domingo, 25 de dezembro de 2016

Convite de Natal



Jesus nasceu. Tudo se fez novo. A história foi dividida em antes e depois. Milhares de pessoas ao redor do mundo se ajuntam para celebrar seu nascimento. A simples lembrança de sua chegada ao mundo é capaz de sensibilizar até a mais frio dos corações.

Então, nada mais justo, que aproveitarmos a propicia época, para não apenas festejar o nascimento do Messias, mas sim anuncia-lo a um mundo de valores diatópicos, que pouco a pouco se esquece que o Menino do Natal é infinitamente maior que o Natal do menino.

Uma das grandes lições do nascimento de Jesus é que devemos nadar contra a correnteza do mundo, estar do lado aposto ao que é convencional, quebrar paradigmas, estabelecer novos e melhorados princípios.

Os judeus esperavam um rei, impetuoso e conquistador, imerso em pompas e tesouros. Jesus nasceu pobre, numa estrabaria de Belém, e cresceu carpinteiro, cercado de simplicidade e pureza.

Os judeus esperavam um líder político e revolucionário, que os libertaria do julgo romano. Jesus veio servo e trabalhador, pregando uma mensagem de amor e obediência, capaz de libertar almas das algemas do pecado.

Jesus ensinou que ser é melhor que ter; que intenções são tão perigosas quanto as ações, que salvar uma alma vale mais que perder o mundo inteiro, que é preciso perdoar o imperdoável e amar verdadeiramente até mesmo os nossos inimigos. O Evangelho puro e genuíno não é aquele que prega revanchismo, barganhas e vitória a qualquer custo, tão comum nos altares modernos; mas sim a mensagem de entrega, voluntariedade e sacrifício pregada por Jesus, onde o amor e a fidelidade não são moeda de troca e milagres não são conseguidos através de “vale-compra” espiritual.

A memória daquela noite em Belém é um convite para se voltar a prática do primeiro amor, um retorno ao Evangelho simples e puro que revela Jesus... Um Jesus que cura, que liberta, que perdoa pecados, que ama sem esperar nada em troca, que sendo inocente morre pelos pecadores; mas que ressuscita em glória ascende ao céu recebendo do próprio Deus todo o poder no céu e na terra. Mesmo assim, continua tendo em seu peito, um coração pulsante que esteve em seu corpo terreno, que sente o que sentimos e que se importa com o que importamos.

Jesus nasceu... A festa é válida.... A celebração é genuína... Mas tudo só fará sentido, quando de fato entendermos a mensagem da manjedoura, e compreender que Jesus precisa renascer todos os dias em nosso coração. Somente assim viveremos o Evangelho verdadeiro, que traz sim uma série de bênçãos espirituais e materiais sobre os fiéis, mas cujo foco é Jesus, que em sua humildade e através do amor, conquistou milhares e milhares de corações ao longo dos séculos.

Um belíssimo Natal.... Que Jesus renasce todos os dias, e a cada dia renove nossa convicção que o amor demostrado da manjedoura à cruz, é capaz de mudar o mundo!

O menino na palha



Quem dizeis que é o pobre menino,
Aquele sem lar deitado na palha,
Que dorme sem luxo em repouso tranquilo
Cujo sono suave o balido embala!

Acreditas que ainda ontem estava ele nos céus?
Cercado de glória em um trono de luz
Mas que agora repousas humilde entre os seus
E recebe um nome humano: Jesus!

Mas há uma estrela que fulge em esplendor
E anjos cantando, anunciam, eu sei.
Que o menino na palha envolto em amor
É Cristo o Senhor, o meu Deus e meu Rei!

O Deus menininho, já está entre nós
É chegada a Justiça, e o Reino afinal,
Cantamos agora em única voz,
Louvemos ao Rei e um Feliz Natal!

Pb. Miquéias Daniel Gomes

sábado, 24 de dezembro de 2016

Paradoxo de Natal



Eu fico pensando na situação do Papai Noel.

Vamos supor que ele existisse de verdade - e não fosse apenas uma lenda criada apenas para aumentar os lucros dos comerciantes através do consumismo.

Quando as pessoas chegam, ele é paparicado, crianças sentam no seu colo numa posição meio incômoda e até, por muitos, suspeita. Ele deve se sentir desajeitado com tanto assédio, fotos e mais fotos...

De repente, ele resolve falar, desabafar ao ver o "menino Jesus" esquecido em um canto, então se levanta, pega um microfone e começa a falar diante de pessoas que pouco entendem o seu desabafo.

Ele olha para o "menino", pede desculpas a ele, olha o povo e indica quem deve ser paparicado, adorado, amado e homenageado.

Para esse Papai Noel eu tiraria o meu chapéu.


Cícero Alvernaz

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Biografia - Corrie ten Boom



Corrie ten Boom nasceu em 1982 no seio de uma família holandesa profundamente cristã. O avô de Corrie, Willem, era ancião da Igreja Reformada e foi um dos fundadores da Sociedade Pró Israel, junto a Isaque Da Costa. Relojoeiro de profissão estabeleceu uma oficina familiar em 1837, na parte inferior do edifício localizado no número 19 da Barteljorisstraat, no Haarlem. Nos pisos superiores instalou a família. O negócio foi herdado em seguida por Casper, filho de Willem, e finalmente por Corrie, quem se converteu em 1924 na primeira mulher holandesa com licença de relojoeiro.

Tendo apenas 5 anos de idade, Corrie pediu ao Senhor Jesus que entrasse em seu coração. Mais tarde, com 30 anos de idade a sua fé começou a dar fruto, quando Corrie começou a ministrar classes bíblicas em escolas públicas, em escolas dominicais, em grupos de meninos mentalmente impedidos, e organizou e dirigiu uma rede de clubes, em primeiro lugar para meninas, e em seguida para meninas e meninos, sob o patrocínio da União des Amies da Jeune Fille. Os clubes de meninas se converteram em clubes de girl guides, com Corrie como uma das líderes do movimento na Holanda. Mais tarde, quando sentiu que os clubes estavam perdendo a sua ênfase cristã, formou ‘De Nederlandse Meisjesclub’ (Clube Holandês de Meninas), e continuou como cabeça deste até a ocupação nazista, quando os alemães proibiram reuniões de grupo.

Quando veio a Segunda Guerra Mundial, a família ten Boom estava composta pelo pai (Casper) – sua esposa, Cornelia (Cor) Luitingh, havia falecido em 1921–, seus quatro filhos, já maiores, Elizabeth (Betsie), Willem, Arnolda Johanna (Nollie), e Cornelia (Corrie). Willem se formou na escola de teologia e foi ordenado pastor em 1916, e Nollie era professora, estava casada e tinha seis filhos. Betsie e Corrie tinham permanecido solteiras. A família “Tem Boom” fazia parte da Igreja Reformada, de tradição calvinista, e era costume em casa começar e acabar o dia com uma leitura bíblica, cantos e orações. Em 1940, quando os nazistas invadiram a Holanda, rapidamente foram organizados comitês de resistência, alguns nas próprias igrejas. 

