quinta-feira, 13 de abril de 2017

EBD - A postura profética de Jeremias


Texto Áureo
Jeremias 1:12
E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Verdade Aplicada
As palavras que Jeremias proferia não eram palavras mal faladas, lançadas ao sabor do sentimento, mas, sim, frutos da revelação direta ao Senhor.

Textos de Referência
Jeremias 1:11-14

Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira.
E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.
E veio a mim a palavra do Senhor, segunda vez, dizendo: Que é que, vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte.
E disse-me o Senhor: Do Norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra.



A boca de Deus
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Profeta, no contexto bíblico, é alguém que anuncia os dignos divinos, revelando o passado, o presente e o futuro, através da inspiração do próprio Deus. “POSTURA” é um termo geral, que em regra comum, define a posição ou a postura do corpo em atividades especificas. A palavra vem do latim “positūra”, e nos remete a ideia de adaptação corporal a um espaço geográfico. Uma vez que ambos os termos são compreendidos, fica bem mais fácil avaliáramos a postura profeta de Jeremias. O princípio básico, é que um profeta é um “assessor de imprensa” do próprio Deus, já que tem a incumbência de retransmitir aos homens as palavras do Senhor. Assim, ele necessita estar contextualizado em suas palavras, viver a mensagem que transmite. Alguém que “fala” por “Deus”, deve honrar a todo momento, a instituição eternal que representa. Neste aspecto, Jeremias é um exemplo a ser seguido e admirado. Seu ministério foi integralmente intenso, mesmo perfazendo o período longevo de quarenta anos.

Seu ministério teve início durante o reinado de Josias, um rei que se dedicou a restauração religiosa de Judá, que incluiu a reforma do templo, a divulgação pública dos preceitos da lei e a abolição de cultos idólatras. Estas atitudes promoveram um grande despertamento espiritual no reino, e aplacaram a ira do Senhor contra Judá. Neste tempo de avivamento, Jeremias foi peça fundamental, aliando seu ministério profético a sua vocação sacerdotal. Infelizmente, Josias morreu em combate, e seu filho Jeocaz não foi capaz de resistir as investidas do Egito. Em apenas três meses, o Faraó Neco, subjugou Judá e destronou o jovem monarca. Os egípcios escolheram Eliaquim para governar no lugar do rei deposto, e para mostrar seu poderio, o renomearam como Jeoaquim.

Esta foi uma nova era de apostasia espiritual, já que os líderes de Judá passaram a se dedicar a uma vida de politicagem e busca de satisfação pessoal. Jeremias recebeu a revelação que Judá seria derrotada pela Babilônia, e com muita coragem transmitiu este recado a todo reino. Porém, o profeta foi censurado e recriminado. Jeoaquim não se mostrava preocupado com o avanço dos caldeus, pois acreditava que o Egito, a quem pagava tributos, seria um escudo intransponível, caso os babilônicos insurgissem contra os judeus. Mas, passados três anos, as profecias de Jeremias começaram a se concretizar. O Egito foi derrotado pela Babilônia, e o rei Nabucodonosor, declarou Judá “estado-vassalo”. Para garantir a fidelidade de seus novos asseclas, o rei caldeu levou cativo diversos príncipes de Judá. Era o início do exílio profetizado por Isaías e ratificado por Jeremias.

Ridicularizando os conselhos de Jeremias, que apontavam a uma rendição total, o rei Joaquim se rebelou contra a Babilônia. O resultado foi um sitio babilônico em Jerusalém por mais de um ano, causando fome na cidade, e a morte de muitos judeus, entre eles, o próprio rei. Joaquim, também chamado de Jeconias, assumiu o trono e, após três meses de reinado, declarou a rendição. Em retaliação ao levante, Nabucodonosor ordenou uma nova deportação, que retirou de Judá seus soldados, artesãos, comerciantes e toda elite social. O rei e sua família foram deportados também. Zedequias, o filho de Josias que ainda estava vivo, assumiu o trono de Judá. Seu coração era mau, e suas decisões revestidas de iniquidade. Foi um período de grande perseguição a Jeremias, que condenava publicamente o tratado de cooperação que Zedequias assinou com o Egito.

Como Jeremias profetizou, o resultado desta revolta foi a ruína. O Egito quebrou o acordo e Judá se viu novamente sitiada pelos babilônicos, que após dois anos de cerco, destruíram Jerusalém, pondo a baixo o templo, fendendo os muros e queimando toda a cidade. Os últimos cidadãos de relevância foram deportados, deixando para trás apenas escombros e mendigos. Jeremias escolheu ficar para trás, e sobre as ruínas de Jerusalém, escreveu grande parte de seu livro biográfico, bem como as suas lamentações. Cinco reis diferentes, com períodos políticos e religiosos fervilhantes. Este foi o staff ministerial de Jeremias, que mesmo enfrentando frustrações pessoais e crises ministeriais, nunca recuou um único grau em sua mensagem.

O segredo desta postura ministerial, que não se adaptava a cenários políticos, mas se mantinha padronizado a vontade de Deus, pode ser encontrado na vocação do profeta. Quando o Senhor o convocou para este árduo trabalho, Jeremias se sentiu inapto a exerce-lo. Ele se sentia uma criança, incapaz de lidar com tantas responsabilidades. Suas palavras não teriam “peso” (Jr 1.6). Neste momento, Deus validou seu ministério, dizendo: - Eu colocarei as minhas palavras em sua boca (Jr.1.9). Jeremias assimilou a responsabilidade e entendeu a grandiosidade desta honra. Ele era a boca de Deus. Profeta do Senhor. Suas palavras provinham do Altíssimo, e nenhum rei iria o fazer calar.


Doçura e Amargor
Pb. Bene Wanderley

Quero iniciar este comentário, com um lembrete de grande importância, inserido na introdução do texto didático: O verdadeiro profeta (aquele que tem a função de transmitir a mensagem de Deus na sua forma mais íntegra sem temer os opositores da verdade) vive para Deus e procura fazer a sua vontade. O ponto chave desta lição é compreender a postura profética de Jeremias, já que ela nos revela que mesmo diante de nossas incapacidades, quando Deus escolhe alguém para fazer sua obra, Ele mesmo capacita. Quando Deus chama um homem para fazer sua vontade, Ele se responsabiliza em sustentá-lo. Por essa razão, nunca devemos nos esquivar ao sermos chamados por Deus. Infelizmente estamos vivendo dias mui difíceis, onde muitos crentes, e até ministérios, tem rejeitado a palavra da verdade, reprimindo os profetas que Deus tem levantado para trazer luz a toda injustiça no meio de seu povo.

Para compreendermos com mais clareza tudo isto, o texto registrado em Provérbios 3:12 é de vital importância, já que nEle, encontramos uma advertência fundamental para nossa maturidade cristã. Deus nos ama, mas, também nos corrige e nos repreende com severidade, se for preciso. Logo, nenhum profeta pode escolher ser apenas doce, já que o amargo faz parte do cardápio divino. Hebreus 12 é outro texto bíblico que traz luz ao nosso entendimento sobre este assunto, já que nos ensina a jamais desprezarmos a repreensão, pois através dela, o Senhor disciplina aqueles a quem tem por filhos.  

