quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ouvir, aprender e praticar


Em tempos tão “incertos” como são os de hoje, é de suma importância para nós, que inevitavelmente estamos a caminho da “maturidade”, refletir sistematicamente sobre os poucos anos de vida que nos é oferecido. A grande verdade, é que nossa mente não foi (ou não está), projetada para a velhice. Não muito gostamos de falar (e nem mesmo pensar) sobre a velhice, principalmente se formos "o tema" em questão.

Muitos chegam a entender a idade avançada como algo ruim, uma doença que precisa ser evitada. Isso acontece porque, por vezes, julgamos sermos melhores, maiores e mais sábios do que aquele que nos criou com estas características, um ser divino que sabe exatamente o que faz e nada pode lhe deter quando determina algo a nosso respeito. Falamos muito, mas na pratica, vivemos pouco nossas próprias convicções, renegando em vida muito daquilo de cremos e somos. Este tema tão necessário abrange três aspectos de suma importância, pois “todos” viveremos a realidade da velhice na própria pele, e pra quem não desejar “experimentar” a terceira idade, a única saída é exatamente a morte.

Logo, é preciso “ouvir”, “aprender” e “praticar”.

O primeiro passo é ouvir. Tiago nos diz em sua carta, que todo homem esteja pronto para ouvir e seja tardio para falar (Tiago 1: 19). Precisamos ouvir mais de Deus. Termos ouvidos abertos para as coisas do Espírito. Essa geração está seriamente afetada pela surdez espiritual. Só querem falar, falar, falar, mas não ouvem. Ao estudarmos a história de Israel (o povo de Deus), compreendemos através dos relatos bíblicos, que a causa das misérias e desgraças que sobrevieram contra aquela nação, foi exatamente por não ouvirem as ordens do seu Deus. Eles desprezaram a lei do Senhor e viraram as costas para o Deus que os havia libertado do Egito.

O preço foi alto e o sabor amargo. Enfrentaram penas duríssimas por sua falta. Um povo que se faz de surdo a voz do Senhor clama por ruína.  Estamos presenciando uma “infestação” de homens malignos dentro de nossas igrejas, exatamente como Paulo antecipou em seu aconselhamento ao jovem Timóteo: 

Pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreensão, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Por que virá tempos em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscência (II Timóteo 4.2-3).

Este tempo chegou, mas não podemos nos intimidar (ou conformar) com as ameaças do mau. Devemos falar  a verdade quer escutem ou deixe de ouvir. A melhor idade começa hoje, quando pavimentamos um caminho de luz na estrada que iremos caminhar.

Em segundo lugar, precisamos aprender. Jesus em suas palavras proclamou em alto e divino som: aprendei de mim, que sou humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas (Mateus 11:29). Jesus nos convida a “ir” até ele e aprender “Dele”. O Cristo é o nosso modelo, nosso guia, nosso farol e nossa âncora.

É dele (e com ele) que temos “tudo” a aprender. Jesus é o exemplo a ser seguido por quem deseja tomar parte em seu Reino Eternal. Não basta apenas olhar para a vida de nosso Senhor e admira-la, é preciso seguir seus passos e pisar em suas pisadas.

Isaías 53 é uma verdadeira cartilha para o Cristão, pois esmiúça quem é de fato o “Cristo”, e tudo o que Ele fez por nós... Somos sarados pelas suas pisaduras. Aprender com Jesus é fundamental, pois embora tenha morrido jovem para os padrões da terra, com apenas 33 anos, Ele ressuscitou e sua existência é de Eternidade em Eternidade, Senhor do tempo e Ancião de Dias (Daniel 7:13).

Por último, mas não menos importante, é preciso fechar o ciclo e colocar em pratica tudo o que se aprendeu.  Ouvir, aprender e praticar. Pôr em prática absolutamente tudo aquilo que nos é ensinado por Jesus. Se formos praticantes daquilo que ouvimos e aprendemos de nosso Senhor, não haverá limites em nosso servir a Deus.

E o Senhor não está limitado ao tempo, a coisa ou pessoas. Basta nos colocarmos nas mãos (e a disposição) de Deus para logo vivermos o seu agir. A Bíblia nos dá grandes exemplos de homens e mulheres que foram usados com poder e autoridade, mesmo tendo sua idade já bastante avançada: Noé, Abraão, Sara, Moisés, Josué e outros tantos exemplos virtuosos que não mediram esforço em fazer uma grande obra para Deus, sem usar “o tempo” ou “a idade” como desculpa para se esquivar do chamado.

Infelizmente, muitas igrejas têm desprezado os seus "velhos", não lhes dando atividades nos departamentos eclesiásticos, ignorando sua “bagagem de vida” e os deixando em situação de ostracismo e total abandono.


Deus quer nos ensinar através de pessoas com mais experiências, que viveram e sobreviveram a situações dramáticas, perderam tudo (ou quase tudo) e se levantaram das cinzas.  Servir a Deus não tem idade e nos preparamos para uma velhice produtiva, exatamente quando aprendemos sobre a vida com aqueles mais velhos e sábios que nós.