Na Alemanha a propaganda anti-semita usou textos antigos de Lutero, muito violentos contra os judeus. Isso fez que muitos luteranos seguissem as teses de Hitler, pensando que era por fidelidade a Lutero, fundador da Igreja nacional Alemã. Ao contrário disso, a tradição calvinista sempre reconheceu o peso do Antigo Testamento, como o que conduz ao Novo, que por sua vez, é reflexo e cumprimento daquele. Por ser também uma fé muitas vezes perseguida, sentiu-se muito identificada com o povo judeu durante a segunda guerra mundial, e tentou salvar o maior número possível de judeus. 

A Holanda tinha desde muitos séculos uma tradição religiosa liberal, e eram autorizados cultos não protestantes: católico, judeu, etc. Muitos judeus da Espanha e Portugal encontraram ali uma terra acolhedora, assim como a muitos judeus perseguidos na Alemanha. Por exemplo, a família de Anne Frank. Corrie ten Boom e a sua família entraram naturalmente, por sua fé e seu compromisso com o povo de Deus, nesse movimento clandestino de solidariedade e resistência ao invasor e as leis racistas que se impuseram à população judia da Holanda. De fato, cem anos antes, o avô de Corrie tinha estabelecido uma reunião de oração a favor dos judeus. A chegada dos nazistas a Holanda trouxe consigo mudanças radicais nas aprazíveis formas de vida dos holandeses. Quando ocuparam Haarlem aplicaram estritas normas de controle da população. Aos cidadãos não lhes era permitido abandonar os seus lares depois do toque de recolher, às 6 da tarde. O hino nacional holandês, «Wilhemus», foi proibido. A Gestapo recrutava a todos os homens entre 17 e 30 anos para trabalhar em fábricas ou no exército.

Em maio de 1942, uma mulher judia, elegantemente vestida e com uma mala na mão, bateu na porta dos ten Boom. Muito nervosa, explicou à família que o seu marido tinha sido detido vários meses antes e que o seu filho tinha conseguido fugir. Os nazistas a buscavam, por isso ela tinha muito medo de retornar para a sua casa. Sabia que os ten Boom tinham ajudado a outra família judia, os Weils, e perguntava se poderia permanecer com eles um tempo. Casper acolheu a esta mulher, e não só isso, continuou oferecendo o seu lar a outros como um lugar seguro, até que os refugiados pudessem sair do país. Estas pessoas podiam permanecer uns dias ou, inclusive, meses na casa dos ten Boom. Mas era necessário construir um esconderijo que pudessem se esconder no caso dos nazistas vigiarem o bairro.

Em uma reunião clandestina de obreiros, Corrie conheceu um arquiteto idoso, de apelido Smit, que se ofereceu para construir-lhe um quarto secreto. Como se tratava de uma casa antiga, havia todo tipo de cantos inesperados e espaços nela. Foi assim que foi criada na casa dos ten Boom um esconderijo impossível de detectar, localizado na parte alta da casa, para dar assim tempo para os moradores no caso de uma blitz. No dormitório de Corrie foi levantada uma parede falsa de tijolos que ocultava uma pequena habitação de 2 metros de comprimento por 0,70 de largura, onde cabiam seis pessoas, duas sentadas e quatro de pé. Este espaço podia ser acessado através de um estreito corredor feito na parte inferior de um armário, levantando um falso painel. Colocava-se uma cesta com roupa de cama para encher esse lugar e se fechava a porta do armário. Do exterior, era quase impossível descobrir o acesso à habitação secreta.

A família obteve, depois de numerosas práticas, que as pessoas que estivessem escondidas em sua casa fossem introduzidas naquele esconderijo em apenas 70 segundos, a partir do som do alarme (que eram operados de vários interruptores distribuídos por toda a casa). Durante esse tempo, não só tinham que chegar até o refúgio, mas também deveriam ocultar qualquer objeto que os delatassem, por exemplo, colchões, travesseiros e mantas se fosse de noite, ou copos, pratos e outros utensílios, se estivessem comendo. As pessoas que viviam na clandestinidade com os ten Boom compartilhavam com os membros da família as diferentes tarefas do lar. Todos tentavam colaborar e apoiar-se naquela situação tão difícil. A obtenção de mantimentos era outro grande problema que os ten Boom tinham que solucionar. Os holandeses não-judeus tinham recebido um cartão de racionamento para comprar mantimentos. Estes mantimentos eram escassos, de modo que era necessário conseguir mais cartões de racionamento.

Corrie conhecia muito bem a muitas famílias do Haarlem. Recordou que um casal tinha uma filha com incapacidade que ela tinha ajudado. O pai, Fred Koornstra, era um funcionário que estava a cargo do escritório dos cartões de racionamento. Uma noite, Corrie se apresentou na casa dele sem prévio aviso. Ele parecia saber qual era o motivo. Quando lhe perguntou quantos cartões necessitava, Corrie, que tinha ido por cinco, surpreendentemente, atreveu-se a lhe pedir cem. A idéia dos ten Boom foi prontamente imitada por outras famílias piedosas, que dispuseram as suas casas para albergar e proteger a judeus e perseguidos. Assim, pouco a pouco, Corrie se encontrou à frente de uma rede formada por umas oitenta pessoas, o grupo (Beje) (esse era o nome comercial da relojoaria). A maior parte do seu tempo, ela investia em cuidar dos refugiados, uma vez que lhes dava albergue. Estima-se que desta forma salvou a vida de 800 judeus, além de numerosos integrantes da resistência holandesa e estudantes que eram perseguidos porque recusavam colaborar com os nazistas.

A Gestapo (polícia segreda nazista), com a ajuda de um delator, deteve seis membros da família em 28 de fevereiro de 1944. Um indivíduo bateu na porta dos ten Boom pedindo ajuda. Tinham detido a sua mulher por ocultar a judeus e necessitava de dinheiro para subornar a polícia e obter a sua libertação. Corrie e Betsie não o tinham visto nenhuma vez e pressentiam que aquele indivíduo não era sincero, mas e se fosse verdade o que dizia? Depois de um momento de dúvida, decidiram ajudá-lo. Realmente, o homem era um espião e, em poucos minutos, oficiais nazistas invadiram a casa. Sabiam que algo comprometedor encontrariam nela. Mas, além disso, Betsie teve um descuido que confirmou as suspeitas. Os ten Boom colocavam em uma janela um sinal para que as pessoas que precisassem refugiar-se em sua casa soubessem que não havia perigo e que era um bom momento. Se a situação mudasse, o sinal era retirado. Um membro da Gestapo, que vigiava a casa do exterior, viu como Betsie retirou o sinal da janela no momento em que a moradia era invadida. Os alemães, ao descobrir que aquele símbolo era um sinal de aviso, voltaram-no a colocar em seu lugar e detiveram os que foram chegando depois, crendo que a casa era segura. Umas trinta pessoas foram detidas e levadas para a prisão.

