição - “ek” (fora) - e de um verbo - “kaleo” (chamar), logo, é transliterada por “chamar para fora”, mas também pode ser entendida como “assembleia" ou ainda "assembleia dos santos".  Ekklesia, no sentido prático, designava uma convocação de homens para a guerra. Jesus escolheu este termo para identificar a organização que estava implantando na Terra antes de sua ascensão aos céus, usando-a pela primeira vez em sua conversa com Pedro registrada no texto de Mateus 16:18.

Neste contexto teológico, “Ekklesia ou Igreja” trata-se de um grupo específico que ao receber o chamado do Evangelho de Cristo (chamado este que é universal), abandonam suas velhas práticas, renunciam a si mesmos, tomam a cruz sobre os ombros e passam a seguir Cristo, tendo seu modo de agir, pensar e viver, lapidados de acordo com os ensinamentos de Jesus. São pessoas que embora vivam no mundo, do mundo não são mais; pois vivem a vida baseados na fé do Cristo encarnado. Viviam num círculo vicioso de pecados e longe da vontade divina, mas foram “chamados para fora” e agora fazem parte do Reino de Deus.

Já nos primeiros dias da Igreja como “instituição”, alguns parâmetros foram estabelecidos sobre como deveria ser sua postura em relação ao próprio Cristo e aos homens. Primeiramente, eles foram obedientes a ordenança de Jesus para ficaram em Jerusalém até serem revestidos de poder. Este fato se sucedeu cerca de dez dias após a ascensão do Messias, quando o Espírito Santo foi derramado sobre os 120 remanescentes que perseveravam em oração. Lucas nos dá detalhes deste importante evento em Atos 2:1-4, e ainda revela que através de um único sermão, quase três mil almas se converteram naquele dia (Atos 2:41).

O crescimento da Igreja era assombroso, mas a essência do cristianismo se mantinha inalterada. Antigos e novos cristãos viviam em perfeita e ampla união, praticando com perseverança os ensinamentos apostólicos. Havia na alma de cada crente grande senso de temor e respeito. A comunhão era cultivada de uma forma onde todos pudessem assentar fraternalmente  numa única mesma mesa e realizar a mesma oração.

Os apóstolos pregavam com grande autoridade e poder sobre o “Cristo Ressuscitado”, realizando muitos prodígios e sinais no nome de Jesus. Entre eles não havia gente necessitada, pois os que possuíam mais, vendiam suas propriedades e bens, depositando os valores aos pés dos apóstolos, para que fosse distribuído entre os que mais precisavam.  Este com certeza é “o” modelo a ser seguido pelas igrejas de qualquer época e em qualquer lugar, mas que infelizmente, o tempo aliado ao egoísmo humano, tem conseguido corromper.

O grande desejo de Cristo para sua Igreja, é que ela seja um diferencial neste mundo que jaz no maligno, um farol para guiar os perdidos rumo a um porto seguro, uma luz intensa e incessante em meio as trevas. Somos uma carta viva (e aberta), escrita pelo próprio Deus e enviada aos homens para testificar sobre Jesus, assim como agiam os primeiros cristãos, cuja atividade, foi brilhantemente resumida por Lucas: Todos os dias continuavam a reunir-se no pátio do templo.  Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos (Atos 2:46-47).

Ultimamente, a Igreja vive dias difíceis, pois estamos passando por um momento dramático e angustiante. Alguns acontecimentos se abateram sobre o Corpo de Cristo e alteraram seu conceito diante da sociedade. Sua visão ficou ofuscada, sua missão comprometida, sua unidade abalada e sua comunhão fragmentada. É bem certo que enfrentamos crises em várias dimensões, porém, a área mais atingida é a da fidelidade.  Atualmente, percebe-se que a Igreja enfrenta crise em várias áreas e os princípios mais prejudicados são: a unidade, a comunhão e a ética.

A Igreja que supera as crises de unidade, comunhão e ética, e tudo aquilo que compromete sua missão, certamente possui características de uma Igreja fiel, que vence as influências mundanas. Um exemplo marcante de Igreja frutífera são os cristãos tessalonicenses Eles levaram a grande comissão de Cristo a sério (Mateus 28:18-20). Serviram de exemplo para outros cristãos, pois difundiam o Evangelho por onde quer que fossem (I Tessalonicenses 1.7-8). Levaram o Evangelho para toda a cidade, e, muito além de suas fronteiras físicas, para a região da Macedônia até a região da Acaia. Certamente esses cristãos discipulavam outros crentes e evangelizavam os incrédulos. Sem dúvida, outras igrejas foram fundadas graças à propagação do Evangelho que brotou daqueles irmãos.

