sexta-feira, 14 de julho de 2017

EBD: A evangelização urbana


Texto Áureo
Mateus 9.35
E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.

Verdade Aplicada
Um cristão jamais deve cometer o erro de guardar para si a salvação que recebeu.

Textos de Referência.
Lucas 8.1-3
E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele,
E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas.



O Dom Ministerial

Jesus Cristo veio ao mundo com um único propósito: Restaurar o homem a Deus. A Igreja foi incumbida de dar continuidade a esta obra gloriosa, e foi regiamente capacitada para concluí-la. Tudo gira em torno das almas perdidas. Nosso chamado, vocação e capacitação no Espírito.  Existe uma categoria de DONS espirituais que são dados a ”IGREJA” visando o aperfeiçoamento espiritual de cada indivíduo e a total edificação da comunidade como o Corpo de Cristo. A esses DONS congregacionais chamamos de MINISTÉRIOS. I Coríntios 12:5 nos diz que existe uma diversidade de ministérios, mas que o Senhor que os ministra é o mesmo. Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.
E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo. (Efésios 4:10-11) Paulo já havia citado alguns desses ministérios em sua segunda carta aos corintos: Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas (I Co. 12:27-28).

A concessão desses DONS fazem parte de um plano estratégico de Deus para o crescimento da igreja e a manutenção da obra sacra. Efésios 4:12-16 lista os propósitos que embasam a excelência desses DONS e creditam sua imensa necessidade na vida diária da congregação:

- Aperfeiçoamento do cristão como cidadão do céu
- Eficiência na realização dos trabalhos eclesiásticos
-Edificação da igreja como um só organismo
- Unificação fraternal da fé
- Pleno conhecimento de/sobre Cristo
- Aperfeiçoamento do caráter cristão
- Crescimento espiritual
- Amadurecimento teológico
- Refutação e anulação da tola ingenuidade
- Exposição da verdade
- Ajuste “fino” do Corpo de Cristo
(Ef. 4:12-16)

Apóstolos, Pastores, Mestres, Profetas e Evangelistas são ministérios distintos que funcionam em conjunto, com o objeto primaz de buscar, discipular e pastorear almas. Embora algumas igrejas utilizem o termo “EVANGELISTA” para designar um cargo eclesiástico, o MINISTÉRIO EVANGELÍSTICO não está necessariamente ligado a uma hierarquia ministerial, pois os Evangelistas citados por Paulo, são encontrados em todas as esferas congregacionais. Um Evangelista é aquele a quem o Senhor concedeu uma capacidade especial de anunciar o Evangelho. Está capacidade “especial” é um privilégio concedido para um grupo reduzido, mas anunciar a Mensagem de Cristo é um DEVER de todo cristão.

O Ministério Evangelístico pode ser considerado o DOM primário da igreja e o principal responsável pelo crescimento da mesma. Não houve uma só época da Igreja em que esse DOM tenha se extinguido.  Tal DOM pode ser evidenciado a cada página do livro de Atos, onde vemos os apóstolos pregando o Evangelho com poder, fazendo com que uma multidão se achegasse a igreja todos os dias (Atos 4:31-33). No período pós Bíblico, Deus também tem levantado Evangelistas cuja história poderiam constar na Bíblia. John Huss, “o ganso magro” que foi assado para que um “cisne” pudesse cantar cem anos depois; Martin Lutero, pai da grande reforma protestante; Jônatas Edwards, o grande avivalista inglês; John Wesley, o estopim do avivamento europeu; Jorge Whitefield, o peregrino em busca de almas; John Bunyan, que fez da cela de uma prisão o seu altar; Davi Brainerd, pioneiro na evangelização dos povos indígenas americanos; João Paton, que viu corações famintos por Deus dentro de corpos famintos por carne humana; Hudson Taylor, o evangelista que primeiro amou a China; Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores; Dwight Moody, ganhador de meio milhão de almas; Daniel Berg e Gunnar Vingren, visionários batistas que introduziram o pentecostalismo na América Latina; Billy Graham, o maior evangelista do nosso tempo; além dos inúmeros anônimos que levaram e levam a Palavra de Deus para milhares de almas por todo o mundo.

A grande maioria dos Evangelistas, não terão seus nomes divulgados nos livros de história e nem serão lembrados pela posteridade... Entretanto cada vez que alguém prega ao seu vizinho, a um companheiro de fila, a um ouvinte de sala de espera ou realiza uma visita fraternal; pode acreditar que um novo parágrafo é escrito no livro das obras compilado pelo próprio Deus. Hoje é comum substituirmos o termo “EVANGELISTA” por “MISSIONÁRIO”, sem que a essência deste excelso dom ministerial seja alterada. Embora sejam poucos os que realmente se lancem na grande seara, todos nós devemos ser participantes ativos do ministério destes homens especiais. Existe um chavão pentecostal que diz: Missão é feita pelos pés que vão, pelos joelhos que se dobram em oração e pelas mãos que contribuem.

Para cada Evangelista / Missionário que está em campo, faz se necessário um grande número de pessoas clamando, buscando e intercedendo, travando batalhas espirituais para que aquele que foi enviado possa se concentrar apenas em pregar o evangelho. Por outro lado, são as ofertas, os dízimos, o dinheiro abençoado que sai dos cofres da congregação que possibilitam o envio e a manutenção dos missionário.

Em suma, o Ministério Evangelístico e um dom tão nobre, a ponto de permitir que até mesmo os que não o possuem, participem ativamente no seu desenvolvimento. Aquele que fala de Jesus ao seu vizinho, cumpre o mesmo IDE atendido por um missionário que leva a mensagem da cruz a uma tribo do interior da África.