Eu, particularmente, amo e me identifico com os escritos, e com o ministério de Jeremias. Ao longo dos mais de trinta anos de caminhada com Deus, não vejo outra mensagem que mais se identifique com a nossa geração, do que as mensagens do profeta Jeremias, que pregava o abandono do que o “homem quer” e a aceitação do que “Deus quer”.  Oxalá, o Senhor levante homens que não amem suas próprias vidas, mas, que ame a Deus e a sua palavra acima de tudo.


Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 103 - Editora Betel
Jeremias - Lição 03
A postura profética de Jeremias
Comentarista: Pr. Clementino de Oliveira Barbosa












Introdução

O verdadeiro profeta vive para Deus e procura fazer a Sua vontade, ainda que para isso tenha que sofrer dores e perseguições. Jeremias lutou pelas causas do Senhor sem receio do que os homens pudessem lhe fazer.

 A postura profética de Jeremias

A postura profética de Jeremias nos chama atenção por sua disposição em ouvir a voz do Mestre. Quando Deus chama e separa para Sua obra, Ele capacita aquele a quem chamou. Embora Jeremias não se achasse preparado para tal missão (Jr 1.6), aprendemos que, quando somos separados por Deus, nossa postura tem que ser outra perante o mundo. Deus não nos chama para um trabalho sem que nos capacite e nos ajude na execução dele (Rom 12.2). O profeta Jeremias sabia muito bem o que significava amar o próximo. Ele doou a sua vida ao seu povo. Toda essa dedicação e entrega fez dele um profeta inesquecível para a nação de Israel. Para Jeremias, Deus é o Senhor. Jeremias atribuía a Deus, a quem servia, as mais altas características (Jr 32.17), 25), e o considerava Senhor não somente de Judá, mas também de todas as nações (Jr 5.15; 18.7, 10).

Jeremias amava seu povo, mas ele amava a Deus muito mais. Por mais doloroso que fosse transmitir uma mensagem pesada ao seu povo, Jeremias foi obediente a Deus acima de tudo.

O Senhor chama homens e mulheres para transmitir sua mensagem. Ele optou por atuar desta forma devido às nossas limitações. Ele sabia que não estaríamos preparados para ouvir diretamente sua voz. Todavia pensamos que Deus só utiliza pessoas importantes em Sua Obra, ledo engano, pois Ele usa pessoas comuns, inclusive infiéis (Jr 27.6). Jeremias não era conhecido por ninguém a não ser pelo Rei dos reis, que o convocou para sua missão. O Eterno Deus quer que realizemos a sua obra. O apóstolo Paulo nos diz; “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir os fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são”. (1Co 1.27-28).

Fomos escolhidos pelo Senhor para sermos pregadores, profetas, pastores, etc. Conforme andamos com Deus, e oferecemos o nosso culto racional, a nossa comunhão amplia, a devoção vã dá lugar à adoração apropriada, leal, muito maior do que qualquer prêmio que possamos ter nesta vida. Que possamos sempre estar atentos à voz do Mestre e ouvi-la como Jeremias, que escutou e se colocou à disposição para a Sua missão. A exposição da Palavra de Deus é algo sublime, por isso Ele nos dá um chamado, e quando dizemos: “Eis-me aqui”, o Senhor nos capacita com dons espirituais para podermos cumprir este chamado, combater o bom combate, terminar a carreira e guardar a fé, como nos ensina o apóstolo Paulo (2Tm 4.7).

Temos dezenas de exemplos de homens e mulheres que foram escolhidos sem que ninguém acreditasse neles. Cito o exemplo de Davi. Ele jamais esperava ser escolhido como rei de Israel. Na sua casa, ele, aparentemente, era o candidato menos indicado. Quando o profeta Samuel foi a Belém, a mando de Deus, para ungir o novo rei, Davi não estava presente entre seus irmãos, pois se achava no campo, com o rebanho do seu pai, pois era o mais jovem da família, o menos experiente. No entanto, foi precisamente ele o escolhido (1Sm 16.12).

A estratégia do diabo é fazer com que pensemos que Deus não pode nos usar. Lembremos dos seguintes homens que o Senhor usou: Moisés, o mesmo que libertou o povo do Egito, não sabia falar direito (Êx 4.10); João Batista, que anunciava a vinda do Messias, se vestia com pele de camelo, e comia gafanhotos (Mt 3.4); Zaqueu era cobrador de impostos a serviço de Roma, mas Jesus o achou (Lc 19.2); Paulo, de perseguidor a perseguido (At 9.23); o próprio Jeremias, que se achava incapaz para tão nobre missão (Jr 1.6). A Bíblia está repleta de pessoas a quem ninguém dava crédito. Mas, o Senhor usou a cada um com seu estilo, seu humor, seu jeito e suas características. Com todos esses exemplos devemos ficar atentos, pois o próximo a ser escolhido para uma missão pode ser um de nós.

A visão da amendoeira

“Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vez, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir”. (Jr 1.11-12). A amendoeira é a árvore que mais cedo floresce. Deus está revelando que a mensagem profética anunciada por Jeremias frutificará (se cumprirá), pois Ele mesmo cuida e vigia para que assim seja. A amendoeira é vista como a “despertadora” no ditado hebraico, visto que entre todas as árvores ela é a que floresce primeiro, estando sempre alerta à oportunidade de florir. As amendoeiras também possuem uma grande capacidade de regeneração, não necessitando de podas. Elas transmitem uma importante lição de restauração e superação. Assim como a amendoeira, que está vigilante a cada oportunidade para florir, o Senhor está em sentinela para, no momento certo, cumprir a Sua Palavra. 

A amendoeira já possuía um forte simbolismo na biografia do povo de Deus. Primeiro, a vara de Arão floresceu e brotou amêndoas (Nm 17.8). Segundo, a exortação final de Eclesiastes usa o florescer da amendoeira como exemplo (Ec 12.5). Terceiro, o candelabro era adornado por amendoeiras (Êx 25.33). Jeremias, como filho de sacerdote, era um grande conhecedor da Lei. Essa vara de amendoeira fazia Jeremias se lembrar da vara de Arão, o escolhido de Deus para a liderança sacerdotal no meio do povo de Israel. Deus estava falando a Jeremias que Ele é igual à amendoeira, que fica de sentinela esperando a primavera. Deus, semelhantemente, vigia para que a Sua Palavra se cumpra.

Na linguagem Bíblica, a palavra “vara” simboliza “pessoa”, Jesus disse: “Eu sou a videira; vós, as varas” (Jo 15.5). Portanto vara de amendoeira simboliza “pessoas vigilantes”. Graças a Deus temos um Deus que nunca dorme. Quando a sentinela está dormindo em seu posto, o povo passa graves ameaças, o inimigo entra desapercebido e faz uma grande arruaça no lugar onde adentrou (Sl 121.4).

