segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Quais devem ser as aspirações de um líder cristão?



Martinho Lutero, o ardente reformador do século XVI, foi um homem de muita coragem. Ele desafiou a igreja daquela época, o papa e outros líderes religiosos e seculares. Em 1521 apareceu diante da Dieta Germânica, na cidade de Worms, e, embora tivesse a promessa de ser protegido, sabia muito bem que estava arriscando a vida. A mesma promessa tinha sido feita a João Huss um século antes, e ele tinha sido queimado na fogueira. Os líderes da igreja prometeram a Lutero perdoá-lo caso se arrependesse dos “erros” e voltasse à “fé verdadeira”. Lutero sabia que essa promessa tinha pouco valor, porque para eles uma promessa feita a um herético não precisava ser cumprida. Ele conhecia a história dos dois séculos anteriores, quando mulheres de cristãos tinham sido torturadas, e muitos outros mortos durante a infame Inquisição Espanhola. Lutero conseguiu chegar à corte em segurança, mas foi-lhe negada a oportunidade de defender suas teses. Em vez disso, apresentaram-lhe uma lista dos “erros” nelas contidos. Mesmo sabendo que a corte podia decidir sobre sua vida ou morte, quando instado a dizer se se retrataria, sua resposta foi: 

“A menos que eu esteja convencido do erro através do testemunho das Escrituras (já que não deposito fé na autoridade insustentável do papa e dos concílios, porque está claro que eles tem errado muitas vezes e que, também, muitas vezes tem entrado em contradição uns com os outros), e com as Escrituras para as quais apelei, não poderei me retratar e nem me retratarei de nada, porque agir contra a própria consciência não é certo, nem nos é permitido. Por isso mantenho minha posição. Não posso agir de outra forma. Que Deus me ajude. Amém”. 

Através dos séculos homens de Deus tem assumido seu posicionamento. Mantiveram-se firmes em nome da verdade, da integridade e da justiça, qualquer que tenha sido o seu campo de trabalho. O segredo desses homens são suas aspirações profundas e sinceras...

Aspiração é o desejo profundo de atingir uma meta, um sonho, um desígnio. Nenhum sonho de se alcançar uma liderança no campo espiritual e eclesiástico deve ser desestimulado (I Timóteo 3:1), ao contrário, deve ser visto com cuidado e apontada as duas vertentes: das carências e das exigências, como fez Paulo. Vejamos então algumas:

Aspiração Priorizada

O aspirante a liderança religiosa como qualquer outra, pode ter boas ou más motivações. Há aqueles que desejam liderança por vaidade pessoal, como mero desejo de sucesso e reconhecimento (Filipenses 1:15). Outros gostariam de ostentar um título com suas credenciais, salário, etc. Esse desejo é impuro e como tal precisa ser purificado pelo sangue de Jesus, e pelo fogo da Palavra de Deus. Jesus ensinou o que deve motivar a liderança no Reino de Deus: O desejo sincero de ser servo, e de compartilhar a própria vida (João 15.13). Quando alguém se destaca com tais qualidades podemos deduzir que tal pessoa possui uma autêntica chamada ministerial, para a liderança.

A Igreja precisa de edificadores de almas. Liderar é mentorear; edificar pessoas, e não prédios. O próprio Jesus não deixou nenhuma edificação, como herança, mas discípulos para darem continuidade à sua missão. Então, o mais importante é encontrar a pessoa que vai substituí-lo e treiná-la. Se tudo o que o líder fez desaparecer quando ele morrer, então a liderança dele foi um fracasso.

Aspiração Resignada

Se alguém deseja servir a Deus como bispo ou pastor, excelente obra almeja (I Timóteo 3:1). Vemos que o desejo de servir como líder é historicamente incentivado na igreja local. E claro o apreço no Novo Testamento por parte daqueles que têm tal aspiração, todavia, devemos lembrar que, na época em que Paulo escreveu a primeira carta a Timóteo, já havia indícios de uma perseguição generalizada à igreja. Candidatar-se à liderança ministerial era um sério risco pessoal e para a própria família (I Coríntios 7:26-32). Isso nos deixa claro que, diferente de hoje, na época, desejar ser líder não traria recompensas materiais, nem tampouco projeção, visto que a igreja cristã no mundo pagão era hostilizada e perseguida (Atos 8:1).

Aspiração inquebrantável

Esse tipo de aspiração traz consigo um desejo ministerial capaz de suportar todo tipo de provação possível. Quem almeja se tornar ministro de Cristo e liderar na obra de Deus, deve suportar os desapontamentos, as frustrações, e os desencantos da chamada (II Timóteo 3:12). “Não entre no ministério se puder passar sem ele” foi uma citação de Spurgeon, para depois dizer: “Se alguém neste recinto puder ficar satisfeito sendo redator de jornal, fazendeiro, médico, advogado, senador ou rei, em nome do céu e da terra, siga o seu caminho”.

Por outro lado, servir como líder no Reino de Deus, implica em sofrer tribulações (II Timóteo 3:11). Todo aquele que se candidata a líder será observado e provado até finalmente ser aprovado. O preço, na verdade, é bastante elevado para o encargo na liderança eclesiástica. Liderança espiritual tem o preço de resignação em muitos sentidos. O salário não é o que se imagina. Lidar com o ser humano exige paciência, sensibilidade e fé no chamado que se recebe. Assim, somente alguém bem consciente de seu chamado suportará as provações peculiares ao encargo.


domingo, 27 de dezembro de 2015

Culto dos Aniversariantes - Dezembro 2015



27/12/2015, último domingo de dezembro, dia para reunirmos a congregação para agradecer ao Senhor e celebrar pela vida dos aniversariantes do mês. Aproveitando que nesta data fechamos este ciclo de cultos festivos (12 no total), o Pr. Wilson Gomes e os organizadores, agradeceram a todos os irmãos que abraçaram este projeto, tornando possível cada celebração.