Pb. Bene Wanderley

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Centro de Tudo



Esta temática nos leva a assumir um profundo comprometimento, pois a primeira grande revelação que deve desapontar nesta “centralidade” é o conhecimento daquilo que significa a verdadeira adoração. Deus deve estar em primeiro lugar em nossas vidas. Nada é mais importante do que Ele.

Se temos Deus no centro de nossas vidas, temos tudo o que necessitamos. A vida não terá uma direção correta, se Deus não estiver no centro. Quer O adoremos em particular ou em público; no nosso quarto, em família ou na assembleia dos santos; o centro tem que ser o próprio Deus! (João 4:24).

No culto, por exemplo, Deus deve ser o centro da nossa reunião. Chegamos a Ele através de Jesus Cristo, o seu Filho. O cristão deve adorar somente a Deus. Podemos honrar os homens (Romanos 13:7, I Pedro 2:17), mas adoramos somente a Deus. Podemos reconhecer as maravilhas da criação de Deus, mas adoramos ao Criador. Não se deve adorar a nenhum homem temente a Deus, santo ou anjo (Atos 10:25-26; Apocalipse 22:8-9).

Não devemos adorar imagens, estátuas religiosas, retratos nem quadros, todos são ídolos (Êxodos 20:4-6). Talvez alguém pergunte: “Mas como podemos adorar um Deus a quem não podemos ver nem tocar, e cuja voz não é audível ao ouvido humano?”.

A resposta é: pela fé! (Hebreus 11:1). A atitude de colocar Deus no centro requer o entendimento de que tudo na vida esteja ligado a essa “centralidade”, portanto, não podemos pensar no tema superficialmente, como um argumento para o preenchimento de uma pauta. É um exercício que envolve tudo na vida e a razão da compreensão da própria existência. Devemos tomar cuidado para que as maravilhas do mundo não nos afastem da presença de Deus, pois o mundo oferece muitos “caminhos” (Provérbios 14:12).

Saber que Deus conhece todas as coisas é uma verdade admirável. A princípio pode trazer algum temor, no entanto, o melhor é a sensação de segurança para os que nEle confiam. O salmista Davi estava tão extasiado em pensar nisto, que afirmou: “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta, que não a posso atingir. ” (Salmo 139:6). 

Para sermos aceitos, temos que estar no Amado, conforme nos aponta Efésios 1:6. Ninguém pode vir ao Pai sem ser pela obra meritória de Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6). Nosso acesso é “pelo novo e vivo caminho que Cristo nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10:20).

No versículo acima, a palavra “novo” significa “morto recentemente”. Em outras palavras, para chegarmos a Deus em adoração temos que ter como base o sangue derramado e a obra sacrificial de Cristo no Calvário!

Vemos isto muitas vezes no Antigo Testamento. Considere o livro de Levítico, que é principalmente um hinário de adoração. Os capítulos iniciais descrevem o sistema sacrificial e como um povo remido devia se aproximar da presença manifesta de Deus.

Sem tentar entrar em detalhes, podemos observar que a expressão “tenda da congregação” (termo usado cerca de 50 vezes no livro de Levítico para se referir ao tabernáculo) corresponde a igreja do Novo Testamento, local onde nos reunimos para adorar a Deus publicamente. Quando o povo de Deus se reúne na igreja, há uma comunicação da mente e da Palavra de Deus (Leviticos 1).

Além disso, quando o povo de Deus se reúne na igreja é com o propósito de adorar e, portanto, cada um de nós deve levar uma oferta!

Não podemos saber o que envolve a verdadeira adoração, nem o que Deus requer do adorador, a menos que achemos esta verdade revelada na Bíblia. A Bíblia é o manual do cristão. Se ignorarmos este manual e tentarmos simplesmente chegar a Deus em nossos termos, com certeza seremos rejeitados assim como Caim (Gêneses 4).

Nossos sentimentos, opiniões, obras e palavras não têm mérito nenhum diante de Deus. Todos juntos não valem nada mais do que só devoção voluntária se não dermos atenção aos ensinamentos claros da Palavra de Deus.

Sem a Bíblia a adoração verdadeira é só um sonho. Deve haver uma fonte final de autoridade: algo ou alguém que nos dê a palavra final, que ponha fim a controvérsia e estabeleça aquilo no qual devemos crer, quem devemos ser e o que devemos ser e o que devemos fazer. Se a autoridade estiver na pessoa, então a opinião de um homem é tão boa quanto a de outro e a adoração de cada homem deve ser aceita. Mas, saibam todos que Deus não é tolerante! Deus é gracioso e perdoador, mas não é tolerante.