No entanto, as pessoas que se encontravam refugiadas no lar dos ten Boom puderam ficar a salvo. Naquele momento se encontravam na casa quatro judeus (dois homens e duas mulheres) e dois trabalhadores do metrô, que conseguiram esconder-se rapidamente na habitação secreta. A senhora mais velha, Mary Italle, tinha asma e teve muitas dificuldades para entrar na habitação secreta. Corrie a ajudou e fechou o armário só uns segundos antes que um policial nazista aparecesse em sua casa. Os refugiados permaneceram neste pequeno espaço dois dias e meio, sem comer nem beber. Posteriormente, os quatro judeus foram levados para outro refúgio e três deles sobreviveram à guerra. Com respeito aos dois membros da resistência, um morreu pouco depois e o outro conseguiu sobreviver. Corrie e Betsie foram interrogadas por membros da Gestapo, que lhes perguntaram uma e outra vez onde escondiam aos judeus. Mesmo brutalmente açoitadas, as duas mulheres se negaram a falar. A Gestapo inspecionou a casa minuciosamente, mas não encontrou a habitação secreta. Os alemães localizaram um lugar na escada onde se escondiam os cartões de racionamento e os passaportes falsos.

A família ten Boom foi imediatamente detida, quer dizer, Corrie, seu pai Casper, seus irmãos Willem, Nollie e Betsie e seu sobrinho Peter van Woerden, filho de Nollie. Um oficial teve piedade de Casper, que tinha 84 anos, e ofereceu deixá-lo livre se lhe assegurasse que não ia causar mais problemas no futuro. Casper respondeu que não podia prometer-lhe de modo que também o levaram. Já na prisão, quando Casper foi informado que podia ser condenado à morte por salvar judeus, declarou: «Seria uma honra dar minha vida pelo povo eleito de Deus». E de certa forma assim foi, já que morreu dez dias depois de ser detido. 

Por ajudar aos judeus a família ten Boom foi enviada a diferentes prisões e campos de concentração. A polícia nazista subiu todos os detidos em caminhonetes e os levou à prisão da cidade, um antigo ginásio. Depois foram enviados para a prisão de Scheveningen. Corrie e Betsie foram separadas de seu pai e não tornaram a vê-lo nunca mais. Corrie tinha a gripe, por isso foi posta em regime de isolamento. Na prisão, Corrie chegou a inteirar-se de que seu pai havia falecido. Também seu irmão Willem, e o filho dele, Christian, de 24 anos, e outros membros da sua família morreram como conseqüência de seu encarceramento, mas destas tristes notícias foi inteirada muito depois. Durante os quatro meses que Corrie esteve sozinha em sua cela, passou muito tempo lendo os Evangelhos. A vida e sofrimentos de Jesus se tornaram mais reais do que nunca. Inclusive começou a ver que todo o seu sofrimento podia ter um propósito. A morte de Jesus havia trazido perdão à humanidade. Da mesma maneira, ela sentia que Deus pode tirar algo bom dos problemas pelos que passamos. Este pensamento lhe deu coragem e fortaleza renovada.

Quando se restabeleceu da sua enfermidade, Corrie assistiu a sua primeira audiência. O oficial Rhams chegou a apreciar a esta valorosa mulher e a ter certa cumplicidade com ela. Gostava de ouvir detalhes de sua vida familiar e, conforme afirmou a própria Corrie, as conversações que os dois mantiveram trouxeram um pouco de felicidade naquela etapa tão dura da sua vida. Mas esta sorte durou pouco tempo. Corrie, Betsie e outras reclusas foram deslocadas para Vught, um campo de concentração na Holanda. As condições eram terríveis, muito mais severas que na de Scheveningen. Se alguma norma fosse infringida, todo o acampamento era castigado. Às vezes, os prisioneiros eram enviados para um armário onde permaneciam presos com as mãos amarradas por cima das suas cabeças.Durante o dia tinham que trabalhar. Corrie foi posta em uma seção da fábrica Philips, que fazia rádios para os aviões alemães. Ela tomou cuidado para cometer vários enganos!

Depois de uns meses em Vught, que pareceram uma eternidade, Betsie, Corrie e outros prisioneiros foram deslocados, de novo, para outro acampamento. Desta vez, para a terra mais temida: a Alemanha. Depois de quatro longos dias de viagem, os prisioneiros chegaram a Ravensbrück, próximo a Berlim, o lugar mais horrível em que Betsie e Corrie tinham estado. Ao menos em Vught e Scheveningen, os presos eram chamados por seus nomes, mas em Ravensbrück só eram um número. As condições de vida neste campo de concentração eram desumanas. Provavelmente mais de 90.000 mulheres e crianças morreram em Ravensbrück. Os primeiros dois dias tiveram que dormir à intempérie. Com a chuva, a terra se tornou em um mar de barro. Então foram apertadas em uma barraca. Tinha sido construída para alojar 400 pessoas, mas agora havia ali 1400 prisioneiros. Tinham que dormir em colchões de palha cheios de pulgas. Os guardas não gostavam nem sequer de entrar ali devido às pulgas.

A primeira chamada era às quatro da manhã. Havia 35.000 mulheres no acampamento, e se alguma faltasse, eram contadas uma e outra vez. Assim, frequentemente isto durava horas. Se as prisioneiras não ficassem de pé, eram chicoteadas. O trabalho era extremamente duro. Corrie e Betsie tinham que carregar pesadas folhas de aço em carretas, empurrá-las a certa distância e em seguida descarregá-las. Todo o tempo os guardas as incitavam a trabalhar mais rapidamente. No almoço, lhes dava só uma batata e um pouco de sopa, e pela tarde um pouco de sopa de nabo com um pedaço de pão preto. Os prisioneiros que não faziam o trabalho mais ligeiro não recebiam almoço. Se as prisioneiras adoeciam, os guardas não se incomodavam a menos que a sua temperatura fosse de mais de 40C, o que significava que estavam gravemente doentes. Então tinham que fazer uma longa fila para o hospital do campo. Mas nada se fazia por elas quando chegavam ali. Se o hospital estivesse cheio, os prisioneiros mais fracos eram postos em caminhões e levados para as câmaras de gás. Em seguida os seus corpos eram queimados. A chaminé alta sobre os fornos no centro do campo sempre estavam lançando fumaça cinza.