Todos os bolos oferecidos pela igreja aos aniversariantes foram feitos com ingrediente doados pelos membros da igreja, e a Dca. Juscileine Beatriz Alves Luiz foi a responsável por produzir verdadeiras “obras de arte”, de grande beleza e muito sabor. Outros irmãos contribuíram com refrigerantes, copos e pratos. Com a graça de Deus, nunca faltou, mas sempre sobrou.

A Secretaria Eclesiástica também desenvolveu um papel essencial, trabalhando incansavelmente no backstage, prestando homenagens mensais aos aniversariantes no Informe Gospel, no Blog da Igreja e na elaboração dos vídeos comemorativos.

Enfim, este foi um trabalho de todos para todos, e agradecemos ao Senhor por ter nos ajudado a concluir com êxito este trabalho. Nos resta parabenizar os aniversariantes de dezembro, e desejar-lhes toda sorte de bênçãos, sucesso e muita paz.

05 – Fernanda Maria de Moura Santana
06 – Dionizio Batista Barbosa
07 – Geovana Nascimento
11 – Ana Clara Sevarolli
11 – João Nicolas Sevarolli
14 – Maria Cristina Silveira
14 – Jeferson Parísio
17 – João Pedro da Silva
18 – Kátia Alves
19 – Luan Mateus Avile
22 – José Gregório Loras
24 – Roseane Firme da Costa
25 – Sandra Procópio Ferreira
31 – Fernanda Gianelli
31 – Fernando Machado

A alegria do Senhor é nossa força! (Neemias 8:6)



Novo Trimestre EBD - Casamento e Família



Vai começar um novo trimestre da Escola Bíblica Dominical, onde iremos ao longo de 13 lições discorrer sobre um dos assuntos mais relevantes e discutidos da atualidade: a família.  Biblicamente falando, o núcleo familiar é a instituição mais antiga da terra, célula máster de qualquer sociedade. Porém, seus valores sacros e conceitos milenares tem sido questionado por diversos segmentos sociais, que consideram o modelo familiar cristão retrogrado e ultrapassado. Assim, é hora de voltar as páginas da Bíblia reavaliarmos a posição da Igreja de Cristo diante das temáticas mais polemicas da atualidade.

O material didático será a Revista de Escola Bíblica Dominical nº 98 da Editora Betel: CASAMENTO E FAMILIA – Projetos de Deus para o bem-estar da sociedade, e as aulas serão ministradas aos domingos, sempre as 9:00 horas, com classe especial para crianças. Também haverá aulas para especificas para a REDE JOVEM. Nosso corpo docente será formado pelos seguintes professores: Pr. Wilson Gomes, Pb. Paulo Oliveira, Pb. Miquéias Daniel Gomes, Pb. Bene Wanderley e Eliane Machado.

Os comentários deste trimestre ficam a cargo do Pr. Valdir Alves de Oliveira, 59 anos, nascido em 18.04.1956, na cidade de Uberaba-MG, batizado nas águas em 05.12.1971, em Vila Alpina-SP, Presidente da Assembleia de Deus, Ministério de Madureira, Campo do Gama Leste-DF, desde 12.09.2013, Secretário Executivo da CONEMAD-DF e ENTORNO, bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica das Assembleias de Deus de Brasília-FATAD-DF, bacharel em Economia pela Universidade Católica de Brasília e pós-graduado em Administração Financeira pela Fundação Getúlio Vargas - DF. Escritor com seis obras editadas (Fonte de Inspiração, Pérolas Preciosas, Sementes Selecionadas, Diamantes Lapidados, Ouro Refinado, com 100 mensagens e sermões cada e Laços Benditos, Relacionamentos Conjugal e Familiar). Comentarista da Revista EBD Betel, 2º trimestre de 2011, com o tema: OS DESAFIOS DA IGREJA e 2º trimestre de 2013, com o tema: PONTOS SALIENTES DA NOSSA FÉ. Ministra palestras para casais e família. É casado com Lucinéia Castro Domingues Oliveira, há trinta e quatro anos. Pai de: Felipe, Tiago e Rebeca. Sogro de André, Lília e Viviane, avô de Arthur e Laís.

Palavra do Comentarista:

Casamento e família são os maiores patrimônios que a sociedade tem. Salvar o nosso casamento e a nossa família é algo que não tem preço. O tema é bastante salutar e propício para os dias de hoje, pois o casamento e a família são bombardeados o tempo todo. A Igreja do Senhor Jesus não pode abrir a guarda e se conformar com a concepção deste mundo tenebroso, onde o errado está passando a ser certo. O relativismo aceito pela sociedade com respeito a esses assuntos da mais alta relevância não pode permear a Igreja. Precisamos analisar dentro da ética e moral cristãs os procedimentos a serem adotados. A Palavra de Deus é o nosso referencial e a nossa regra de fé e conduta. O próprio Deus estabeleceu as leis que regem o casamento e a família, portanto não podemos abrir mão desse manual do fabricante, que é a Bíblia Sagrada. Que estes estudos sirvam de crescimento e edificação para o povo de Deus, especialmente para salvar casamentos e famílias. Bons estudos!


sábado, 26 de dezembro de 2015

O Melhor Amigo



Todos os momentos difíceis da vida ficam menos piores com os conselhos e o apoio de um bom amigo. As sinceridades protegem das ilusões e de abandonos. Assim, a amizade é uma ancora em todas as tormentas. É uma maneira de não desistir da bondade das pessoas, do encanto de quem mesmo indo, fica.

Ao lermos o livro de I Samuel na Bíblia Sagrada, encantamo-nos ao ver que Jônatas e Davi criaram uma aliança inabalável. Eles não fizeram promessas sentimentais; não trocaram apenas alianças de amizades. A alma de Jônatas ligou-se à alma de Davi, e nós, somos vinculados uns aos outros, segundo Colossenses 2.19, estamos unidos em amor, em uma obra divina. Um elo incontestável!

