quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

EBD - A geração que duvidou da promessa de Deus e temeu seguir adiante



Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 102 - Editora Betel
Aprendendo com as Gerações Passadas  - Lição 03
Comentarista: Pr. Manoel Luiz Prates












Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes












Texto Áureo
Jeremias 12:5
Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, que farás na enchente do Jordão?

Verdade Aplicada
Sempre surgirão obstáculos em nosso caminho. Se confiarmos no Senhor, venceremos!

Textos de Referência
Números 13:17-18; 25; 27-28

Enviou-os, pois, Moisés a espiar a terra de Canaã e disse-lhes: Subi por aqui para a banda do sul e subi à montanha; e vede que terra é, e o povo que nela habita; se é forte ou fraco; se pouco ou muito.
Depois, voltaram de espiar a terra, ao fim de quarenta dias.
E contaram-lhe e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel, e este é o fruto.
O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, fortes e mui grandes; e também ali vimos os filhos de Anaque.

Introdução

Quando somos desafiados por Deus a começar algo em nossas vidas, temos a tendência de recuar porque o novo sempre nos amedronta. Assim, adiamos para “amanhã” as oportunidades que Deus nos oferece hoje.


No limiar da promessa
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

A saída de Israel do Egito é um marco antológico da história. Até aquele momento, a humanidade jamais tinha presenciado uma manifestação tão visível e abrangente do poder do Senhor. Águas se tornaram em sangue, fogo choveu do céu, luzes e trevas coexistiram, insetos e anfíbios atuaram de forma orquestrada, mar abriu no meio, nuvem se transformou em coluna de fogo para aquecer a noite. Infelizmente, grande parte da nação se acostumou a presenciar obras tão grandiosas, e com isso, banalizou a cuidado de Deus com seu povo. Ainda estavam impregnados pelo Egito e seus deuses tangíveis, e com isso, nutriam grande desconfiança de um Deus que não podiam ver, mesmo que Ele se revelasse diariamente. Quando Israel chegou em Cades-Barnéia, no deserto de Parã, já estava no limiar de Canaã, a poucos passos da terra prometida. Com mão forte e braço estendido, Deus os havia tirado do Egito, e com feitos portentosos, os trazidos até a fronteira da promessa. Mesmo assim, o povo duvidou, temendo o desconhecido, apreensivo com o que estava por vir. Então, Deus permitiu que Moisés enviasse espias para sondar a terra, e assim, acalmar a ansiedade dos israelitas. Foram escolhidos para esta missão, 12 homens entre os líderes do povo, sendo um de cada tribo: Samua (Rúben), Safate (Simeão), Calebe (Judá), Ioal (Issacar), Josué (Efraim), Palti (Benjamim), Gadiel (Zebulom), Gadi (Manassés), Amiel (Dã), Setur (Aser), Nabi (Naftali) e Geuel (Gade).

Moisés os orientou a colher informações sobre a geografia do lugar (relevos e rios), a qualidade e a produtividade do solo, áreas agrícolas e florestas, aspectos gerais dos moradores, nível de segurança das cidades, e por fim solicitou que fossem colhidas amostras dos frutos ali produzidos. Por quarenta dias os espias sondaram a terra. Partindo de Cades–Barnéia, chegaram ao sul de Canaã por Hebrom e dali se dirigiram ao extremo norte pelo caminho próximo ao mar Mediterrâneo. Após alcançarem Reobe, o grupo regressou a Hebrom, desta vez pelo Vale do Jordão. Antes de voltarem para o acampamento, os espias se ativeram em Ecol, de onde colheram cachos de uva para apresentarem aos israelitas. Embora o povo tenha ficado admirado com os frutos trazidos de Canaã, o relatório dos espias não foi recebido com o mesmo entusiasmo.

Segundo eles, a terra era realmente boa, manando leite e mel conforme havia sido prometido por Deus. Porém, os habitantes locais eram muito poderosos, as cidades eram grandes e fortificadas, os amalequitas já dominavam a terra do Neguebe, as montanhas eram habitadas por tribos cananitas (heteus, jebuseus e amorreus), e pelo caminho, ainda estavam os filhos de Anaque, homens tão altos, que fariam os israelitas se sentirem como gafanhotos prontos para serem pisados. Ao ouvirem estas palavras, o povo foi subitamente tomado por grande desanimo, considerando impossível a conquista de território tão hostil, a mesma opinião de dez dos doze espias. Aquela foi uma noite de choro e murmurações.


A procrastinação de Israel

Procrastinação vem de duas raízes latinas: “pro”, que significa “para adiante”; e “eras”, que significa “amanhã”. Procrastinar é prorrogar para amanhã o que o Senhor deseja realizar agora. A ordem de Deus era simples: observar a terra, fazer um relato do que nela havia e depois conquistá-la (Números 13:2), mas o medo se apossou deles de tal forma, que chegaram a ignorar até mesmo o porquê de estarem ali. A exposição da maioria temerosa atraiu a atenção do povo e, assim, eles adiaram a aceitação da promessa de Deus (Números 13:31-33). A procrastinação é uma alternativa covarde. Ela nos faz ignorar a presença e o poder do Senhor na análise de um desafio. Então, o pânico nos atinge e, assim, adiamos uma ação ou decisão importante.

Entrar na terra Prometida era para os filhos de Israel tanto uma bênção quanto um desafio. É preciso entender que a procrastinação traz perda, atraso e perigo. Ela impede a realização das promessas de Deus quando resistimos por medo ou incredulidade. A procrastinação é o temor que esqueceu o prometido nas orações. Duvidar do que sabemos ser a vontade de Deus é um grande mal (Tiago 1:6). O Senhor nunca volta atrás em Sua Palavra. O medo produz a dúvida e a dúvida gera a incredulidade (I João 4:18). Quem procrastina pode estar a um passo do fracasso e Israel é um forte exemplo para todos nós.