O Deus justo e santo não pode (e nem vai) agir contrário a sua Palavra. Portanto, cheguemos diante de Deus com a convicção de que tudo o que a Palavra de Deus ensina deve ser crido, seja qual for a ordem deve ser obedecida, seja qual for a recomendação deve ser aceita tanto como certa quanto útil, e, seja o que for que ela condene, isso deve ser evitado e entendido como sendo errado e nocivo.

Nossa adoração e nossa própria vida devem estar centralizadas em Deus, baseadas na obra sacrificial do Calvário e firmadas nas descrições definidas da Palavra de Deus (I Timóteo 3:14-17).

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tentados, não derrotados


Continuamente, Satanás coloca pedras para que tropecemos. Estas pedras são representadas por velhos sentimentos que sempre se levantarão em nossos corações. Em todo tempo, somos tentados por imagens, atos e intenções que nos são apresentadas por meio das infovias (Tiago 1:13).

O servo de Deus deve buscar afastar-se de conteúdos ilícitos e imorais que são veiculados pelos meios de comunicação em massa, como sites da Internet e TV a cabo, para que não se deixe levar em seus desejos contidos.

O domínio próprio será o responsável por sufocar tais desejos. O servo fiel deverá escolher o que é do agrado de Deus através de uma avaliação racional do que realmente é o melhor para ele, isto é, uma vida pautada nos padrões exigidos pelo Criador. O cuidado deve ser constante. É necessário estarmos sempre vigilantes, pois o nosso adversário nunca se afasta de nós, sempre aguardando uma oportunidade para nos derrubar (I Pedro 5:8).

A posição do diabo é e sempre será uma posição de ataque. Sempre que ele notar um deslize, mesmo que pequeno, irá investir com força total. Permanecer na comunhão é a melhor maneira de se manter protegido das investidas do maligno, pois em comunhão somos mais fortes. A comunhão dificulta a ação do maligno em nossas vidas (Eclesiastes 4:12b).

O domínio próprio também é responsável por uma constante vida de santificação, pois, à medida que amadurece, essa característica do Fruto do Espírito Santo produz uma vida disciplinada em acordo com o desejo de Deus para Seus filhos. Em Seus planos, o Senhor separou um lugar especial para a humanidade conviver e se relacionar.

A Igreja é um local onde o indivíduo irá buscar conhecimentos que lhe darão subsídios de como enfrentar o diabo e se desviar das astutas ciladas do inimigo.

A Igreja também representa o reino do céu estabelecido na Terra (João 1:29), e no céu o poder do diabo está derrotado. Ao encontrar com Jesus, João Batista declarou que estava diante Daquele que tiraria o pecado mundo (João 1:29-36). Naquele momento, ficou esclarecido que haveria sempre um lugar onde o nome do Senhor seria exaltado. Durante o seu Ministério terreno, Jesus Cristo deixou bem claro que onde estivessem dois ou três reunidos em Seu Nome ali Ele estaria (João 18:20).

 A igreja é onde se manifesta a presença de Deus. Sendo assim, onde Jesus está o pecado não entra. Por isso, é sempre bom valorizarmos a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo em nossos cultos.

O domínio próprio deve ser exercitado em todas as áreas de nossas vidas, pois atinge os cinco sentidos humanos: visão, audição, paladar, tato e olfato; e, ainda, nossos pensamentos, palavras e obras. Sempre estamos nos deparando com apelos midiáticos e tecnológicos que visam nos mostrar como normais coisas contrárias ao que ensina a Palavra de Deus.

É por isso que buscar o amadurecimento do domínio próprio é extremamente essencial para que alcancemos um nível onde os padrões divinos continuem sendo valorizados, para que o homem não perca o foco nem a direção do céu (Filipenses 3:14).

Olhar para Jesus é a melhor maneira de desenvolver o domínio próprio, pois só Ele pode finalizar o nosso objetivo de morar na eternidade com Deus. A capacidade de Cristo em nos garantir o acesso ao nosso objetivo se dá pelo fato dEle ter suportado a dor da cruz, desprezando a afronta para assentar-se ao lado do Criador.

Tal atitude nos garante participar do gozo que nos foi proposto pelo plano da salvação. O domínio próprio é um dos segredos para alcançarmos a vida eterna (Hebreus 12:2).



quinta-feira, 13 de abril de 2017

EBD - A postura profética de Jeremias


Texto Áureo
Jeremias 1:12
E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Verdade Aplicada
As palavras que Jeremias proferia não eram palavras mal faladas, lançadas ao sabor do sentimento, mas, sim, frutos da revelação direta ao Senhor.

Textos de Referência
Jeremias 1:11-14

Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira.
E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.
E veio a mim a palavra do Senhor, segunda vez, dizendo: Que é que, vês? E eu disse: Vejo uma panela a ferver, cuja face está para a banda do Norte.
E disse-me o Senhor: Do Norte se descobrirá o mal sobre todos os habitantes da terra.



