quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ferramentas


Somos humanos e imperfeitos. Isso é algo que não podemos mudar... Mas Deus pode.

Imagine que somos ferramentas, cujo uso inadequado ou até mesmo pela rispidez do trabalho, acaba se desgastando, se quebrando e por muitas vezes ficando inutilizado; encostado em um canto da oficina, enferrujando e acumulando sujeira.

Mas esta situação muda quando o “ferreiro” intervém...

Primeiramente Ele pega essa ferramenta imperfeita e realiza uma análise da situação, identificando o que precisa ser consertado e que método precisará usar. As vezes um rápido polimento ou talvez apenas a aplicação de um novo fio para o corte, resolve a situação. Mas as vezes o caso requer uma tratativa bem mais drástica.

Então o ferreiro prende a ferramenta em um grampo, a fim de que ela não escape de suas mãos. Ela então é levada ao braseiro onde recebe uma quantidade enorme de calor, capaz de transformá-la fisicamente e modificá-la quimicamente. Em seguida, ao perceber que a ferramenta está no “ponto” adequado, Ele a coloca sobre uma bigorna e usando seu martelo, a golpeia dando forma ao material que agora se encontra maleável.

Esta ferramenta, uma vez remoldada, é mergulhada em água fria, num processo chamado “tempera”, para depois ser avaliada pelo ferreiro, que caso perceba que o material ainda não está adequado, repete o processo até alcançar a perfeição.

A provação nada mais é, do que um processo pelo qual “Deus” nos molda, a fim de retirar de nós (suas ferramentas na Terra), a melhor produtividade possível...

Por isso, quando apresentamos algum defeito como quebra,  trinca e até mesmo falta de funcionalidade, Deus nos leva para a sua  oficina, a fim de nos dar uma tratativa especial e recuperar nossa melhor forma. Neste processo conhecemos a fornalha, dialogamos com o martelo que esmiúça a penha, e finalmente somos refrigerados pelo Espírito; e caso o resultado não seja satisfatório; Deus repetirá o processo incansavelmente até ter em suas mãos uma obra prima. E o nome disso é AMOR.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Depois do Mar Vermelho


Em muitos sermões que pregamos e ouvimos, a travessia do Mar Vermelho é final feliz para uma grande história. Logo após a travessia, os israelitas promoveram uma grande festa de júbilo e celebração. E tinham motivos para isso. Poucas horas antes, seus corações estavam tomados pelo medo, enquanto se viam encurralados em Pi Hairote, impotentes diante do oceano e indefesos contra o exército de Faraó, sem perspectivas ou esperanças. Mas, agora, o mar era um obstáculo vencido e as ondas traziam para a margem os corpos desfalecidos dos egípcios, que a esta altura, já não apresentavam qualquer perigo. 

Haviam sim motivos para comemorar, mas o que Israel não sabia é que aquele era apenas o primeiro passo de uma jornada longa e difícil, que se estenderia por quatro décadas. Para chegar ali, eles tiveram que atravessar muitos metros por entre as águas, mas agora haveriam centenas de quilômetros sob a areia escaldante do deserto. O Egito, derrotado e humilhado, daria lugar a dezenas de povos bárbaros e nações agressivas entre Israel e a terra da promessa. Tudo até ali, era na verdade uma preparação para coisas ainda maiores, batalhas mais acirradas e momentos de imensa tensão.

A verdade é que antes do mar, todo trabalho fora feito por Deus e os hebreus assistiram ao próprio livramento de camarote.  Foi Ele quem escolheu e preparou Moisés, e também quem enviou as pragas sobre o Egito. Eram as mãos do GRANDE EU SOU que abriram as águas do mar e decretaram a ruína do exército inimigo. Deus tomou aquela questão como uma causa pessoal, enquanto seu povo apenas aguardava o momento da vitória. (Êxodo 14:10-20). 

Mas, o deserto lhes reservava suas próprias batalhas e Israel precisava estar pronto para isso. O livramento com mão forte, a escapada maravilhosa e a celebração incontida, eram lições valiosas sobre o quão comprometido Deus é com seus escolhidos,  mas não garantia imunidade contra dias de angustia e provações ainda maiores.

