quinta-feira, 9 de julho de 2015

EDB: O milagre produzido por um toque especial


Texto Áureo
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.
Hebreus 11:1

Verdade Aplicada
A fé é o único elo capaz de trazer à terra o desenho que está projetado nos céus. Sem ela é impossível ver e conquistar as coisas espirituais que estão ao nosso dispor.

Texto de Referência
Marcos 5:25-30

E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, e que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
Porque dizia: se tão somente tocar nas suas vestes, sararei.
E logo se lhe secou a fonte do seu sangue, e sentiu no seu corpo estar curada daquele mal.
E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nas minhas vestes?


A fria letra da lei

Quando lemos o livro de Levíticos, nos deparamos com diversos pontos da lei mosaica, que de sua forma mui peculiar, nada mais é do que um imenso cuidado com a saúde pública de Israel. Entre alguns dos muitos exemplos, podemos citar a proibição do consumo de certos alimentos, o rigor exigido nos rituais de purificação e o isolamento obrigatório dos portadores de certas enfermidades. Obviamente, para olhos ocidentais, alguns tópicos da lei soam cruéis e arbitrários, mas é inegável que esta legislação serviu ao seu propósito junto a um povo de “dura cerviz” (Deuteronômio 9:6). A Lei de Moisés foi fundamental para o estabelecimento de Israel como nação, fazendo com que o bem comum sobrepujasse qualquer individualidade. A lei era fria e imparcial, e não permitia concessões. Porém, quando aproximamos nossos olhos da história, veremos que este mecanismo funcional e muito bem engendrado, ao mesmo tempo em que beneficiava o coletivo, era responsável pelo drama vivido na individualidade de muitos. Um dos casos mais conhecidos, pode ser encontrado nas páginas do Novo Testamento.

Numa época onde não existiam “absorventes higiênicos”, “sabonetes íntimos” ou “consultas regulares ao ginecologista”, o ciclo menstrual das mulheres era tratado de uma maneira muito rudimentar. Segundo Levíticos 15:19-28, 18:19 e 20:18, durante sua menstruação, uma mulher era considerada “imunda” e durante duas semanas, ela não poderia ser tocada por ninguém, nem mesmo pelo marido. Os sete primeiros dias consistiam no período de “imundice” e os demais seriam destinados para a purificação. Na pratica, esta era uma forma de coibir a transmissão de qualquer doença que pudesse ser contraída pelo contato com secreções humanas, e acabava contribuindo diretamente para a alta taxa de natalidade entre hebreus, já que as relações sexuais sempre aconteciam no período de maior fertilidade das mulheres. Este era um ciclo rotineiro dentro daquela cultura, porém podia ser agravado em causos de distúrbios hormonais ou períodos menstruais prolongados, pois enquanto houvesse sangramento, a mulher seria considerada imunda e estaria privada do contato direto com qualquer outra pessoa, incluindo a própria família, não podendo nem mesmo compartilhar de talheres, roupas ou assentos. Mateus, Marcos e Lucas registram a história de uma mulher que sofria de uma hemorragia constante, estando a mais de uma década privada do toque de seus entes queridos.

Não sabemos o seu nome e nem sua idade, mas as poucas informações dadas pelos evangelistas são o suficiente para entendermos a gravidade de sua situação.  Antes da hemorragia, ela tinha uma vida feliz e abastada com sua família, mas a partir do momento que o fluxo contínuo teve início, seu mundo desabou. Na tentativa de encontrar uma solução para seu mal, aquela mulher empregou todos os seus recursos em consultas médicas improdutivas e medicamentos ineficientes. Nada surtiu efeito. Pelo contrário, a sua saúde só fazia piorar, e a cada dia a pobre mulher estava mais debilitada. Seu sofrimento físico, com a perda diária de muito sangue, só não era maior que a opressão psicológica provocada pela privação familiar e social. Sem mais dinheiro para investir em tratamento, nada sobrava para lhe dar esperança... Até que ela ouviu falar sobre certo Jesus...