Este era o inferno na terra, o que Corrie e Betsie tinham vindo. No entanto, quando chegaram a Ravensbruck, Deus lhes mostrou que Ele ainda podia lhes ajudar, até em um lugar tão terrível como este.Quando foram deixadas na barraca, as condições do lugar tornaram as mulheres dali enfadadas e egoístas. Havia discórdias e brigas. Todas sofriam tanto que gastavam toda a sua energia em cuidar-se. Quando Betsie notou isto, começou a orar para que Deus pusesse paz nesse ambiente. Muito em breve a atmosfera mudou. As mulheres se tornaram um pouco mais pacientes umas com as outras. Inclusive começaram a fazer piadas sobre os seus problemas. De noite, depois do duro dia de trabalho e de um jantar miserável, Corrie e Betsie tiravam a pequena Bíblia holandesa. No princípio um grupo pequeno se reunia ao seu redor para escutar, e logo cada vez mais mulheres se uniram. Os guardas nunca entraram para detê-las, devido às pulgas. De maneira que Corrie e Betsie agradeciam a Deus pelas pulgas!

As mulheres vinham de muitos países, inclusive da Polônia, França, Alemanha e Rússia. Corrie traduzia a Bíblia do holandês para o alemão, alguém mais traduzia do alemão para o polonês, e assim sucessivamente. Debaixo daquelas terríveis condições, a bondade nas palavras da Bíblia resplandecia e a sua mensagem do amor de Deus trazia consolo. Com a morte ao seu redor, a promessa de vida eterna e a glória do céu davam às mulheres esperanças para o futuro.

Uma noite quando descansavam em seus beliches, Betsie sussurrou a Corrie: - Posso ver uma casa, em alguma parte na Holanda. É uma casa bonita com um grande jardim. Há um amplo vestíbulo com uma escada de madeira esculpida. Nós vamos cuidar das pessoas que foram feridas na guerra, até que elas possam viver uma vida normal novamente. Corrie, eu creio que Deus vai nos dar uma casa assim. Outro dia, Betsie lhe disse: - Corrie, quando chegar o ano novo ambas seremos libertadas. Deus me deu uma visão. Devemos ir por todo mundo e dizer a todos que não há cova tão profunda que o amor de Deus não possa alcançar. As suas palavras se tornaram proféticas. No ano seguinte, ambas alcançaram liberdade: Betsie faleceu e Corrie abandonou o campo de concentração.

Com efeito, Betsie, nunca tinha gozado de boa saúde, assim logo caiu doente. Corrie suplicou a um dos trabalhadores da prisão que levassem a sua irmã para o hospital, mas aquele indivíduo se negou a fazê-lo. Finalmente, quando Betsie foi levada para o hospital já era muito tarde. Corrie descobriu, dias depois, na parte traseira do hospital vários cadáveres amontoados, um deles era o de sua irmã.

Só uns poucos dias mais tarde, chamaram a Corrie por seu nome. Ela se surpreendeu porque estava acostumada a ser só a prisioneira 66730. Deveria permanecer no hospital por um tempo e depois ficaria livre. Como conseqüência de um engano administrativo, Corrie conseguiu sobreviver! Existia uma lista com as mulheres, maiores de 50 anos, que deveriam ser exterminadas. Corrie, que já tinha 53, não figurava nessa lista, de modo que não foi conduzida para a câmara de gás, em que morreram uma semana depois as milhares de mulheres que apareciam na lista. Foi posta em liberdade em 25 de dezembro de 1944. Retornou para a Holanda e pôde recuperar-se dos problemas de saúde contraídos na prisão. Esteve um tempo na casa do Willem, em Hilversum, e logo foi para a sua própria casa de Haarlem no último inverno da guerra. Mas não permaneceu inativa; ela começou a contar a pequenos grupos o que tinha visto no cárcere e como Deus tinha respondido à oração.

Em 1945, foi publicado seu livro “Gevangene em toch ... herrinneringen uit Scheveningen, Vught, en Ravensbruck”, sobre suas experiências durante a guerra, pela editora “Ten Have Jaar”, de Amsterdã. Este foi o primeiro de muitos livros sobre o amor de Deus, o seu trabalho no mundo e a sua própria vida de fé. A partir de então, a escritura seria uma parte importante do seu ministério. Aos 53 anos de idade, Corrie começou um ministério mundial para difundir a sua fé e as suas experiências em igrejas, universidades, escolas, cárceres, etc., que a levou a viajar por mais de 60 países nos 33 seguintes anos da sua vida.

A sua pregação se centrou no evangelho de Cristo, pondo especial ênfase no perdão. Em seu livro Tramp for the Lorde (Vagabunda para o Senhor, 1974), conta como, depois de ter estado pregando na Alemanha em 1947, um dos guardas mais cruéis do campo de Ravensbrück se aproximou. Naturalmente, ela resistia a lhe perdoar, mas disse a si mesmo que seria capaz de fazê-lo. Escreveu que foi capaz depois de perdoar, e que «durante um momento longo nos demos às mãos, o antigo guarda e a antiga prisioneira. Nunca havia sentido tão intensamente o amor de Deus como o senti então». Também escreveu (na mesma passagem) que em sua experiência do pós-guerra com outras vítimas da brutalidade nazista, aqueles que foram capazes de perdoar são os que melhor puderam reconstruir as suas vidas.Pouco depois, fundou uma casa de convalescença em Bloemendal, destinada a recuperação e o repouso dos sobreviventes. Sentiu que a sua vida era um presente de Deus e que precisava compartilhar o que ela e sua irmã Betsie tinham aprendido no campo de concentração: - Não há cova tão profunda que o amor de Deus não possa chegar a ele.

Em 1968, o Museu do Holocausto em Jerusalém (Yad Vashem) pediu-lhe que plantasse uma árvore em memória das muitas vidas de judeus que ela e sua família salvaram. Assim o fez e essa árvore ainda cresce ali. No princípio da década de 70, Corrie contou a história de sua família e seu trabalho durante a Segunda guerra mundial em outro livro, O Refúgio Secreto (1971), que foi levado ao cinema em 1975, com o mesmo título, pela World Wide Pictures, o ramo de cinema da Associação Evangelística Billy Graham. O livro e o filme, que chegaram a ser muito populares entre os cristãos nos Estados Unidos, deram contexto à história da Anne Frank, que também se ocultou na Holanda durante a guerra. Posteriormente, foram publicados outros livros deles.