Para entenderemos este mecanismo usado por Deus, afim de aperfeiçoar seu povo, podemos olhar alguns séculos a frente e fecharmos nosso foco em um único homem: Davi. Mesmo após ser ungido rei de Israel (I Samuel 16:12-13), ele retornou ao ostracismo das pastagens e continuou apascentando as ovelhas de seu pai. Porém, foi dado o “start” de seu treinamento. O primeiro teste foi enfrentar um leão. Davi venceu a fera e ganhou experiência para lidar com um adversário bem maior: uma ursa. Foram estas batalhas individuais travadas no anonimato que credenciaram Davi como o representante da nação contra o gigante Golias (I Samuel 17:33-51). Mas se você acha que enfrentar o filisteu seria o derradeiro desafio do belemita, está equivocado. Pouco tempo depois, Davi se viu perseguido por um exército inteiro, liderados por um ensandecido Saul que desejava ardentemente extermina-lo (I Samuel 23:8). Apenas passados todos os estágios é que finalmente Davi ascendeu ao trono de Israel, mais forte e preparado do que nunca.

No deserto Deus cuidaria do seu povo como sempre fez, provendo, intervindo, ensinando e corrigindo. A diferença é que agora eles precisariam se mover, caminhar com as próprias pernas, enfrentar um desafio se preparando para o próximo, pois somente assim estariam devidamente capacitados para a retomada de Canaã. Pense em Deus como um pai que está ensinando seu filho a andar de bicicleta. Ele está do lado, amparando, escoltando, sustentando. O filho se sente confiante, e nem percebe que pouco a pouco está se equilibrando sozinho, dando suas próprias pedaladas rumo ao desconhecido. Mas caso caia, o pai imediatamente está ali para levanta-lo, sendo que este processo se repetirá quantas vezes foram necessárias.

O Senhor testemunha deste cuidar em Oséias 11:1-4: 

Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins, e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomando-os pelos seus braços, mas não entenderam que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor, e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas, e lhes dei mantimento.  

Ali, as margens do Mar Vermelho, Israel deixa de engatinhar e começa a dar seus primeiros passos. Eles serão amparados por Deus, e orientados por Moisés, um líder previamente escolhido e que já acumulava mais de 700.800 horas na escola preparatória de Deus. O problema, é que nem todos estavam interessados em aprender.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

EBD - Judá é levado para o cativeiro da Babilônia


Texto Áureo
Jeremias 52.13
E queimou a Casa do Senhor, e a casa do rei, e também a todas as casas de Jerusalém, e incendiou todas as casas dos grandes.

Verdade Aplicada
Os graves erros cometidos por seus líderes fizeram com que o povo de Judá se afundasse cada vez mais em seus pecados.

Textos de Referência
Jeremias 52:14-16, 28

E todo o exército dos caldeus que estava com o capitão da guarda, derribou todos os muros que rodeavam Jerusalém.
E os mais pobres do povo, e a parte do povo que tinha ficado na cidade, e os rebeldes que se haviam passado para o rei da Babilônia, e o resto da multidão, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou presos.
Mas dos mais pobres da terra deixou Nebuzaradã, capitão da guarda, ficar alguns, para serem vinhateiros e lavradores.
Este é o povo que Nabucodonosor levou cativo no sétimo ano: três mil e vinte e três judeus.


Norte e Sul

Após a morte de Salomão, seu filho Roboão reinou em seu lugar. Ambicionando ainda mais riqueza e poder, o jovem rei aumentou arbitrariamente a tributação das tribos de Israel, mesmo os impostos cobrados por seu pai já sendo abusivos. O resultado foi uma guerra civil que dividiu a nação em dois estados independentes. A coalizão formada por Efraim, Manassés, Ruben, Gade, Aser, Naftali, Issacar, Dã e Zebulom, declarou Jeroboão como seu rei, e estabeleceu Samaria como a nova capital do “Reino do Norte”, e manteve a nomenclatura “Israel”. Os territórios de Judá, Benjamim e Simeão, passaram a ser chamados de Reino do Sul, tendo Jerusalém como capital, e usando a nomenclatura “Judá”.  Os levitas, que viviam em função do templo, permaneceram em Jerusalém. Já os descendentes de Simeão, preferiram migrar para Israel, totalizando as famosas “dez tribos do Norte”. Para Deus, esta divisão política pouco importava, já que o Senhor enxergava seu povo como uma única nação. Historicamente, Israel se mostrou mais inclinado a práticas pecaminosas do que Judá, principalmente em decorrência da sucessão de reinados imersos em perversidade.