Jesus comparou sua vinda com a maneira em que um ladrão chega para roubar: inesperadamente. Ele registrou o seguinte aviso: “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em dia virá o vosso Senhor. Mas, sabei isto, que, se o dono de casa tivesse sabido em que vigília viria o ladrão, teria ficado acordado e não teria permitido que a sua casa fosse arrombada” (Mt 24.42-43). S vigilância é essencial na vida do Cristão (1Pe 5.8).

O profeta Jeremias, como uma grande sentinela, proclamava ao povo que era preciso acordar! Ele dizia que era preciso abrir os olhos e abandonar o pecado. Ele denunciava o que estava errado e apontava os responsáveis: o rei Joaquim (Jr 22.13, 19), a casa real de Judá (Jr 22.11, 14), os escribas (Jr 8.8-9), os pastores (Jr 10.21), os sacerdotes (Jr 8.10; 23.11) e os profetas (Jr 14.13, 16; 23.9, 40). Ele também indicava todos os crimes (Jr 7.9): idolatria (Jr 7.18; 9.13), exploração (Jr 9.2, 4), não pagar salário (Jr 22.13), desprezo pelos órfãos e viúvas (Jr 7.6; 22.3) mentira (Jr 8.10), assassinato de gente inocente (Jr 22.17), sacrifícios de crianças a falsos deuses (Jr 19.4; 7.31; 22.3), etc.

É preciso falar de Jesus. O inimigo está por perto e também há como derrota-lo. Jesus é a luz do mundo, que veio para brilhar entre as trevas e, assim, afastá-las, dando visão aos que antes estavam no escuro.

A visão da panela a ferver

O profeta Jeremias tem uma visão apavorante de uma panela (Jr 1.13). Na visão, a panela estava no fogo e isso significa que o que há no seu interior está quente. A boca virada para o Norte significa o amplo domínio que decorrerá sobre aquela cidade, pois o povo estava entregue à perversão, queimando incenso a deuses estranhos (Jr 7.18). A panela a ferver, inclinada para o norte, simbolizava que todas as invasões que Israel sofreria viriam do lado norte. Como já vimos, a nação de Judá estava submergida em muitos pecados comportamentais de mentira (Jr 8.10), assassinatos (2.34) e exploração (Jr 9.2, 4). O profeta Jeremias avistava a panela, mas observava a Babilônia dominando a cidade de Judá e despejando sua fúria sobre Jerusalém (Jr 1.13-14).

A direção da panela era o “Norte”, lugar onde Deus haveria de suscitar nações ensandecidas, como uma panela sob o fogo fervendo. O povo não tinha noção do que estava por acontecer: incêndio em Jerusalém, milhares de assassinatos, destruição do templo e o pior exílio, o babilônico.

Jeremias tinha duas paixões: Deus e o povo. Mais uma vez, o profeta estava alertando que Israel teria problemas com os seus vizinhos. Estes inimigos ao norte eram os babilônios. A Bíblia narra que nos dias de Jeremias, os caldeus, ou babilônios, estavam expandindo seus territórios, conquistando tudo ao redor. A história nos diz que os caldeus tinham invadido a capital dos assírios no ano 612 a.C. Nínive havia sido conquistada e estava sob o governo de outro monarca. Sete anos mais tarde, na famosa batalha de Carquemis, os Egípcios e os remanescentes assírios foram destruídos pelos babilônios.

Em 605 a.C., Nabucodonosor, ainda como príncipe herdeiro, vence a Faraó Neco II na batalha de Craquenis (Jr 46.2, 6, 10; 2Rs 24.7). Devido à sua posição ardilosa, tanto comercial como militar, o controle de Carquemis era visado pelos reinos desde os tempos antigos. Os assírios asseguraram por algumas décadas toda a região do Crescente Fértil. Ao entrar em disputas internas para ver quem sucederia o trono, teve suas finanças e exército enfraquecidos. Nabucodonosor se aproveitou desta instabilidade para ir à guerra, a famosa batalha de Carquemis, onde o Egito perdeu para a Babilônia. 

O Senhor é Soberano nos céus e na terra. Foi Ele que criou o mundo com o Seu poder. O Senhor é aquele que sustenta o mundo e tudo o que nele há. O Senhor Deus não é apenas o Deus de Israel, mas de todas as nações. Ele é aquele que soberanamente governa todas as nações. O rei Nabucodonosor foi um instrumento que Deus usou para reprimir e reeducar o Seu povo (Jr 32.28). Todos os reis, pagãos ou não, estão sujeitos à Sua vontade. Deus merece adoração de todos os povos da terra porque Ele é o Senhor do mundo inteiro. Ele governa sobre todos e julga o mundo de acordo com a Sua justiça.

A grandeza do Senhor é retratada com nitidez em toda a Bíblia. A palavra soberana nos faz entender que o Senhor detém todo o poder sem ressalva. Significa que Deus possui o controle absoluto sobre tudo e todos. Ele está acima de todo o universo. Através de Sua Palavra tudo foi criado (Cl 1.16). Aprendemos com esta lição que o Eterno Deus, por Sua soberania e domínio, governa tanto individuo como nações, Todos são Seus servos.

Conclusão

A Palavra de Deus nos mostra que era preciso haver um arrependimento por parte do povo de Judá. O profeta Jeremias alertava que o perigo de suas ações estava vindo do Norte. Todavia, seus corações estavam endurecidos, pois deixaram de ouvir a Palavra de Deus há muito tempo.



Neste trimestre, estudaremos a vida do profeta Jeremias. Veremos no decorrer das treze lições que o serviço na obra do Senhor é bastante árduo. Será uma excelente oportunidade para meditarmos sobre os propósitos de Deus ao disciplinar o Seu povo e as profecias de restauração e renovo. Que possamos ter a força necessária para prosseguir nos caminhos do Senhor e possamos nos tornar pessoas melhores na caminhada diária de nossas vidas. Para conhecer ainda mais sobre o ministério do profeta Jeremias, e as grandiosas lições retiradas de suas palavras e ações, participe neste domingo, 16 de abril de 2017, da Escola Bíblica Dominical.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Heróis da Fé


O alicerce da fidelidade é a convicção, e esta é por sua vez, o mais evidente fruto da fé genuína. Logo, é impossível desvincular uma da outra; e esta é uma verdade intrínseca em cada página da Bíblia e explícita na história de seus mais importantes personagens. 

Homens fieis são dotados de grande fé, e a está fé gera a convicção exigida para que a fidelidade se mantenha intacta. O anônimo escritor da epístola aos Hebreus não apenas define o conceito “FÉ” com perfeição (Hebreus 11:1), como também apresenta uma extensa lista de homens e mulheres, que convictos de sua fé, mantiveram-se fieis ao Senhor em todos os momentos de suas vidas, e alerta: “sem ela (a fé), é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). 

E foi exatamente por intermédio do “firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que ainda não existem”, que os antigos heróis da fé, ainda nos inspiram e testificam do grande poder de Deus. 