Outra bela amizade, e uma das melhores descritas na Bíblia, é aquela que existiu entre Rute e Noemi. [...] “Não me peça para que te deixes, nem me peça para abandoná-la, porque aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares á noite, ali pousarei eu, o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”. Neste versículo referido em Rute 1.16, percebemos que os verdadeiros amigos gostam da companhia um do outro. Em nossos relacionamentos, muitas vezes tentamos apossar-nos uns dos outros, e a amizade pode desaparecer, quando não existe espaço nem para respirar. Deus sempre fez parte da amizade de Noemi e Rute.  Rute encontrou Deus através de Noemi, quando sua amiga lhe permitiu ver, ouvir e sentir toda a profundidade de seu relacionamento com Deus.

O Senhor Jesus também tinha amigos, e entre eles havia três mais chegados, e um que era o mais chegado de todos, João, que se auto descreveu como aquele que Cristo amava e, que Ele chegava a reclinar a cabeça em seu peito. Até mesmo o próprio traidor, Judas Iscariotes, foi considerado um amigo até o final. Jesus, o chama assim, mesmo no momento que sabia estar sendo entregue à morte. [...] “Jesus perguntou: Amigo, que é que o traz?  Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam. ” (Mateus 26.50)

Algumas amizades se iniciam na infância e duram até o final da vida, outras começam em certo ponto da vida e duram pouco, outras são tão fortes que nos tornamos mais chegados que irmãos. Amizades que se tornam verdadeiros laços de sangue e essas são preservadas por anos a fio e, nada é capaz de separar. Devemos rogar a Deus para que Ele conceda-nos a graça da Aliança inquebrável, como a de Jônatas e Davi, a Lealdade de Rute e Noemi e a Verdadeira Amizade, como a de Jesus e João.

Devemos aceitar o convite que Cristo faz para que nos tornemos amigos íntimos d’Ele: [...] “Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado AMIGOS, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido. ” (João 15.15)

Se, conhecemos a Deus por intermédio de Cristo, devemos a cada dia mais ansiar o fortalecimento desta amizade, dada entre homem e Rei; já que Ele é o único caminho para que nos acheguemos ao Pai. Jesus é totalmente confiável, adverte quando necessário, está em prontidão a todo o momento e nunca deixa de amar-nos.

Tudo o que se pode esperar do melhor amigo.



A Paz



O Evangelho de Jesus Cristo não promete uma vida de “Mar de Rosas” aos seus seguidores. Pelo contrário, Jesus informou aos seus discípulos que eles seriam enviados como “ovelhas para o meio de lobos” (Mateus 10:16).

Historicamente, a Igreja tem enfrentado inúmeros períodos de ferrenha perseguição, sendo que ainda hoje, cristãos são barbarizados e assassinados por causa de sua fé em diversos lugares do mundo. Mesmo assim, a mensagem de Jesus jamais foi calada e seus mensageiros nunca deixaram de vivenciar uma profunda paz, apesar das “conturbações” impostas pelo mundo e seus sistemas.  

Mesmo em estados laicos como é o nosso, a vida cristã e bombardeada por agendas abarrotadas, dias extremamente curtos, excesso de trabalho, e a ameaça constante de apostasia. Aparentemente não temos espaço em nossas vidas (ou em nossos dicionários) para palavras como serenidade e tranquilidade, pois vivemos em um cenário parecido com a pintura de um velho artista: montanhas desoladas sendo severamente castigadas por uma imensa e assustadora tempestade.   Pois foi exatamente esta “obra” que ganhou o prêmio principal em um concurso cuja temática era exatamente a “PAZ”.

Conta-se que certo príncipe, decidiu promover uma exposição de arte e dar um grande premio ao artista que melhor representasse a PAZ.  Centenas de obras foram inscritas e o que não faltou foram imagens de pássaros brancos, rios cristalinos, por do sol dourado, jardins floridos e arco-íris. O jovem nobre analisava cada uma das telas com muita atenção, admirado pela beleza de cada paisagem. Então ele se deparou com a pintura que causava repulsa em todos que a olhavam... As montanhas eram rústicas, pedras pontiagudas e ameaçadoras não davam espaço para qualquer vegetação. O céu era negro com raios avermelhados cortando a escuridão. O cenário estava borrado pela tempestade torrencial que caia e pelo vento percebido nos traços não lineares dos riscos acinzentados que traziam vida ao temporal...  A princípio, o futuro rei ficou tão horrorizado com a audácia do artista quanto qualquer um, mas bastou analisar com um pouco mais de cuidado aquele quadro para que seu semblante esboçasse um sorriso, que pouco a pouco se tornou uma deliciosa gargalhada. A pintura foi então anunciada como a grande vencedora. Todos é claro, ficaram indignados com essa escolha e perguntavam ao príncipe como uma obra tão grotesca podia retratar um sentimento tão sublime como a PAZ. O Jovem monarca, então, apontou para um pequeno ponto na parte baixa do quadro, onde na fenda da rocha, um pequeno pássaro, aninhado em seu ninho, dormia sossegadamente.

Paz não é um sentimento.... É um estado de espírito. É uma atitude de serenidade, calma e força, tranquilidade e quietude de espírito, produzida pelo Espírito Santo em nós, mesmo na adversidade e nas tribulações. Uma paz diferenciada que não se esvai diante das tragédias, pois é forte o suficiente para nos guiar em calmaria em meio aos vendavais; pois quando a tempestade aperta e o vento derruba até os que estão voando pelos céus, nós nos escondemos na fenda da ROCHA (que é Cristo) e dormimos em paz, afinal, dos seus filhinhos Deus cuida enquanto dormem (Salmos 4:8).