Exemplos Primitivos
Pb. Bene Wanderley

Vivemos num contexto diferente dos nossos irmãos primitivos, os quais se destacaram por sua coragem e amor ao Santo Evangelho de Cristo Jesus, mesmo que para isso tivessem que enfrentar a morte. Todo estudante da Bíblia sabe que os séculos passados foram​ cheios de desafios, e que os nossos irmãos primitivos tiveram inúmeras dificuldades para desenvolver a obra evangelizadora da qual foram incumbidos. As limitações da época eram grandes, a perseguição aos cristãos estava aflorada nos corações dos inimigos do Reino, a oposição infernal era assustadora e os oponentes ao evangelho dominavam poderes gigantescos. Mas, tudo isso fez com que os cristãos cheios do poder do alto, do amor ao Senhor Jesus Cristo e a mensagem de salvação que o mestre os havia dado, se mantiveram motivados a enfrentarem os desafios, a vencer seus temores, a romper seus limites e ir além do que fosse possível.

Na verdade, quando lemos a história da igreja ao longo dos séculos, podemos ver homens e mulheres que sofreram por amor ao Senhor Jesus Cristo, abrindo mão de suas próprias vidas. As histórias que vemos são verdadeiros combustíveis que podem nos incendiar e movimentar em direção ao cume do monte. Porém, fato é, que temos desprezado a história de bravos guerreiros do santo evangelho de Cristo Jesus. Já não nos comove relembrar os sofrimentos de nossos irmãos do passado. Não damos importância ao que eles davam, não desejamos o que eles desejavam, não aspiramos o que eles aspiravam; e assim chegamos ao ponto triste e degradante da modernidade. O descaso ao " ide" de Jesus é patente.

Os últimos dias da Igreja de Jesus Cristo aqui nessa terra, tem imerso em dificuldades, e tende a se agravar. Muitas são as fontes de distrações, mas, precisamos manter o foco. Este trimestre da EBD será repleto de estudos desafiadores e ao mesmo tempo, encorajadores.  Infelizmente, as três praticas básicas do evangelismo, tem sido ignorado por boa partes de nossos líderes, mesmo sendo fundamentais para o alcance mundial do evangelho. Ao longo dos últimos 30 anos, principalmente em nosso Brasil, enfrentamos uma decadência moral e espiritual que vem causando uma catástrofe sem limites. Sei que muitos irão discordar do meu enfático ponto de vista, mas, sinceramente com todo respeito aos homens e mulheres que Deus ainda bradam nesta terra; estamos a ver navios, sem um curso definido, e nossas prioridades são totalmente inversas ao que as escrituras sagradas nos dizem. Os valores se inverteram, o foco não é mais “amar a Deus” acima de todas as coisas e o próximo como a nós mesmos. A frágil visão teológica moderna, tem sufocado a excelência do puro evangelho. Por esses e outros motivos e razões, estamos sendo desafiados neste maravilhoso trimestre. Mais do que nunca, precisamos voltar as ruas de nossas cidades, sairmos aos becos, vielas, guetos, vales e valados em busca das almas perdidas.

Esse tema é de suma importância para os crentes em Cristo Jesus, pois todo servo fiel do Senhor, tem anseio pelas almas e a ansiedade de ir ao campo em busca dos perdidos. Desejo profundamente que nestes dias de profundo estudo, sejamos despertados para a evangelização. Apesar de ser um dever de cada crente exercer sua função de pescador de almas, essa obra só poderá lograr êxito, se toda liderança tiver na sua alma tal desejo. Preciso dizer aqui que todo esforço desprendido por parte dos líderes em motivar, encorajar e ajudar os filhos e filhas de Deus na obra de evangelização, ainda será pouco, se os mesmos não se despuserem a fazer o mesmo. Estamos em grande desafio. A hora é chegada. Que não fique só em palavras escritas em papel, mas, que de fato, sejamos despertados para cumprir a nobre missão de levar esperança aos perdidos.

Material Didático

Revista Jovens e Adultos nº 104 - Editora Betel
Evangelismo, Missões e Discipulado – Lição 3
A evangelização urbana
Comentarista: Bp. Oídes José do Carmo












Introdução

Vivemos uma realidade urbana. A cidade é o grande desafio para a igreja. A região urbana é o habitat natural de cerca de 80% da população mundial, e os demais vivem em função das cidades (At 17.16, 23)

1. Necessidade da evangelização urbana.

Grandes são os desafios da evangelização urbana. No entanto, devemos aproveitar esta maravilhosa oportunidade de conduzir almas para o Reino de Deus (Cl 1.13).

1.1.         As boas novas de salvação.

Todos precisam ouvir a Palavra de Deus e serem tocados pelo poder do Evangelho. Assim, podemos afirmar que é da vontade de Deus que os centros urbanos sejam evangelizados. Apesar de tratar-se de um ambiente caracterizado pela diversidade étnica, cultural, religiosa e econômica, o Evangelho de Cristo é único e nos apresenta um único Deus e um único Salvador, chamando todos ao arrependimento. É de se destacar que o apóstolo Paulo utilizava como estratégia missionária a evangelização de cidades. O campo urbano é um verdadeiro lugar de batalha espiritual. Agostinho declarou que em cada cidade há duas cidades: a cidade de Deus e a cidade de Satanás. Há um conflito. É necessário, pois, que a oração pelas cidades faça parte da estratégia de evangelização urbana.

O amor de Jesus era a força que o motivava a ir de cidade em cidade em busca de almas perdidas (Mt 15.24; Lc 8.1). Precisamos ter em mente que nossa tarefa vai além de resgatar as almas do juízo vindouro. Mais do que nunca, devemos auxiliar as pessoas em suas necessidades, tratar suas feridas da alma e torná-las capazes tanto de andar por si mesmas, quanto de repassar o que receberam (Mt 28.18-20). A passagem de Lucas 8.1-3 mostra a incansável diligência do nosso Senhor Jesus Cristo em anunciar o Evangelho e o Reino de Deus. Alguns creram, outros não. No entanto, a incredulidade dos homens não mudou Sua atitude, nem O impediu de realizar Sua obra. Embora Seu ministério terreno tenha sido curto em duração, foi imenso e intenso, se levarmos em conta as obras que foram realizadas. A diligência de Jesus Cristo é um exemplo para todo cristão. Devemos seguir Seus passos, mesmo que fiquemos aquém da Sua perfeição. Devemos evitar a ociosidade e a frivolidade. Precisamos remir o tempo (Ef 5.16).