Os israelitas usaram da imaginação para formar um quadro do pior (Provérbios 3:25). O Epitáfio da morte da coragem deles foi expresso nas palavras da maioria (Números 13:33). A imagem que eles tinham de si mesmos era depreciativa (Tiago 1:6). Eles se tornaram no que pareciam aos seus próprios olhos: gafanhotos impotentes e insuficientes! Foi desse modo que agiram e reagiram.

Deus não enviou os espias para fazer um relatório comparativo de quem eram diante dos outros povos, apenas os enviou para observar a terra, seus moradores, se a terra era boa, e que trouxessem o fruto para mostrar a seus irmãos (Números 13:17-20) Com certeza, não era esse o relatório fúnebre que o Senhor queria que o povo ouvisse.

O terror implantado no coração dos dez espias se espalhou e infectou toda a nação. As circunstâncias podem variar, mas isso não invalida o que Deus já disse. Tanto atrasar uma decisão quanto não decidir pode ser desastroso (Hebreus 12:15). Naturalmente, há tempos de espera quando ficamos atentos às ordens de Deus para avançar. Essa é uma época criativa e necessária. Não é procrastinação, é esperar até obter sinais claros do Senhor antes de agir. Procrastinação é a relutância em pôr em ação o que Ele já tornou abundantemente claro. 

As decisões que tomamos hoje afetarão de forma radical a ousadia espiritual ou a falta dela na vida de outras pessoas. É interessante como as pessoas estão no mesmo lugar, vendo uma mesma coisa, mas a forma de interpretar pode ser diferente em cada uma delas (Jó 20:3-8). Nosso problema não está em não compreender certas coisas, mas no que compreendemos e falhamos em obedecer. Apesar de verem diversas evidências dos milagres de Deus e de Sua provisão, eles desejaram voltar para o Egito! É difícil de acreditar, mas é a pura verdade. Por esperar tempo demasiado podemos perder a capacidade de dizer “agora” e dizer “não”. Ao dizer “não”, o povo desprezou a grande oportunidade de sua vida. Eles não disseram “não” para a terra, mas para Deus e Seu projeto.


Enfrentando Gigantes
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Quando os espias retornaram com seu relatório, dez deles estavam aterrorizados com o tamanho dos filhos de Anaque, verdadeiros “gigantes” que faziam homens comuns se sentirem como insetos. Josué e Calebe, por outro lado, olhavam a situação sob outra perspectiva. Eles se focavam nas uvas. Historicamente os hebreus sempre foram apreciadores de um bom vinho, e isso demandava o cultivo de vinhedos de boa qualidade. Assim, enquanto os espias só conseguiam enxergar o problema, analisando como eram fortes e poderosos os habitantes da terra, Josué e Calebe se atentaram ao fato que eram necessários “dois” homens para carregar um único cacho de uva produzido na região. Muitas vezes, problema e solução são faces distintas do mesmo prisma, e assim, a interpretação do custo-benefício depende de “quem” e “como” se olha para ele.

Conta-se que o dono de uma loja de sapatos enviou dois de seus vendedores para uma cidade do interior. Um deles, ao chegar verificou que os moradores andavam descalços e imediatamente voltou para casa, imaginando que ninguém se interessaria em comprar sapatos por ali. O outro vendedor, ao constatar a mesma situação, abriu um sorriso largo e falou consigo mesmo: - Ninguém nesta cidade tem sapatos. Vou vender que nem água!

Josué e Calebe enxergaram oportunidades onde outros viam impossibilidades.  Ao olhar apenas para os fatos e as evidências humanas, toda uma nação foi corroída pela descrença. Os dois, porém, mantiveram seus olhos voltados para Deus, focados na promessa, certos que o “EU SOU” não abandonaria sua grande obra pela metade. Sob a liderança visionária de Josué, os israelitas reconquistaram as terras de seus patriarcas, vencendo muitas batalhas na força do Senhor. Um dos líderes mais expoentes deste avanço em Canaã foi exatamente Calebe, que liderando uma tribo formada por 76.500 judeus, ocupou boa parte da região sul de Canaã, tomando posse dos territórios que formaram a Judéia. Após cinco anos de campanhas, Calebe viveu plenamente a promessa, quando finalmente recebeu por herança o monte Hebrom. Antes, porém, precisou realizar uma limpeza territorial, expulsando da região tribos hostis e povos pagãos, sendo que entre eles estavam os anaquins Sesaí, Aimã e Talmai, os mesmos gigantes que causaram tanto pavor nos dez espias que foram sepultados no deserto.

Na emblemática batalha entre o pequeno Davi e o gigante Golias, é possível mais uma vez entender a relatividade do tamanho de nossos problemas. O pastorzinho de Belém não se focou na estatura do guerreiro filisteu, ou com a capacidade esmagadora de seus pés e mãos. Ele mirou na “imensa” testa do gigante, onde sabia que poderia acertar. Por outro lado, Davi ao longo da narrativa deste confronto, Davi se refere ao gigante em poucas ocasiões sempre profetizando que ele seria derrotado (Samuel 17:26, 32, 36, 37). Porém, neste mesmo período, Davi de constantemente menciona o nome do Senhor, o Deus de Israel, aquele que daria vitória ao seu povo. E foi exatamente isso que aconteceu. Até mesmo o maior dos gigantes que enfrentamos, é ridiculamente pequeno diante da menor ação de Deus a nosso favor!


Vencendo os temores

Os homens retornaram da investigação da Terra Prometida impressionados pela estatura e corpulência dos habitantes de Canaã. Eles, além de se desqualificarem, se declararam inferiores, devido ao medo que portavam em seus corações. As dificuldades e os problemas da vida são oportunidades para observar a intervenção de Deus em nosso favor. O cuidado do Senhor para com o seu povo é sempre permanente. O segredo do sucesso é a total confiança em Deus. O homem faz o possível e o impossível é tarefa de Deus (Lucas 18:27). O propósito de Deus era que os israelitas chegassem à Terra Prometida. Após a escravidão e o sofrimento no deserto, o povo de Deus deveria apossar da herança que lhes pertencia. Todavia, a mentalidade determina grande parte nos resultados desejados. Ninguém deve sentir-se derrotado antes de entrar na batalha. Não se deve declarar ser incompetente antes de haver tentado. Pior que perder é nunca ter lutado. O temor paralisa o ser humano, o inutiliza e o conduz a uma vida improdutiva (Números 13:31-32).