Jesus nos prometeu essa paz quando disse “A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou (João 14:27). Esse tipo de PAZ não é natural no ser humano, mas sim proveniente de nossa perfeita confiança em Deus. Ela se deriva no fato de que nosso Senhor cuida de nós constantemente e assim não existem motivos para desespero ou insegurança e dessa forma temos os nossos corações guardados contra da ansiedade e nossas mentes blindadas contra o desespero.  Essa PAZ é plantada em nós pelo próprio Jesus, mas deve ser desenvolvida por nós através da meditação e aplicação da PALAVRA e da busca diária pela presença de Deus em nossas vidas.

Afinal, é preferível estar no meio de uma tempestade tendo Jesus em nosso barco, do que navegar em águas tranquilas sem ele.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

A Semente da Mulher



Por causa do pecado, o homem perdeu sua comunhão com o Criador. O pecado abriu a porta para a morte e esta perspectiva revelou a humanidade sentimentos terríveis como a tristeza, a angustia e a solidão. Tudo estaria perdido em meio a densas trevas, mas um lampejo de luz raiou cortando a escuridão... Se a serpente havia sido a responsável por conduzir o homem a ruína, Deus promete que alguém virá para esmagá-la e reverter todo o mau causado. 

E este salvador viria da Semente da Mulher.

Deus é detentor de todo poder e glória. Num simples estalar de dedos ele pode mudar instantaneamente qualquer situação. O Salvador poderia chegar ao mundo em uma carruagem de fogo, num redemoinho iluminado, numa nave intergaláctica, numa nuvem incandescente, num cortejo de anjos e seres celestiais. Mas não... Ele escolheu um “veiculo” improvável para um ser de tamanha magnitude: o ventre de uma mulher.

Por séculos, as donzelas das famílias mais tradicionais e poderosas sonharam com o privilégio de dar à luz ao Messias. Mas foi uma moça pobre de Nazaré, desposada de um humilde carpinteiro que foi a escolhida para ser a mãe do Emanuel.

Jesus nasceu em meio a simplicidade, sem luxo, pompas ou riquezas. Seu maior presente na noite da sua natividade foi o abraço aconchegante de Maria, o beijo acalentador de sua mãe terrena, a proteção altruísta de José, e a felicidade incontida do próprio Deus.

Hoje, celebramos o Nascimento de Jesus, que é sem dúvidas, o mais importante acontecimento da história. Deus estava entre os homens, para mudar o destino da humanidade. Céus e terra nunca mais seriam os mesmos...

E como é gratificante saber que para tudo isto acontecer, foi aberta uma porta entre céu e terra, por onde a luz atravessou e iluminou um mundo imerso na escuridão... E a porta foi uma mulher.

Feliz Natal



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Eu quero o verdadeiro Natal



Eu quero a singeleza do Natal.

Quero ver o menino singelo e pequenino deitado na manjedoura sendo adorado pelos pastores, olhado e amado por seu pais e bafejado pelos animais.

Eu quero ver a estrela que anunciou o nascimento do Menino cruzando o céu, apontando pra Belém, onde alguém tão importante há poucos instantes acabara de nascer.

Eu quero ver o brilho do Natal.  Seu lado lindo, doce e espiritual.

Eu quero ver José e Maria tomados de grande alegria festejando o acontecimento que ali naquela noite se via.

Eu quero ouvir a música divina que soou entoada pelos anjos naquela noite especial.

Eu quero ter o prazer de ver, de sentir e de viver o verdadeiro Natal.

Por Cícero Alvernaz



EBD - A fé que enfrenta as oposições



Texto Áureo
Hebreus 12:1
Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta.

Verdade Aplicada
Não existem problemas insolúveis quando pessoas comprometidas se levantam na força de Deus para agir.

Textos de Referência
Neemias 1:1-3

As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém.
E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo.


Contexto Histórico

Após a divisão de Israel em dois reinos distintos, as 10 tribos do norte mergulharam numa época de trevas caracterizada pela apostasia espiritual e idolatria generalizada. Como consequência dos inúmeros pecados da nação, Deus usou a poderosa Assíria como um “chicote” para disciplinar seu povo (Isaías 10:5). Em decorrência de uma série de manobras políticas desastrosas, o Norte (Israel), foi o primeiro reino a cair. No ano 722 A.C, os assírios definitivamente se apoderam do território israelita, levando cativo boa parte dos moradores da região. A política assíria para territórios conquistados era enfraquecer a cultura local, e para isso, intercambiava seus vassalos, miscigenando seus escravos e fazendo com que povos de tradição, perdessem por completo sua identidade. Assim, enquanto os israelitas foram espalhados pelo mundo, uma grande quantidade de estrangeiros foi alocada em Israel. Desta miscigenação surgiu os samaritanos. O Reino do Sul, também conhecido por Judá, automaticamente se tornou o próximo alvo dos assírios, mas por intermédio das ações de bons governantes como Joás, Josias, Josafá e Ezequias, Deus concedeu aos judeus mais um século de liberdade. Apenas no ano 606 A.C, a Babilônia começou a deportar os nobres de Judá para os territórios da caldeia, prática que se estendeu até 586 A.C, quando o rei Zedequias intentou uma rebelião contra os caldeus, confiando numa previa aliança com o Egito. O resultado foi catastrófico, resultando na deportação final. Nabucodonosor ainda ordenou a total destruição de Jerusalém, deixando a cidade em ruínas.