1.2.         A vida urbana e suas carências.

Muitas pessoas buscam as grandes metrópoles porque enxergam melhores oportunidades tanto para o mercado de trabalho quanto para a qualidade de vida. Todavia. Ao chegarem aos grandes centros, se deparam com uma série de dificuldades, como problemas de moradia, alimentação, segurança, etc. Esses fatores negativos influenciam o indivíduo a que se torne solitário e, até mesmo, abandone suas convicções religiosas (Ec 4.1). É nesse ambiente de necessidade e desilusão que muitos se perdem. Devemos aproveitar a oportunidade que temos de alcançar e acolher tais pessoas em Cristo. Por isso, o tempo de evangelizar é já (2Tm 4.2).

Os diferentes tipos de carências para aqueles que vivem ou principalmente se mudam para as cidades são: problemas financeiros, familiares, morais e culturais, que cercam e influenciam o homem que busca uma melhor oportunidade na cidade grande. Pela falta de amparo e recursos, muitos são os envolvidos pela perversidade do sistema mundano e, assim, levados a todo o tipo de pecados que vemos na sociedade (1Co 15.33).

1.3.         Dificuldades da evangelização.

Há dois tipos de dificuldades que envolvem a evangelização. A primeira diz respeito à falta de iniciativa das igrejas para evangelizar. Muitas igrejas não buscam entender o que está ocorrendo no seu bairro e não aproveitam dessa oportunidade para pregar o Evangelho. A falta de iniciativa e planejamento de evangelização urbana também pode ser reflexo de problemas internos (competição, excesso de atividades internas ou indiferença). A segunda dificuldade diz respeito à vida pecaminosa mais intensa da própria cidade, como violência, uso de drogas, promiscuidade, roubo, etc. Tendo noção dessas coisas, pode-se, com certeza, fazer um trabalho mais efetivo de evangelização.

As duas dificuldades citadas acima mostram que, se buscarmos compreendê-las melhor, a evangelização local poderá ser bem mais efetiva. Aliada a um bom conhecimento de causa, a fé é indispensável para os cristãos no cumprimento da missão que o Senhor destinou (Mc 16.15-18).

2.          Estratégias da evangelização urbana.

Cabe a nós, cristãos, na direção do Espírito Santo e oração, a criação e o desenvolvimento de estratégias para alcançar vidas para Cristo. Vejamos algumas alternativas que podem nos conduzir a grandes resultados.

2.1.         Através dos templos.

Evangelizar através dos templos é uma excelente estratégia. Até o Senhor Jesus fazia isso. Em diversos textos dos evangelhos, encontramos Jesus ensinando, pregando e curando nas sinagogas. O apóstolo Paulo também utilizava das sinagogas para anunciar a Cristo (Jo 8.32; At 18.4). A igreja local pode ser mobilizada a convidar os vizinhos, parentes e amigos não cristãos ou afastados do Evangelho. Pode-se realizar um culto especial, onde a igreja será mobilizada somente para buscar as pessoas que se afastaram (Mt 15.24). Essa estratégia facilita bastante na integração do novos decididos, porque essas pessoas chegaram ao templo indicadas ou acompanhadas por alguém. Assim, tal convidado, decidindo aceitar a Cristo, não se sentirá só ou terá dificuldade para se entrosar na igreja local.

A própria Escola Bíblica Dominical pode e deve ser usada como um instrumento de evangelização. Vale ressaltar que a Escola Dominical nasceu com este caráter evangelizador. Tanto o professor quanto os alunos podem convidar não cristãos para assistir as aulas. Assim, os convidados têm uma excelente oportunidade de ouvir a Palavra de Deus, aprender mais sobre Jesus, Seus ensinamentos e a salvação.

2.2.         Através dos lares.

A tática de evangelização através dos lares é sempre muito eficaz. Foi uma das principais formas de evangelizar nos primórdios da Igreja (Mt 10.12; At 5.42; 18.7-8). Mas, para isso, algumas providências devem ser tomadas, começando, por exemplo, pela autorização do líder da igreja. É necessário um ambiente preparado em oração, organizado para receber e acomodar os convidados. Para esse tipo de trabalho, requer horário previsto para começar e terminar. Não se deve usar tom de pregação, mas, sim, de conversa no culto. Não se deve cantar muitos hinos, para que se tenha tempo para a Palavra. Nada de lanches caros, mas tudo regado à oração e gentileza, para que as pessoas possam voltar no próximo culto doméstico (1Co 10.31).

A igreja primitiva caminhava com os cultos no templo e nos lares (At 16.32). É importante ressaltar que nada se faz nesse sentido sem ser autorizado pelo líder local da Igreja. Com oração, organização e perseverança, o culto no lar contribuirá para o crescimento da igreja local. Esse tipo de culto edifica não somente aos que ouvem, mas também aos que anunciam.

2.3.         Na evangelização pessoal.

A evangelização pessoal segue passos bem simples no contato com as pessoas. Para isso, deve-se marcar encontros pessoais; praticar a visitação de casa em casa; ou ainda, distribuir folhetos ou qualquer outra literatura de natureza evangelística. O lugar e o tempo disponível determinarão que palavras usar ou que maneira poderemos nos dirigir à pessoa a ser evangelizada. É preciso estar atento às oportunidades, esforço e orientação do Espírito Santo. Duas classes sempre são abordadas: os que ainda não se decidiram e os desviados. Para cada grupo, existe um tipo de mensagem. Por esse motivo, é preciso manusear bem a Palavra e deixar que o Espírito Santo use nossa instrumentalidade (Mc 16.20).