O povo que vivia em Canaã era forte e suas cidades eram fortificadas. E o mais assustador de tudo é que os espias haviam visto os filhos de Anaque, os gigantes da terra. O medo é comum aos seres humanos (I João 4:18). Mesmo com medo, eles deveriam ao menos recordar o que Deus já lhes havia prometido entregar aquela terra (Josué 1:13).

O relatório dado por Calebe e Josué era corajoso e ousado. Calebe atrai a nossa atenção e admiração quando diz: “Subamos animosamente e possuamo-la em herança; porque certamente prevaleceremos contra ela” (Números 13:30). Admiramos sua prontidão, ousadia e intrepidez. A perseverança e a obediência de Calebe renderam-lhe a promessa do Senhor de que ele entraria na Terra Prometida (Números 14:24). Calebe estava cheio do Espírito do Senhor e ele seguia ao Senhor sem discussão. Para ele, gigantes eram gafanhotos, pois ele os via de outra forma.

Deus observou que em Calebe havia um espírito guerreiro, capaz de crer em Suas palavras. Ele afirmou que Calebe era um homem de perseverança, que é a qualidade de uma pessoa que não desiste com facilidade. E, diante de todos, o Eterno disse que, por sua coragem e intrepidez em seguir ao Senhor (Números 14:24) ele e a sua descendência já estavam assegurados na possessão da terra da promessa. 

Os espias viram como o Senhor abriu o Mar Vermelho, experimentaram a provisão de maná no deserto e desfrutaram da proteção de uma coluna de nuvem que o Criador tinha colocado sobre eles para livrá-los no deserto. Antes de ver os gigantes em Canaã eles já conheciam a grandeza do Senhor, porém, se esqueceram que Deus estava do seu lado (Deuteronômio 11:2-7). As experiências da fidelidade de Deus no passado são importantíssimas para enfrentarmos o futuro. Não existe gigante superior à enormidade do Criador. Nenhum exército pode deter a mão estendida do Altíssimo. Não há nenhuma força das trevas que possa fazer tropeçar aqueles que confiam em Deus (Salmo 5:11).

Quando se tem uma mentalidade de gafanhoto, é possível esquecer-se prontamente das maravilhas operadas por Deus, ignorar Seus poderosos atos de misericórdia e discordar das bênçãos que estão à nossa frente (Deuteronômio 3:24). Cada cristão deve derrubar seus gigantes e tomar posse da herança que o Senhor Deus colocou diante dele. Muitos aproveitam as oportunidades, enquanto outros deixam passar. Na vida, há vencedores e perdedores; protagonistas e espectadores; espias medrosos e espias valentes.


Enxergando além das aparências
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Para conter a ansiedade de povo, doze espias foram enviados até Canãa, afim de verificar as qualidades da terra. Porém, ao regressarem, com um relatório pessimista, implantaram um estado de pânico generalizado. Josué (da tribo de Efraim) e Calebe (da tribo de Judá) foram as únicas exceções. Eles estavam maravilhados com a terra e nem um pouco preocupados com os inimigos que teriam que enfrentar.  Ambos se inflamaram a esforçar o povo, encorajando-os a não terem medo dos cananitas, pois Deus estava ao lado dos hebreus, e os inimigos seriam devorados como se fossem pães (Números 14:9). Porém, os filhos de Israel não deram ouvidos a estas palavras, e imediatamente, se levantou grande rebelião contra Moisés e Arão, exigindo um retorno imediato ao Egito, nem que para isso fosse necessário escolher um novo comandante. Por serem contrários a este desejo retrógrado, Josué e Calebe foram hostilizados pelo povo, e só não foram vitimados por um apedrejamento público porque Deus bradou com poder e grande fúria na tenda da congregação. 

Falando à Moisés, o Senhor revelou que não tolerava mais a incredulidade daquela gente, que os estava rejeitando como nação eleita e que o povo seria ferido de morte. Em decorrência da intercessão de Moisés, Deus não destruiu a nação de Israel em Parã, mas jurou que todos os homens que viram os sinais realizados no Egito, mas desobedeceram sua voz, não entrariam na terra prometida. A partir daquele dia, Israel peregrinou quatro décadas, um ano para cada dia de espionagem, até que toda aquela geração morresse no deserto. As únicas exceções foram Josué e Calebe.

Josué era filho de Num, eframita nascido no Egito que passou a ter maior destaque nacional quando foi escolhido para comandar os hebreus na batalha de Redifim contra os amalequitas (Êxodo 17:8-16). Seu nome era Oséias (que significa “Salvação), porém, Moisés passou a chama-lo de Josué (Deus é a Salvação). Durante os anos de caminhada pelo deserto, ele se tornou um tipo de “assessor” de Moisés, acompanhando seu mentor em todos os eventos de relevância. Foi o único autorizado a subir com Moisés ao Sinai quando este recebeu os mandamentos. Também guardava a porta da tenda enquanto Moisés falava com Deus. Com a morte de Arão, tornou-se o braço direito do grande líder e seu sucessor imediato. Quando Moisés também morreu, coube a ele a responsabilidade de atravessar o Jordão e conduzir Israel a tomada da terra prometida. Ao todo, Josué liderou a conquista de 33 territórios.

Calebe por sua vez, era um judeu filho de Jefoné que exerceu exímia liderança na tribo de Judá durante duas gerações. Era um homem dotado de muitas virtudes do qual o próprio Deus deu impressionante testemunho. Por sua perseverança e fé, o Senhor lhe fez duas grandes promessas: ele sobreviveria ao deserto e herdaria a terra que espiou (Números 14:34). Ele lavrou este juramento em seu coração, e nem mesmo a passagem dos anos foi capaz de minar sua fé nas promessas. A chegada em Canaã não lhe assegurou a posse de sua herança, foi preciso investir mais cinco anos de vida na conquista do território que lhe fora prometido. Mesmo empregando seus melhores dias nesta jornada, e esforçando suas mãos na conquista, Calebe não valorizou os seus méritos pessoais, pelo contrário, faz questão de louvar ao Senhor por tê-lo conservado com vida.