De mim saiu virtude

Nesta lição, estudaremos a vida de uma mulher sofrida, que empobreceu por gastar todo o seu dinheiro em busca da cura de sua enfermidade. Uma mulher sem paz que, ouvindo falar de Jesus Cristo, resolve ir ao seu encontro. Em meio à multidão, uma mulher anônima, doente, falida, mas desejosa por ser curada, rompe o silêncio de Jesus que, ao ser tocado, tenta buscá-la entre o povo, dizendo: “(...) de mim saiu virtude” (Lucas 8:46). Aos pés de Jesus, ela encontrou a tão sonhada resposta que procurava e que a medicina lhe havia negado. Durante longos doze anos, essa mulher buscou incessantemente uma solução para sua hemorragia. A medicina e a ciência de sua época não puderam curá-la e, dia a dia, sua situação se tornava ainda mais desesperadora (Marcos 5:25-26). Ela chegou ao final de si mesma e de todos os recursos humanos. Todavia, quando alçou o fundo do poço, uma fagulha de esperança irradiou sua alma. Ela decidiu olhar para os céus e determinou em seu coração que se tocasse em Jesus ficaria sã (Marcos 5:27-28). Existem ocasiões em que o Senhor nos introduz em processos dolorosos e angustiosos. A finalidade desses processos é que esvaziemos e cheguemos ao fim de nossos recursos humanos e naturais. Em outras palavras, é como se o Senhor colocasse uma espada em nosso peito e nos encurralasse contra a parede para que lhe entreguemos alguma área de nossas vidas que nunca antes estivemos dispostos a entregar-lhe. Isto não consiste em uma chantagem, e sim, num ato de misericórdia, que transcende a compreensão humana e cujo único propósito está em nos aproximar de sua pessoa.

Essa mulher sofria de uma hemorragia aparentemente incurável e que lentamente destruía sua vida. Sobre ela se abatia uma pressão emocional que consumia suas forças dia após dia. Além de suas muitas decepções com os médicos e a pobreza que lhe sobreveio, havia ainda outro fardo sobre ela, pois, de acordo com a Lei, ela se encontrava cerimonialmente impura, o que limitava grandemente sua vida religiosa e social (Levítico 15:19-33). A enfermidade dessa mulher lhe sugou as forças, lhe consumiu todas as suas finanças e lhe privou do direito de adorar ao Senhor. Vendo que nada mais dava certo, ela recorreu a Jesus e nEle encontrou cura, alívio, paz e salvação (Marcos 5:28-29). No tempo de Jesus, a maioria dos estudos médicos voltava-se para o corpo do homem, de modo que um médico não se tornara somente inacessível pela questão financeira, mas pela própria cultura local. Com exceção de suas esposas, os médicos eram impedidos de tocar outras mulheres, fator que possivelmente agravou ainda mais os problemas dessa mulher. Essa mulher não deixou que nada impedisse de chegar até Jesus. Ela poderia ter pensado não ser correto procurar Jesus como último recurso. Mesmo assim, ela deixou de lado todos os argumentos e desculpas. Ela rompeu as barreiras pela fé.

Em meio à multidão somente uma pessoa se destacou. Aquela sofrida mulher, com muita perseverança e determinação, resolveu chegar diante de jesus acreditando que um milagre iria acontecer se pudesse tocá-lo (Marcos 5:28). Essa mulher conseguiu extrair algo de Jesus, o que lhe deixou curioso em conhece-la entre a multidão (Marcos 5:30, 32). A cura aconteceu instantaneamente porque naquele toque houve transfusão. De Jesus saiu virtude e dela saiu a enfermidade. Jesus literalmente tomou sobre si as dores e as enfermidades daquela mulher e lhe deu automaticamente uma paz que ela nunca experimentou, juntamente com uma salvação que o dinheiro jamais poderia comprar (Marcos 5:34). A fé é fundamental para que um milagre aconteça (Hebreus 11:6). Essa mulher reconheceu sua dificuldade, ela sabia que não adiantava esconder o problema. Ela sabia que era preciso tomar uma atitude de fé. Só que ela se ergueu, colocou em seu coração uma meta e não ficou buscando resolver seus problemas pelo poder humano. A fé vai além da ciência, mas é preciso determinação e perseverança. Ela encontrou uma multidão à sua frente, mas não permitiu que isso abalasse a sua convicção (Jeremias 29:13).