A fé, aliada a fidelidade, levou Abel ao oferecimento de um sacrifício puro e verdadeiro. 

Enoque andou com Deus em tempo integral até ser transladado. Noé construiu uma arca para sobreviver ao dilúvio, mesmo ainda não havendo chuvas no céu. Abraão foi chamado “Amigo de Deus” e habitou na terra da promessa, assim como seus descendentes Isaque e Jacó, sendo pai de uma nação, ainda que sua esposa Sara estéril. 

Fé e fidelidade nortearam esta família, com bênçãos sendo ministradas de pais para filhos, até que o número dos seus não pudesse mais ser contado. 

Por fé, Moisés abdicou de uma vida no palácio para viver no deserto, conduzindo seu povo de volta para a terra da promessa. 

Por fé, Raabe, por generosidade acolheu os espias hebreus, e por conta deste ato, sobreviveu a queda dos muros de Jerico. 

Hebreus 11 ainda lista outros exemplos de homens fidedignos, tais como Gideão, Baraque, Sansão, Jefté Davi, Samuel e outros profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga exércitos poderosos e as mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos. 

Como a fidelidade é recompensadora não? 

Mas, as vezes ela nos leva a testes ainda mais intensos, onde a fé e a convicção são exigidas em sua plenitude. O escritor aos Hebreus, que até então narrava aos atos portentosos de homens que estavam convictos de sua fé, passa agora a narrar feitos ainda mais impressionantes. 

Pela Fé, e por Fidelidade, alguns foram torturados, abrindo mão de seu livramento. Outros experimentaram escárnios, açoites e até prisões. Muitos foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada. Andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados, errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. 

E todos eles, mesmo mantendo se fiel a sua fé, não alcançaram a promessa, mas morreram em paz e alegremente, sabendo que o seu testemunho inspiraria muitas vidas. Somos aconselhados em Apocalipse 2:10 a sermos fieis até o fim, mesmo que este “FIM” seja a morte, pois aqueles que assim procedem, recebem na eternidade, das mãos do próprio Cristo, a Coroa da Vida.

Pb. Miquéias Daniel Gomes

terça-feira, 11 de abril de 2017

Geração auto-suficiente


Biblicamente falando, não é tarefa fácil falar sobre uma geração. Confesso, que, mergulhar neste extenso e complexo tema, é uma grande aventura. A complexidade, na verdade, está nas várias interpretações teológicas sobre o assunto.

A Bíblia fala deste tema de Genesis à Apocalipse, já que uma geração de conecta a outra, e os eventos se contextualizam. E a Bíblia, embora seja uma leitura agradável e edificante, não é simples literatura. As várias linhas de interpretação bíblica, por vezes, se divergem entre si. Sendo assim, a complexidade vem de nós mesmos, que não damos uma devida atenção aos textos e contextos bíblicos.

É inegável a influência de gerações antigas sobre as novas gerações. Ou a completa negação a elas.  No livro de Josué, o encontramos liderando uma geração conquistadora e cheia de fé; já em Juízes, testemunhando uma geração fracassada, porque não olhou para a geração passada. Não aprendeu com seu passado histórico.

Gosto muito de um verso bíblico que nos faz refletir sobre o que estamos estudando, Provérbios 22.28: - "Não desloque os marcos ou limites dos antigos que teus pais ficaram". A geração da conquista desprezou as obras de Deus que foram realizadas na vida de seus pais. Eles tinham uma história escrita pelo dedo de Deus. Mas, decidiram seguir seus próprios caminhos.

O maior fracasso dessa geração hodierna, é justamente, levar estampada no peito a autoconfiança, a soberba e o orgulho. Quando deixamos de olhar para o nosso Deus, a tendência é cair em poço fundo cheio de escuridão, vazio de vida e gelado pela presença da morte espiritual.

O mal que fez aquela geração pós Josué fracassar, foi a autoconfiança em si mesmo e achar que uma vez de posse da benção, não precisava de Deus. Temos que tomar cuidado pois todos nós estamos na mira desse mal.

Pb. Bene Wanderley

sábado, 8 de abril de 2017

Culto da Família com Missª Nília Ramos


Na noite deste sábado, 08 de abril de 2017, durante a realização do culto especial com o Grupo de Varões Herança Divina, com a participação de toda família da IEAD Estiva Gerbi, fomos agraciados com a presença inspiradora da Missionária Nília Ramos, que louvor ao Senhor com belíssimas canções, e ministrou uma poderosa palavra de edificação aos nossos corações.

Mais do que palavras, a Missionária Nília testifica do amor de Deus com sua própria vida. Ela transformou todas as suas deficiências físicas em ferramentas de evangelização, de forma a Deus ser glorificado em cada movimento de seu corpo. Um exemplo grandioso para cada um de nós! Apesar de todas as dificuldades por ela vividas, é nítida sua alegria em servir ao Senhor, já que cada uma de suas palavras é revestida de muita emoção!

Em sua ministração, a mulher de Deus falou sobre a transformação vivida por Maria Madalena, uma mulher que carregava sobre si, a opressão maligna de sete terríveis demônios. Rejeitada pela sociedade, e machucada profundamente por seus algozes espirituais, Maria experimentava a solidão diária, e convivia a todo tempo com a incompreensão das pessoas. Ninguém a ajudava, ninguém a entendia. Ninguém lhe estendia a mão.

Porém, quando Jesus a encontrou, a vida nunca mais foi a mesma. Cristo a olhou com olhos de amor. Ele expulsou de sua vida todos os demônios e colocou Maria em pé outra vez. Fez daquela mulher desprezada, um dos pilares da igreja primitiva.

Quem nos escolhe é Deus, e isso, independe de nossas condições e capacidades. Desde que o ventre, os Senhores já nos põem um selo de propriedade e uma marca de promessa. Somos dele, e de mais ninguém. E acima de tudo, Ele nos ama de forma tão profunda e verdadeira, que retira de nós qualquer vazio provocado por rejeições e negativas. Ele é tudo em nós, e nos torna parte de seu tesouro. Deus nos fez especial, pois já sabia que seriamos ferramentas do seu poder!



quinta-feira, 6 de abril de 2017

EBD - A intensidade das profecias de Jeremias


Texto Áureo
Jeremias 2:5
Assim diz o Senhor: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos?

Verdade Aplicada
Mesmo que os pecados estejam escondidos, trazem o castigo sobre si.

Textos de Referência
Jeremias 2:1-4

E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava.
Então, Israel era santidade para o Senhor, e as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o Senhor.
Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel.