Setenta anos depois, a Babilônia já tinha sido conquistada pelos Medo-Persas. Segundo a tradição judaica, o rei Ciro estava lendo os já centenários textos do profeta Isaías, e teria ficado espantado ao encontrar uma referência ao seu nome, dizendo que seria ele o responsável por repatriar os judeus. O monarca, então, lavra um edito autorizando o retorno dos filhos de Sião para a pátria mãe. Liderados por Zorobabel, cerca de 50.000 judeus são “despertados” para voltarem a Jerusalém e edificarem a casa de Deus (Esdras 1:5). Os exilados que permaneceram na caldeia, doaram cerca de 500 quilos de ouro e 3000 quilos de prata para financiar a reconstrução do templo. Assim, após quatro meses de jornada pelo deserto, os judeus estavam novamente na terra prometida, e em agradecimento edificaram um altar para Deus. O próximo passo foi lançar os fundamentos do templo, evento que causou grande comoção entre o povo. Porém, durante as décadas de exílio, o território de Israel/Judá havia sido tomado por samaritanos e amonitas, e os pseudos donos da terra estavam muito incomodados com o retorno dos herdeiros legais. Assim que a reconstrução do templo teve inicio, eles enviaram uma carta ao rei persa Dário, acusando os judeus de traição, dizendo que ao invés de um templo para ritos religiosos, estava sendo construída uma fortaleza para fins militares. Com isso, foi decretada a paralisação das obras. Durante 16 anos os trabalhos no templo ficaram interrompidos, e o povo se dedicou a reformar a cidade. Deus levantou os profetas Ageu e Zacarias para esforçarem o povo, afim de retomarem a reconstrução do templo (Ageu 1:2). A retomada dos trabalhos trouxe prosperidade aos judeus, e logo, a Casa do Senhor estava finaliza. Uma fiscalização por parte dos persas listou o nome de todos os trabalhadores, causando grande apreensão. Porém, ao final de suas verificações, Dário constatou a legalidade da construção e os judeus puderam finalmente inaugurar o templo.

Quando Artaxerxes já era rei, um escriba chamado Esdras pediu autorização para conduzir um no grupo de judeus até Jerusalém. Desta vez, 1754 homens (com suas respectivas famílias), realizam a perigosa viagem de retorno. Esdras foi levantado por Deus para promover uma restauração espiritual em Israel através do ensino, e um dos primeiros problemas que identificou, foi o casamento miscigenado entre judeus e mulheres pagãs. Esdras já estava em Jerusalém há doze anos quando Neemias recebeu notícias da terra de seus pais. Os moradores da cidade estavam sendo ameaçados por samaritanos e amorreus, enquanto os muros ao redor Jerusalém estavam queimados e fendidos, sem oferecer qualquer proteção. Neemias se entristeceu profundamente, e por quatro meses se dedicou a orar por esta causa. Sua posição estratégica no palácio lhe dava acesso direto ao rei Artaxerxes e lhe concedia muitos privilégios junto ao monarca. Percebendo o abatimento de seu homem de confiança, o rei questionou Neemias sobre o motivo de sua aflição. Neste momento, Neemias informa ao rei sobre a situação de Jerusalém e solicita autorização para ir à cidade e reformar os muros. O rei não apenas autoriza a empreitada, como se propõem a financiar parte da obra.


O Copeiro do Rei

Jerusalém estava em ruínas e opróbrio. Ao saber da situação, Neemias abandona sua privilegiada posição no palácio e parte em direção à cidade para auxiliar seu povo na reconstrução dos muros e portões (Neemias 2:1-10). Neemias surge numa época em que a moral do povo estava baixa. Os ricos exploravam os pobres e os mesmos pecados que levaram o povo ao cativeiro estavam em vigor. Por fim, a depressão econômica e a ignorância espiritual acentuavam ainda mais a desunião do povo que, desestimulado e oprimido, não esboçava qualquer reação de melhora.  Neemias nos é apresentado como copeiro do rei, na província de Susã, a capital do império persa. Ele era um homem de oração e compromisso com Deus (Neemias 1:1-11). Neemias era um conselheiro pessoal do imperador e exercia ao mesmo tempo as funções de primeiro ministro e mestre de cerimônias (Neemias 2:1; 5:14). A morte por envenenamento era comum na época dos reis e um copeiro de grande confiança era de vital importância. A função de Neemias era provar o vinho do rei, cuidar de seus aposentos, supervisionar toda a alimentação do palácio e, antes que o rei ingerisse qualquer comida ou bebida, ele o fazia. Isso tinha por fim demonstrar que nenhuma traição ocorrera e que, portanto, não havia perigo de envenenamento. Jerusalém habitava apenas um remanescente do povo em Judá e esses poucos judeus passavam por grandes aflições e lutavam para sobreviver. Sem muros, o povo estava sem proteção e Neemias é o homem usado por Deus tanto para reconstruir os muros, quanto para reconstruir a identidade espiritual do povo (Neemias 1:1-3). Acredita-se que Neemias tenha nascido durante o cativeiro e, mesmo crescendo num ambiente pagão, dominado pela idolatria, ele se manteve separado da maldade que o rodeava. O remanescente de judeu já havia passado quase um século em sua terra e Neemias poderia ter se juntado a eles, mas escolheu permanecer no palácio. Na verdade, Deus tinha uma missão para ele que não poderia ser cumprida em nenhum outro lugar. Deus colocou Neemias em Susã da mesma forma que colocou José no Egito e Daniel na Babilônia. Quando Deus deseja realizar uma obra, sempre prepara Seus servos e os coloca no lugar certo, na hora certa.

Ao ouvir sobre a miséria na qual seu povo se encontrava, Neemias se assentou e chorou (Neemias 1:4). Aquela notícia sensibilizou sua alma e logo resolveu jejuar e orar, durante quatro meses, até que Deus não somente mudasse o quadro daquela situação, mas preparasse tudo para que ele mesmo fosse enviado a realizar aquela obra. As lágrimas de Neemias rolaram não somente pelas ruínas que a cidade sagrada se encontrava, mas porque o Deus de seus pais estava sendo escarnecido pelos inimigos. Neemias se preocupava tanto com o povo, quanto com a glória de seu Deus. Neemias tinha afinidade com os dois tronos (o do céu e o da terra), e buscou em ambos os recursos para resolver os problemas do povo (Neemias 1:4; 2:1-9). A primeira reação de Neemias ao ouvir as notícias do povo que havia sobrado em Jerusalém foi assentar-se e chorar (Neemias 1:3-4ª). O choro coloca para fora a dor interna do coração, os sentimentos de tristeza e angústia e é uma reação natural do corpo para livrar-se de uma grande carga emocional. É terapêutico, alivia as tensões internas da pessoa e serve para acalmar a alma. Contudo, logo após a reação natural, Neemias mostra uma atitude nova: ele jejua e ora perante o Senhor (Neemias 1:4b).