Sua fidelidade ao Deus de Israel o fez exercer um tipo de liderança focada nos mandamentos divinos, e assim, Judá, tribo sobre sua liderança, se negou a selar pactos com povos estrangeiros, preservando a identidade de seu povo. Calebe teve entre seus descendentes outro líder muito bem-sucedido, já que seu sobrinho/genro Otniel, além de exímio guerreiro, é identificado como um dos juízes de Israel (Juízes 1:11-15). Depois de sua morte, o nome de Calebe é citado cerca de 400 vezes nas escrituras, ratificando seu legado. 


As lições de uma porta fechada

Os dez espias deram os seus informes negativos e desanimaram todo o povo, porém Josué e Calebe apoderaram-se da fé e encorajaram toda a congregação a herdar a Terra Prometida. Josué e Calebe nos ensinam que a verdadeira fé é a semente que tem como fruto a obediência e a justiça. Uma atitude impensada pode causar danos muito sérios às nossas vidas (Mateus 12:37). É preciso lembrar da exortação de Jesus Cristo quanto à relação que existe entre palavras e coração (Mateus 12:34). Desde o início o povo murmurava e dizia sobre morrer no deserto (Êxodo 14:11; 16:3; Números 14:2). A porta que estava aberta se fechou, o privilégio foi tirado e a palavra que saiu de seus lábios tornou-se a sentença de suas vidas (Números 14:2).

O decreto divino foi um amargo desapontamento para Moisés, Arão, Calebe e Josué, sendo que os últimos tiveram que acatar a decisão divina, andar errantes no deserto e esperar até que os muitos anos se passassem (Josué 14:7-10). O Eterno Deus perdoa nossas ignorâncias, mas infelizmente, existem coisas que jamais teremos a oportunidade de conquistar outra vez. É preciso entender que o Senhor os perdoou, mas permitiu que suas vidas se gastassem sem chegar ao lugar da promessa, até o dia de sua morte. Precisamos compreender que o perdão é concedido, mas algumas oportunidades jamais serão restabelecidas (Número 14:18-20). 

As atitudes podem tanto nos fazer decolar quanto sucumbir. A escolha é sempre nossa. Deus propõe, apresenta, revela. Nós precisamos decidir, escolher (Deuteronômio 30:19). O termo usado para confissão é “homologeo” (“homos”, o mesmo; “lego”, falar), que significa, literalmente, “falar de uma mesma forma, concordar, declarar, admitir”. Nossa confissão jamais pode ser diferente daquilo que Deus nos assegurou. Se Ele disser “vida” não podemos dizer “morte”. Se disser “vitória” não podemos pensar em “derrota”. Nossa confissão deve ser de acordo com aquilo que saiu da boca de Deus (II Coríntios 4:13b).

No momento em que os filhos de Israel resolveram recusar a terra, porque estavam amedrontados, eles desconsideraram toda a promessa que o Eterno lhes havia feito e anularam tudo o que viram da parte de Deus com apenas um Gesto. Embora a terra fosse habitada por gigantes e estivesse totalmente cercada, o povo deveria crer no que Deus disse (Deuteronômio 30:16-18). Por causa de sua incredulidade. Eles trocaram uma terra fértil e abençoada por túmulos nas areias do deserto.

Uma porta aberta nos fala de uma oportunidade específica para um propósito específico, em um tempo específico, em um lugar específico. Portanto, é algo que possivelmente não voltará a acontecer. Por isso, precisamos do entendimento de Deus e usar a autoridade que nos foi concedida. Precisamos entender o tempo que o Senhor Deus está nos indicando e atravessar pelas portas que o Eterno está nos abrindo (I Coríntios 16:9). Assim, não desperdiçaremos nossas vidas envolvidos com coisas que podem nos embaraçar, quando deveríamos realizar os propósitos de Deus para nós.

Existe um projeto divino para nossas vidas e será uma grande tragédia permitir que a vida passe sem descobrirmos a razão pela qual estamos aqui. Ter uma grande porta aberta é entender as grandes oportunidades que o Senhor Deus nos proporciona. Sem sombra de dúvida, Calebe e Josué se tornaram os destaques de uma geração. Eles traziam consigo a certeza de que Deus jamais falhou. Certamente, eles viram seus amigos e irmãos perecerem pela dureza de seus próprios corações. Algo que não precisava acontecer se eles tivessem aproveitado a oportunidade que lhes fora dada (I Coríntios 7:21).

Conclusão


Não devemos permitir que os gigantes nos impeçam de conquistar o que o Senhor tem para os Seus. Deus nos resgatou e nos nomeou para que frutifiquemos. Se estamos nEle, então que possamos crer, mesmo que tudo pareça contrário e impossível para nós.



Em sua infinita bondade e misericórdia, Deus criou um plano de salvação para a humanidade e cada geração desempenha seu papel para que este plano se torne conhecido em seu tempo. Quando uma geração não cumpre o seu propósito, os prejuízos são incalculáveis. Devemos ser espelhos para as próximas gerações, isto é, através das nossas atitudes anunciar as grandezas do Senhor, mostrando a necessidade constante de termos um relacionamento íntimo e profundo com Deus. Para uma maior compreensão desta verdade, participe neste domingo, 15 de janeiro de 2017, da Escola Bíblica Dominical.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A minha alma tem sede de Deus!


Em Gênesis 1:27-28 e 2:7, Moisés narra a origem do homem. Uma reunião celestial é convocada para projetar minuciosamente um ser capaz de dominar sobre as demais coisas criadas. Um designer é aprovado, um rascunho é elaborado, formas e texturas são pré-definidas.  A matéria prima escolhida é palpável e tangível, e o processo de fabricação é artesanal. Em suma, Deus coloca a “mão na massa”, esculpe em argila o modelo projetado e sopra em sua narina o fôlego de vida. Seu nome agora é Adão, feito imagem e semelhança de seu criador, tendo dentro de si uma fagulha do próprio Elohim, um espírito dado por Deus e que deseja retornar para Deus.