A Vara de Amendoeira
Miquéias Daniel Gomes

Por três séculos, o povo escolhido do Senhor, caminhou divido em dois reinos. Ao Norte, dez tribos formavam o Reino de Israel. Ao Sul, Judá estabeleceu seu reino aliado a Benjamim. Porém, aos olhos do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, a nação continuava única. Quando o Senhor anunciou a derrocada de Israel, ambos os reinos seriam atingidos pela sentença divina, que encontrou na Assíria seu chicote disciplinador. O Reino do Norte caiu em 721 AC, mas, Judá não. O Reino do Sul recebeu uma sobrevida de 120 anos, já que neste período, diversos reis que subiram ao trono, conduziram Judá para anos de arrependimento e avivamento (Ezequias e Joás, por exemplo). Nada disso impediu que Manassés, filho de Ezequias, se tornasse num rei iníquo e idólatra, que imergiu todo o reino numa era de idolatria e iniquidades. A nação se encheu de postes-ídolos e os judeus passaram a adorar divindades estrangeiras. Esta situação só fez piorar durante o reinado de Amom, o que ascendeu a ira do Senhor contra Judá.

Quando Josias assumiu o trono, promoveu uma reforma espiritual na nação, e convocou os sacerdotes, incluindo Jeremias, para retirar do templo todas as imagens de escultura. A limpeza se expandiu para os lugares de culto e espaços públicos de Jerusalém, porém, não atingiu os lares judaicos. Apesar desta reforma religiosa, a mentalidade de Judá não mudou. Deus continuava renegado a uma posição secundária.  Eles se preocupavam com suas relações pessoais e políticas, se esquecendo de voltar seus corações ao Senhor.

Quando Deus convocou Jeremias ao ministério profético, deixou claro seu desapontamento com a nação, que abria mão de beber água na fonte, e buscava matar a seca em cisternas rotas, que se secam com facilidade (Jr 2:3). As palavras de Jeremias eram pesadas e contradizia as mensagens proféticas de seu tempo. Diversos profetas se amontavam no templo e no palácio, profetizando prosperidade e vitória sobre os inimigos. Jeremias, porém, conclamava o povo a se arrepender enquanto ainda havia tempo, pois em poucos anos, o Reino de Judá seria derrotado pelos caldeus.

A primeira visão de Jeremias é também uma das mais famosas. Ele se sentia inapto a exercer seu ministério, pois se julgava “jovem demais”. Deus, então, lhe mostrou uma vara de amendoeiras, e lhe perguntou o que via. A amendoeira era a primeira árvore a florescer na primavera, e marcava o início de um novo ciclo. As flores da amendoeira também adornavam o candelabro no templo, símbolo da iluminação espiritual produzida pela obediência aos mandamentos divinos. Para alguém criado numa família sacerdotal, a visão da vara de amendoeira tinha imenso significado. Foi através da frutificação de uma vara de amendoeira sequíssima, que o Senhor confirmou o sacerdócio a Arão e sua linhagem. Desta maneira, o Senhor lhe garantiu que seu ministério seria confirmado pela fidelidade do próprio Deus (Jr 11:12). Isto, obviamente, não garantiria facilidades. Muito pelo contrário.

A segunda visão de Jeremias já dimensionou a intensidade de seu ministério. Deus lhe mostrou uma panela fervente ao norte de Judá, na direção da Babilônia. O Senhor então lhe explicou que está seria a rota da destruição de Judá, o caminho por onde seus opressores viriam (Jr 1:13-15). Neste tempo, os babilônicos ainda não tinham alcançado seu apogeu militar, e os judeus confiavam em suas alianças bélicas com o Egito. Logo, Jeremias foi desacreditado, ridicularizado e acusado de conspirar contra seu povo em benefício dos caldeus.

O peso do ministério de Jeremias fica evidenciado nas atribuições concedidas a ele por Deus. Segundo o texto biográfico de Jeremias 1:18, o Senhor o tinha estabelecido como Cidade Forte, Coluna de Ferro e Muro de Bronze, contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os príncipes e contra os sacerdotes. Basicamente, suas palavras afrontavam a política e a religião do reino, e o preço pago por tamanha coragem foi alto demais. Após a morte de Josias, uma sucessão de reis arrogantes e dotados de imensa apatia espiritual, transformaram a vida de Jeremias num verdadeiro inferno. Ele foi humilhado em praça pública, acusado de alta traição, preso e condenado a morte. Porém, nunca se negou a transmitir as mensagens do Senhor, mesmo que a contragosto.


Babilônia é logo ali
Pb. Bene Wanderley

Provérbios de Salomão 28:9 diz: - O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável. Um dos textos referenciados nesta lição é I Samuel 15:22, que nos revela algo grandioso sobre as preferências do nosso Deus: - Tem porventura, o Senhor, tanto prazer em holocausto e sacrifícios como em que se obedeça a palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor do que a gordura de Carneiros. Estes versos, tem muito a nos ensinar no presente, como tinham a ensinar nos dias dos profetas. Infelizmente, o povo de Judá (bem como todo Israel), não deram ouvidos a palavra do Senhor, e por isso caíram em grande desgraça. O castigo era eminente, e tinha como principal objetivo, lembra-los que Deus ainda os amava, e buscava um meio para que se voltassem ao seu Senhor; mesmo que o meio usado fosse punitivo.

Deus desviaria todo o mal que lhes estava reservado se houvesse um genuíno arrependimento. Mas, o povo continuou a se lançar no mais negro buraco de pecados. O capítulo 14 de Jeremias nos dá um panorama de cruel situação do povo. É lastimável o descaso do povo para com seu Deus. É vergonhoso testemunhar como os filhos de Deus, o povo que Ele elegeu para ser seus sacerdotes, seu particular tesouro, se revoltar, se rebelar de tal forma tão irresponsável e cheia de ingratidão. Muitas vezes me pego pensando: será realidade tal loucura? Como pode ser tal coisa! Mas, quando estudamos as profecias de Isaías a Malaquias, somos confrontados pela realidade sufocante. Aquele era um povo de dura cerviz, que só entendia a vontade do Senhor em situações extremas.

Neste trimestre, prevejo uma profunda comoção em nossas salas de escolas bíblicas. Não será possível manter neutralidade diante destes ensinamentos.  Esse assunto irá explicitar as bases necessárias para um puro e verdadeiro avivamento em nosso meio. Creio que Deus irá usar esta matéria para trazer-nos de volta ao lugar de verdadeiros servos e adoradores do Deus Todo Poderoso. É importante que nos dediquemos a ler, reler e meditar em cada lição disponibilizada, sempre fazendo uso do texto bíblico de Jeremias como parâmetro. E além disso, creio ser o momento oportuno para buscarmos novos alunos e compartilharmos este aprendizado com o máximo de pessoas possíveis. Obreiros, não percam a oportunidade de desenvolver mensagens dentro deste assunto tão importante e necessário em tempos de apatia espiritual. A realidade dos dias do profeta Jeremias, infelizmente, é realidade dos nossos dias também. Basta um olhar para essa geração, e logo identificamos os mesmos desafios que o profeta Jeremias vivenciou. Oremos ao Senhor Jesus Cristo para que ele derrame de seu Amor em nossos corações. Caso contrário, Babilônia é logo ali. 


Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 103 - Editora Betel
Jeremias - Lição 02
A intensidade das profecias de Jeremias
Comentarista: Pr. Clementino de Oliveira Barbosa














Introdução

Nesta lição, veremos a atuação e a intensidade do profeta Jeremias em suas profecias. Ele é um exemplo ao mostrar para nós que não devemos nos calar diante do pecado.

Um profeta para pregar contra o pecado

Deus convocou Jeremias num momento muito complicado da história de Judá. Usou-o para desafiar o povo a ser fiel à aliança do Senhor (Jr 2.19). Sua mensagem era clara e concisa para um povo rebelde, que insistiu em marchar rumo à punição divina, não ouvindo a voz do Senhor (Jr 26.11). Jeremias percebeu que os castigos que sobrevieram a Judá não estavam atrelados apenas aos resultados das loucuras políticas dos líderes de Judá. Os seus pecados de idolatria estavam em evidência o tempo todo, principalmente o culto à “rainha do céu”. Esta “divindade” possivelmente é uma referência a deusa Ishtar (Astarte), adorada na Mesopotâmia, deusa mãe da fertilidade, do amor e da guerra, que teve seu culto difundido em Judá (Jr 7.18).

A frase “a rainha dos céus” é mencionada na Bíblia duas vezes, ambas no livro de Jeremias (Jr 7.18; 44.17). Achava-se que ela era o cônjuge do falso deus Baal, também popularmente conhecido como Moloque. O comprometimento das mulheres em idolatrar Astarte procede da sua fama em ser a deusa da fecundidade e, como ter filhos era algo muito aguardado pelas mulheres do período, a veneração desta “rainha do céu” era abrasadora entre as civilizações pagãs. Infelizmente, este hábito pagão tornou-se conhecido entre as mulheres de Judá também.

A Bíblia relata que, em vez de haver comoção e remorso e voltar-se para Deus, os reis, sacerdotes e o povo endureceram o coração com as palavras de Jeremias (2Cr 36.11, 13). Deus estava cumprindo Suas palavras, profetizadas séculos atrás, de castigar a nação, caso ela insistisse na rebeldia, principalmente no pecado de idolatria (1Sm 15.23). Jeremias é um exemplo pela coragem no enfrentamento das situações mais críticas do povo de Israel. Ele rompeu com as principais instituições judaicas ao denunciar seus representantes.

A Palavra de Deus nos adverte que não devemos adorar imagens, pois Ele abomina a idolatria (Êx 20.1, 5). Não é somente as imagens de deuses, mas todas as coisas que venham ocupar o Seu lugar em nossas vidas. A idolatria é um dos piores pecados, visto que Jesus afirmou que o maior de todos os mandamentos é amar a Deus de todo o coração, alma e mente (Mt 22.37). Se adoramos algo que não seja o Senhor, não O amamos de todo coração. Em momento algum, Deus divide a Sua glória com alguém (Is 42.8).

O povo de Judá estava esquecendo as ordenanças do Senhor. Eles estavam mais preocupados com seus negócios pessoais do que com o seu Deus. As pregações de Jeremias foram rejeitadas por um povo amotinado, que persistiu em marchar para a punição divina: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disto?” (Jr 5.30-31).

Deus continua ainda hoje convidando seu povo à obediência, que é, na verdade, uma grande prova de amor. Deus deseja que Seu povo lhe obedeça e abandone os seus pecados e se volte para Ele, em reverência e obediência sincera. O profeta Miquéias profetizou as seguintes palavras: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que praticas a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8). Que possamos ser obedientes às vontades do Mestre nas nossas vidas.

Um homem à frente das profecias

Em seu livro, Jeremias se refere diversas vezes a uma série de eventos que aconteceria caso o povo não voltasse seu coração para Deus (Jr 14.12-15). O povo se ajuntava no templo e pensava que sua segurança estava na religiosidade e não em Deus. As profecias de Jeremias falam da urgência de Juízos que sobreviriam sobre Judá (Jr 25.3, 5). Sofonias, outro profeta, também repreendeu o povo, chamando ao arrependimento, mas não foi atendido (Sf 1.4). Jeremias proferiu o juízo de Deus contra eles, dizendo que aquela casa se tornaria como Siló e que aquela cidade seria maldita entre todas as nações da Terra (Jr 26.6). Jeremias narrou assim: “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este. Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas. É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor.” (Jr 7.4, 8, 11).

O povo de Judá achava que o Senhor garantiria a proteção contra todas as catástrofes que Jeremias tinha advertido. Eles se lembravam do fato de que, quando em Samaria foi assolada, Deus tinha livrado milagrosamente Jerusalém da guerra (2Rs 19.35). Orgulhavam-se do templo, mas viviam na prática do pecado (Jr 6.14). O profeta Jeremias anuncia que tal confiança não lhes garantia o livramento (Jr 6.22), mas que eles teriam que mudar suas práticas diante do Senhor. O Senhor separou a nação de Israel como povo seleto (Gn 12.1, 3; 17.7-8; Êx 19.5-6; Dt 7.6, 26; Is 43.5, 7; Jr 7.23; 13.11; At 13.17). Jeremias foi claro em suas profecias, devido ao amor que nutria por seu povo. Ele conhecia o amor de Deus por esta nação e acreditava que os juízos de Deus poderiam ser retirados, caso a nação se arrependesse dos seus pecados (Jr 5.30-31).

Para Jeremias, o pior pecado era abandonar o Senhor (Jr 2.13). Quando nós nos entregamos de coração ao Senhor, nos sentimos leves. Ainda que não possamos entender exatamente o que Ele está realizando, podemos confiar que Ele está agindo a nosso favor (Is 64.4). Jeremias vivia na presença do Senhor. Ele dizia: “Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês e provas o meu coração para contigo.” (Jr 12.3). Jeremias nos ensina que, se estivermos acordados ou dormindo, se somos ricos ou pobres, se estamos rindo ou chorando, Ele, o Senhor está sempre conosco.

É impossível não ser grato a um Deus tão grande que, pelo Seu infinito amor, a cada dia, cuida, ama, achega, ampara e modifica. Deus mostra a Sua fidelidade a todo instante para conosco.

A preocupação de Deus pelo Seu povo não tem limites. A missão profética do Antigo Testamento tinha como finalidade principal fazer com que o povo de Israel se arrependesse e, através dele, toda a humanidade se achegasse a Cristo (Gn 3.15; 17.19; 18.18; 28.14; 49.10; Is 9.7; Mq 5.2; Dn 9.25; Jr 33.15). Os livros do Antigo Testamento estão cheios de profecias sobre o Messias. A função das profecias do Antigo Testamento era aprontar os judeus, e, através deles, toda a humanidade para a vinda do Salvador do mundo, para que, no tempo de sua vinda, fosse reconhecido e aceito por eles.

No Antigo Testamento, a começar pelos cinco livros de Moisés, também conhecido como Pentateuco, e terminando com os últimos profetas Zacarias e Malaquias, os que mais falaram sobre a chegada do Messias foram: Moisés, o rei Davi e os profetas Isaías, Daniel e Zacarias.