Neemias desfrutava de uma boa posição no palácio ao lado do rei, mas, seus sentimentos pelas coisas divinas o levaram a abandonar sua zona de conforto e seus privilégios para enfrentar os problemas de sua nação (Neemias 2:1-3). Neemias tinha um coração sensível às necessidades do seu povo. A nobreza do palácio e o luxo que desfrutava não roubaram sua comunhão com Deus. Ele era um servo piedoso que se importava com aqueles que viviam na miséria. Ele tinha consciência de que o pecado e o afastamento da lei haviam derrotado seu povo e se colocou na brecha, assumindo que também era culpado (Neemias 1:4-7). Neemias nos ensina que não existem problemas insolúveis quando homens comprometidos se levantaram na força de Deus para agir.A eficácia de Neemias está totalmente alicerçada em sua forma de orar e consagrar-se a Deus. Os homens mais eficazes na obra de Deus são aqueles que têm o coração quebrantado e desfrutam da intimidade de Deus através do jejum e da oração.


Reformando a Muralha

Assim que conseguiu a autorização e recebeu recursos para a reforma dos muros de Jerusalém, Neemias reuniu um grupo de israelitas que escoltados por um contingente de soldados persas, chegaram em segurança na capital de Judá. Durante toda a viagem, Neemias manteve sigilo sobre o verdadeiro propósito de sua empreitada, e assim evitou que os inimigos premeditassem qualquer plano de contenção.  Ao chegar na cidade, seu primeiro desafio foi fazer uma meticulosa avaliação das condições da muralha, onde pode constatar a situação precária das paredes. Em seguida, reuniu os moradores de Jerusalém e lhes contou como Deus tinha providenciado os meios para a realização da reforma, o que muito alegrou toda aquela gente, que imediatamente se esforçaram ao trabalho dizendo: - Levantamo-nos e edifiquemos! Ao perceber a mobilização dos judeus neste propósito, Sambalate ( governador da Samaria), seu servo amonita chamado Tobias, e o arábio Gesén, se puseram a tripudiar dos construtores, e insinuar que um povo fragilizado estava tentando se rebelar contra os persas. Neemias, porém, os confrontou dizendo que Deus faria os judeus prosperarem, e que os trabalhadores tinham como objetivo a edificação. Ressaltou também, que nenhum daqueles três homens teriam parte na justiça e nem na memória de Jerusalém. Então, o povo iniciou os trabalhos, sendo que cada família edificava os trechos do muro mais próximo de suas casas. Com o avanço das obras, se acendeu a ira de Sambalate. Indignado com o sucesso dos judeus, ele passou a ridicularizar a construção, dizendo que a matéria prima utilizada era pó e pedra queimada. Tobias por sua vez, afirmava que todo trabalho dos judeus seria inútil, pois até uma raposa derrubaria o muro. Neemias ouvia as afrontas, mas não deixava se abater. Apenas orava pedindo que o Senhor tomasse para si as afrontas deferidas contra Israel.

Os reparos nos muros avançavam cada dia. Quando metade da reforma estava concluída, os inimigos de Israel compactuaram para realizar um ataque maciço contra a construção, aproveitando que os edificadores aparentavam sinais de cansaço e desgastes. Ao tomar conhecimento desta nova ameaça, Neemias desenvolveu um sistema de rodízios onde os homens se revezavam entre construir e montar guarda. O problema se agravou quando os inimigos passaram a ameaçar as vilas adjacentes aos muros, que clamaram a Neemias por proteção. A mão de obra que já era escassa, ficou ainda mais comprometida com esta nova tarefa, e os construtores começaram a achar que aquela obra era grande e perigosa demais para prosseguir. Neemias iniciou um período de oração, onde não apenas se fortaleceu espiritualmente, como também influenciou o povo a renovar seu ânimo. Para surpresa de todos, homens cansados e enfraquecidos se renovaram em forças, determinados a construir e lutar com a mesma intensidade. Em uma mão, seguravam ferramentas, e na outra empunhavam espadas (Neemias 4:17).

Com a proximidade do fim dos trabalhos, Neemias se viu envolvido em conflitos dentro da própria muralha. Os habitantes de Jerusalém que eram mais abastados, fizeram empréstimos aos menos favorecidos para compra de alimento e quitação tributária. Agora, exigiam a execução das hipotecas. Os tecóides, famílias nobres que habitavam ao sul de Jerusalém, se negavam a ajudar na reforma, e não havia quem trabalhasse naquele trecho da muralha. Estas questões internas entristeceram profundamente Neemias, porém, mais uma vez ele se fortaleceu em oração, e resolveu a questão conclamando o povo para estender a mão em favor do próximo. A última etapa da construção era o assentamento dos portões, e buscando atrasar a obra, Sambalate convida os judeus para uma “Conferência de Paz”. Ciente da maliciosidade deste convite, Neemias retribui com uma das mais antológicas respostas bíblicas: - Estou fazendo uma grande obra e não parar (Neemias 6:3). Humilhados, os inimigos mais uma vez lançam mão de calúnias e passam a difamar Neemias dizendo que seu trabalho era fruto de interesses pessoais, pois pretendia se rebelar contra a Pérsia e se auto proclamar rei de Israel. Numa tentativa desesperada de impedir o termino da reforma, os conspiradores tramaram assassinar Neemias, mas antes era preciso desmoralizá-lo. Assim, um mensageiro procurou Neemias e o informou que certo profeta tinha uma mensagem de Deus para ele. O encontro devera ser realizado dentro do templo, no santíssimo lugar. Consciente que sua entrada não era permitida naquela sala, Neemias logo percebeu a armadilha contra ele, e mais uma vez clamou ao Senhor para que fortalecesse a sua mão (Neemias 6:9). Num tempo recorde de apenas 52 dias, os reparos nos muros foram concluídos, e Jerusalém voltou a ser uma cidade fortificada, que os inimigos só poderiam observar de fora (Neemias 6:16).