Em 1978 sofreu um acidente cerebrovascular que a deixou paralisada. Morreu na Placentina (Califórnia, EUA), em 15 de abril de 1983, no dia em que fazia 91 anos. É notável que haja partido deste mundo nessa data em particular. Segundo a tradição judaica, só às pessoas muito abençoadas por Deus é concedida o privilégio especial de morrer no mesmo dia do seu aniversário. Pouco antes da sua partida, a World Wide Pictures lançou um filme sobre sua vida, intitulado “Corrie: The Lleve She Has Touched” (Corrie: As vidas que ela tem tocado). Ela própria apareceu no filme.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

EBD - Enfrentando o falso culto



Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 101 - Editora Betel
Louvor e Adoração - Lição 13
Comentarista: Pr. José Elias Croce











Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes

 










Confira nossa biblioteca de estudos na página especial da EBD

Texto Áureo
I Reis 18:24
Então, invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por fogo esse será Deus. E todo o povo respondeu e disse: É boa esta palavra.

Verdade Aplicada
Só podemos combater com eficácia o falso culto através da Palavra de Deus, nossa regra de fé e prática.

Textos de Referência
I Reis 18:20-22; 30

Então, enviou Acabe os mensageiros a todos os filhos de Israel e ajuntou os profetas no monte Carmelo.
Então, Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada.
Então, disse Elias ao povo: Só eu fiquei por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens.
Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e reparou o altar do Senhor, que estava quebrado.

Introdução

Enfrentar o falso culto não é uma tarefa agradável, é, não raro, a antipatia é o menor preço da verdadeira profecia. Foi assim com Elias, que teve um difícil trabalho, sob a ameaça de Jezabel, a defensora do falso culto.


O falso culto em Israel
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Na sua origem e em sua essência, a nação israelita sempre foi monoteísta, sendo projetada, criada, guardada e protegida por aquele que viria a ser conclamado como “O Deus de Israel”, destinando somente ao Senhor seu culto e adoração. Mesmo assim, por inúmeras vezes ao longo de sua história, Israel flertou com culturas estrangeiras, deixando-se influenciar por seus hábitos e até mesmo importando suas práticas religiosas pagãs e seus deturpados modelos de culto. Este costume se deriva do próprio Egito, onde os Israelitas habitaram por mais de quatrocentos anos, e se evidenciou no deserto, mesmo o povo ainda estando sobre a liderança de Moisés (Êxodo 32). Durante a gestão de Josué, a miscigenação com o paganismo se intensificou, tornando-se rotineira no período dos juízes, o que trouxe grandes calamidades para a nação (Josué 24). No início da era dos reis, mesmo com os deslizes morais e espirituais de seus monarcas, a nação não se corrompeu de forma generalizada, mas esta realidade mudou com a morte de Salomão e a ascensão de seu filho ao trono. Devido ao uso abusivo de poder praticado por Roboão, uma verdadeira guerra civil irrompeu em Israel, dividindo o país em dois. Ao norte, a  coalisão de dez tribos nomeou um eframita chamado Jeroboão como rei, e ao sul, Reoboão exerceu seu reinado apenas sobre as tribos de Judá e Benjamim (I Reis 12). Embora seu reino fosse maior, mais populoso e tivesse herdado o nome de Israel, Jeroboão estava inseguro, pois a capital Jerusalém com seu suntuoso Templo, pertenciam agora ao reino do sul, que passou a ser chamado de Judá.

Temendo que seus súditos atravessassem a fronteira para fins religiosos, Jeroboão decide criar uma nova religião. Assim, torna Dã e Betel em cidades de adoração, colocando em cada uma delas, a imagem de um bezerro de ouro. Para conduzir seus novos rituais religiosos, ele abre um verdadeiro concurso público para o serviço sacerdotal, e muda as datas das principais festas judaicas. Começava o declínio espiritual de Israel (I Reis 13).  Uma sucessão de reis corrompidos marca os primórdios do novo reino, sendo que Acabe é apenas o oitavo deles. Filho de Onri, um rei que conseguiu ser mais perverso de todos os anteriores, Acabe demostrou ao longo de seus 21 nos de reinado, muita força política, mas uma moral extremamente fraca. Em seu primeiro confronto com os sírios foi ajudado pelo Senhor, que venceu por Israel a batalha realizada em regiões montanhosas. Convencidos que o “Deus de Israel” era um “Deus de Montanhas”, a Síria levou a guerra para regiões de geografia plana, e mais uma vez, foi milagrosamente derrotada, sendo inclusive neste período cunhada a expressão: Deus dos Montes e dos Vales (I Reis 20).

Portanto, Deus se revela desejoso de participar ativamente do reinado de Acabe, mas ele opta por alicerçar seu reino em alianças escusas, sendo a primeira delas com o próprio Ben Hadade, rei dos sírios. Sua mais errônea aliança, porém é com Etball, rei dos sidônios e alto sacerdote de Baal, pois como parte deste tratado, Acabe se casa com a princesa fenícia Jezabel, uma mulher que traria ruína para toda a nação. Com o casamento pagão de Acabe, a idolatria ganha legalidade no reino do Norte. Jezabel, agora Rainha de Israel, passa a exercer grande influência nas decisões mais relevantes do país, tendo seu marido em total sujeição. Ela usa a fraqueza emocional de Acabe para impor suas vontades, e assim oficializa o culto ao deus Baal no território israelita. Além disto, Jezabel promove uma verdadeira matança, assassinando todos os profetas que se posicionam contra as suas ações.

Apenas um pequeno grupo remanescente é salvo da chacina, mediante a providencial ajuda de um alto funcionário do palácio por nome de Obadias que esconde e alimenta esses homens durante o período de perseguição. Enquanto isso, Acabe se cerca com uma corja de pseudos profetas que falavam apenas o que o rei desejava ouvir, profetizando por pura conveniência. Sem uma liderança compromissada com Deus, toda a nação mergulha numa era de apostasia, imoralidade e escuridão espiritual. A perversidade deste casal foi tamanha, que sua semente do mal floresceu até mesmo no reino do Sul, quando Atalia, em mais um acordo mau fadado, foi concedida em casamento à Jeorão, filho de Josafá. Assim como a mãe, ela sujeitou o seu marido, manipulou situações e após uma série de assassinatos, assumiu definitivamente o trono de Judá e ordenou que a linhagem de Davi fosse exterminada, o que só não ocorreu, graças a uma providencial intervenção divina (II Reis 11).

Com a nação imersa na idolatria e a mercê de falsos profetas; Acabe e Jezabel não enfrentavam resistência ao seu modo nefasto de governar, já que seus potenciais inimigos estavam mortos ou exilados. Mas é exatamente aí que Deus decide intervir e castigar a terra com uma grande seca. Para avisar ao rei sobre este castigo, Deus envia um profeta do Senhor remanescente e fiel, que se tornará uma pedra no sapato da casa real: ELIAS.