A boca de Deus
Pb. Miquéias Daniel Gomes

Profeta, no contexto bíblico, é alguém que anuncia os dignos divinos, revelando o passado, o presente e o futuro, através da inspiração do próprio Deus. “POSTURA” é um termo geral, que em regra comum, define a posição ou a postura do corpo em atividades especificas. A palavra vem do latim “positūra”, e nos remete a ideia de adaptação corporal a um espaço geográfico. Uma vez que ambos os termos são compreendidos, fica bem mais fácil avaliáramos a postura profeta de Jeremias. O princípio básico, é que um profeta é um “assessor de imprensa” do próprio Deus, já que tem a incumbência de retransmitir aos homens as palavras do Senhor. Assim, ele necessita estar contextualizado em suas palavras, viver a mensagem que transmite. Alguém que “fala” por “Deus”, deve honrar a todo momento, a instituição eternal que representa. Neste aspecto, Jeremias é um exemplo a ser seguido e admirado. Seu ministério foi integralmente intenso, mesmo perfazendo o período longevo de quarenta anos.

Seu ministério teve início durante o reinado de Josias, um rei que se dedicou a restauração religiosa de Judá, que incluiu a reforma do templo, a divulgação pública dos preceitos da lei e a abolição de cultos idólatras. Estas atitudes promoveram um grande despertamento espiritual no reino, e aplacaram a ira do Senhor contra Judá. Neste tempo de avivamento, Jeremias foi peça fundamental, aliando seu ministério profético a sua vocação sacerdotal. Infelizmente, Josias morreu em combate, e seu filho Jeocaz não foi capaz de resistir as investidas do Egito. Em apenas três meses, o Faraó Neco, subjugou Judá e destronou o jovem monarca. Os egípcios escolheram Eliaquim para governar no lugar do rei deposto, e para mostrar seu poderio, o renomearam como Jeoaquim.

Esta foi uma nova era de apostasia espiritual, já que os líderes de Judá passaram a se dedicar a uma vida de politicagem e busca de satisfação pessoal. Jeremias recebeu a revelação que Judá seria derrotada pela Babilônia, e com muita coragem transmitiu este recado a todo reino. Porém, o profeta foi censurado e recriminado. Jeoaquim não se mostrava preocupado com o avanço dos caldeus, pois acreditava que o Egito, a quem pagava tributos, seria um escudo intransponível, caso os babilônicos insurgissem contra os judeus. Mas, passados três anos, as profecias de Jeremias começaram a se concretizar. O Egito foi derrotado pela Babilônia, e o rei Nabucodonosor, declarou Judá “estado-vassalo”. Para garantir a fidelidade de seus novos asseclas, o rei caldeu levou cativo diversos príncipes de Judá. Era o início do exílio profetizado por Isaías e ratificado por Jeremias.

Ridicularizando os conselhos de Jeremias, que apontavam a uma rendição total, o rei Joaquim se rebelou contra a Babilônia. O resultado foi um sitio babilônico em Jerusalém por mais de um ano, causando fome na cidade, e a morte de muitos judeus, entre eles, o próprio rei. Joaquim, também chamado de Jeconias, assumiu o trono e, após três meses de reinado, declarou a rendição. Em retaliação ao levante, Nabucodonosor ordenou uma nova deportação, que retirou de Judá seus soldados, artesãos, comerciantes e toda elite social. O rei e sua família foram deportados também. Zedequias, o filho de Josias que ainda estava vivo, assumiu o trono de Judá. Seu coração era mau, e suas decisões revestidas de iniquidade. Foi um período de grande perseguição a Jeremias, que condenava publicamente o tratado de cooperação que Zedequias assinou com o Egito.

Como Jeremias profetizou, o resultado desta revolta foi a ruína. O Egito quebrou o acordo e Judá se viu novamente sitiada pelos babilônicos, que após dois anos de cerco, destruíram Jerusalém, pondo a baixo o templo, fendendo os muros e queimando toda a cidade. Os últimos cidadãos de relevância foram deportados, deixando para trás apenas escombros e mendigos. Jeremias escolheu ficar para trás, e sobre as ruínas de Jerusalém, escreveu grande parte de seu livro biográfico, bem como as suas lamentações. Cinco reis diferentes, com períodos políticos e religiosos fervilhantes. Este foi o staff ministerial de Jeremias, que mesmo enfrentando frustrações pessoais e crises ministeriais, nunca recuou um único grau em sua mensagem.

O segredo desta postura ministerial, que não se adaptava a cenários políticos, mas se mantinha padronizado a vontade de Deus, pode ser encontrado na vocação do profeta. Quando o Senhor o convocou para este árduo trabalho, Jeremias se sentiu inapto a exerce-lo. Ele se sentia uma criança, incapaz de lidar com tantas responsabilidades. Suas palavras não teriam “peso” (Jr 1.6). Neste momento, Deus validou seu ministério, dizendo: - Eu colocarei as minhas palavras em sua boca (Jr.1.9). Jeremias assimilou a responsabilidade e entendeu a grandiosidade desta honra. Ele era a boca de Deus. Profeta do Senhor. Suas palavras provinham do Altíssimo, e nenhum rei iria o fazer calar.