Enfrentando oposições

Os desafios que Neemias enfrentaria não eram poucos, porque, além de motivar o povo a reiniciar uma obra que há cem anos estava parada, ainda deveria enfrentar os desmotivadores que, unidos, tramavam para impedir o sucesso da obra (Neemias 2:10; 4:1-8). Ao chegar a Jerusalém, Neemias encontrou pessoas derrotadas e apáticas, que viviam em meio aos escombros (Neemias 1:3). Em questão de dias, Neemias conseguiu o apoio de toda a cidade, formou equipes e mobilizou o povo a reconstruir em cinquenta e dois dias uma obra que em quase cem anos ninguém havia conseguido. E como fez isso? Todos sabiam que havia chegado com cartas de autorização do rei e com escolta militar. Mas ele não disse nada, criando no povo expectativas e curiosidades (Neemias 2:12-16). Ao terceiro dia, todos estavam interessados em escutar o que tinha a dizer. Assim, ele começou a restaurar a autoestima do povo e depois conduziu o povo a preocupar-se com a glória de Deus (Neemias 2:17-18). Durante noventa anos, a construção não teve sucesso, o povo havia perdido a confiança e havia chegado a uma conclusão: “Não podemos”. A vida cristã é uma guerra contínua e sempre vamos encontrar oposições quando nos erguemos para fazer a obra de Deus. Neemias não se apresentou ao povo com uma mensagem negativa, nem culpou ninguém pelo fracasso (Neemias 2:17). Ele se identificou com a frustração e animou o povo a fazer uma sincera avaliação do problema. Ele simplesmente disse: “Sou um de vocês e esse problema é nosso”.

Sambalate, Tobias e Gesém foram três instrumentos usados por Satanás para desestabilizar Neemias e impedir que a obra se realizasse. Os artifícios usados foram: a zombaria, a calúnia e o desprezo (Neemias 4:1-16). Por fim, vendo que a obra avançava, tentaram ceifar a vida de Neemias em uma emboscada (Neemias 6:1-15). O que mais nos deixa intrigado é a reação de Neemias. Ele orava e não discutia. Ele trabalhava e ignorava a oposição. Neemias sabia que era inútil discutir porque sabia que a ideia da reconstrução vinha da parte de Deus. Antes de Neemias chegar a Jerusalém, já havia oposição contra o seu trabalho (Neemias 2:10). Se nossos planos vêm de Deus, Ele pelejará em nosso favor. Sempre haverá pessoas em desacordo com a visão que Deus está nos dando, que irão se opor e criticar o que fazemos. Quando alguém ridiculariza nossos projetos é porque tem medo do nosso triunfo.

Sem dúvida, a nossa natureza humana sente um desejo natural de responder com agressão aos ataques inimigos que julgam, intimidam, denigrem e prejudicam a realização de nossos projetos. Porém, sabemos que essa não é a atitude correta. Então, o que podemos fazer? Como devemos nos postar diante de tais circunstâncias? Em vez de se deixar enredar em uma competição de insultos, Neemias foi buscar apoio em Deus (Salmo 44:5-6 / Neemias 4:4-5).  E normal que sintamos o desejo de atropelar nossos inimigos com palavras e atitudes. No entanto, o ensinamento de Neemias nos leva a colocar diante de Deus a situação e, logo em seguida, tomar medidas preventivas para que as ameaças de nossos adversários não prosperem. Neemias ignorou as ridículas ofensas de seus adversários e seguiu adiante com seu objetivo. Essa é a melhor resposta que damos aos nossos inimigos, nós os ignoramos (Provérbios 26:4). A resposta de Neemias foi observada e seguida pelo povo. Eles viram que ele estava atuando e orando e fizeram o mesmo.


Uma obra que não pode parar

Assim que o trabalho nos muros foi concluído, Esdras convocou todo o povo de Jerusalém para uma celebração ao Senhor. Ainda pela manhã, todos os moradores da cidade de dirigiram para a Porta das Águas numa verdadeira campanha evangelística ao livre. Os judeus entoavam com alegria os cânticos que estiveram silenciados durante os anos de exílio, abrindo seu coração para o que viria a seguir. Escriba de grande versatilidade, historiador respeitado e exímio orador, Esdras abriu o Livro da Lei, explicando passo a passo os principais mandamentos do Senhor. Aquele foi um dia de grande quebrantamento, pois o povo enfrentou face a face seus próprios pecados, e entenderam o quão distante estavam dos desígnios de Deus. Diante de tamanho pesar espiritual, Esdras animou o povo a não se entristecer, dizendo: - “A alegria do Senhor é nossa força” (Neemias 8:6). A proximidade de Deus não revela nossa santidade, mas sim, deixa explícito nosso pecado. A perfeição divina acentua nossas imperfeições, e a inefabilidade do Altíssimo evidencia nossas falhas. Porém, é exatamente quando se encontra nesta condição que o homem está apto a ser agraciado pela misericórdia e pela graça. Somente quanto reconhecemos nosso pecado, damos o primeiro passo em direção ao arrependimento, que por sua vez atrai o perdão.