A Igreja é um enorme celeiro e um grande depositário de vocações, talentos, recursos e potenciais. Neste sentido, seu papel deve ser o de orientar os membros para o serviço à sociedade. Refletindo o nosso chamado para sermos sal e luz. Temos de avançar na questão da solidariedade através da conscientização. Como no sentido original da palavra “igreja”, precisamos recuperar a nossa vocação histórica de agentes de transformação e esperança.

O testemunho social da Igreja deve invadir as feiras e praças da cidade, o ambiente de trabalho, a escola, a universidade, entre outros. A fé cristã não cabe entre quatro paredes. Quando seguimos a Cristo devemos contextualizar a verdade, refletindo a imagem de Deus no serviço, na proclamação, na compaixão e no amor (João 13:15; I Pedro 2:21).

Segundo o escritor cristão Richard Mayhue, salvo a igreja de Jerusalém, nenhuma outra igreja esteve tão intimamente ligada à expansão missionária quanto a de Antioquia (Atos 13:1-4). Ele aponta alguns princípios básicos e eternos que contribuíram para o sucesso da referida igreja. Primeiramente, a partida de Paulo e Barnabé foi motivada e direcionada pelo espírito Santo (Atos 13:2), isto é, estava de acordo com o chamado e vontade de Deus, e não de homens. Em segundo lugar, a igreja confiou os dois obreiros a Deus e os encarregou de promover a expansão do Evangelho, ou seja, foram enviados pelo Espírito Santo e pela igreja local. Entendemos aqui que Paulo e Barnabé estavam debaixo de cobertura espiritual (Atos 13:3).

Outro ponto a ser observado é que a igreja cedeu de boa vontade seus melhores homens, Paulo e Barnabé, em obediência à orientação do Senhor (Atos 13:4). Ela não foi mesquinha nem individualista em reter ou limitar a obra de Deus na vida dos seus servos e permitiu que o processo no campo missionário tivesse continuidade. Ela não tentou, de forma egoísta, segurá-los para si. Sendo assim, é preciso que a igreja atual reflita e repense sua recente prática missionária. O nosso Mestre já direcionou o caminho a ser trilhado e não podemos pensar em missões de forma diferente.

Missões, que inclui o evangelismo local e às nações (Atos 1:8), não é o título, nem cargo. É trabalho sério. Desse modo, sempre debaixo da orientação do Espírito Santo, urge para pregarmos a Palavra a todo o mundo (Marcos 16:15), a tempo e fora de tempo (II Timóteo 4:2).

Temos que conhecer quem é Jesus. Você tem que conhecê-lo e permitir que Ele perdoe seu pecado e que derrame amor de deus em seu coração. Então você poderá perguntar a Ele: “Senhor. O que quer que eu faça?”. Não pense que Cristo imporá uma lista enorme de coisas que não pode fazer. Quando se caminha com Cristo, você pode fazer o que quiser, pois Cristo fará você querer a vontade de Deus. E hoje a vontade de Deus para a Igreja é que estendamos nossa mão para o próximo.

A Bíblia nos ensina que temos de nos tornar pessoas que se importam com os outros. Nossa prioridade é para com os membros do Corpo de Cristo, particularmente com a Igreja Perseguida. Quando nos dirigimos a eles, nós os encontramos abertos para receber o amor de Deus, a única resposta à perseguição. A batalha não será ganha com tanques ou com armas no campo de batalha. A batalha real será travada por aqueles que estão cheios do Espírito Santo de Deus. Pessoas que se disponham a ir e proclamar Jesus Cristo. Que levem a Palavra de Deus. 


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Testemunho - Eu estou aqui! (Ana Claudia Sant`Ana de Paula)


Quando eu tinha 12 anos de idade, um jovem da igreja leu para mim o texto de João 14:27, e naquela hora, ouvi a voz de Jesus me dizendo que tudo o que eu pedisse a Deus no nome Dele, Ele me atenderia.

Nos anos seguintes, apesar de todas as minhas falhas, posso afirmar que Deus nunca me abandonou, e isto se tornou muito mais evidente 15 anos atrás, em decorrência do nascimento de meu primeiro filho. Houve muita complicação no parto, ele foi retirado a fórceps (ferro) e ficou dez dias hospitalizado.  Mas apesar das dificuldades, Deus me deu a vitória e meu filho saiu deste processo sem nenhuma sequela.

Passados cinco anos, engravidei pela segunda vez. Fiquei preocupa em decorrência de meu histórico, mas todos me diziam para ficar calma e não ter medo, pois o parto não seria igual ao da primeira vez. E eles tinham razão. Foi muito pior.

No final da gestação, acabei indo parar no hospital em decorrência de um sangramento, mas ainda não sentia nenhuma dor. Os médicos então me colocaram no soro, e ali permaneci até avaliarem que eu deveria ser levada para a sala de parto. O problema é que no meio do procedimento, as contrações se interromperam, e mais uma vez foi utilizado o método fórceps para retirá-la.