Segundo os registros de I e II Reis, cada reino teve 20 governantes diferentes. Em Judá, 12 reis são descritos como homens maus e perversos. Em Israel, a coisa era muito pior. Não houve um único governante que escapasse desta lista negra de iniquidades. O trono de Israel sempre foi o epicentro de idolatrias, promiscuidades e violência.  Sete, dos vintes reis, foram assassinados. Um cometeu suicídio, um foi ferido por Deus e outro foi deposto e levado para Assíria. A média de duração do reinado de um monarca israelita era de apenas dez anos, e nove famílias diferentes reivindicaram o trono. Isto explica a sua curta duração como estado independente, que não chegou a 210 anos.

Deus levantou a Assíria como um chicote disciplinador contra seu povo. Era preciso trazer a nação de volta ao eixo, mesmo que a cura para aquela terra pecaminosa, fosse extremamente amarga. Em 723 AC, Israel perdeu para de seu território para os assírios, e viu a soberania nacional sucumbir ante o poder bélico dos estrangeiros. A Galileia foi tomada, e nessa região, estabeleceu-se a migração forçada de colonos estrangeiros, criando uma nova identidade étnica através da mistura dos assírios com a população local. Em 722 AC, o Reino do Norte foi definitivamente conquistado por Salmanaser V (726-722 AC.), ocorrendo a consolidação assíria com Sargão II (722-705 a.C.). Samaria foi repovoada por colonos estrangeiros e a população deportada por todo o império assírio.

Uma vez que Assíria consolidou sua vitória contra Israel, partir para a conquista de Judá. Porém, em decorrência da ação de governantes tementes a Deus, o Reino do Sul experimentou períodos de grandes avivamentos espirituais, gerados pelo arrependido e pela busca verdadeira ao Senhor. Com isso, ao invés de ser derrotada pelos Assírios, foi Judá, que liderada por Ezequias, obteve uma miraculosa vitória contra os seus inimigos. Porém, 150 anos depois, mais uma vez o Reino do Sul estava imerso em iniquidade, hedonismo e apostasia espiritual. É neste cenário que nos deparamos com Jeremias, anunciado a toda nação que a hora do juízo do divino havia chegado, e desta vez, Judá de fato, iria cair. A grande questão, era que eles poderiam escolher o tamanho do estrago. O profeta aconselhava a rendição aos caldeus, já que tal atitude atrairia a benesse de Nabucodonosor para com os judeus, e seria uma demonstração nacional de submissão a vontade de Deus.

Judá preferiu lutar com suas próprias armas, e a derrocada foi inevitável. Nabucodonosor, realizou três viagens a Jerusalém, sendo que em cada uma delas, infligiu castigos mais severos à cidade. Durante a sua primeira visita em 606 AC., Nabucodonosor saqueou o Templo de salamão, tomando para si diversos utensílios sagrados. Também levou para a Babilônia um bom número de reféns, sendo eles jovens provenientes da mais alta classe social judaica. Uma aliança política entre Judá e o Egito despertou a ira dos caldeus e em 597 AC., a cidade de Jerusalém foi novamente atacada, e uma segunda leva foi encaminhada para Babilônia, incluindo milhares de cativos e todos os artífices e ferreiros. A terceira investida por parte do exército de Babilônia ocorreu em 586 AC., durante o reinado de Zedequias. Nesta ocasião, Jerusalém caiu definitivamente, o templo e a cidade foi incendiada. Apenas os pobres dentre o povo foram deixados na terra, vivendo em miséria sobre as ruínas de Judá.

Assim como já tinha acontecido centenas de anos antes durante a estadia no Egito, Deus usaria uma nação estrangeira como “útero”, para gerar um povo especial. Os setenta nos no exílio ensinaram aos judeus a serem mais tementes a voz do Senhor, e a obedecerem seus estatutos. Pela lei, eles deveriam plantar na terra durante seis anos, mais no sétimo, o solo deveria descansar. Por 490 anos, os judeus desrespeitaram a ordenança divina, e agora, amargariam sete décadas de exílio, enquanto a terra descansava por 70 anos, o exato número de “férias atrasadas”. Deus sabia o que estava fazendo. Tudo estava sobre o controle de suas mãos. O cativeiro começou com o final já decretado. Bastava que os exilados, compreendessem o quanto Deus se sentia “solitário”, quando seu povo o mantinha exilado no limbo de seus corações.