A evangelização pessoal é eficaz porque nela o evangelista tem a oportunidade de abordar as pessoas diretamente. Assim, elas poderão expressar suas dúvidas, fazer perguntas sem serem interrompidas e expor seus medos e anseios. Quando os cristãos estão inflamados pelo desejo ardente de anunciar a salvação aos pecadores, eles transmitem influência aos que estão descuidados e indiferentes. É muito edificante ver a Palavra de Deus se cumprindo quando anunciamos sem temor (Rm 1.16).

3.          Outros modos de evangelização.

As cidades são os campos brancos para a colheita evangelística (Jo 4.35). Vejamos alguns mecanismos bem eficazes na proclamação do Evangelho.

3.1.         A distribuição de folhetos.

O folheto nos aproxima do pecador para iniciar uma conversa. Ele é nosso ponto de contato. Embora muitos o achem ultrapassado, o folheto ainda é de grande eficácia em nossos dias. Existem pessoas que jamais entrariam em uma igreja e o folheto é a ponte para que possamos falar acerca da salvação. Todo bom pescador sabe que é preciso ter uma boa isca para atrair o peixe. O folheto é a isca perfeita para que a rede seja lançada e o pecador seja regenerado por Cristo (Lc 5.4-5).

Se cair em terra fértil, um folheto entregue em mãos pode causar uma revolução em multidões (1Pe 1.25). Quando tinha 14 anos, João Ferreira de Almeida, primeiro a traduzir a Bíblia Sagrada para a língua portuguesa, viajava da Batávia (atual Jacarta, Indonésia) para Malaca (atual Malásia). Nessa viagem, ele recebeu e leu um folheto em espanhol intitulado: Diferencias de la Cristandad (Diferenças da Cristandade). Este folheto provocou um grande impacto na vida de João Ferreira de Almeida. Ao chegar a Malaca, ele se converteu a Cristo e a partir daí dedicou tioda sua vida à tradução da Bíblia Sagrada. Em meados de outubro de 1691, João Ferreira de Almeida faleceu. Até aquele momento, ele havia traduzido o Novo Testamento, e o Velho Testamento até Ezequiel 48.21. Três anos após sua morte, um Pastor chamado Jacobus op den Akker terminou a tradução do Velho Testamento.

3.2.         O culto ao ar livre.

Mesmo havendo emissoras de rádio, televisão e redes sociais, o contato humano é poderoso e insubstituível. O culto ao ar livre jamais saíra de moda. Precisamos de pessoas treinadas para atuar fora das quatro paredes da igreja. É possível reunir as pessoas e em determinado ponto anunciar a salvação. Na rua, tudo é mais rápido e dinâmico, não se usa a mesma liturgia do culto. As pessoas que vão testemunhar, cantar ou pregar não precisam de apresentação, pois já sabem o que fazer e o tempo que devem usar. A mensagem é curta, o apelo é rápido e o culto não deve durar mais que uma hora.

A maior barreira para o sucesso do culto ao ar livre é a timidez das pessoas. Temos que agir normalmente quando saímos às ruas para evangelizar. Infelizmente, alguns irmãos ficam distraídos, conversando, demonstrando pouco interesse. Outros agem com religiosidade preconceito. Precisamos compreender que o culto ao livre é uma batalha no terreno do inimigo (Pv 1.20). Por isso, devemos nos preparar com oração e jejum, e, como soldados, estar atentos. A Igreja Primitiva logrou sucesso com este tipo de culto (At 2,42-47).

3.3.         A integração e os cuidados com o novo cristão.

A integração é tão importante quanto a evangelização, porque ela é quem vai consolidar o novo cristão (1Pe 2.2). A integração providência os meios para que os novos convertidos sejam integrados nesse novo grupo social. Convencer o pecador e trazê-lo à presença de Cristo é o primeiro passo. Mas, após isso, o novo cristão precisa de instrução, de apoio e de pais espirituais que os instruam e o conduzam a uma fé madura, preparando-o para mais adiante batizar-se em águas (Gl 4.19; Mt 28.18-20). A integração também deve promover o acompanhamento pós-batismo. Temos perdido muitos por não vigiar nesse serviço.

O trabalho de integração deve fazer o registro de nome e endereço desse novo cristão, fazer contato por telefone no dia seguinte, marcar uma visita para acompanha-lo e oferecer algum tipo de ajuda ou companhia para chegar até o templo.  São atitudes simples que, com um pouco de boa vontade e muito amor pelas vidas, se resolvem.

Conclusão.

Concluímos que as cidades são para a Igreja um campo missionário vasto e desafiador. A Igreja, em cada cidade, deve proclamar e advertir sobre o reino dos céus (Mt 4.17), em nome de Jesus e no poder do Espírito Santo.



Neste trimestre, estudaremos sobre a missão primordial da Igreja! As treze lições enfocarão evangelismo, missões e discipulado. Será uma oportunidade para lembrar que a responsabilidade no cumprimento da missão não está restrita aos pastores, missionários e evangelistas, mas, sim, que pertence a todo discípulo de Cristo (Mt 28.19-20). Trata-se de continuar a obra iniciada por Jesus Cristo, que estava prevista desde o princípio. Ainda há povos, tribos e nações não alcançados pelo evangelho de Jesus. E, mesmo no Brasil, muitos são os desafios para cumprirmos o mandamento do Senhor, em diversos ambientes e com diferentes grupos sociais. Para aprender como alcança-los, participe neste domingo, 16 Julho de 2017 da Escola Bíblica Dominical.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

EBD - O comunicador e a mensagem de salvação



Texto Áureo
I Coríntios 9.22
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.

Verdade Aplicada
É inestimável o valor de uma alma para Deus. Por isso, devemos mover todos os nossos recursos e empregar todas as nossas forças para conduzi-las à salvação.

Textos de Referência
Atos 2.46-47; 4.4; 5.42

E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.
Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil.
E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo.