Ao nascer, minha filha não reagia a nenhum estímulo, e alguns equipamentos da sala cirúrgica, simplesmente pararam de funcionar. Percebi o desespero do médico, e ali, sozinha, comecei a falar com Deus: - “Senhor, foi tu quem me deu, não a leve agora. O Senhor permitiu que chegássemos até aqui, permita que eu tenha a alegria de ver os olhinhos dela”. Foi então que ouvi o médico dizer que estava tudo bem, e no momento em que uma enfermeira a levou para outra sala, ouvi pela primeira vez o chorinho dela.

Quando o médico veio dar minha alta, ele me disse que em hipótese alguma eu poderia engravidar outra vez, pois corria o risco de tanto eu, quanto a criança, morrer por complicações no parto.

Tive muito medo, mas creio que Deus queria me dar mais uma prova de sua grandiosidade em minha vida, pois passados exatos cinco anos, engravidei novamente.

No primeiro pré-natal, contei minha história para o médico e o alertei que para não correr riscos seria preciso realizar uma cesárea. Porém, fui informada que para ser submetida a este tratamento, teria que pagar um valor muito alto, para o qual não tínhamos condições. Passei nove meses chorando escondida e pedindo ao Senhor para ter misericórdia de minha vida, pois não queria morrer deixando para trás minha família com meus filhos ainda pequenos.

Conforme os meses passavam, o meu medo só aumentava, e nesta angustia, cheguei a 41ª semana de gestação, sem nenhum sinal que o bebê estava pronto para nascer. Fui ao hospital numa sexta feira, e o médico me deu um encaminhamento que se até o domingo eu não sentisse nada, deveria ir a Santa Casa que o plantonista saberia o que fazer.

Era o dia 25 de julho de 2010, quando eu e meu esposo adentramos na Santa Casa. O médico de plantão me examinou e constatou que não havia nenhuma dilatação, mas em decorrência do tempo da gestação, me pôs no soro, para tentar um parto normal. Das 10:00 as 18:15 horas, fiquei ali sem sentir dor alguma. Neste período, orava incessantemente pedindo a Deus que me permitisse voltar para minha família com meu filhinho nos braços. Então, o médico mandou me levar para o centro cirúrgico, e naquela hora clamei: - Meu Deus! É agora! Ajude-me Senhor.

Enquanto a cesárea estava sendo feita, mantive os meus olhos fechados, orando sem parar. Foi então que senti uma mão tocando a minha testa, e abri os olhos para ver se era algum dos médicos, mas para minha surpresa, não havia ninguém perto da minha cabeça.

Fechei os olhos novamente, e voltei a sentir aquela mão macia em minha testa, e pelo toque dos dedos, dava para perceber que era a mão direita de alguém. Fechei ainda mais meus olhos, e então ouvi uma voz suave me dizendo: - Você pediu que eu estivesse aqui, então, Eu estou aqui!

Compreendi que aquela era a mão do meu Jesus a me guardar, e a voz de meu Senhor confortando meu coração. Imediatamente o medo foi embora, e enquanto minha alma se enchia de paz, pude ouvir o choro do meu bebê, que inundou minha vida de alegria. Eu só tenho que agradecer a Deus por tudo que Ele tem feito em minha vida, pois Ele esta presente mesmo quando não percebemos. Sou grata pela família que Ele me Deus, pela vida dos meus filhos, pelo meu esposo, e pela vida que ele me permitiu viver. Obrigado, meu Deus, por tudo!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Buscando o Invisível (Palavra Pastoral - Agosto 2016)


Deus sempre incluiu o homem em seus grandes planos. Deu o mundo inteiro para que ele governasse, e quando enviou seu próprio filho a esta terra, foi em forma de homem... 

Exatamente por seu apreço e amor irrestrito para com a humanidade, Deus sempre desafiará o homem num processo de melhoria contínua, afinal, deseja que nosso destino seja o céu. E neste processo de aperfeiçoamento Deus utiliza métodos pouco ortodoxos e ferramentas que julgamos agressivas demais: desertos, fornalhas, vales, fome, espada, perigos, privações...

Quem se sujeita a Deus, sempre sairá melhorado de cada teste, mas o grande problema da humanidade é que cada vez mais nos acomodamos com o lugar comum, e diante de um desafio exclamamos: Deus me livre! Esquecemos que a vontade do Senhor é exatamente que passamos por estas etapas absorvendo delas experiência e intimidade com a providência divina.

Detalhe: Deus jamais permitirá que sejamos provados além do que podemos suportar, e quando formos tentados, ele nos providenciará um escape, para que o possamos suportar (I Coríntios 10:13).

Então, coloque tudo nas mãos daquele que de fato se interessa por você e por sua felicidade. Ele tudo pode, toda glória, domínio e majestade estão em suas mãos.  Grandes desafios exigem confiança num Deus grande e poderoso, que desde o passado, nos dá garantias de seu agir sábio e perfeito. Ele revelou suas veredas aos patriarcas, prometendo a Abraão fazer uma grande nação a partir de sua semente estéril. 