Para que o homem não estivesse só, de seus ossos é forjada a mulher. Agora, o casal pode enfim viver pleno de felicidade, no jardim que o Senhor plantara para eles. Adão e Eva são como duas crianças se descobrindo, e Deus faz questão de todas as tardes visitar os seus filhos para instruí-los em todos os aspectos da arte de viver. Mas a desobediência quebraria essa aliança. No desejo de ser igual a Deus, eles acabaram se afastando de Deus, perdendo a inocência e violando a santidade. Já não podiam olhar a face de Deus e nem serem visitados com cordialidade ao pôr do sol (I Timóteo 6:16). Mas dentro deles, ainda habitava o Espírito que clamava por Deus. Mesmo que a carne do homem se sobreponha ao seu Espírito, jamais irá calar sua voz. Ele estará lá dentro, desesperado, inquieto e aflito. Daí nasce o vazio interior, a busca desenfreada por prazeres passageiros, a ausência completa de paz... 

O homem saiu do jardim, mas o Jardim está no homem. Mudou-se a forma, mas a conversa diária com o Criador ainda é necessária... Sem dialogar com Deus e buscar sua orientação, o homem jamais será plenamente feliz... Esta prática é possível, e não se faz necessários agendamentos prévios ou formalidades desnecessárias... Para ela damos o nome de “oração”, um dos elementos básicos de uma vida de adoração constante

O Salmo 42 é atribuído aos Filhos de Corá, remanescentes de uma família que foi engolida em vida pela terra, em decorrência de seu pecado (Números 27:11). Eles tenham experimentado em sua origem, a fúria da justiça de Deus, bem como o beneplácito de seu amor.  Mas, independentemente do histórico familiar, é possível perceber que o poeta está triste... A incredulidade que enegrece a alma dos homens faz sangrar seu coração. Ele olha a sua volta é só encontra abismos. Verdadeiros buracos-negros surgem voluptuosos nas pessoas a sua volta, retirando delas o temor, a fé e a caridade. O mundo parece imerso em trevas, e qualquer facho de luz incomoda seus moradores. Dedos em ristes se voltam para o escritor... Ele ouve gargalhadas e palavras de afronta. Vozes obscuras e perniciosas invadem seus ouvidos com uma indagação retórica carregada de sarcasmo e maldade: Onde está o seu Deus? O poeta chora angustiado... A tristeza é tamanha que seus ossos chegam a doer. Sua alma está abatida, pois foi abraçada pelo medo, e agora se sente sugada pelos abismos que a cercam: Desesperança, Angustia e Aflição.  

Então, no ponto exato entre o agora e a ruína, o salmista clama por socorro... “Assim como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus... A minha alma tem sede do Deus vivo” (Salmo 42:1-2).  A alma do salmista estava com sede. Sedenta por algo que não se encontra na Terra. Aliás, ainda que não queira aceitar, toda a humanidade tem sofrido da mesma sede desde os primórdios de sua história.... Desde que saiu do Jardim... 

O salmista sabia desta carência, conhecia sua necessidade. -  A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo – Dizia ele. - Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus? E então, introspectivo, o poeta conversa consigo mesmo e aconselha: - Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus.

O homem só alcançará paz em seu espírito, quando Deus voltar a ser o centro de sua vida.

Pb. Miquéias Daniel Gomes

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Os "sem" igreja



Em 2012, o IBGE divulgou um estudo que levou a comunidade evangélica no país a um verdadeiro frenesi, afinal, havíamos crescido cerca de 62% em apenas uma década. Pela primeira vez na história, um órgão oficial apontava para uma tendência: A maior nação católica do mundo estava se tornando evangélica.

O primeiro culto evangélico realizado no Brasil aconteceu em 10 de março de 1557, três dias depois da chegada de missionários franceses enviados ao país por João Calvino. Em 1630, foi inaugurada a primeira igreja em terras brasileiras, filiada a Igreja Reformada Holandesa. Depois vieram os anglicanos, os luteranos, os metodistas, e em 1858, inaugurou-se a Igreja Evangélica Fluminense, a primeira no país no estilo congregacional.  Os próximos a se estabelecerem no país foram os presbiterianos, os batistas e os adventistas. Estas novas denominações são historicamente importantes, pois   investiram em educação cristã e na imprensa evangélica.

Em 1911, é inaugurada a primeira igreja pentecostal do Brasil, chamada inicialmente de Missão da Fé Apostólica, que mais tarde viria a se chamar Assembleia de Deus. Outras grandes denominações do gênero se estabeleceram nos anos seguintes, como a Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil (1937), a Igreja do Evangelho Quadrangular (1951) e a Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962). A partir de 1977, com a fundação da Igreja Universal, deu-se início a um movimento chamado de neo-pentecostal (ou pentecostalismo moderno), cujos maiores expoentes são a Igreja Internacional da Graça (1980) e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (1986). Mais recentemente, as comunidades evangélicas também se mostraram um segmento bastante atrativo para novos crentes (Sara Nossa Terra, Projeto Vida, Fonte da Vida, Igreja Mundial do Poder de Deus, Bola de Neve Church, Plenitude do Trono de Deus, entre outras). Calcula-se que hoje, a cada quatro brasileiros, um seja evangélico, e as projeções mais otimistas indicam que até 2022, já seremos pelo menos metade da população brasileira.

Porém, mesmo com tamanha variedade de denominações, gêneros e estilos eclesiásticos, nos últimos anos tem crescido exponencialmente o chamado MSI “Movimento dos sem igreja”, formado por antigos adeptos de diferentes denominações, que optam por servir ao Senhor sem participar de nenhuma comunidade eclesiástica, cultuando apenas em casa, ou em pequenos grupos familiares. Com isso, desvinculam-se completamente de qualquer igreja. A grande maioria dos adeptos deste movimento alegam decepção com as instituições evangélicas e seus líderes, bem como a cristandade em geral.  É claro que o movimento desperta críticas severas a sua ideologia, pois historicamente, o cristianismo tem sido praticado em comunidade, já que a igreja é identificada nas escrituras como sendo o “Corpo de Cristo”, assim, qualquer membro fora do corpo, estaria fadado a aniquilação (I Coríntios 12:27).