O poder do nome de Jesus

Imagine que você este numa autoestrada. A velocidade permitida é de 110 Km por hora, e seu veículo trafega bem abaixo deste limite. Os pneus estão calibrados e aferidos, o IPVA está em dia, todos os itens de segurança foram checados e reconferidos. Seus reflexos tinem como sino novo, o que resulta numa direção segura e confiável. Todas as leis de transito estão latentes em sua memória, e cada uma delas é observada com rigor. De repente, na margem da pista, um guarda rodoviário lhe acena, indicando o acostamento. O que você faz? Agora, vamos inverter a situação. Nesta mesma pista, imagine se num automóvel trafegando muita acima do limite de velocidade permitida. Os pneus mais carecas que Charles Xavier. Os itens de segurança estão avariados (e alguns, faltantes). O chassi está caindo aos pedaços, e o motor é uma verdadeira fábrica de nuvens negras. Os impostos estão atrasados, a documentação vencida e os seus reflexos na direção, são compatíveis a firmeza de uma gelatina.  De repente, na margem da pista, um guarda rodoviário lhe acena, indicando o acostamento. O que você faz?

Quando um guarda rodoviário levanta sua mão em direção a um veículo, não importa a marca, o valor, o tamanho, a velocidade alcançada, seu estado de conservação, a periodicidade documental ou o estado físico e mental do condutor. Perante a lei, todo cidadão têm que estacionar o seu veículo imediatamente, e respeitosamente, se reportar ao oficial.

Numa análise pragmática, até o mais simplório dos automóveis, poderia, literalmente, passar por cima do policial sem nenhuma dificuldade. Afinal, neste caso específico, a vantagem da “máquina” sobre o “homem” é abissal. A pergunta então é: Por que paramos? Simples. Sobre aquele homem está delegada uma autoridade que não podemos ignorar.

Ali, enquanto exerce sua função, ele é a personificação da própria lei. E sabemos que desobedecer ao seu comando terá sérias consequências. Ele pode até ser um homem comum, mas, a farda que veste e o distintivo que ostenta, o transformam em uma muralha moral, que cidadãos de bem não se atrevem a ultrapassar.

Da mesma maneira é o cristão. Olhando com olhos naturais, nada é possível ver além de nossa carcaça corruptível. Porém, no mundo espiritual, estamos revestidos de uma autoridade tão poderosa que é capaz de curar enfermos, sobreviver a ataques mortíferos e colocar demônios em fuga (Mateus 16:17-18).

Assim como um policial rodoviário, que no momento em que realiza uma abordagem, é visualmente identificado pelo seu uniforme, também precisamos estar devidamente trajados no momento de exercer nossa autoridade espiritual.

Este vestuário esta minuciosamente detalhado em Efésios 6:14-17, e consiste em se vestir de verdade, usar a couraça da justiça, e calçar os pés com o Evangelho. Ainda se faz necessário o uso do escudo da fé, do capacete da salvação e da espada que é a Palavra de Deus. Mas, nada disto será proveitoso se não tivermos em mãos nosso distintivo oficial, a nossa credencial de representante do Reino dos Céus nesta Terra. O nome de Jesus.

Infelizmente muitos cristãos tem usado o nome de Jesus com um mantra poderoso ou uma palavrinha mágica. Somos ensinados desde pequenos que exclamar o nome de “Jesus” ou proferir sentenças como “o sangue de Jesus tem poder”, é o suficiente para afugentar o inimigo e nos livrar dos mais complexos problemas. A realidade pode não ser tão simples assim.

Quando Gabriel anunciou à Maria que ela seria a mãe do Messias, também lhe indicou o nome humano pelo qual deveria ser chamado, “Yehoshua”. Sendo uma das variações para Josué, aquele era um nome comum na sociedade judaica, embora seu significado revelasse muito sobre a missão do Cristo, ou seja, “Deus Salva”. Falando sobre ele, o profeta Isaías revelou que o Messias vindouro seria como uma “plantinha sob o sol” e “raiz em terra seca” (Isaías 53:2). Em outras palavras, seria necessário olhar além das aparências para poder enxergar o que de tão especial havia naquele carpinteiro de Nazaré. O que a grande maioria não conseguiu entender, é que Jesus era o anunciado “EMANUEL” – Deus entre nós. Nele estava contida toda a virtude e a suprema autoridade.

Se seu nome fosse João, Paulo, Moisés ou Isaque, seu poder miraculoso e seu propósito salvífico não sofreriam qualquer alteração. Quem Ele é, está acima de qualquer nome. Quando Jesus incumbiu seus discípulos de continuarem sua obra, revestindo-os de autoridade espiritual, os instruiu a sempre agirem em seu nome. Não a “repetirem” seu nome sistematicamente, ou o mencionarem à revelia, mas sim, “agir” como um “representante legal” de seu Reino.

Paulo identifica o cristão como um “embaixador de Cristo” aqui na terra, “agindo” em nome de Jesus, é não apenas “falando o nome de Jesus” (II Coríntios 5:10). E nos exorta a seguir o seu próprio exemplo, imitando Cristo em todas as esferas da vida (I Coríntios 11:1).

Agir em nome de Jesus requer legalidade, e tal condição só é adquirida quando vivemos de modo a honrar a vontade de Deus em nós, fazendo de nossa existência um testemunho vivo do poder transformador do Evangelho. O “nome de Jesus” só terá impacto através de nossa boca, quando nossa vida honrar plenamente o “Jesus do nome”.

Caso, contrário, sem portar uma farda espiritual compatível com as escrituras, e ostentar seu distintivo validado pelo próprio Cristo, o cristão, terá muita sorte, se o inimigo ignorar seus acenos e passar de largo. A tendência, é que Satanás, ávido por matar e destruir, simplesmente o atropele com seu rolo compressor infernal.