A cura do corpo e da alma

Durante doze anos essa mulher viveu de forma anônima porque além de ser vítima de uma enfermidade, ainda era vítima da sociedade. Ela era fisicamente doente e psicologicamente abatida. Mas aquele toque em especial lhe trouxe tanto a saúde quanto a autoestima. Existem dias que são marcantes em nossas vidas. Eles sempre começam quando resolvemos romper as barreiras que nos cercam e acreditar que, em Cristo Jesus, nossas causas mais impossíveis podem ser realizadas. Foi exatamente o que fez essa mulher. Embora, Jesus tenha sido para essa mulher o último dos recursos, ela o sensibilizou de tal maneira que o Mestre procurava vê-la entre a multidão (Marcos 5:32). A mulher planejava desaparecer no meio da multidão, mas Ele a deteve, tornando público o seu milagre. Ele não desejava ser para ela apenas um “curandeiro”, desejava ser também seu Salvador e amigo. Queria que contemplasse seu rosto, sentisse seu carinho e ouvisse suas palavras de incentivo (Marcos 5:33-34). Essa mulher experimentou algo maior do que a cura física ao chegar diante de Jesus. O Senhor a chamou de “filha” e a enviou para casa com uma bênção de paz (Marcos 5:34). A injunção: - “Fica livre do teu mal” - vai muito além da restauração do corpo. Jesus também lhe deu cura espiritual!

Não são poucas as vezes que saímos para o culto sem determinação. É comum sairmos esperando que algo simplesmente aconteça, todavia, sem alvos específicos no coração. O milagre alcançado por essa mulher apresenta níveis espirituais em que vivemos e tudo se resume na maneira como saímos ao encontro de Jesus. Ela determinou em seu coração que se tocasse na orla de suas vestes seria curada e assim aconteceu. Essa mulher mexeu tanto com Jesus que a multidão foi esquecida e somente ela alcançou o milagre em meio a todas aquelas pessoas. Jesus a trouxe para o meio da multidão para mostrar a todos que é possível tocá-lo e ser milagrosamente transformado pelo Seu Poder (Jeremias 33:3 / Marcos 9:23). A fé é a chave para a porta dos milagres. Sem ela é impossível o céu se mover e por ela se tornou possível os benefícios alcançados por essa mulher tanto no corpo físico quanto na vida espiritual. Além de receber a cura imediata, essa mulher foi agraciada com o perdão de seus pecados e que esse é o maior milagre que uma pessoa pode receber na vida: a salvação de sua alma. Diga-lhes que os milagres de Cristo eram “lições práticas” com o propósito de ensinar ao povo espiritualmente cego o que Deus era capaz de fazer por eles se cressem em Seu Filho.

Entendemos claramente que a fé provocou o milagre na vida dessa mulher. No entanto, Jesus fez a questão de enfatizar que sua fé lhe proporcionou algo maior que uma cura. A sua fé lhe trouxe salvação (Marcos 5:34). Precisamos entender que os milagres são essenciais, pois eles credenciam a pregação da Palavra de Deus, pois o Evangelho sem milagres é como um céu sem estrelas. Mas existe algo que devemos aprender acerca dos milagres. Embora eles sejam o cartão postal da pregação, eles atingem somente o corpo e não a alma, eles não salvam. É importante visualizarmos algo mais naquilo que Jesus revela a essa mulher. Porque é possível um morto ressuscitar e morrer sem salvação. Não existe dom mais precioso que a salvação (Efésios 2:8-9). Muitos que receberam grandes milagres, hoje não estão mais na presença do Senhor. A geração que mais recebeu milagres de Deus não entrou na Terra Prometida. Os milagres são a porta de entrada para conhecermos a Deus, e são de suma importância e fundamentais para o fortalecimento da nossa fé, que podem nos levar a uma forte experiência com Deus. Contudo, ser salvo é o mais importante na vida cristã. A Salvação é nosso bem mais precioso, e é preciso valorizá-la, lutar por ela e vigiar porque muitos se distanciaram dela e se perderam (Hebreus 2:3 / I Pedro 1:9).