A verdade é esta: Vocês estarão em Babilônia durante o tempo normal duma vida, ou seja, setenta anos. Mas depois virei, e vos farei todo o bem que vos prometi, e vos trarei para casa. Porque não me esqueci dos planos que fiz a vosso respeito, planos de bem e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança. Nesses dias, quando orarem a mim, eu vos ouvirei. Encontrar-me-ão quando me buscarem de todo o vosso coração, com toda a diligência. 14 Sim, diz o Senhor, serei achado por vocês, e porei fim à vossa escravidão; restaurarei a vossa situação; juntar-vos-ei das nações para onde vos enviei, e hei-de trazer-vos de novo para a vossa terra natal. (Jeremias 26:10-13)

A vida na Babilônia não foi fácil. Os judeus se sentiam derrotados, humilhados e abatidos. Seus lábios se fecharam e não se ouvia cântico entre eles. Deus, então, usa o profeta Jeremias para escrever uma carta aos cativos da Babilônia, afim de encorajá-los e anima-los. Nela, os judeus são aconselhados a não perderem sua identidade nacional, a se manterem leais as suas crenças e fugirem das tentações pagãs. Aquele era um “teste” no qual precisavam ser aprovados, para que o Senhor, em seu devido tempo, restaurasse a sorte de Sião. Na Babilônia, um povo fragmentado voltaria a ser um, e voltaria a viver momentos de intimidade com seu Deus. O Senhor estaria com eles mesmo naquela terra pagã, e os faria prosperar em território hostil, e por eles, até mesmo s caldeus seriam abençoados.

- Construam as vossas casas, não tenham receio de fazer projectos a longo prazo; plantem pomares, pois que hão-de ficar aí por muitos anos. Podem casar, e ter filhos; procurem maridos e mulheres para estes últimos, e que se rodeiem de netos. Multipliquem-se, não decaiam! Trabalhem para a paz e a prosperidade de Babilónia. Orem por ela, porque se Babilónia tiver paz, vocês também. (Jr. 5.7)


Um profeta atemporal

Toda a lição de Escola Dominical desafiadora, e esta, não poderia deixar de ser mais um grande desafio. O assunto é extenso, e cheio de percalços, o que dificulta nosso aprofundamento em alguns pontos salientes deste evento histórico. Mas, mesmo dentro de algumas limitações gráficas e didáticas, a riqueza de conhecimento a ser adquirido com este conteúdo é enorme. As profecias de Jeremias são atualíssimas, seja em termos teológico ou escatológico. Cada etapa da vida ministerial deste profeta nos abre um leque de dimensões profundas, e porque não, assustadoras. As questões levantadas por Deus através do profeta Jeremias, são na verdade, as mesmas para as quais Deus tem chamado a atenção do mundo hodierno. Não podemos negar que nas páginas deste livro milenar, foram lavradas profecias para o nosso tempo. Parece-me, que Jeremias nasceu ainda na década passada.

Tenho dificuldades em entender, a existência de cristãos que não enxerguem nas páginas o panorama do agora. No decorrer das doze lições estudadas até agora, minha vida, bem como a vida de muitos servos do Senhor Jesus Cristo, foram profundamente impactadas, transformadas, e regeneradas. O livro de Jeremias é um grito de Deus, pedindo ao seu povo que se volte para Ele. E não é isto que estamos vivenciando?

O distanciamento entre o homem e seu Criador é latente até mesmo no seio de nossas igrejas. O descaso espiritual é gritante em nossos dias, os valores cristãos genuinamente bíblicos vêm sofrendo uma degradação absurda e furiosa por parte dos agentes de Satanás infiltrados nas esferas políticas e eclesiásticas.  E Deus, como nos dias​ do profeta Jeremias, continua nos alertando para o perigo eminente que já está as portas. Os avisos do profeta foram ignorados pelo povo, as pessoas não queriam ouvir as advertências de Deus, e toda a nação sofreu a “pena máxima” como resultado da sua loucura.

Para atrair seu povo, Deus providenciou o exílio babilônico como o peso da sua mão. A única vontade de Deus, era que Israel voltasse a ser “seu” povo exclusivo. Este foi o plano original de Deus quando em Abraão, firmou a promessa ( Gn 12). Deus chamou um homem, e lhe disse que dele, faria uma grande nação, através da qual, todas as famílias terra seria benditas. Mas, ao longo dos anos o povo se desviou do plano original de Deus, e com isso irrompeu historicamente em diversas catástrofes. Se afastando de Deus, e andando ao bel prazer, caíram em grandes desgraças. Vivenciaram o caos.  Percebe a semelhança com os nossos dias?