A mensagem da Cruz
Pb. Bene Wanderley

Romanos 10 é um dos textos mais inspiradores a todos que desejam comunicar o evangelho.  Os versículos 14 e 15, tão lidos em nossos cultos evangelísticos e “missionários”, embora sejam o suprassumo da essência cristã, acabam sendo repetidos à revelia, uma mescla fina e sem consistência, um toque bíblico sem de profunda comoção no espírito. Nesses versos temos quatro perguntas enfáticas, inteligentes, coerentes, abrangentes e absolutamente desafiadoras. Primeira: - Como invocarão aquele em quem não creram? Segunda: -  E como crerão naquele de quem nada ouviram? Terceira: - E como ouvirão se não há quem pregue? Quarta; e como pregarão se não forem enviados? Nós estamos em sérios problemas quando o assunto é a comunicação evangelizadora. Ao longo dos últimos 30 anos, comunidades cristãs, perderam o rumo nessa tão imperativa e motivadora missão. Os vários desvios doutrinários e teológicos do século passado, e deste presente também, vem causando um maléfico mal em nosso meio, que sinceramente não vejo, saída a não ser que haja uma comoção genuína dentro das igrejas locais, partindo de seus respectivos líderes. Infelizmente, se não houver nenhuma decisão de rendição ao Senhorio do Senhor Jesus Cristo, o que nos restará será fagulhas de uma fé inoperante, um cristianismo raso e uma crença falida. Como resultado disso tudo, os perdidos não terão a oportunidade de se encontrar com Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo.

Oro para que haja uma revitalização espiritual ao longo deste trimestre, com suas 13 lições de ensinos preciosos. A igreja de Jesus precisa se levantar e ir aos homens pecadores, e lhes mostrar Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. As pessoas precisam saber que há uma porta aberta de salvação para todos os homens. Mas, para irmos em busca dos perdidos, precisamos tomar alguns cuidados, aprender com as escrituras sobre o Reino de Deus, buscar conhecimento das coisas espirituais e a se submeter ao Senhorio de Jesus Cristo. Comunicar o Evangelho de Cristo Jesus não é uma tarefa fácil como alguns julgam; pois requer de seus evangelizadores, fidelidade total aos mandamentos de Deus. Devemos ter em mente que o Evangelho de Cristo Jesus não é algo sem valor ou sem importância; é vital termos a consciência de que os mandamentos de Deus são justos e verdadeiros, e que a palavra do Senhor Deus é santa e nunca volta vazia.

O anunciador do evangelho deve saber que a sua conduta é o cartão postal de Cristo Jesus. As pessoas verão no comunicador se ele vive a mensagem que transmite, e com isso concluirão (ou não) se o evangelho que ouvem é mesmo o poder de Deus e a salvação para todo o que crer. Se somos realmente representantes do Reino; devemos nos portar como tais. O conhecimento das escrituras deve ser primordial em nós. A falta desse requisito faz toda a diferença. Precisamos de mais evangelistas e menos marionetes ambulantes em cima dos nossos púlpitos, caçadores de fama e dinheiro fácil. Vamos nos dedicar ao conhecimento de Deus. Vamos voltar a chorar aos pés da cruz e depender de Deus. Só tendo uma postura santa e justa é que de fato veremos as multidões se rederem ao senhor Jesus Cristo.

A mensagem e o mensageiro devem formar um casamento perfeito. O desejo de Deus é que todos alcancem uma maturidade cristã pautada nos alicerces da palavra (Ef 4.13). Como mensageiros do evangelho de Cristo Jesus, devemos ser o exemplo de filhos da luz, ministros do Reino da Verdade, santos e não conformados com o curso desse mundo mal. Na verdade, devemos ser completos em Jesus, procurando agrada-lo em tudo. Jesus é o nosso modelo, nosso exemplo e nosso guia. Não podemos sair ao campo se não somos maduros o bastante para os desafios dessa tarefa tão grandiosa. O convite feito por Jesus aos seus ouvintes em Lucas 9:23 é valido pelos séculos, sem exceções: -  " Se alguém deseja me seguir; negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e venha". Ainda hoje, a mensagem da cruz é aterradora para os que não querem servir a Jesus Cristo, mas, o fator básico e único “é a cruz. ” Precisamos passar pela cruz todos os dias. A cruz é uma sentença de morte, e infelizmente não queremos isso. Queremos Jesus, mas, nos negamos morrer para o mundo. O problema dos dias atuais é justamente esse: negar a mensagem da cruz.

Se para herdar a vida eterna o homem tem que morrer, como falaremos outra coisa! Se não negarmos o mundo com os seus deleites, como iremos reinar na glória eterna? Sei que muitos não terão uma resposta, e isso nos mostra que não somos maduros o bastante para sofrermos pela causa do Senhor Jesus Cristo. A verdadeira mensagem do evangelho é baseada na cruz. A humanidade está vazia de Deus. Mas só existe um caminho para mudar essa situação: a cruz. A solução para o problema do pecado ainda é e sempre será a cruz. Infelizmente, essa mensagem tem se ausentando dos nossos púlpitos, das nossas reuniões, dos nossos eventos. Vamos nos voltarmos para a cruz. E com isso ganharmos as almas perdidas

Material Didático

Revista Jovens e Adultos nº 104 - Editora Betel
Evangelismo, Missões e Discipulado – Lição 2
O comunicador e a mensagem de salvação
Comentarista: Bp. Oídes José do Carmo












Introdução

Evangelismo pessoal é a ação de comunicar o plano divino de salvação, a partir de um contato direto entre o evangelista e a pessoa a ser evangelizada. Falar de Cristo é uma tarefa que exige vida prática.

1. A comunicação do Evangelho.

A Bíblia nos diz: “Quão formosos os pés dos que anunciam coisas boas!” (Rm 10.15b). A Palavra de Deus é poderosa e jamais volta vazia. Devemos saber manejá-la bem. Para isso, precisamos conhecer a Cristo, a nós mesmos e o que vamos anunciar.

1.1.         Anunciando o Evangelho de Cristo.

A comunicação do evangelho pode parecer simples, mas não é (1Co 1.17). Qualquer pessoa que deseje evangelizar precisa entender que as atitudes falam mais do que qualquer palavra. O corpo a corpo é diferente de um sermão, porque nele o evangelista será questionado, haverá barreiras preconceituosas por parte do ouvinte e muita resistência espiritual também. Por esse motivo, é preciso estar preparado para tal resistência e, principalmente, estar equipado com a Palavra (2Tm 2.15).