Um toque especial

Conviver com uma hemorragia contínua, já em si um grande fardo a carregar. Cólicas constantes, dores lombares e abdominais, desarranjo hormonal e odores desagradáveis nem eram os maiores incômodos daquela mulher, mas sim a solidão. Uma mulher em sua condição era proibida por lei de frequentar lugares públicos, assim, ela não podia fazer compras, passear com a família, tomar um chá com suas amigas ou participar de um culto ao Senhor. Além de conviver com seus “demônios interiores”, ainda era preciso exteriorizar sua miséria, pois sempre que alguém se aproximasse demais, era sua obrigação civil informar que estava "imunda". Como deveria se sentir cada vez que precisava proferir essas palavras? Aos olhos da lei, ela não passava de um agente contaminador. Sem amparo na medicina de seu tempo, aquela mulher tem um novo lampejo de esperança quando ouve falar de um jovem pregador, que por onde passa, deixa para traz um rastro de prodígios miraculosos. Até ali, Jesus já tinha curado leprosos e aleijados, expulsado demônios, transformado água em vinho, multiplicados pães e feito o mar se acalmar, e tudo isso, o credenciava como um grande operador de milagres e o único capaz de dar um fim para aquele imenso sofrimento.

Jesus estava apregoando seu evangelho na província dos gadarenos quando um homem de alta posição social chamado Jairo, se lança aos pés do Senhor e pede que Ele socorra sua filha que está muito doente. Mais tarde, aquela menina seria trazida de volta a vida por Jesus, mas é no trajeto até sua residência que iremos testemunhar um ato de muita fé e coragem. Enquanto Jesus caminhava, uma grande multidão se formava ao seu redor. Discípulos, seguidores, simpatizantes e curiosos se amontoavam em torno de Jesus, formando uma barreira humana quase intransponível. Seria impossível chegar até ele sem tocar em ninguém. Aquela mulher sabia que só teria uma chance na vida de se encontrar com o Salvador, mas para isso, ela teria que atravessar uma multidão, o que certamente implicaria nas punições previstas em lei. Mas uma certeza absoluta lhe dava coragem para seguir... “Eu só preciso de um toque”....

Fraca e debilitada, ela começa sua jornada por entre aquele mar de gente. Certamente ela tentou não tocar em ninguém, mas bastaram alguns segundos para que o primeiro transeunte esbarasse nela. A culpa a corroeu por ter “contaminado” um inocente, mas já que tinha chegado até ali, ela deveria continuar. O progresso era milimétrico e pesaroso. Ela havia se tornado num farrapo humano, e ali na sua frente, homens empolgados e mulheres plenas de saúde disputavam cada pequeno espaço. Seu esforço foi sobre-humano, e exaurida, quase ao ponto de desmaiar, ela viu pela primeira vez um relance de Jesus. Ela podia vê-lo, mas não o alcançar, pois para isso era necessário avançar ainda mais.... Ela então, retira forças da única fonte que resta, a fé. Quase caída no chão, a esquelética mulher estica seu braço até sentir os ossos estalarem, os milímetros parecem metros, até que ela sente a ponta de um de seus dedos encostar no tecido da roupa de Jesus. O mundo parou.... Seu corpo é abraçado pelo calor... Ela sente o sangue parar de escorrer.... Uma força a muito perdida move seu corpo do chão e a mulher se levanta. Ela está estática e as pessoas passam apressadas a deixando para traz. E então Jesus também para. Ele se volta para a turba e diz: -  Alguém me tocou... Pedro estranha o comentário, pois centenas de pessoas o estão tocando desde que desembarcou na praia. Então, o Senhor Jesus revela o quão poderoso um toque de fé pode ser: - Alguém me tocou de um modo muito especial... Pois de mim saiu virtude!