Como enfrentar o falso culto

Sob a orientação de Deus, Elias resolveu chamar os profetas de Baal para um desafio (I Reis 18:19). Era o momento de o povo de Deus decidir; ou servia ao Deus verdadeiro de modo verdadeiro ou a Baal no seu falso culto (I Reis 18:21). Para enfrentá-lo, devemos, na graça de Deus, ter muita convicção. O profeta Elias chama o povo a uma convicção: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o.” (I Reis 18:21). Nesta pergunta, vemos a fé vivida por Elias. Antes de ver o fogo cair do céu e a grande vitória, Elias crê, e está convicto, de quem é o verdadeiro Deus, pois o povo parece não saber e demonstra dúvida. A ignorância leva a tibieza. Quando o povo fica na teologia do “acho”, não há firmeza, e uma grande maioria fica em cima do muro. Até quando coxear entre dois pensamentos? É preciso convicção e mais profundidade bíblica, mais amor pela verdade e paixão pela Palavra de Deus.

A situação social na época do profeta Elias era de muita insegurança (I Reis 18:5). Conspirações mudavam os governos com frequências inesperadas. Na área social, muita corrupção e injustiça. No aspecto moral, uma época de acentuada vaidade, em que o culto ao corpo, evidenciado na própria maquilagem de Jezabel, tornou-se popular. Na teologia e liturgia acontecem mudanças bruscas, sob a poderosa influência dos cultos vizinhos, principalmente o assírio. O culto de Baal era um culto muito sensual, agradável à vista e às emoções, era um culto de expressão afrodisíaca. Gritos, danças sensuais e ritmos marcavam o tom do culto. Deus levantou o profeta Elias. Ele não era um homem polido. Sua vestimenta, alimentação e temperamento já mostravam alguém rude e impetuoso. A doutrina dos adoradores de Baal e seu culto se misturavam com o culto verdadeiro e Elias rompeu com isso!

A indefinição é característica do falso culto. Vivemos num mundo de indefinições. Ser definido é ser dogmático, e ser dogmático é algo, às vezes, detestável. As filosofias, a comunicação, a experiência, a procura de paz e a boa convivência têm marcado o nosso tempo com indefinições na área moral, eliminando a censura e, na honestidade, com tibieza. Em tudo se procura “fazer média”, mantendo as aparências e identificando-se com os pontos comuns (Apocalipse 3:15). Elias chama o povo a uma definição: “Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o.” (I Reis 18:21). Por que ficar no meio termo? Tentar servir a Deus e ao mundo? Precisamos de definições. A Igreja não pode enamorar-se do mundo. É hora de definição moral, teológica e litúrgica. É hora de abandonarmos a teologia relativista. É hora de definição. Deus condenou o povo de Israel pela boca do profeta Isaías (Isaías 29:13). O que estava nos lábios era correto, mas as motivações do coração eram erradas.

“E há de ser que o deus que responder por fogo, esse será Deus.” (I Reis 18:24). Somente através da confiança e grande experiência com Deus poder-se ia propor tal desafio. Para enfrentar o falso culto, precisamos estar calçados com a verdade e com a fé acima de tudo (Efésios 2.8). O profeta Elias tinha conhecimento experimental de Deus e isso o colocava em grande vantagem perante os falsos profetas. Hoje temos a Palavra escrita que é o filtro para esses falsos cultos (II Timóteo 3:16). A Palavra de Deus nos liberta do mal e nos revela a clareza doutrinária (Salmo 119:105). O nosso manual de fé e prática é a Palavra de Deus. Quando nós obedecemos à verdade que está contida na Palavra de Deus podemos estar certos da nossa salvação (Salmo 1:3).

As expressões hipócritas não passam de atos mecânicos. São invenções humanas que não se importam com a vontade de Deus. O formalismo, associado à corrupção doutrinária, produz um tremendo desvio do Senhor e um afastamento do verdadeiro culto que devemos a Deus.


A responsabilidade do Culto
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

“Culto” pode ser descrito como a maior homenagem que se pode prestar a uma divindade, mas no meio cristão, geralmente é entendido como uma reunião litúrgica onde a comunidade eclesiástica se reúne para cantar, orar e ouvir uma mensagem bíblica. Assim, é comum aos líderes cristãos se dirigirem para a congregação com perguntas como “Quem veio aqui hoje buscar uma benção?” “Quem veio aqui para ouvir Deus falar?”. Nossas respostas obvias a tais questionamentos é sempre um grandioso “SIM”. Mas será esta a essência de um culto genuíno? Cultuamos para receber? Cultuamos por conveniência social? A importância da união fraternal e da adoração comunitária é vital dentro do cristianismo, tanto que a chegada do Espírito Santo se deu enquanto “todos” estavam reunidos no “cenáculo” (Atos 2). Porém, o culto deve exceder as paredes de um templo. Todo homem é composto de corpo, alma e espírito, e este espírito veio de Deus e anseia voltar para Deus, e como muitas vezes nos desligamos completamente do espiritual em prol de coisas efêmeras e temporais, nosso espírito se conturba na ânsia de estar na presença do Senhor, causando a deficiência da tão desejada “paz de espírito”.  Um culto é exatamente a exteriorização desta necessidade, quando abrimos mão de afazeres hodiernos e compromissos extraordinários, para dedicarmos um tempo específico ao nosso Deus. Em síntese, o culto pode ser definido como sendo o encontro do homem com Deus, podendo ser praticado individualmente ou de forma coletiva. 

A motivação correta para prestação de um culto é a adoração, exaltar ao Senhor sobre todas as coisas, e ofertar-lhe todos os aspectos de nossa vida. Uma vez que assim procedemos, algumas benesses recaem sobre nós através da graça e da misericórdia do nosso Deus, como por exemplo o fortalecimento da nossa fé, a aquietação de nosso espírito e compreensão do sobrenatural. Infelizmente, temos prestado “cultos” deturpados tanto na essência, quanto no propósito, afinal, templos religiosos ficam abarrotados de crentes superficiais que buscam apenas seus próprios interesses, e ao invés de prezarem por uma adoração genuína, entregando seu melhor para Deus, só querem “receber” o seu “milagre” ou ouvir uma palavra direcionada que massageie o seu ego. Quando isto não acontece, é comum ouvirmos alguém dizer: - Hoje o culto não foi bom!

É preciso entender que o culto litúrgico realizado em comunidade é diferente do culto racional prestado por cada indivíduo (Romanos 12:1). Digamos que numa igreja, onde 100 pessoas estão reunidas, enquanto a liturgia segue seu fluxo, outros 100 cultos estão sendo prestados individualmente, pois o culto, em essência, é pessoal. Cada um é responsável pela prestação de seu culto e não pode terceirizar o fracasso do mesmo. Se um cantor desafina, a responsabilidade é dele, se a mensagem pregada é insossa e incompreensível, a culpa é toda do pregador, porém, nada disso pode ser desculpa para um culto ruim, pois a responsabilidade do culto é de quem o está prestando. Se o culto não foi bom, a culpa não é do pastor, do ministério de louvor ou dos obreiros, pois quem define os rumos de um culto prestado ao Senhor, é o próprio indivíduo. O sucesso de um culto passa pelos elementos ofertados, que basicamente, é aquilo que trazemos para “oferecer” (Hebreus 11:4). Não prestamos um culto para receber, e sim para entregar. O segredo de um culto bem-sucedido está na qualidade do que eu tenho a oferecer, e isso inclui a própria vida. Nunca responsabilize ninguém pela baixa qualidade de seu culto, pois a responsabilidade é toda sua!