Segundo o respeitado site de estudos Got Question, a Bíblia ensina que precisamos ir à igreja para que possamos adorar a Deus com outros crentes e ser instruídos em sua Palavra para nosso crescimento espiritual (Atos 2:42; Hebreus 10:25). A igreja é o lugar onde os crentes podem amar uns aos outros (I João 4:12), exortar uns aos outros (Hebreus 3:13), “estimular” uns aos outros (Hebreus 10:24), servir uns aos outros (Gálatas 5:13), instruir uns aos outros (Romanos 15:14), honrar uns aos outros (Romanos 12:10) e ser bondosos e misericordiosos uns com os outros (Efésios 4:32).

Servir ao Senhor e prestar-lhe culto é um exercício diário, praticado inclusive na solitude do próprio quarto (Mateus 6:6). Entretanto é inegável que o fato de estar congregando junto a irmãos de fé, é uma atividade de vital importância para a vida espiritual do crente, pois o templo sempre foi um catalisador de nossa espiritualidade. Quando lemos o Salmo 73, encontramos Asafe lutando sozinho com seus dilemas e questionamentos espirituais, e o resultado quase é uma tragédia pessoal (versos 2 e 3). Em sua solidão, o salmista se mostra fraco para lidar com questões complexas, como o senso de justiça humano em paradoxo com a justiça divina, e em decorrência destes dilemas, ele vê a própria fé se extinguir (versos 4-14). Seu coração apenas se aquieta quando ele toma a atitude de se levantar e ir ao "santuário", e é na Casa de Deus, que Asafe encontra as respostas que procurava (versos 16 e 17). Foi no templo que sua fé se fortaleceu, o mesmo efeito experimentado por Ana em I Samuel 1.

A vida em comunhão no templo é amplamente aconselhada pelos escritores neo-testamentário, que ressaltam inclusive os benefícios terapêuticos da união fraternal (Romanos 12:15 / Tiago 5:16). Então, ao invés de evitar a comunhão do Corpo de Cristo em nome da justiça própria, o cristão deve sempre priorizar a vontade do Senhor Jesus, que era ver a sua igreja unida como um organismo único e funcional (João 17:11).

Assim, agindo de modo a agradar a Cristo, certamente seriamos menos amargos e rancorosos, e ao invés de criticar as instituições e seus adeptos, agradeceríamos a oportunidade de poder prestar um Culto ao Senhor, em comunhão com os demais irmãos de fé, sendo realmente Família de Deus na terra. Que Deus preserve em nós o mesmo sentimento de Davi, cujo coração saltava de alegria mediante um simples convite para participar de um culto em sua igreja (Salmo 122:1).

Pb. Miquéias Daniel Gomes

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Artigo - Os riscos de ser atleta de fim de semana


Segundo uma pesquisa publicada pelo JAMA, (Journal of American Medical Association) em 2011, atletas de fim de semana têm risco 2,7 vezes maior de desenvolver problemas cardíacos, por realizar esforços que sobrecarregam o coração sem estar acostumado a isso.

Esporte é sinônimo de saúde e bem-estar. Esta afirmação deixa de ser uma verdade universal quando o tema é atleta de fim de semana. Estes praticantes correm sérios riscos de sofrerem contusões e lesões musculares. Entorses, lesões no joelho, pé, ombro, coluna, tendinites e distensões musculares estão entre as mais frequentes entre aqueles atletas que utilizam apenas um dia da semana para praticar alguma atividade física.  Além disso a prática pontual de atividade física intensa pode aumentar os riscos de infarto do miocárdio e até de morte súbita.

Para evitar estas desordens, tente manter uma rotina esportiva de pelo menos três vezes por semana, busque orientação de um profissional de educação física, utilize material esportivo de qualidade e faça uma “check-up” antes de dar início aos treinos.

O ideal é intercalar, durante a semana, caminhadas e treinos de corridas, objetivando a melhora da parte cardiorrespiratória e exercícios de fortalecimento muscular como musculação e pilates, que resultarão no ganho e no aumento da resistência física e da massa magra, proporcionando ao indivíduo um equilíbrio muscular

Lembre-se de que a atividade física regular não apenas beneficia a condição cardiovascular, mas aumenta a massa óssea e muscular, combatendo a osteoporose e prevenindo a perda de massa magra inerente com o avanço da idade.

Élita Pavan



sábado, 7 de janeiro de 2017

A glória da mansidão



A Bíblia diz que são bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra (Mateus 5:5). Essa verdade nos deixa claro que para herdamos o Reino de Deus teremos que desenvolver a característica do Fruto do Espírito chamada “mansidão” (Gálatas 5:22). A mansidão nos capacita a transmitir a essência de Cristo Jesus, que foi manso e humilde de coração (Mateus 11:29).

O exemplo de Cristo é nosso maior referencial quando se trata de ser manso. Se estudarmos os passos de Jesus, veremos que sua virtude mais evidente era exatamente "a mansidão". Os seus atos, dos mais simples aos mais gloriosos, nos dão certeza que ele de fato era (e é) o mais manso dos homens que essa terra conheceu. Seus gestos, suas palavras, seu olhar e suas atitudes, nos levam a crer que verdadeiramente Ele é o Cristo de Deus. Jesus é nosso maior exemplo.

Se seguirmos os seus passos, seremos os mais felizes entre os habitantes dessa terra. Bem-Aventurados! Se quisermos influenciar este mundo com o poder do evangelho, teremos que trilhar pelo laborioso caminho da mansidão. Bem-Aventurados!  