Lições práticas

A Bíblia nos diz que essa mulher, ao ser chamada por Jesus, se apresentou temendo e tremendo, prostrou-se diante dEle e lhe disse toda a verdade (Marcos 5:33). Então, diante da grande multidão, Jesus revela o que sucedeu aquela mulher que o tocara de forma tão especial. Essa mulher recebeu em apenas um toque a combinação mais perfeita da graça de Cristo nos oferece. Ela recebe a cura do corpo, a salvação da alma e a paz (Mateus 5:34). Em meio à multidão que busca Jesus, poucos são aqueles que realmente conseguem extrair da pessoa de Cristo um significado tão importante para suas vidas como esse. É comum em nossos dias encontrarmos pessoas salvas e sem paz em nossos templos. Pode haver quem não concorde, mas o milagre não é nada sem a salvação e a verdadeira salvação em Cristo é aquela que produz paz nos corações (Romanos 14:17). Aquela mulher extraiu de Cristo três coisas muito importantes: a cura, a salvação e a paz. A salvação sem paz é apenas um estilo religioso, porque estar em paz é ter certeza de que nada nos falta, mesmo que materialmente ou fisicamente isso não se complete. Nada pode roubar a paz de um salvo. Bens não produzem paz, nem milagres geram salvação. Mas esses três fatores podem se harmonizar e tornar-se uma realidade na vida daqueles que recebem a salvação.

Segundo a Lei, se uma mulher imunda tocasse alguém nos dias em que estivesse sangrando, aquilo que tocasse também ficaria imundo. A situação da mulher quando perguntada se tocou em Jesus era delicada, por isso temeu muito. Ela estava tocando em um homem santo e quebrando uma regra da Lei diante de muitos (Levítico 15:19). É preciso urgentemente compreender a grande mensagem deixada por Jesus. Ao tocarmos nEle pela fé, não importa quão sujos estamos ou quão pecadores somos, em vez de Ele se contaminar, nos é que ficamos limpos (II Coríntios 4:6 / I João 3:3). Segundo os costumes da Lei, essa mulher jamais poderia ter tocado em Jesus, porque tudo o que uma mulher classificada como imunda tocasse seria considerado tão impuro quanto ela. Ao chamá-la, Jesus não a estava expondo, mas tirando de seus ombros o fardo pesado da religião, aliviando seu coração e mostrando-lhe que não há impureza que Ele não possa purificar.

O milagre ocorrido com essa mulher tem por finalidade ser figura do alívio que o Evangelho proporciona a alma humana (Marcos 5:29). A experiência de muitas pessoas, que vivem com as consciências exaustas, tem sido precisamente semelhante àquela que teve a mulher após ser curada de sua enfermidade. Muitos têm passado anos a fio em tristeza, à procura da paz com Deus sem jamais tê-la encontrado. São indivíduos que vêm apelando para todos os recursos humanos possíveis, até que, finalmente, eles encontram alívio em Jesus (Mateus 11:30). Um toque com verdadeira fé pode fazer mais pela alma do que uma centena de sacrifícios autoimpostos. Esclareça e comunique a eles a importância de compreender que a entrega de nós mesmos a Cristo é ao grande e único segredo da paz com Deus. Não se esqueça de enfatizar a importância da fé e da determinação como elementos indispensáveis para o alívio da alma. Não foi permitido que aquela mulher voltasse para casa sem que primeiro a sua cura fosse manifesta a todos. Não podemos nos envergonhar de testemunhar de Cristo diante dos homens. Antes, devemos tornar conhecido de todos aquilo que Cristo tem feito em favor de nossas almas (Marcos 5:33-34).