Infelizmente, em muitos altares de hoje, não podemos pregar como Jeremias, já que não é “conveniente” assustar os “pobrezinhos” dos “irmãozinhos”, se não, eles abandonam a igreja. Entra em pauta o velho jargão:  Os tempos são outros! E assim, estamos assistindo de camarote o navio indo a pique.

Seria preciso páginas e mais páginas para escrever sobre tudo o que a Bíblia a respeito de idolatria, paganismo espiritual, perversão bíblica, apostasia bíblica, teológica e cristã. Itens presente em diversas prateleiras nos atuais mercados da fé. Mas, creio que podemos mudar este cenário. Acredito numa revolução espiritual antes do Arrebatamento da Igreja. Deus vai sacudir seu povo, e os profetas bradarão com autoridade. Pode ser eu. Pode ser você. Mas, certo é, que Deus o fará, pois ele é Deus.

Todos esses​ pecados que relacionei, e outros que não citei no texto, foram a causa principal e definitiva para o castigo divino contra Judá. Provérbios 16.4, diz: - O Senhor fez todas as coisas para o seu próprio fim, até o ímpio, para o dia do mal. O grande erro de Judá foi pensar que ninguém estava vendo seus atos pecaminosos, e que, portanto, nada lhes aconteceria. Infelizmente, é assim que muitos “frequentadores de igrejas” vivem, pensam e fazem. Para acordá-los, o cativeiro se faz necessário. Precisamos orar para Deus nos de homens e mulheres cheios de coragem e com o mesmo espírito de Jeremias. E que possamos dizer: - Eis-aqui. Não será uma tarefa fácil, mas, será recompensadora no futuro.

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Material Didático
Revista Jovens e Adultos nº 103 - Editora Betel
Jeremias - Lição 12
Judá é levado para o cativeiro da Babilônia
Comentarista: Pr. Clementino de Oliveira Barbosa












Introdução

O castigo foi necessário para mostrar ao povo que Deus não havia mudado. Ele queria que o Seu povo retornasse à verdadeira adoração. Ele mostrou seu grande amor ao trazer Israel de volta após um longo exílio na Babilônia.

O propósito de Deus quanto ao exílio

O povo de Israel foi eleito para ser um povo exclusivo do Senhor. Mas, durante o decorrer dos anos, a nação se desviou dos verdadeiros ensinamentos. Israel estava andando segundo seu bel-prazer, praticando toda sorte de pecados. Estava andando mais para trás do que para frente (Jr 7.23-24). Como se recusaram a ouvir as advertências de Deus, o juízo foi derramado sobre eles.

As causas que levaram o povo ao exílio

Este cruel acontecimento havia sido anunciado pelo profeta Isaías ao rei Ezequias (2 Rs 20.16-17). A finalidade de Deus era que Israel fosse um povo separado entre as demais nações. Eles teriam a responsabilidade de guiar os outros povos em direção a Deus e ao Messias. No entanto, durante anos, o povo de Israel se esqueceu do Senhor. Os pecados cometidos nos dias de Jeremias, que levaram o povo ao exílio, continuam acontecendo de igual modo nos dias de hoje, tais como: idolatria, assassinatos, desprezos aos profetas de Deus, etc.

O livro de Provérbios afirma: “O Senhor fez todas as coisas para os seus próprios fins, e até o ímpio, para o dia mal” (Pv 16.4). Não há dúvidas de que o rei Nabucodonosor serviu aos desígnios soberanos do Senhor para disciplinar o Seu povo desobediente, pois estavam envolvidos em muitos pecados (Jr 5.30-31). Deus queria que o Seu povo abandonasse os seus pecados e se voltasse para Ele, em reverência e dependência total: “Ele te declarou, ó Homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus”? (Mq 6.8).