Doçura e Amargor
Pb. Bene Wanderley

Quero iniciar este comentário, com um lembrete de grande importância, inserido na introdução do texto didático: O verdadeiro profeta (aquele que tem a função de transmitir a mensagem de Deus na sua forma mais íntegra sem temer os opositores da verdade) vive para Deus e procura fazer a sua vontade. O ponto chave desta lição é compreender a postura profética de Jeremias, já que ela nos revela que mesmo diante de nossas incapacidades, quando Deus escolhe alguém para fazer sua obra, Ele mesmo capacita. Quando Deus chama um homem para fazer sua vontade, Ele se responsabiliza em sustentá-lo. Por essa razão, nunca devemos nos esquivar ao sermos chamados por Deus. Infelizmente estamos vivendo dias mui difíceis, onde muitos crentes, e até ministérios, tem rejeitado a palavra da verdade, reprimindo os profetas que Deus tem levantado para trazer luz a toda injustiça no meio de seu povo.

Para compreendermos com mais clareza tudo isto, o texto registrado em Provérbios 3:12 é de vital importância, já que nEle, encontramos uma advertência fundamental para nossa maturidade cristã. Deus nos ama, mas, também nos corrige e nos repreende com severidade, se for preciso. Logo, nenhum profeta pode escolher ser apenas doce, já que o amargo faz parte do cardápio divino. Hebreus 12 é outro texto bíblico que traz luz ao nosso entendimento sobre este assunto, já que nos ensina a jamais desprezarmos a repreensão, pois através dela, o Senhor disciplina aqueles a quem tem por filhos.  

Eu, particularmente, amo e me identifico com os escritos, e com o ministério de Jeremias. Ao longo dos mais de trinta anos de caminhada com Deus, não vejo outra mensagem que mais se identifique com a nossa geração, do que as mensagens do profeta Jeremias, que pregava o abandono do que o “homem quer” e a aceitação do que “Deus quer”.  Oxalá, o Senhor levante homens que não amem suas próprias vidas, mas, que ame a Deus e a sua palavra acima de tudo.


Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 103 - Editora Betel
Jeremias - Lição 03
A postura profética de Jeremias
Comentarista: Pr. Clementino de Oliveira Barbosa












Introdução

O verdadeiro profeta vive para Deus e procura fazer a Sua vontade, ainda que para isso tenha que sofrer dores e perseguições. Jeremias lutou pelas causas do Senhor sem receio do que os homens pudessem lhe fazer.

 A postura profética de Jeremias

A postura profética de Jeremias nos chama atenção por sua disposição em ouvir a voz do Mestre. Quando Deus chama e separa para Sua obra, Ele capacita aquele a quem chamou. Embora Jeremias não se achasse preparado para tal missão (Jr 1.6), aprendemos que, quando somos separados por Deus, nossa postura tem que ser outra perante o mundo. Deus não nos chama para um trabalho sem que nos capacite e nos ajude na execução dele (Rom 12.2). O profeta Jeremias sabia muito bem o que significava amar o próximo. Ele doou a sua vida ao seu povo. Toda essa dedicação e entrega fez dele um profeta inesquecível para a nação de Israel. Para Jeremias, Deus é o Senhor. Jeremias atribuía a Deus, a quem servia, as mais altas características (Jr 32.17), 25), e o considerava Senhor não somente de Judá, mas também de todas as nações (Jr 5.15; 18.7, 10).

Jeremias amava seu povo, mas ele amava a Deus muito mais. Por mais doloroso que fosse transmitir uma mensagem pesada ao seu povo, Jeremias foi obediente a Deus acima de tudo.

O Senhor chama homens e mulheres para transmitir sua mensagem. Ele optou por atuar desta forma devido às nossas limitações. Ele sabia que não estaríamos preparados para ouvir diretamente sua voz. Todavia pensamos que Deus só utiliza pessoas importantes em Sua Obra, ledo engano, pois Ele usa pessoas comuns, inclusive infiéis (Jr 27.6). Jeremias não era conhecido por ninguém a não ser pelo Rei dos reis, que o convocou para sua missão. O Eterno Deus quer que realizemos a sua obra. O apóstolo Paulo nos diz; “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir os fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são”. (1Co 1.27-28).

Fomos escolhidos pelo Senhor para sermos pregadores, profetas, pastores, etc. Conforme andamos com Deus, e oferecemos o nosso culto racional, a nossa comunhão amplia, a devoção vã dá lugar à adoração apropriada, leal, muito maior do que qualquer prêmio que possamos ter nesta vida. Que possamos sempre estar atentos à voz do Mestre e ouvi-la como Jeremias, que escutou e se colocou à disposição para a Sua missão. A exposição da Palavra de Deus é algo sublime, por isso Ele nos dá um chamado, e quando dizemos: “Eis-me aqui”, o Senhor nos capacita com dons espirituais para podermos cumprir este chamado, combater o bom combate, terminar a carreira e guardar a fé, como nos ensina o apóstolo Paulo (2Tm 4.7).