Para algumas pessoas, a comunicação é uma simples transmissão de informação, uma espécie de transferência de símbolos. No entanto, sabemos que pode existir comunicação até através do silêncio, porque nossas atitudes revelam quem somos na realidade (1Pe 3.1). É preciso atenção para que nossa conduta não prejudique a recepção da mensagem da salvação por parte do ouvinte. A passagem bíblica de Atos 5.15-16 revela o caráter da influência de Pedro. O que ele possuía de especial? Por que as pessoas tinham essa expectativa? O apóstolo Pedro era um homem comum, mas sua vida em contato com a luz de Cristo produzia uma fé tão intensa que as pessoas se contentavam em apenas estar debaixo de sua sombra.

1.2.         A conexão entre mensagem e mensageiro.

Aqueles que anunciam o Evangelho não podem ser como atores de comercial de TV, que tentam convencer o público a adquirir um produto que eles mesmos não usam. O comunicador do Evangelho deve fazê-lo como um profeta, que apresenta a verdade de Deus tal como ele a vê e vive. Se o orador não acredita realmente no que diz, seu inconsistente comunicará uma mensagem negativa, que substituirá tudo de positivo que possa dizer. Porém, uma pregação sincera, e até mesmo mansa, pode chegar ao coração, quando anunciada com a totalidade do ser (1Rs 19.12). Se não houver nenhuma coerência entre o que dizemos ser e o que somos, podemos fazer com que nos ouçam, mas não seremos escutados.

Jesus Cristo nos comparou ao sal. Ele não disse que temos sal, disse que somos sal (Mt 5.13). O sal em si mesmo não é alimento, ele não é a parte principal de uma refeição, no entanto, todos percebem a sua presença. Se a nossa vida for semelhante à de Cristo, nossa presença fará os outros perceberem que Cristo está em nós. Nossa presença pode ser uma mensagem mais importante do que tudo o que dissermos.

1.3.         Entender para comunicar.

A falta de leitura devocional da Bíblia e a falta de oração explicam a crise que muitas igrejas experimentam no campo da evangelização. Esse é um sério problema que precisa urgentemente ser combatido (2Pe 3.18). Como anunciar aquilo que desconhecemos? O que nos adianta ter armas e não saber como manejá-las (2Co 10.4). Devemos entender o que pretendemos comunicar e não há como entender algo sem dedicar tempo à leitura e meditação. Afinal, como iremos comunicar a salvação, se nem ao menos a conhecemos? Três coisas revelam o vigor da Igreja Primitiva: o ensino e a experiência ao lado de Jesus, e o poder do Espírito Santo (Lc 24.49; At 1.8).

O que significa ser uma testemunha? Uma pessoa que não tem por hábito ler, que ora esporadicamente, e que tem pouquíssima experiência no campo espiritual, pode estar em sérios apuros ao tentar falar de Cristo: “Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido” (At22.15). Jesus não enviou Seus discípulos para contar histórias. Ele mandou que eles testemunhassem acerca do que viram e ouviram.

2.          A mensagem e o mensageiro.

A Bíblia nos adverte a não conformar com uma vida espiritual medíocre (2Pe 1.8-11). A meta e que todos alcancem a maturidade e se permitam moldar a estatura de Cristo Ef 4.13). Por isso, devemos tomar consciência de quanto nos falta para que vejam Cristo em nós.

2.1.         O mensageiro deve ser exemplo.

O cristão não deve procurar ser completo em Jesus Cristo somente para seu benefício pessoal. A Palavra de Deus enfatiza repetidamente a necessidade de nos tornarmos um modelo para os outros. Os cristãos têm a Jesus Cristo como um arquétipo. Devemos servir como modelo para outros (Fp 3.17). O apóstolo Paulo afirma que todos os cristãos de Tessalônica foram exemplos para todos os fiéis na Macedônia ne Acaia (1Ts 2.6-9). Exemplo foi a palavra dirigida a Timóteo (1Tm 4.12); Tito (2.7); e os líderes da igreja (1Pe 5.3).

Na passagem bíblica de João 20.25, o termo usado para se referir às marcas que os cravos fizeram nas mãos de Jesus é “tipos”, traduzida também por “sinal”. Assim como as marcas das mãos de Jesus Cristo são um sinal, nós também devemos ser sinais claros aos homens de uma vida dedicada a Deus, e em processo de transformação (1Tm 4,15-16).

2.2.         O mensageiro deve amadurecer espiritualmente.

Os evangelhos sinóticos apresentam como os discípulos evoluíram até a chegarem a refletir Cristo para as nações. Inicialmente, Jesus fez um convite (Lc 9.23). Depois, Ele deu elementos para análises e reflexões, como: milagres, para edificar a fé, e verdades acerca da vida. Quando já estavam aptos e maduros para decisões, lhes perguntou: “Quem sou eu?”. Após a confissão de Pedro (Mt 16.13, 16), Jesus lhes fala pela primeira vez acerca da cruz. Era não somente necessário descobri-lo como Mestre, Senhor e Messias. Eles deveriam aceitá-lo também como Salvador. Por fim, Jesus leva-os ao monte e lhes explica que terão que negar-se a si mesmos. Ou seja, serem dependentes do Mestre em tudo.

A cruz era terrivelmente assustadora. Tratava-se de uma sentença de morte vergonhosa e assombrosa. Eles compreenderam claramente qual seria o preço de testemunhar acerca da verdade. Foi por esse motivo que Jesus revelou-se paulatinamente. A boca deve falar daquilo que o coração está cheio, mas somente quando amadurecemos é que compreendemos o valor de cada coisa, inclusive da vida. Ser testemunha é ser capaz de morrer pela verdade que se anuncia (At 1,8).