A triste verdade é que temos investido cada vez mais em cultos pirotécnicos que aprazem aos homens, e menos em cultos sinceros, que agradam ao nosso Deus. A maior benção que podemos receber em um culto nem de longe é uma cura miraculosa, uma revelação portentosa ou uma descarga poderosa de poder; mas sim o simples fato de desfrutar da presença gloriosa de Deus.


Características do falso culto

Jesus denunciou o culto hipócrita, causado pelo apego à mera formalidade, aos ritos, sem correspondência interior. Por fora tudo estava correto, mas interiormente essas ações litúrgicas não eram expressões de um coração agradecido. Era por essa razão que aquele culto se tornava uma coisa abominável ao Senhor. Quando examinarmos o falso culto, aprendemos que ele é sempre seguido pela maioria. Elias reclama que ele está só e que os profetas de Baal são 450! (I Reis 18:22). Precisamos lembrar desta verdade solene: a maioria se perderá. Foi assim na época de Noé e de Sodoma. O povo de Deus foi dizimado e permaneceu o “toco”, a “santa semente”, salvou-se o “renovo”. Não é diferente hoje. Muitos são chamados e poucos os escolhidos. Na época dos profetas, a multidão ia ao templo, mas o seu coração estava longe do Senhor.

Nos tempos hodiernos, muitas igrejas crescem em número e “poder”, mas, perdem na santidade, no caráter e na fidelidade; e isto é um fato histórico. Todas as vezes que a igreja cresceu na quantidade diminuiu na qualidade. Jesus disse que o caminho largo é seguido por vasta maioria. Estamos adequando nossa fé, nossa religião aos reclamos do mundo. Cristãos mundanizados enchem a Igreja hoje e avançamos mais para a imitação do mundo. A nossa diferença com os ímpios desaparece. Pensamos como eles, falamos como eles e nos divertimos como eles. Vivemos de igual modo. Parece que nos enchemos de toda vaidade, quando nos acham parecidos com o mundo (Hebreus 12:14). Isso não é normal!

O culto falso é um culto em que falsos fogos são admitidos. Elias estabeleceu que o fogo deveria vir do céu (I Reis 18:23). Deus não aceita fogo estranho em seu culto. Os dois filhos de Arão morreram por causa disto: trouxeram fogo estranho ao culto do Senhor. Há muita coisa estranha hoje no culto a Deus. Muitos por falta de conhecimento das escrituras têm admitido no culto o fogo do “entusiasmo”, fabricados por “animadores” e acrescentam novidades ao culto, tornando-o um “show”. Será que Deus está se agradando de tudo isso? Onde estão aqueles cultos simples, sem muitos aparatos, mas que superavam em tudo os mais sofisticados cultos de hoje? Não necessariamente a falta de logística, mas onde está aquela unção que, até os ensaios, Jesus batizava com Espírito Santo e vidas eram transformadas?

Os profetas de Baal desenharam uma extraordinária coreografia. Eles dançavam. As religiões primitivas procuraram servir aos seus deuses com danças (I Reis 18:26). O culto é chamado por Paulo de culto racional (Romanos 12:1-2). No Novo Testamento, o culto é pela fé, pois o justo vive pela fé. Os profetas de Baal gritavam, manquejavam e se cortavam (I Reis 18:26-28). Era um culto longo. (I Reis 18:29). Muitos movimentos, muitas palavras, muitas repetições. Nosso Deus é de ordem, paz e harmonia.

O falso culto é sempre voltado para impressionar. Quanto mais pompa, menos poder. A busca desenfreada de emoções pode ser uma compensação psicológica de vazio espiritual. Não foi assim na época de Malaquias? Enganoso é o coração! Quanto cuidado devemos ter! Resumindo, enfrentar o culto falso é um dever que exigirá de nós a profunda convicção, fé que se põe contra todas as heresias; exigirá uma definição, uma atitude de maturidade que não se encontra com a maioria; exige um apego à verdadeira espiritualidade contra os pseudos “fogos” das armadilhas psicológicas, que não se deixa impressionar pela manifestação que visa enganar os incautos. Que Deus nos encha de sabedoria para termos vitória nesta luta (Atos 8:9-11).


Características do 
Verdadeiro Avivamento
Comentário Adicional
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Muitos dizem somos  a “Geração do Avivamento”, mas poucos entendem de fato o que um “AVIVAMENTO” significa. O relato da Batalha dos Deuses no Monte Carmelo registra um dos maiores avivamentos já realizados, afinal em um único dia, toda a nação de Israel reconheceu a superioridade do Deus de Elias sobre os deuses cananitas Baal e Asera. Os gritos de “só o Senhor é Deus” ecoaram por todo reino, enquanto altares pagãos eram derrubados. E é exatamente esta a essência de um verdadeiro avivamento: TRANSFORMAÇÃO. Quando Elias ergueu sua voz, imediatamente “fogo” desceu do céu sobre o altar, e ali o avivamento começou. Infelizmente, muitos pregadores modernos tentam reduzir o conceito de avivamento apenas no “cair do fogo”, mas se esquecem que o “fogo pelo fogo”, acaba se apagando. O avivamento começa com Elias desafiando a fé do povo, conclamando sua nação para vivenciar um grande mover sobrenatural. Antes de clamar pelo fogo, Elias toma o cuidado de corrigir todos os desvios, fendas e imperfeições de seu próprio altar, e depois, manda molhar toda a estrutura, bem como abrir valas no entorno e enche-las de água. A água é um símbolo da Palavra de Deus e também do Espírito Santo. Antes do fogo cair, é necessário que haja uma manutenção preventiva no altar, que aqui tipifica a própria vida do adorador. Depois, é preciso que a PALAVRA DE DEUS seja despejada em abundância sobre este mesmo altar, ao ponto de fazer as valas transbordarem. Fogo que cai sem antes o altar ser regado, não passa de pirotecnia.