Um segundo ajuntamento reuniu todo o povo. Desta vez, além dos louvores e do ensinamento da palavra, a nação uniu sua voz em oração, confessando a Deus seus pecados e pedindo a misericórdia do Senhor. Com a alma lavada e o espírito renovado, Neemias consagrou ao Senhor os muros de Jerusalém. Os levitas se dividiram em corais, e do alto da muralha, cantaram ao Senhor, trazendo grande comoção ao povo de Judá. Neemias se tornou o governador, liderando aquela gente com zelo e equidade, até que onze anos depois foi intimado a retornar para a Pérsia. Durante sua ausência, mais uma vez a nação cometeu erros terríveis, como por exemplo, permitir que Tobias passasse a morar em um dos aposentos do templo, sendo sustentado com o dinheiro da Casa de Deus. Desmotivados, os judeus deixaram de levar seus dízimos no templo, e com isso, os levitas tiveram que abandonar suas funções eclesiásticas e trabalhar nos campos para não passarem fome. Ao contrário do que ordenava a lei, o sábado passou a ser considerado como um dia comum, e as consagrações sabatinas deixaram de ser praticadas. Por fim, muitos judeus tomaram para si mulheres pagãs e um novo ciclo de miscigenação espiritual se iniciou.

Quando Neemias regressa para Jerusalém, mal consegue acreditar no que seus olhos veem. O exímio construtor de muralhas, precisa agora derrubar os muros da apostasia que cercavam os corações de seus irmãos. Imediatamente, Neemias expulsa Tobias do templo, lançando fora sua mobília. Ele então, restabelece o dízimo, trazendo de volta os sacerdotes e os levitas para cuidarem da Casa de Deus. Contrariando os interesses de gente muito poderosa, Neemias decretou que as portas da cidade fossem fechadas aos sábados, pois neste dia, ninguém deveria entrar ou sair, mas apenas dedicar-se ao Senhor. Neemias também baniu do sacerdócio um homem chamado Joiada, que tomara para si uma mulher pagã, e discursou sobre os perigos inerentes a esta pratica, que colocava em risco a espiritualidade da nação e a própria identidade do povo santo de Deus. Com isso, Neemias nos ensina que um trabalho bem feito não traz garantias para a posteridade. É preciso ser perseverante e consistente, não desanimando as mãos e se empenhando vigorosamente no trabalho do Senhor. Quando derrubamos pilares de pecaminosidade, também estamos edificando para Deus.


A poderosa mão de Deus em ação

Neemias era um homem simples, mas que nada fazia sem antes consultar a Deus. Sua sinceridade diante do rei e do povo lhe deu credibilidade tanto para reconstruir os muros quanto para trazer de volta a vida espiritual do povo. Neemias confortou o povo com o anúncio de que Deus o havia enviado e prosperado seu caminho. Ele confirmou com o seu testemunho e com a ajuda ilimitada que o rei lhe concedeu (Neemias 2:8). E como prosperou? Ele foi sincero com o rei: “Minha cidade está em ruínas”, Neemias não inventou uma história para o rei lhe conceder o que necessitava. Ele orou até que Deus movesse o coração do monarca e inclinasse para ajuda-lo (Provérbios 21:1). Ao explicar com claridade todos os detalhes e os custos da construção, Deus interviu no projeto e lhe favoreceu (Provérbios 16:1-3;  22.11). Os três fatores que conduziram Neemias ao sucesso: a mão de Deus, sua sinceridade e sua disposição. Caminhar com a presença de Deus é o segredo de uma vida bem sucedida (Êxodo 33:15).

As pessoas respondem de maneira positiva aos testemunhos da obra de Deus em nossas vidas. Neemias falou da benção de Deus, da visão e da confirmação por meio das circunstâncias. O povo creu, sua fé foi desafiada pelo que havia ouvido e, a partir desse momento, o sonho passou a pertencer a todo o povo. Eles podiam ver o Espírito de Deus na vida de Neemias e estavam prontos a segui-lo (Neemias 4:6). Neemias nos ensina que bons líderes devem expor com exatidão o que necessitam que as pessoas façam; que devemos animá-las e assegurá-las que com a ajuda de Deus tudo é possível alcançar (Neemias 6:15- 16 /  Marcos 9:23 / Lucas 18:27).  Conjecture como se Neemias dissesse com todo o realismo: “Necessito de ajuda, não posso fazer isso sozinho”, e em seu otimismo também lhes dissesse: “Sei que podemos fazê-lo”.

Quando se necessitou de um líder, ele disse: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8). Ele não era construtor, mas abandonou tudo e foi construir. Não possuía habilidades necessárias para o trabalho, mas tinha um coração disposto. Deus o escolheu porque era sensível, de confiança e havia se colocado à disposição. Essas qualidades são uma questão de decisão. Talvez não tenhamos dons, talentos ou intelecto necessário, mas esses não são os requisitos que Deus está à procura. Ele busca pessoas que possam crer em si mesmas; pessoas sensíveis ás necessidades do povo; pessoas de caráter e dignas de confiança, nas quais Ele possa se apoiar. Quando Neemias se tornou governador, passou a ter uma grande quantidade de direitos. Ele havia se convertido no homem mais importante daquelas terras. A única pessoa a quem devia explicações era ao rei, o qual estava a mil e trezentos quilômetros de distância. Não obstante, ele não abusou de seu poder. Neemias tinha o valor necessário para resistir às tentações porque era temente e reverenciava ao Senhor. Neemias amava o povo e disciplinou a própria vida para mirar somente as recompensas da eternidade (Neemias 5:1-19).

Conclusão

Enquanto muitos se conformam com a situação atual, outros não querem assumir riscos; enquanto uns se limitam, outros não acreditam na esperança de algo novo. Neemias alcançou sucesso onde todos fracassaram. Ele não era somente um grande líder, mas alguém que compreendia os princípios da motivação.



Participe da EBD deste domingo, 27/12/2015, e descubra você também os segredos para uma vida de fé e atitudes

Material Didático:
Revista Jovens e Adultos nº 97 - Editora Betel
Comentarista: Pr. José Fernandes Correia Noleto
Maturidade Espiritual 
Lição 13

Comentários Adicionais (em azul):
Pb. Miquéias Daniel Gomes




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