2.3.         A grandeza da revelação divina.

Um grande problema tem impedido que muitos cheguem ao conhecimento do plano divino de salvação: a cegueira espiritual (2Co 4.3-4). O “deus deste século” conserva a mente de muitos na escuridão. Porém, sabemos que o mesmo Deus “que disse que das trevas resplandecesse a luz” é Aquele que nos deu o Evangelho da revelação da glória de Deus, em Cristo (2Co 4.6). A mensagem do Evangelho continua sendo o meio pelo qual a luz brilha no coração das pessoas. Assim, o evangelismo continua sendo absolutamente indispensável (2Co 4.5).

A evangelização deve partir do pressuposto básico de que o pior dos homens pode ser restaurado e transformado por Deus. A Bíblia nos diz que todos os seres humanos foram destituídos da glória de Deus e, por isso, precisam da salvação (Rm 3.23). A salvação em Cristo Jesus é devemos anunciar essa mesma verdade aos que estão ainda na escuridão do pecado (2Co 4.5-6).

3.          A mensagem da salvação.

O pecado trouxe sérios problemas à humanidade. O profeta Isaías descreve assim a condição do Homem sem Deus: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2).

3.1.         O vazio da alma humana.

Desde que o pecado entrou no mundo, o homem perdeu a comunhão com o Pai. Desde então, o homem tenta encontrar a Deus por obras, religiosidade ou suas próprias invenções (Ec 7.29). A realidade universal é que todo ser humano sente um vazio existencial causado por sua natureza pecaminosa. A realidade do pecado tem causado esta inquietação quer o seu humano sente. Somente Deus pode saciar esta fome que há no coração da pessoa e preencher o vazio. Como escreveu Agostinho, em “Confissões”: “Tu nos fizeste para ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”.

Jesus é o único que pode libertar o homem do pecado. Ele é o autor e consumador da nossa fé (2Co 4.4; Cl 1.15-19; Ef 4.13-!4; Hb 12.1-2). Sem Jesus Cristo, o homem jamais encontrará plena liberdade e paz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei...” (Ap 3.20). A morte de Jesus Cristo na cruz nos oferece a salvação, por meio da qual deixamos de ser homens distanciados de Deus por causa do pecado para nos tornarmos filhos (Jo 1.12) mediante a fé (Ef 2.8-9).

3.2.         O plano de Deus para a salvação do homem.

Uma vez que iremos testemunhar para as pessoas acerca da salvação, é de suma importância que conheçamos bem o caminho que estaremos anunciando, para que possamos ser claros à alma sedenta que nos ouve. Por mais que a pessoa seja pecadora, nossa missão não é julgá-la, mas, sim, fazê-la compreender que Cristo morreu por nossos pecados (Rm 5.8; 1Co 15.3). É importante estarmos atentos para que o assunto principal não seja deixado de lado, principalmente quanto ao evangelismo pessoal. É comum a pessoa que está sendo evangelizada tentar aproveitar o tempo para apresentar dúvidas e curiosidades que nada contribuirão para que o plano divino de salvação seja conhecido.

No tempo em que Jesus esteve aqui, nem todos O recusaram. Muitos O receberam e lhe deram as boas-vindas. A eles Jesus deu o direito de serem chamados filhos de Deus (Jo 1.12). O apóstolo João afirma que não podemos nos tornar filhos de Deus por nossos próprios meios. Devemos entrar em uma relação que Deus nos oferece. Jesus Cristo bancou tudo. Ele pagou com a própria vida, para que hoje pudéssemos desfrutar de uma salvação que nada nos custou. Tudo o que devemos fazer é crer (At 16.31).

3.3.         Jesus, o tema central.

Diante de tantas críticas e acusações recebidas, o apóstolo Paulo apresenta em 2 Coríntios, capítulo 4, como ele conduz e proclama o Evangelho: “pregamos...a Cristo Jesus, o Senhor...” (2Co 4.5). Em Samaria, Felipe “lhes pregava a Cristo” (At 8.5). Ao eunuco, no caminho para Gaza, Felipe, começando no texto que o mordomo-mor de Candace estava lendo, “lhe anunciou a Jesus” (At 8.35). O Evangelho que devemos anunciar hoje é o mesmo que Paulo anunciava: “Cristo morreu por nossos pecados...foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia” (1Co 15.1-4).

Não cessou a necessidade de evangelização. Vivemos num tempo desafiador. Somos tentados a nos calarmos diante da indiferença e da erosão crescente dos valores cristãos. Parece que Paulo está escrevendo para nós: “Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor...” (1Tm 1.8). Assim, somos exortados pelo Espírito Santo a continuarmos o anúncio do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus (Rm 1.16). E este Evangelho de Cristo afirma que a justificação é pela fé somente; o perdão tem como única base a morte de Cristo na cruz; e a insubstituível necessidade do novo nascimento para entrar no Reino de deus, por obra do Espírito Santo e da Palavra de Deus.

Conclusão.

A vontade de Deus é transformar o ser humano e nós estamos aqui para anunciar essa verdade a todos aqueles que ainda não a conhecem (Jo 8.32; At 4.12). Por isso, nos esforcemos para testemunhar de Cristo, porque a seara é realmente muito grande, mas ainda são poucos os ceifeiros (Mt 9.37).



Neste trimestre, estudaremos sobre a missão primordial da Igreja! As treze lições enfocarão evangelismo, missões e discipulado. Será uma oportunidade para lembrar que a responsabilidade no cumprimento da missão não está restrita aos pastores, missionários e evangelistas, mas, sim, que pertence a todo discípulo de Cristo (Mt 28.19-20). Trata-se de continuar a obra iniciada por Jesus Cristo, que estava prevista desde o princípio. Ainda há povos, tribos e nações não alcançados pelo evangelho de Jesus. E, mesmo no Brasil, muitos são os desafios para cumprirmos o mandamento do Senhor, em diversos ambientes e com diferentes grupos sociais. Para aprender como alcançá-los, participe neste domingo, 09 Julho de 2017 da Escola Bíblica Dominical.