Com o altar preparado e encharcado, chegou a hora do fogo descer. É um momento lindo e especial, de vislumbre, deleite e glória, que marcará para sempre a história de quem o vivenciar, mas como todo bom e inesquecível momento, a queda do fogo é passageira. O que fica de fato, são seus efeitos. A água evapora, simbolizando que a PALAVRA voltou para Deus cumprindo o seu propósito (Isaías 55:10-11). A carne sobre o altar é consumida, incinerada, queimada ao ponto desaparecer, e quando isso acontece, o Espírito é fortalecido (I Colossenses 3:1-3). Quando o fogo cai, mas a água continua nas valas e a carne se mantem mal passada sobre o altar, é por que de fato, não houve  avivamento real  ali. O fogo também pode representar separação. Quando Elias foi levado ao céu por um redemoinho, primeiro um carro de fogo desceu dos céus e passou entre ele e seu discípulo Elizeu, separando quem ficaria, de quem seria arrebatado. O fogo do verdadeiro avivamento tem esta característica de evidenciar “os que são” dos que “NÃO são” (II Reis 2:1-11).

Se o fogo caindo é uma visão deslumbrante, a próxima cena do avivamento é assustadora, mas imprescindível. Ao perceber que estava sendo enganado pelos falsos profetas, o povo de Israel reconhece a soberania do Deus de Elias e literalmente, elimina os mestres do paganismo. Em pouco tempo, cerca de  novecentos profetas de Baal e Asera são mortos ao fio da espada pelo turba enfurecida, transformando os seiscentos metros do Monte Carmelo, numa grande cascata de sangue, e a montanha num depósito de muitos cadáveres. Visão desagradável, não é? Mas é exatamente aí que reside a beleza do AVIVAMENTO, pois quando ele é genuíno, as coisas mudam, e nada é como antes. Quem experimenta o verdadeiro avivamento, não aceita mais em sua vida, a causa raiz de seu erro, e extermina o mal de uma vez por todas, por mais doloroso que possa ser  este processo (Mateus 18:9). Todo evento onde o fogo cai do céu, mas a carne não queima, a água não evapora, o altar continua fendido e os profetas de Baal e Asera continuam vivos não trouxe de fato, qualquer tipo de avivamento. Foi apenas um belo espetáculo, e nada mais.


Características do culto restaurado

O culto falso é mera catarse psicológica, mera movimentação física. Resulta no vazio (Efésios 2:11-12). O divórcio entre a adoração e a vida prática é inevitável. É um culto templário apenas (Atos 17:16). É um teatro, um “Show”, mas sem nenhum vínculo de vida prática. Elias restaurou o antigo altar de seus pais (I Reis 18:30). O mesmo altar em que adoravam seus antepassados. Há os que pensam que “novidade” é a marca do verdadeiro culto. Pensam que algo para ser bom tem de ser novo. Criam preconceitos contra o antigo (Jó 12:12). Esquecem as solenes palavras do sábio de que “nada há novo debaixo do céu” (Eclesiástico 1:9). As heresias vão e voltam apenas com uma nova roupa. Os pecados dos homens continuam os mesmos (Romanos 3:23). O homem não inventou nova forma de pecar, pratica os mesmos pecados condenados por Moisés. Não conseguiu outro escape, senão pelo arrependimento e fé em Jesus (Efésios 2:8). Devemos permanecer na “doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42). Nosso altar está delineado a na Palavra (João 4:23). Na vida prática, o falso adorador é mundano. Ele vive mentindo, fazendo falcatruas, traindo, escandalizando e sem ética cristã alguma (Atos 13:6-12).

Elias mostra precisão. Ele usa pedras e não outro material (I Reis 18.31). Não quis fazer uso de sua criatividade. Obedece. Doze pedras conforme a Palavra. Poderia ter feito um altar mais vistoso! Com mais luzes! Também obedece ao horário (I Reis 18.36). Deus havia determinado a hora do sacrifício. Elias obedeceu e invoca o nome do Senhor. O que temos de gente criativa hoje, inventando novas formas cultuais (2Sm 6.3-7). Nosso culto deve ser de acordo com a Palavra (I Coríntios 14:26).

Enfrentar o falso culto é tarefa para quem tem olhos para ver. Não podem enxergar os que estão com suas vistas obscurecidas pela ignorância (II Coríntios 4:4). Por isso é necessário ter convicção. S convicção tem um resultado imediato que chamamos definição. Os que adoram a Deus não podem viver titubeando. Não vão seguir a maioria. No culto verdadeiro, fogo falso não tem lugar. Não se confunde entusiasmo, nem se provocam emoções para alegrar ambientes. Na adoração verdadeira, o profeta Elias ensina que o altar antigo em sua verdade revelada, não deve ser substituído, mas restaurado, isto é, voltar à Palavra! Esse é o caminho.

Elias se dirigiu a Deus da Aliança, Deus de seus pais. Nosso Deus tem uma história com Seu povo. Ele é um Deus que se revelou nos caminhos de Sua Palavra, na expressão de nossa história. Ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó (1Rs 18.36). Nosso culto é voltado para o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus trino de nosso credo. O Deus que nunca abandonou Seu povo, mas que tem pelos milênios se mostrado Salvador (Mateus 4:10).

O individualismo moderno criou deuses diversos: “deus do pastor beltrano” e “deus do missionário sicrano”. E cada deus tem seu cultinho ou o “show” que merece, de acordo com o meio econômico, eletrônico e criativo. O culto de Elias se dirigiu ao Deus Soberano. Para Elias, o Senhor é Deus. Isto conclui também o povo, após a adoração, com o milagre do fogo, que caiu do céu e queimou o sacrifício (I Reis 18:39). Nosso Deus é um Deus soberano, Ele opera maravilhas segundo a Sua vontade. Elias cria neste Deus. Ele encheu o altar com águas (I Reis 18:34). Deus iria mostrar Seu poder contrariando as leis naturais, a fim de que aquele povo cego visse. Para Elias, Deus era o Senhor absoluto do coração do povo (I Reis 18:37). É Deus que convence, salva, escolhe e chama. É Deus quem faz o coração do homem voltar-se para Ele. Aqui está o cerne da doutrina verdadeira da salvação. A salvação depende exclusivamente do Senhor. Ele manifesta Seu poder, é soberano e dirige com determinação os destinos do mundo. O ministério do profeta Elias atesta a universalidade da soberania divina.

Conclusão

O culto deve ser como a Palavra de Deus estabelece! Devemos adorar o Deus do nosso credo! O Deus de Abraão, Isaque e Jacó! O Deus Soberano e Amoroso, que, em Cristo e por Cristo, nos abriu o caminho até Ele na verdadeira adoração espiritual. Que o Eterno seja sempre glorificado!




Vivemos para adorar. Deus criou o homem para que este O adorasse. O combustível da adoração é a comunhão com Deus. Uma comunhão verdadeira e despretensiosa começa em um lugar secreto. Adoração é decidir investir a vida no Eterno. É quando nos redescobrimos em Deus e todas as demais coisas são periféricas diante de tão grande descoberta. Deus não procura adoração, mas adoradores. Para compreender ainda mais os princípios da verdadeira adoração, participe deste domingo, 25 de dezembro de 2016, da Escola Bíblica Dominical.