A vida de Jesus aqui nesta terra não foi fácil. Ele enfrentou desafios enormes, dificuldades várias, tristeza inúmeras, mas tudo Ele venceu por meio da mansidão. Em um dos momentos mais terríveis de sua vida, Jesus nos mostrou de forma magistral o caminho da existência da mansidão. Ele estava em oração no Jardim Getsêmani quando o foram prender, e o Senhor, com a cobertura protetora da mansidão, enfrentou os seus algozes de uma forma tão sublime que até hoje a psicologia não encontrou palavras para sua reação benigna aos seus ofensores. Jesus venceu aquele momento de angustia e ainda deixou uma lição a ser seguida por todos nós que somos seus filhos:  a mansidão põe por terra o medo e magoa. (Mateus 26 / João 18)

Os soldados invadiram o lugar armados até os dentes, como se fossem prender a um homem perigoso (um criminoso, malfeitor, ladrão etc..) aquele momento foi difícil para Jesus, originado pela traição de um dos seus seguidores que o havia vendido por trinta moedas de prata. Dele, Jesus levaria o beijo mais sangrento de todos os tempos. O beijo denunciaria o homem a ser preso. Ao ser beijado por Judas, Jesus cheio da mansidão disse ao traidor: - Amigo, para que viestes? (Mateus 26:50)

Glórias a Deus! Que coisa grandiosa Jesus nos mostra nesse momento; o que eu particularmente chamo esse momento de “A glória da mansidão”. Só a mansidão pode nos tornar vencedores de dias cruéis, aterrorizados pela falta de amor entre irmãos, a intolerância para com os mais fracos e segas apodrecidas pela falta do Fruto do Espírito na vida do homem.

Para nós que estamos engajados na luta contra o mal, só nos resta à busca incessante pelo Fruto do Espírito em nossas vidas. Que Deus nos ajude a enfrentar com dignidade até mesmo o mais sórdido de todos os beijos nefastos.

Pb. Bene Wanderley

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Biografia - Aimée Semple McPherson



Aimée Semple McPherson nasceu no dia 9 de outubro de 1890. Em Salford, próximo a Ingersoll, em Ontário, Canadá, viviam o Sr. James Morgan Kennedy e sua esposa, a Sra. Elizabeth Kennedy.  Elizabeth ficou muito doente, e James publicou um anúncio para contratar alguém para cuidar dela.  A Srta. Mildred Ona Pearce, ou simplesmente "Minnie", que tinha 14 anos de idade, aceitou o emprego.  Ela era órfã, e filha adotiva de um casal metodista que atuava no "Exército da Salvação", um movimento evangelístico da Igreja Metodista. 

Algum tempo depois, a Sra. Elizabeth Kennedy veio a falecer, e o Sr. Kennedy, já com 50 anos de idade, tomou à jovem Minnie em casamento.  Isso gerou muita confusão no lugar onde moravam, e se sentiram forçados a mudar para os Estados Unidos da América com o fim amenizar o escândalo.  A Sra. Minnie Kennedy deu à luz uma filha que recebeu o nome da ex esposa do seu pai, Elizabeth Kennedy.  A menina, muito desenvolta desde muito cedo, adotou para si mesma o nome de Aimee Elizabeth Kennedy.

Entre 14 e 16 anos, Beth Kennedy tornou-se muito ativa.  Ela tinha um profundo desejo em ser atriz, e desenvolveu várias atividades para esse fim.  Aprendeu a representar, a dançar, etc.  Nessa época, conheceu a Teoria da Evolução, o que muito a fascinou.  Sendo muito perspicaz, poucos religiosos conseguiam debater com ela e vencer.  Todas essas questões a distanciavam cada vez mais de Deus, mesmo sendo parte de um lar cristão desde o seu nascimento.  Seu pai, frustrado com seu comportamento e pensamentos, procurou soluções para ter sua filha de volta ao caminho da salvação.  Um certo dia, ele decidiu levá-la a um culto de avivamento na esperança que Deus viesse a tocá-la.  Lá, ouviu uma mensagem que muito a comoveu e levou-a a repensar suas atitudes.  O pregador era o irlandês Robert Semple.  Os dois se conheceram e se apaixonaram.  Deus começava a mudar a vida de Aimee.

Em 12 de agosto de 1908, seis meses depois do seu primeiro encontro, Robert e Aimee (aos 17 anos) se casaram.  Sentiram o chamado de Deus para evangelizar na China, e se prepararam financeira e espiritualmente por 2 anos.  Durante esse tempo, Aimee recebeu dons espirituais e teve extraordinárias experiências com Deus.  Partiram dos EUA rumo à China.  Antes, porém, visitaram a família de Robert, em Magherafeit, na Irlanda, onde descansaram das muitas tarefas.  Em seguida foram para Londres onde se encontraram com o Sr. Cecil Polhill, um milionário cristão, de quem esperavam uma ajuda expressiva (mas que acabaram recebendo apenas $15 - para sua decepção) para sua missão na China.  Foi em Londres que, a convite do Sr. Cecil, Aimee fez sua primeira pregação para uma multidão de cerca de 10 mil pessoas.

Pouco tempo trabalharam na China.  Aimee engravidou e estava para ter seu filho quando Robert Semple apanhou malária e veio a falecer.  Foi sepultado em Hong Kong.  Aimee teve seu primeiro filho, uma menina, a quem chamou de Roberta Star Semple.  Menos de um mês depois da morte de Robert, Aimee voltou aos EUA, desta vez foi para Nova York.

Estando pouco tempo em Nova York, Aimee conheceu o Sr. Harold Stuart Mcpherson, um vendedor de 23 anos.  Eles se apaixonaram e se casaram 1 anos depois da morte de Robert.  Em 23 de março de 1913, nasceu ao casal um filho, a quem deram o nome de Rolf Kennedy Mcpherson.  Aimee esfriou no espírito, dedicou-se a vida de mulher do lar.  Deus a chamava constantemente à obra evangelística.