Deus quer restaurar o seu povo

A Bíblia no Antigo Testamento nos apresenta um total de 17 livros dos profetas para 16 autores, sendo que Jeremias registrou dois, o livro que apresenta o seu nome e Lamentações. A mensagem a respeito da restauração do povo de Deus foi uma tônica dos profetas (Is 61.1-4). Deus sempre almejou um futuro glorioso para os seus. Nos capítulos 11 e 12 de Jeremias, assistimos a aliança sendo rompida. Esta violação da aliança mosaica condenou Judá à maior de todas as maldições: o exílio babilônico. A aliança é um acordo solene entre duas ou mais partes. A Bíblia registra várias alianças estabelecidas por Deus: com Noé (Gn 9.16-17); com Abraão, o pai de Israel (Gn 17.1, 21); depois, com o povo de Israel no Sinai (Êx 19.3, 6); depois, com Davi (2Sm 7.12, 16). O Senhor Jesus Cristo é o mediador da Nova Aliança (Hb 7.22). Assim, a maldição de Deus recaiu sobre Judá por causa da violação do pacto mosaico (Êx 19.3, 6).

Ao infringir o pacto mosaico, a nação de Israel abriu passagem para a nova aliança em Cristo Jesus. A Nova Aliança é uma ideia do próprio Deus e não uma invenção dos homens. Jesus explicou isso aos Seus discípulos, quando Ele estabeleceu a Ceia do Senhor: “Este é o meu sangue da nova aliança” (Mc 14.24), isto é: “o sangue da aliança eterna” (Hb 13.20). O profeta Jeremias também disse algo a esse respeito (Jr 31.31-32).

A mensagem de Deus para a nação de Israel foi transmitida através da simbologia de um cinto de linho. Deus escolheu o profeta Jeremias para anunciar a queda de um povo contaminado pelo pecado. Deus usa esta ação simbólica no capítulo 13 do Livro de Jeremias para mostrar o estado de altivez em que se encontravam as pessoas da época. O linho era o tecido usado pelos sacerdotes (Êx 28.39). Deus exige e o enterre numa fenda do rio Eufrates. Mais tarde, Deus solicita que desenterre o cinto e o mesmo está apodrecido. Seu estado de apodrecimento simboliza a decomposição do povo. O orgulho fez separação entre a nação e o Senhor. Eles não estavam mais em condições apropriadas para se relacionar com o Senhor (Jr 13.7-9). Para Deus, eles estavam tão podres quanto o cinto, que não prestava para mais nada (Jr 13.10).

Este ato simbólico do cinto esclarece a aliança do Senhor com todo o Israel, pois assim como se liga o cinto aos lombos do homem, assim o Senhor ligou a Ele toda a casa de Israel e toda a casa de Judá.

O capítulo 14 de Jeremias declara que o povo de Judá se encontra de tal modo contaminado em seus pecados que Deus se recusou a responder até mesmo a súplica de Jeremias para que o povo fosse livrado da seca (Jr 14.11). A iniquidade de Israel é tão grave neste momento que o próprio Deus diz: “Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam”. (Jr 15.1). Deus chega ao ponto de pedir a Jeremias que não orasse pelo povo, tamanha sua situação crítica.

A obediência da autoridade a nossa comunhão com o Senhor. O sábio rei Salomão deixou registrado o seguinte: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9). O profeta Samuel também afirmou: “Tem, porventura, o Senhor, tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor que o sacrificar; e o atender melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22). Infelizmente, o povo de Judá não atentou para a Palavra de Deus e, por isso, caiu em desgraça. Precisamos dar ouvidos à Palavra de Deus e dizer, continuamente, ao Senhor: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

Conclusão

Quando Deus faz uso de um profeta para advertir Seu povo, não quer dizer que Ele não ama esse povo. A exortação de Deus é para que o homem se converta e abandone a prática do pecado. O profeta tem a finalidade de revelar o amor de Deus, a misericórdia, o juízo e o chamado ao arrependimento.





Neste trimestre, estudaremos a vida do profeta Jeremias. Veremos no decorrer das treze lições que o serviço na obra do Senhor é bastante árduo. Será uma excelente oportunidade para meditarmos sobre os propósitos de Deus ao disciplinar o Seu povo e as profecias de restauração e renovo. Que possamos ter a força necessária para prosseguir nos caminhos do Senhor e possamos nos tornar pessoas melhores na caminhada diária de nossas vidas. Para conhecer ainda mais sobre o ministério do profeta Jeremias, e as grandiosas lições retiradas de suas palavras e ações, participe neste domingo, 09 de abril de 2017, da Escola Bíblica Dominical.



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Prova de Fogo (Testemunho - João Vicente Garcia)



Entrei pela primeira vez em uma igreja evangélica no ano de 1988, quando visitava o ainda distrito de Estiva Gerbi. Senti algo diferente naquela noite, e ao sair do culto, já tinha dentro do meu coração o desejo de servir ao Senhor.

Me mudei definitivamente para Estiva Gerbi, e comecei uma batalha contra alguns vícios que tinha. Bebia muito e fumava desde os seis anos de idade. Foram oito longos anos até a total libertação. Mas, valeu a pena. Ao longo deste processo, ganhei minha esposa para Jesus.

Embora tivesse minha casa própria, a situação financeira da família não ia bem. Mesmo assim, continuávamos firmes aos pés do Senhor. E nossa fé seria posta à prova.

Durante uma atividade na escola, minha filha de apenas onze anos, sofreu um pequeno acidente, chocando seu joelho com outra colega. Assim que ela chegou em casa, começou a reclamar de dor. E o que pensamos ser apenas o incomodo pela pancada sofrida, se mostrou um problema muito mais grave. Durante um exame, os médicos constataram que havia um tumor maligno em seu joelho.

Nos próximos seis meses, entre viagens constantes para tratamento com quimioterapia em São Paulo, vi minha filha se definhando rapidamente. Foram dias de muita tristeza. Certa noite, pude ouvir minha filha orando por toda nossa família. Me emociono ao lembrar deste momento.

Para se ter uma compreensão de como sua saúde estava debilitada, basta dizer que já não era possível encontrar veias em seu braço para tirar sangue. Então, durante um exame de rotina, o médico fez um pequeno corte em seu braço para realizar a coleta. Infelizmente, ela não resistiu ao ferimento e faleceu.

A dor que sentimos é impossível de descrever. Só estamos aqui porque o Espírito de Deus nos fortaleceu.

Tentando esquecer esse trauma, comecei a trabalhar com muito mais intensidade. As portas começaram a se abrir, e minha vida financeira foi se estabilizando. Comprei um carro novo e me tornei dono de uma das primeiras linhas telefônicas da cidade. Inicialmente, eu apenas transportava madeira, mas, decidi investir em minha própria carvoaria. Deu certo. Nunca tinha ganhado tanto dinheiro na vida. Comprei um sítio, um grande pátio e um barracão equipado.

Porém, com tantas atividades seculares, mal tinha tempo para cultuar ao Senhor, mesmo sendo um obreiro da igreja. Materialmente eu estava voando. Espiritualmente estava acomodado.