Temos dezenas de exemplos de homens e mulheres que foram escolhidos sem que ninguém acreditasse neles. Cito o exemplo de Davi. Ele jamais esperava ser escolhido como rei de Israel. Na sua casa, ele, aparentemente, era o candidato menos indicado. Quando o profeta Samuel foi a Belém, a mando de Deus, para ungir o novo rei, Davi não estava presente entre seus irmãos, pois se achava no campo, com o rebanho do seu pai, pois era o mais jovem da família, o menos experiente. No entanto, foi precisamente ele o escolhido (1Sm 16.12).

A estratégia do diabo é fazer com que pensemos que Deus não pode nos usar. Lembremos dos seguintes homens que o Senhor usou: Moisés, o mesmo que libertou o povo do Egito, não sabia falar direito (Êx 4.10); João Batista, que anunciava a vinda do Messias, se vestia com pele de camelo, e comia gafanhotos (Mt 3.4); Zaqueu era cobrador de impostos a serviço de Roma, mas Jesus o achou (Lc 19.2); Paulo, de perseguidor a perseguido (At 9.23); o próprio Jeremias, que se achava incapaz para tão nobre missão (Jr 1.6). A Bíblia está repleta de pessoas a quem ninguém dava crédito. Mas, o Senhor usou a cada um com seu estilo, seu humor, seu jeito e suas características. Com todos esses exemplos devemos ficar atentos, pois o próximo a ser escolhido para uma missão pode ser um de nós.

A visão da amendoeira

“Ainda veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vez, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir”. (Jr 1.11-12). A amendoeira é a árvore que mais cedo floresce. Deus está revelando que a mensagem profética anunciada por Jeremias frutificará (se cumprirá), pois Ele mesmo cuida e vigia para que assim seja. A amendoeira é vista como a “despertadora” no ditado hebraico, visto que entre todas as árvores ela é a que floresce primeiro, estando sempre alerta à oportunidade de florir. As amendoeiras também possuem uma grande capacidade de regeneração, não necessitando de podas. Elas transmitem uma importante lição de restauração e superação. Assim como a amendoeira, que está vigilante a cada oportunidade para florir, o Senhor está em sentinela para, no momento certo, cumprir a Sua Palavra. 

A amendoeira já possuía um forte simbolismo na biografia do povo de Deus. Primeiro, a vara de Arão floresceu e brotou amêndoas (Nm 17.8). Segundo, a exortação final de Eclesiastes usa o florescer da amendoeira como exemplo (Ec 12.5). Terceiro, o candelabro era adornado por amendoeiras (Êx 25.33). Jeremias, como filho de sacerdote, era um grande conhecedor da Lei. Essa vara de amendoeira fazia Jeremias se lembrar da vara de Arão, o escolhido de Deus para a liderança sacerdotal no meio do povo de Israel. Deus estava falando a Jeremias que Ele é igual à amendoeira, que fica de sentinela esperando a primavera. Deus, semelhantemente, vigia para que a Sua Palavra se cumpra.

Na linguagem Bíblica, a palavra “vara” simboliza “pessoa”, Jesus disse: “Eu sou a videira; vós, as varas” (Jo 15.5). Portanto vara de amendoeira simboliza “pessoas vigilantes”. Graças a Deus temos um Deus que nunca dorme. Quando a sentinela está dormindo em seu posto, o povo passa graves ameaças, o inimigo entra desapercebido e faz uma grande arruaça no lugar onde adentrou (Sl 121.4).

Jesus comparou sua vinda com a maneira em que um ladrão chega para roubar: inesperadamente. Ele registrou o seguinte aviso: “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em dia virá o vosso Senhor. Mas, sabei isto, que, se o dono de casa tivesse sabido em que vigília viria o ladrão, teria ficado acordado e não teria permitido que a sua casa fosse arrombada” (Mt 24.42-43). S vigilância é essencial na vida do Cristão (1Pe 5.8).

O profeta Jeremias, como uma grande sentinela, proclamava ao povo que era preciso acordar! Ele dizia que era preciso abrir os olhos e abandonar o pecado. Ele denunciava o que estava errado e apontava os responsáveis: o rei Joaquim (Jr 22.13, 19), a casa real de Judá (Jr 22.11, 14), os escribas (Jr 8.8-9), os pastores (Jr 10.21), os sacerdotes (Jr 8.10; 23.11) e os profetas (Jr 14.13, 16; 23.9, 40). Ele também indicava todos os crimes (Jr 7.9): idolatria (Jr 7.18; 9.13), exploração (Jr 9.2, 4), não pagar salário (Jr 22.13), desprezo pelos órfãos e viúvas (Jr 7.6; 22.3) mentira (Jr 8.10), assassinato de gente inocente (Jr 22.17), sacrifícios de crianças a falsos deuses (Jr 19.4; 7.31; 22.3), etc.