Em 1918, Aimee participou de um retiro em Kichener, e outra vez foi reavivada para obra missionária a que Deus a havia chamado para fazer.  Fez diversas cruzadas evangelísticas e viajou várias vezes por todos os Estados Unidos com a mensagem de Deus.  Em dezembro de 1919, comprou o terreno que viria a ser a sede da IEQ, onde foi construído o Angelus Temple.  Em fevereiro de 1920, o terreno foi consagrado e foram iniciadas as obras de construção (que tiveram um custo de aproximadamente $1,5 milhão).  Aimee não conseguiu conciliar sua vida de evangelista com a sua vida de esposa, e em 1921, sentindo-se preterido, devido as muitas viagens de Aimee, Harold pede o divórcio alegando abandono do lar.  Seu casamento durou perto de 9 anos.

Aimee se tornou a evangelista mais famosa dos EUA, assim pelo poder da sua mensagem como pela ousadia nos modos de divulgar a Palavra.  Dezenas de milhares de pessoas foram alcançadas para Cristo através do seu ministério.  Em 1922, iniciou a Igreja do Evangelho Quadrangular, ainda que só foi registrada em 1927.  Em 1923, inaugurou a Escola Bíblica, que veio a ser Farol do Evangelho Quadrangular Internacional.  Em fevereiro de 1924, Aimee consagrou a primeira rádio evangélica dos EUA, a KFSG.

Este momento na vida de Aimee desequilibrou seu ministério e suas relações com a família, também marcou uma reviravolta no relacionamento entre a mídia e Aimee.  Em 18 de maio de 1926, Aimee e sua secretária, Emma Schaffer foram à praia.  Aimee foi ao mar e não mais foi vista.  Inicialmente, achou-se que tinha se afogado, e grande rebuliço aconteceu em todos EUA, especialmente em Los Angeles, centro de suas atividades evangelísticas.  Equipes de busca foram organizadas, e incansavelmente buscaram o corpo da Sra. Aimee Semple Mcpherson.  Uma jovem, devota de Aimee, mergulhou em sua busca e acabou morrendo afogada.

Todos lamentavam a sua morte quando em 19 de junho, 1 mês após o seu desaparecimento, sua mãe, Minnie, recebeu um bilhete exigindo $500 mil pelo resgate de sua filha, ou ela seria vendida como escrava.  Minnie desconsiderou o bilhete por ter certeza de que Aimee esta morta.  Dois dias depois, no dia 23, Aimee apareceu em Agua Pietra, no México, dizendo ter caminhado por horas no deserto após ter conseguido fugir do cativeiro em que era mantida após ter sido sequestrada.

Aimee foi recebida pelo povo como heroína.  O caso foi investigado, porém não se encontraram indícios de seqüestro.  O caso foi encerrado em 20 de julho.  Mas, foi reaberto mais tarde com fortes acusações contra Aimee.  A versão de Aimee foi a de que um casal a procurou enquanto estava na praia para fosse a sua casa orar por seu filho que estava muito doente.  Ao entrar no carro do casal foi atacada, e desmaiada, foi levada ao cativeiro.

Após investigações, uma outra versão surgiu: Aimee e o Sr. Kenneth Ormistron encontraram-se durante o mês do seu desaparecimento.  Kenneth era engenheiro e trabalhava na rádio KSFG, do ministério de Aimee.  Kenneth também desapareceu no mesmo mês do desaparecimento de Aimee.  Pouco antes do episódio, a Sra. Ormistron havia se separado de Kenneth e ido para Austrália, sua terra natal, por ter provas de que seu marido estava se encontrando com uma outra mulher.  Os sapatos de Aimee, no dia que foi encontrada em Agua Pietra não demonstravam que ela tinha feito uma longa jornada pelo deserto.  A partir de então, Aimee teve conflitos constantes dentro da sua própria família, o que era amplamente explorado pela mídia.  Chegou ao ponto de se separarem e não mais se falarem.  Em 10 de janeiro de 1927, o caso cessou.

Em 1929, intensificou-se a depressão econômica nos EUA.  Aimee criou o Sopão para aliviar a fome de muitos famintos desempregados.  Foi atrás de doações e conseguiu cobertores, alimentos e roupas para aliviar a situação de milhares de necessitados.  Chegou a conseguir máquinas de costura para empregar alguns.  Arranjou médicos e dentistas para atender aos mais carentes.  Em 1930, Aimee pregava mais de 20 sermões por semana, gravava óperas, fazia programas de rádio, escrevia hinos e livros.

Aos 40 anos de idade, em 1931, Aimee casou-se com David Hutton, um cantor e ator, 10 anos mais jovem que ela.  Eles se encontraram quando Aimee gravava uma de suas óperas.  Isso causou grande controvérsia, dentro da Igreja, especialmente, pois seu ex-marido, o Sr. Harold Mcpherson, ainda vivia (isso era contra a doutrina que se havia estabelecido na Igreja).  Seu casamento durou pouco tempo, menos de 3 anos.  O divórcio foi pedido por David em 1933, e concedido em 1934.

No início da década de 1940, Aimee estava emocional e fisicamente abatida.  Passou a tomar anti-depressivos ou tranqüilizantes para dormir.  Sua muita atividade a deixava exausta e passou a ter dificuldades para descansar.  Em setembro de 1944, viajou para Oakland para pregar e para inaugurar mais um templo Quadrangular.  Na noite do dia 26 de 1944, Aimee tomou vários comprimidos para dormir e deixou outros tantos em baixo do seu travesseiro.  Diz-se que ao se sentir mal, tentou ligar para o médico, mas não conseguiu completar a ligação.  Foi encontrada morta no dia seguinte, em seu quarto.  O laudo dizia "falha múltipla de rins e outros órgãos devido a uma overdose acidental".  As circunstâncias da morte de Aimee levou a rumores de suicídio, o que nunca ficou evidenciado.

Aimee foi a bravia fundadora do ministério Quadrangular.  Imperfeita, como todo ser humano, teve suas dúvidas, encontros e desencontros, momentos difíceis, acertos e deslizes, momentos de grande júbilo, e de tristeza.  Pregou a Palavra da fé com ousadia nunca vista naqueles lugares e deixou uma missão em vários países com centenas de milhares de homens, mulheres, jovens e crianças no caminho da salvação.  Sua coragem, intrepidez, pioneirismo, força e unção de Deus foram evidentes e são até hoje inspiração para muitos.