Uma vida sem perspectiva

O povo de Judá estava disfarçando a sua vida espiritual. Eles estavam cometendo pecado e pensavam que ninguém estava vendo, nem mesmo Deus. O pecado é assim mesmo. Ele ludibria as pessoas, confunde a sua visão, leva-as à fraude espiritual e deixa-as destituídas da verdade. Mas o Senhor vê todas as coisas (Sl 33.13-15). Nos dias de Jeremias, o povo de Judá estava vivendo uma vida dupla. Suas vidas estavam sobrecarregadas de hipocrisia (Jr 6.14). Ou seja, estavam praticando um culto da boca para fora. Era um culto magnífico, mas sem vida, sem amor, sem experiência com Deus. Diante disto, Deus trouxe contra esta nação, que já não mais O adorava, uma série de castigos, culminando na destruição de Jerusalém e o cativeiro do povo.

Quando refletimos sobre a verdadeira adoração a Deus, idealizamos alguma coisa que provém de nós mesmos, a fim de anunciarmos louvor às qualidades de Deus. A Bíblia relata que devemos adorar ao Senhor com todo o nosso coração (Mc 12.30). A adoração simplesmente com os lábios, e não com o coração, é uma adoração fingida. Deus não quer apenas uma parte de sua vida. Ele pede todo o seu coração, toda a sua alma, toda a sua mente e toda a sua força. Que possamos nos achegar ao Senhor com nossos corações, em obediência e amor.

O cativeiro agora era uma realidade
As profecias de Jeremias eram concisas como Deus havia dito que era para ser. O profeta Jeremias descreve que: “Babilônia era um copo de ouro na mão do Senhor, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso, as nações enlouqueceram” (Jr 51.7). O avanço do exército inimigo contra Judá não era simplesmente resultado da cobiça babilônica ou de fracasso na política externa, mas consequência do povo não ter atentado para as diversas advertências divinas desde Moisés, antes mesmo de Israel entrar em Canaã sob o comando de Josué. Hoje, vivemos dias não diferentes de Jeremias, dias de indiferença e rebeldia ao Senhor. Devemos sempre nos lembrar que a atitude do povo de Judá provocou o caos espiritual e o exílio.

Desde a chamada do patriarca Abraão, o povo de Israel deveria ser diferente, isto é, monoteísta (adorar um único Deus), enquanto os demais povos eram politeístas (adoravam vários deuses). Através dos séculos, depois de entrar na terra Prometida, o povo de Israel se deixou vencer continuamente pela idolatria, contrariando os mandamentos do Senhor Deus (Êx 20.3-5).


A convocação ao arrependimento

Em seu livro, o profeta Jeremias nos apresenta um cenário envolvendo a perversão de Judá e de sua consequente derrota para os babilônios. Conforme a rebeldia do povo aumentava, mais vulneráveis se tornavam, sendo incapazes de compreender a vida e a realidade divina.

Os profetas no exílio

O profeta Jeremias foi contemporâneo dos profetas Ezequiel e Daniel. Jeremias serviu como profeta de Deus em Judá, enquanto Daniel e Ezequiel foram profetas na cidade da Babilônia. Mesmo no cativeiro, Deus estava cuidando do Seu povo. Jeremias permaneceu em Jerusalém, mas Deus também tinha seus profetas no exílio: Daniel e Ezequiel, pois o Senhor prometeu jamais abandonar o Seu povo (Dt 31.6).

Jeremias desempenhou seu ministério profético na terra de Judá anunciando a destruição de Jerusalém e o cativeiro. Daniel esteve na comitiva em Babilônia, servindo como político no palácio real, e, Ezequiel ministrou para os judeus exilados no campo. O profeta Daniel foi transportado nove anos antes que Ezequiel para a Babilônia. A história de Israel a partir deste ano passou a ser estendida em duas localidades geograficamente separadas, com profetas em Jerusalém (Jeremias) e na Babilônia (Daniel e Ezequiel). Este episódio mudou a história do povo de Deus.

É preciso louvar ao Senhor

Os judeus se reuniam no templo de Jerusalém. Neste lugar, todo judeu deveria se dirigir para lá a fim de adorar ao Senhor. Daniel, mesmo no exílio, orava em seu quarto com a janela voltada para a direção de Jerusalém (Dn 6.10). Com a conquista de Jerusalém (Dn 6.10). Com a conquista de Jerusalém por parte dos babilônios, que destruíram o templo e deportaram a população para a Babilônia, o povo não tinha mais terra nem templo. Como era preciso adorar o Senhor, surge neste momento a sinagoga. Assim, a sinagoga passa ser o local do culto judaico, um ponto de encontro dos judeus para as preleções, orações e leitura das Escrituras. Ao se desenvolver entre os judeus as sinagogas, intensificou-se a precisão de cópias das Santas Escrituras para os grupos dos exilados judeus em toda a Babilônia. Mesmo cativo era preciso adorar ao Senhor.