É preciso falar de Jesus. O inimigo está por perto e também há como derrota-lo. Jesus é a luz do mundo, que veio para brilhar entre as trevas e, assim, afastá-las, dando visão aos que antes estavam no escuro.

A visão da panela a ferver

O profeta Jeremias tem uma visão apavorante de uma panela (Jr 1.13). Na visão, a panela estava no fogo e isso significa que o que há no seu interior está quente. A boca virada para o Norte significa o amplo domínio que decorrerá sobre aquela cidade, pois o povo estava entregue à perversão, queimando incenso a deuses estranhos (Jr 7.18). A panela a ferver, inclinada para o norte, simbolizava que todas as invasões que Israel sofreria viriam do lado norte. Como já vimos, a nação de Judá estava submergida em muitos pecados comportamentais de mentira (Jr 8.10), assassinatos (2.34) e exploração (Jr 9.2, 4). O profeta Jeremias avistava a panela, mas observava a Babilônia dominando a cidade de Judá e despejando sua fúria sobre Jerusalém (Jr 1.13-14).

A direção da panela era o “Norte”, lugar onde Deus haveria de suscitar nações ensandecidas, como uma panela sob o fogo fervendo. O povo não tinha noção do que estava por acontecer: incêndio em Jerusalém, milhares de assassinatos, destruição do templo e o pior exílio, o babilônico.

Jeremias tinha duas paixões: Deus e o povo. Mais uma vez, o profeta estava alertando que Israel teria problemas com os seus vizinhos. Estes inimigos ao norte eram os babilônios. A Bíblia narra que nos dias de Jeremias, os caldeus, ou babilônios, estavam expandindo seus territórios, conquistando tudo ao redor. A história nos diz que os caldeus tinham invadido a capital dos assírios no ano 612 a.C. Nínive havia sido conquistada e estava sob o governo de outro monarca. Sete anos mais tarde, na famosa batalha de Carquemis, os Egípcios e os remanescentes assírios foram destruídos pelos babilônios.

Em 605 a.C., Nabucodonosor, ainda como príncipe herdeiro, vence a Faraó Neco II na batalha de Craquenis (Jr 46.2, 6, 10; 2Rs 24.7). Devido à sua posição ardilosa, tanto comercial como militar, o controle de Carquemis era visado pelos reinos desde os tempos antigos. Os assírios asseguraram por algumas décadas toda a região do Crescente Fértil. Ao entrar em disputas internas para ver quem sucederia o trono, teve suas finanças e exército enfraquecidos. Nabucodonosor se aproveitou desta instabilidade para ir à guerra, a famosa batalha de Carquemis, onde o Egito perdeu para a Babilônia. 

O Senhor é Soberano nos céus e na terra. Foi Ele que criou o mundo com o Seu poder. O Senhor é aquele que sustenta o mundo e tudo o que nele há. O Senhor Deus não é apenas o Deus de Israel, mas de todas as nações. Ele é aquele que soberanamente governa todas as nações. O rei Nabucodonosor foi um instrumento que Deus usou para reprimir e reeducar o Seu povo (Jr 32.28). Todos os reis, pagãos ou não, estão sujeitos à Sua vontade. Deus merece adoração de todos os povos da terra porque Ele é o Senhor do mundo inteiro. Ele governa sobre todos e julga o mundo de acordo com a Sua justiça.

A grandeza do Senhor é retratada com nitidez em toda a Bíblia. A palavra soberana nos faz entender que o Senhor detém todo o poder sem ressalva. Significa que Deus possui o controle absoluto sobre tudo e todos. Ele está acima de todo o universo. Através de Sua Palavra tudo foi criado (Cl 1.16). Aprendemos com esta lição que o Eterno Deus, por Sua soberania e domínio, governa tanto individuo como nações, Todos são Seus servos.

Conclusão

A Palavra de Deus nos mostra que era preciso haver um arrependimento por parte do povo de Judá. O profeta Jeremias alertava que o perigo de suas ações estava vindo do Norte. Todavia, seus corações estavam endurecidos, pois deixaram de ouvir a Palavra de Deus há muito tempo.



Neste trimestre, estudaremos a vida do profeta Jeremias. Veremos no decorrer das treze lições que o serviço na obra do Senhor é bastante árduo. Será uma excelente oportunidade para meditarmos sobre os propósitos de Deus ao disciplinar o Seu povo e as profecias de restauração e renovo. Que possamos ter a força necessária para prosseguir nos caminhos do Senhor e possamos nos tornar pessoas melhores na caminhada diária de nossas vidas. Para conhecer ainda mais sobre o ministério do profeta Jeremias, e as grandiosas lições retiradas de suas palavras e ações, participe neste domingo, 16 de abril de 2017, da Escola Bíblica Dominical.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Heróis da Fé


O alicerce da fidelidade é a convicção, e esta é por sua vez, o mais evidente fruto da fé genuína. Logo, é impossível desvincular uma da outra; e esta é uma verdade intrínseca em cada página da Bíblia e explícita na história de seus mais importantes personagens. 