O caminho foi longo numa viagem sem rumo que contou com 430 anos de vida rural e escravidão no Egito, mais 40 anos sob as areias traiçoeiras do deserto, e tantos outros anos em batalhas e pequenas vitórias diárias. Neste tempo, Deus esteve lá, presente, abrindo portas e dando escapes...  

Faltava-se alimento, chovia pão do céu, se o problema era sede, saia água saiu da rocha.  Se havia poucos recursos, sobravam adversários, e mesmo assim, o povo sempre caminhou rumo às promessas, pois estavam na mão daquele que tudo pode. E quando temos esta certeza, lançamos fora o temor, a dúvida, e seguimos sempre em frente.

A nossa convicção em um Deus invisível (mas real), nos faz incompreendidos em num mundo materialista, afinal, os homens buscam segurança em coisas palpáveis e tangíveis aos olhos.  Mas Deus nos lança o desafio de acreditar no incerto e almejar o impossível.

É exatamente aqui que conhecemos quem realmente está decidido a vencer e fazer a diferença, e compreender que a maior glória do homem é crer no Deus que o faz alcançar parâmetros outrora inimagináveis.

Alguém sempre diz que foi a sorte, mas eu tenho certeza que sempre é as mãos daquele que tudo pode.

Hoje eu não te desejo sorte, e nem preciso...  Afinal, o azar tem “horror” de pessoas que buscam o invisível, e esse alguém, certamente é você! Mãozinha pra cima... Aceite o desafio...



A Bíblia está ultrapassada?



O mundo se modernizou. Novos hábitos são adquiridos diariamente, a tecnologia acelerou nosso ritmo de vida, as pessoas se tornaram números estáticos, a comunicação ficou mais fácil e menos verdadeira, novas ideologias surgem e somem com a mesma regularidade da transição do dia para noite. Num mundo tão aberto e suscetível a mudanças, onde tudo se transforma com velocidade cada vez mais impressionante, inclusive nossa forma de pensar e enxergar o mundo, será que a Bíblia, um livro de conceitos milenares, ainda tem de fato, alguma relevância?

Para responder esta pergunta, mas uma vez recorreremos ao exelente site de estudos Got Questions.

Hebreus 4:12 nos diz: -  “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” Mesmo tendo sido escrita por mais de 40 autores por um período de mais de 1500 anos, sua verdade e relevância para os dias de hoje não mudou. A Bíblia é a única fonte objetiva de toda a revelação que Deus nos deu a respeito de Si mesmo e Seu plano para a humanidade.

A Bíblia contém grande quantidade de informações sobre o mundo natural que foi confirmada por observações e pesquisa científica. Algumas dessas passagens incluem Levítico 17:11, Eclesiastes 1:6-7, Jó 36:27-29, Salmos 102:25-27 e Colossenses 1:16-17. Conforme vai se desdobrando a história bíblica do plano redentor de Deus, muitos personagens diferentes são vividamente descritos. Fazendo assim, a Bíblia fornece muitas informações sobre o comportamento e tendências humanas. Nossas próprias experiências cotidianas nos mostram que tais informações são mais exatas e descritivas da condição humana do que qualquer livro de psicologia.

Muitos fatos históricos registrados na Bíblia foram confirmados por fontes não-bíblicas. Freqüentemente, a pesquisa histórica demonstra um alto grau de concordância entre os relatos bíblicos e não-bíblicos, a respeito dos mesmos acontecimentos. Em muitos casos, a Bíblia tem sido considerada mais correta em termos históricos.

Entretanto, a Bíblia não é um livro de história, texto de psicologia, tampouco periódico científico. A Bíblia é a descrição dada a nós por Deus sobre quem Ele é, Seus desejos e planos para a humanidade. O componente mais significante dessa revelação é a história de nossa separação de Deus pelo pecado, e as medidas que Deus tomou para a restauração da união através do sacrifício de Seu Filho, Jesus Cristo, na cruz. Nossa necessidade de redenção não muda. Nem o desejo de Deus de que com Ele nos reconciliemos.

A Bíblia contém uma grande quantidade de informações precisas e relevantes. A mensagem mais importante da Bíblia, a redenção, é universalmente e perpetuamente aplicável à humanidade. A Palavra de Deus nunca ficará ultrapassada, suplantada ou necessitando de melhorias.

Mudam as culturas, as leis, as gerações vêm e vão, mas a Palavra de Deus é tão relevante hoje quanto o era quando começou a ser escrita. Nem todas as Escrituras necessariamente se aplicam explicitamente a nós hoje, mas todas contêm verdade que podemos e devemos aplicar em nossas vidas hoje.