O aparecimento das primeiras sinagogas é atribuído ao período do exílio babilônico, quando os judeus deixaram de ter um templo para venerar e sacrificar ao Senhor. Nesta ocasião, os judeus mais religiosos, passaram a reunir-se numa sinagoga para ouvir a Palavra do Senhor e fazer orações. As sinagogas tornaram-se então as instituições mais importantes para os judeus. Em qualquer local onde tivesse dez judeus, podia ser aberta uma sinagoga. A direção da sinagoga era exercida pelo rabino, o qual era eleito pelos componentes daquele grupo.

Mesmo no cativeiro Deus cuida do Seu povo

A nação de Judá foi castigada para mostrar o quanto o Senhor é fiel e verdadeiro. Deus planejou trazer seu povo de volta à verdadeira adoração e mostrar às nações quem era o Deus de Judá. Mesmo habitando com pagãos na Babilônia, o povo eleito do Senhor não poderia se contaminar. Ou seja, a lealdade do Senhor não podia ser negociada de modo algum. A nossa realidade não é diferente. O Senhor nos diz a mesma coisa hoje: Não se contamine! A vida do profeta Daniel nos inspira em todas as fazes da nossa vida. Ele foi um homem leal a Deus da juventude à velhice. Mesmo que as circunstâncias sejam distintas, o mesmo Deus que conduziu o profeta Daniel na Babilônia nos conduzirá em nossa caminhada.

O profeta Daniel tinha uma vida de oração, que lhe impulsionava a não abandonar ao Senhor. Ele começou a buscar o Senhor em oração ainda moço e não sucumbiu, nem mesmo quando já estava em idade adiantada. Daniel entrou para a história porque buscava o Senhor em oração constante. O que aprendemos com Daniel é que, mesmo vivendo escravizado, o Senhor se torna a água para os que têm sede e pai para os órfãos.


A hora de voltar para casa

O profeta Jeremias assegurou que o Senhor resgataria o Seu povo do cativeiro (Jr 30.10; 46.27). Do mesmo modo, Moisés e Salomão, séculos antes, haviam falado sobre uma restauração após o cativeiro (Dt 30.1-5; 1Rs 8.46-53). Outros profetas também asseguravam o livramento do exílio (Ez 39.25-27; Am 9.13-15; Sf 2.7; 3.20).

A restauração do povo de Israel

O período que o povo ficou exilado marcou intensamente tanto os que permaneceram em Judá como os que foram transportados para o exílio. Muitos, de formas distintas, viveram o conhecimento da aflição, da nostalgia, do desprezo e a consciência de culpabilidade pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá. Sem dúvida alguma, um dos períodos mais difíceis e dolorosos. Mas também foi motivo de renovação e retomada da fidelidade a Deus.

Com o exílio na Babilônia surgiriam importantes escritos como de Ezequiel, Daniel e partes dos Salmos. Esses relatos geram a perspectiva do regressar, de um novo êxodo em que Deus mesmo vai ajuntar o seu povo como o pastor reúne o seu rebanho (Is 40.10-11). O exílio na Babilônia e o retorno do povo à terra de Judá foram percebidos como um dos grandes atos principais no episódio da relação entre o Deus de Israel e o Seu povo arrependido.

O Senhor é Soberano

Deus possui discernimentos que passam longe de nossos pensamentos. Ele usa quem Ele quer em Suas mãos. Após os setenta anos de cativeiro (Jr 29.10), o Senhor escolheu um rei gentio para executar os Seus planos. O rei Ciro foi um instrumento nas mãos do Senhor para garantir o retorno do Seu povo (Ed 1.1-3). Ele é Soberano e sabe a melhor forma e a quem usar para executar Seus planos.

A Soberania do Eterno Deus é informada nas Sagradas Escrituras que é impossível alguém negar essa doutrina. Deus é declarado como Soberano em cada folha das Sagradas Escrituras. De igual modo, o mesmo Deus governa e administra todas as questões desse mundo por Seu poder (Sl 115,2-3). O Senhor Deus é poderoso para fazer o que quiser, pois tudo é dEle: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1). Sua Soberania envolve Seu Governo e controle de modo absoluto.