Homens fieis são dotados de grande fé, e a está fé gera a convicção exigida para que a fidelidade se mantenha intacta. O anônimo escritor da epístola aos Hebreus não apenas define o conceito “FÉ” com perfeição (Hebreus 11:1), como também apresenta uma extensa lista de homens e mulheres, que convictos de sua fé, mantiveram-se fieis ao Senhor em todos os momentos de suas vidas, e alerta: “sem ela (a fé), é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). 

E foi exatamente por intermédio do “firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que ainda não existem”, que os antigos heróis da fé, ainda nos inspiram e testificam do grande poder de Deus. 

A fé, aliada a fidelidade, levou Abel ao oferecimento de um sacrifício puro e verdadeiro. 

Enoque andou com Deus em tempo integral até ser transladado. Noé construiu uma arca para sobreviver ao dilúvio, mesmo ainda não havendo chuvas no céu. Abraão foi chamado “Amigo de Deus” e habitou na terra da promessa, assim como seus descendentes Isaque e Jacó, sendo pai de uma nação, ainda que sua esposa Sara estéril. 

Fé e fidelidade nortearam esta família, com bênçãos sendo ministradas de pais para filhos, até que o número dos seus não pudesse mais ser contado. 

Por fé, Moisés abdicou de uma vida no palácio para viver no deserto, conduzindo seu povo de volta para a terra da promessa. 

Por fé, Raabe, por generosidade acolheu os espias hebreus, e por conta deste ato, sobreviveu a queda dos muros de Jerico. 

Hebreus 11 ainda lista outros exemplos de homens fidedignos, tais como Gideão, Baraque, Sansão, Jefté Davi, Samuel e outros profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga exércitos poderosos e as mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos. 

Como a fidelidade é recompensadora não? 

Mas, as vezes ela nos leva a testes ainda mais intensos, onde a fé e a convicção são exigidas em sua plenitude. O escritor aos Hebreus, que até então narrava aos atos portentosos de homens que estavam convictos de sua fé, passa agora a narrar feitos ainda mais impressionantes. 

Pela Fé, e por Fidelidade, alguns foram torturados, abrindo mão de seu livramento. Outros experimentaram escárnios, açoites e até prisões. Muitos foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada. Andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados, errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. 

E todos eles, mesmo mantendo se fiel a sua fé, não alcançaram a promessa, mas morreram em paz e alegremente, sabendo que o seu testemunho inspiraria muitas vidas. Somos aconselhados em Apocalipse 2:10 a sermos fieis até o fim, mesmo que este “FIM” seja a morte, pois aqueles que assim procedem, recebem na eternidade, das mãos do próprio Cristo, a Coroa da Vida.

Pb. Miquéias Daniel Gomes

terça-feira, 11 de abril de 2017

Geração auto-suficiente


Biblicamente falando, não é tarefa fácil falar sobre uma geração. Confesso, que, mergulhar neste extenso e complexo tema, é uma grande aventura. A complexidade, na verdade, está nas várias interpretações teológicas sobre o assunto.

A Bíblia fala deste tema de Genesis à Apocalipse, já que uma geração de conecta a outra, e os eventos se contextualizam. E a Bíblia, embora seja uma leitura agradável e edificante, não é simples literatura. As várias linhas de interpretação bíblica, por vezes, se divergem entre si. Sendo assim, a complexidade vem de nós mesmos, que não damos uma devida atenção aos textos e contextos bíblicos.

É inegável a influência de gerações antigas sobre as novas gerações. Ou a completa negação a elas.  No livro de Josué, o encontramos liderando uma geração conquistadora e cheia de fé; já em Juízes, testemunhando uma geração fracassada, porque não olhou para a geração passada. Não aprendeu com seu passado histórico.

Gosto muito de um verso bíblico que nos faz refletir sobre o que estamos estudando, Provérbios 22.28: - "Não desloque os marcos ou limites dos antigos que teus pais ficaram". A geração da conquista desprezou as obras de Deus que foram realizadas na vida de seus pais. Eles tinham uma história escrita pelo dedo de Deus. Mas, decidiram seguir seus próprios caminhos.

O maior fracasso dessa geração hodierna, é justamente, levar estampada no peito a autoconfiança, a soberba e o orgulho. Quando deixamos de olhar para o nosso Deus, a tendência é cair em poço fundo cheio de escuridão, vazio de vida e gelado pela presença da morte espiritual.

O mal que fez aquela geração pós Josué fracassar, foi a autoconfiança em si mesmo e achar que uma vez de posse da benção, não precisava de Deus. Temos que tomar cuidado pois todos nós estamos na mira desse mal.

Pb. Bene Wanderley