Eu tinha um pátio onde ensacava o material produzido. Havia cerca de quarenta toneladas de material em estoque, quando um incêndio avassalador tomou conta do local. As labaredas devoraram toda a matéria prima, os consumíveis, os equipamentos, os caminhões e os maquinários. Com o calor, algumas telhas do barracão voaram a mais de 30 metros de distância. Tudo virou cinzas.

O ano era 2002, e meu prejuízo ultrapassou a marca dos R$ 200.000, 00. Orei ao Senhor buscando um direcionamento. O que fazer?

Comecei a re-projetar minha vida. Demite alguns funcionários, renegociei dividas, acionei antigos fornecedores, procurei os clientes mais fiéis, e entendi que minha única opção era trabalhar com ainda mais afinco. Aos poucos, fui me reestruturando.

Com a graça de Deus, consegui reabrir a carvoaria em outro lugar. Para isso, precisei de novas licenças e aprovações. Mesmo assim, uma série de denúncias maldosas, motivadas por interesses pessoais de um ex-vereador de Mogi Guaçu, complicaram a minha vida.

Um juiz da mesma cidade mandou lacrar minha empresa. Por dois anos não pude entrar numa propriedade que era minha, e mesmo assim, diversas pessoas entravam na propriedade para realizar pequenos furtos. Perdi clientes e gastei com advogados. Tinha que provar o que os documentos já diziam. Um absurdo.

Neste período de embate jurídico, abri uma carvoaria em Martinho Prado, afim de atender os clientes que ainda possuía. Mas, a justiça de Deus não falha. Depois de enfrentar a burocracia dos tribunais, provamos o erro do juiz, e minha empresa estava novamente liberada para trabalhar. Até mesmo os fiscais da CETESB e os promotores que avaliaram a carvoaria, testemunharam ao meu favor. Grande vitória.

E nesta fé, temos trabalhado com zelo e temor até os dias de hoje. Estamos enfrentando a maior crise econômica da história, mas, não vou me deixar abalar. Já passei por tantos caminhos de dificuldade, que tenho plena confiança no cuidar do meu Deus.

Cair é uma oportunidade que temos para levantar ainda mais forte.

domingo, 2 de abril de 2017

Batismo - Abril 2017


Na manhã deste domingo, 02 de Abril de 2017, dezenas de pessoas testificaram publicamente sua fé, ao descerem as águas batismais, numa linda celebração de louvor realizada em nossa Catedral Sede em Mogi Guaçu SP.

Mais de 60 almas cumpriram a ordenança de nosso Senhor Jesus Cristo, sendo batizados mediante arrependimento e fé (Marcos 15:16-17). Discípulos fazendo discípulos, buscando sempre a unidade e a glorificação do Reino de Deus.

Nossa igreja em Estiva Gerbi SP, apresentou seis candidatos ao batismo, os quais foram recepcionados no tanque batismal pelo Pr. Wilson Gomes, e demais pastores de nosso ministério:

Aparecida Conceição Dias Olímpio
Erica Gomes Santos
Fábio Bezerra dos Reis
Lennon Glayson Olímpio
Leonardo Figueiredo Bispo
Robson Aparecido dos Santos

Desejamos a todos muitas felicidades nesta nova fase da vida. A jornada será longa e difícil, mas o final da estrada será glorioso!


sábado, 1 de abril de 2017

Entre ovos, coelhos e chocolate (Palavra Pastoral - Abril 2017)


Em 1993, uma professora do ensino fundamental, solicitou a sua classe, que todos escrevessem uma redação sobre a Páscoa. Enquanto corrigia os textos, observou que as temáticas abordadas se repetiam sistematicamente: almoço, chocolate, coelhos e ovos de páscoa. Tudo conforme o planejado.

Porém, havia naquela classe um aluno evangélico, frequentador de Escola Bíblica, e que basicamente se alfabetizou nas páginas das Sagradas Escrituras. Ele escreveu uma redação baseado em suas próprias convicções e na sua forma de interpretar a Bíblia. Falou sobre a noite em que os israelitas saíram do Egito, e celebraram a primeira Páscoa.

Explicou que a celebração envolvia a morte de um cordeiro novo, que sua carne deveria ser servida assada, tendo como acompanhamento pão sem fermento e ervas amargas. Também deu grande ênfase ao sangue do cordeiro degolado, que deveria ser aspergido sobre os umbrais das portas.

Concluiu sua redação dizendo que a Páscoa em nada tinha a ver com ovos de chocolate e coelhos, mas sim, com sacrifícios e libertação.

A professora ficou estarrecida. Uma criança de oito anos não deveria ter uma visão mórbida sobre uma celebração tão “inocente” e pueril. Ela, então, chamou os pais na escola, para descobrir qual era o “problema” daquele menino.

Eu estava lá. Era o pai. A criança que escreveu aquela redação, coincidentemente, é hoje o nosso editor.

Mais que uma festa social, a Páscoa é uma celebração espiritual. E isso, incomoda o mundo. Soa estranho. Mórbido. Anormal.

O verdadeiro sentido da Páscoa é celebrar a liberdade de um povo, que viu Deus mover céus e terra a seu favor. É a maior festa nacional de Israel. Uma tradição milenar (Êxodo 12:1-14).

Na semana de sua morte, Jesus reuniu seus discípulos para a celebração de uma “páscoa” antecipada. Cristo surpreendeu a todos quando trocou os elementos da mesa, apresentando o “pão” como seu corpo que seria repartido pela humanidade, e o “vinho”, símbolo de seu sangue que seria derramado por todos nós. Estava estabelecida a NOVA ALIANÇA.

Desde então, Jesus é a nossa verdadeira Páscoa. O cordeiro assado na cruz, cujo sangue foi aspergido em nossa vida.

Não sou embaixador da lei “oito ou oitenta”. Se em 2017, você quiser aproveitar a Páscoa e me presentear com chocolate, não se acanhe. Eu aprecio muito esta deliciosa mistura de cacau e leite. Vou degustá-lo demoradamente, como todo bom chocolate merece.

Mas, não passará disto. Apenas chocolate.

O problema, é que nossas crianças crescem ouvindo musiquinhas sobre coelhos botadores de ovos achocolatados, a mídia associa a Páscoa com o consumo obrigatório de chocolates e o mundo se embriaga de excessos.

Como cristãos, podemos sim comprar ovos coloridos e trufados que enchem a casa de sabor no domingo de Páscoa, mas, nunca poderemos esquecer da essência desta comemoração.

Primeiro, Deus elaborou um plano para nossa Salvação. Escolheu um povo para si e o libertou da servidão. Pela fé, fazemos parte deste povo, que recebeu como presente de Páscoa, não um coelho saltitante, mas sim, uma ovelha que se entregou a morte por nós.

Aproveite sem moderação deste cordeiro pascal.

Cristo, nossa verdadeira Páscoa.

Mãozinhas para cima. Aspirja o sangue. Feliz Páscoa!