Deus é Deus em qualquer circunstância

Deus não opera nem do jeito e nem no tempo do homem. Deus já havia levantado o rei dos assírios, Salmaneser, contra o reino do Norte, Israel (2Rs 17.6). Por toda a Escritura, notamos que o Senhor Deus não perde o controle, não se confunde e não é surpreendido. Mesmo quando tudo parece desmoronar e se tornar um caos, o Senhor reina e Seu propósito prevalece (Jó 42.2; Ap 19.6). Assim, o Senhor Deus é poderoso para usar as circunstâncias em favor daqueles que O amam, confiam nEle e a Ele se submetem (Rm 8.28).

Podemos estar sujeitos ao Senhor em todo o tempo. Podemos confiar nEle em tempo de perturbações, dores, angústias e ansiedades. Podemos nos apoiar nEle e na força do seu poder. As circunstâncias mudam, mas Deus nunca muda (Ml 3.6; Hb 13.8; Tg 1.17). Podemos não saber o que o Senhor está fazendo, mas sempre podemos confiar nEle, porque Ele sabe o que é melhor para cada um de nós. Não espere coisas comuns de um Deus que faz maravilhas. Não espere coisas acanhadas de um Deus imponente. Não podemos limitar o atuar de Deus. Ele é Deus e será sempre Deus! Ele nunca fracassou e não falhará jamais!


Conclusão

Tudo que aconteceu com o povo de Israel foi por causa de sua desobediência, que trouxe como consequência o cativeiro. Deus até nos permite sermos subjugados, mas não para sempre. Isto dura o tempo que for preciso para que aprendamos e cresçamos em Sua presença.




Neste trimestre, estudaremos a vida do profeta Jeremias. Veremos no decorrer das treze lições que o serviço na obra do Senhor é bastante árduo. Será uma excelente oportunidade para meditarmos sobre os propósitos de Deus ao disciplinar o Seu povo e as profecias de restauração e renovo. Que possamos ter a força necessária para prosseguir nos caminhos do Senhor e possamos nos tornar pessoas melhores na caminhada diária de nossas vidas. Para conhecer ainda mais sobre o ministério do profeta Jeremias, e as grandiosas lições retiradas de suas palavras e ações, participe neste domingo, 18 de maio de Junho, da Escola Bíblica Dominical.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quarta Forte com Éder do Prado



Nesta fria noite de 14 de junho de 2016, o Senhor aqueceu nossos corações com sua maravilhosa presença em mais uma Quarta Forte que jamais será esquecida. Unção, poder e glória.

Entre clamores contristados e louvores inspirados, Deus se fez presente na casa. A celebração contou ainda com a participação especial do Ministério de Louvor TEMPO DE ADORAR, da Assembleia de Deus Belém em Estiva Gerbi, que profetizou a vitória do povo de Deus mesmo que as postas estejam fechadas, e exaltou o poder do Senhor agindo em nossas vidas.

A ministração da noite ficou a cargo do preletor Eder do Prado, que nos trouxe uma palavra de encorajamento, inspirado pelo encontro de Jesus com os discípulos de caminhavam tristes com destino a Emaús. Aqueles homens estavam decepcionados, magoados e esmorecidos. Eles tinham dedicado os últimos anos de suas vidas ao ministério de Cristo, e agora, tudo o que acreditavam, tinha se desvanecido com o último suspiro de Jesus no Calvário.

Seus olhos marejados de lágrimas não os deixaram perceber, que aquele estranho que os acompanhava pelo caminho, era o mesmo que tinha dado a vida por eles na cruz. Os discípulos sentiam o coração queimar, mas não entendiam o porquê a presença daquele viajante lhes trazia tanta paz.

E quanta vezes também estamos nos sentindo solitários na estrada, sem ao menos perceber que Jesus caminha ao nosso lado. Vemos, mas não enxergamos, e com isso, continuamos imersos em nossas frustrações. Não reconhecemos o Mestre. Nosso coração arde, mas a vida não muda. Porém, isto não impede que Jesus continue andando ao nosso lado, falando aos nossos ouvidos e aquecendo nossa alma. Ele entra em nossa casa e retira as escamas de nossos olhos.

E então enxergamos. E, então, entendemos.... Nunca estivemos sozinhos. A morte jamais vencerá a vida. Emaús é um pit stop para Jerusalém...  Jesus é nosso amigo, companheiro e irmão. Nosso Deus, Rei e Salvador!