O caminho da Salvação

Antes de receber o convite para visitar a casa do centurião romano Cornélio, o apóstolo Pedro teve uma visão, onde vários animais considerados impuros pela lei lhe eram oferecidos como alimento. Ele recusou terminantemente a oferta, dizendo que jamais em sua vida havia comido algo impuro e aquela não seria a primeira vez. Surpreendentemente, Pedro foi repreendido pelo Senhor, pois “nenhum homem pode banalizar algo que o próprio Deus santificou” (Atos 10:15).  Quando olhamos a história da mulher do fluxo de sangue pelas “lentes” da lei, o que vemos é uma gigantesca aberração moral. Em seu trajeto até Jesus, ela teve contato direto com dezenas de pessoas, tornando em impura cada uma delas. Estas pessoas tocaram em outras pessoas e assim se desencadeou uma rede de contaminação social, que culminaria em Jesus, o único toque realmente premeditado pela mulher.  Para olhos pragmáticos, Jesus agora também estava impuro, e quem ele tocasse, se contaminaria também, incluindo a filha de Jairo, que em poucas horas, voltaria a viver por um toque do Cristo. A lei generaliza, se faz valer de dados e estatísticas, enxerga o todo e age em prol dele. Jesus olha a multidão, mas enxerga pessoas. Ele sabe quem esta “puro” diante da lei, mas carrega manchas em seu coração, e também enxerga os esquecidos e humilhados, “impuros” diante da sociedade, mas cujo interior é tão alvo quanto a neve.

Quando aquela mulher anônima tocou a orla de seu manto, em uma fração de segundo, Jesus pode contemplar seu coração e sua mente. Ele sentiu a sua dor, testemunhou seu sofrimento, observou cada lágrima. Ele foi impactado pela sua convicção, pela sua coragem, e acima de tudo pela sua fé.  Para quem se viu abraçada a tantas esperanças enganosas, ela buscou a verdade. Diante do poder ameaçador da morte, sua opção foi recorrer a vida. Jesus não bateu na porta de sua casa, não lhe enviou um convite formal, não a chamou pelo nome, não lançou um olhar exclusivo para ela... Não haveria garantias de que Jesus a iria atender, e ela nem esperava por tamanha complacência. Aquela mulher entendeu que o milagre dependia “dela” e não “dele”. Pela fé, ela tinha certeza absoluta que em Jesus estava a cura e o fim de seu sofrimento. Pela sua condição ela se negava a tocar "em" Jesus, pois se sentia indigna de tamanha ousadia... Tudo o que ela almejava era tocar na sua “roupa”, e armada apenas por sua crença, ela foi e tocou. Jesus sentiu o poder da fé que nela residia e ao mediante o toque sutil, liberou virtude abundante.  A cura física foi instantânea. A força do milagre imediatamente a tirou do chão. Enquanto olha para suas mãos amareladas ganhando novas cores, ela escuta a voz de seu Salvador dizendo:  - Quem me tocou?
 
E agora? Deve ela se expor e arcar com as consequências de seus atos ou se manter anônima e ir para casa abraçar a família? Não há tempo para este tipo de questionamento interior, e ela prontamente atende a voz de seu Senhor, e imergindo da multidão, assume seu ato: - Foi eu quem te tocou! Ainda tremula, ela se aproxima de Jesus esperando uma repreensão, afinal era uma mulher tocando em um homem, uma “impura” profanando a pureza, uma excluída diante de um rabi, uma “pecadora” diante do Santo. Mas o que ela recebe de Jesus é um olhar de compaixão. Encorajada pelos olhos ternos do Cristo, ela testifica de sua condição e de como fora curada instantaneamente (Lucas 8:47). Jesus, com a autoridade de um mestre da lei a conforta: - Não tenha medo de represálias e vá em paz para a sua casa. Com a autoridade do Filho de Deus ele retribui o gesto da mulher, tocando profundamente sua alma: - A tua fé te salvou!  E uma multidão embasbacada aprende na pratica a lição que Pedro precisou revisar: - Ninguém pode declarar “imundo” a quem o próprio Cristo “purificou”!  Se Cristo é o destino, até mesmo o que parece ser um rastro de imundície se torna caminho de Salvação!


 

Participe da EBD deste domingo, 12/07/2015, e descubra você também o maravilhoso poder de Jesus Cristo e o segredo do sucesso apostólico.

Material Didático:
Revista Jovens e Adultos nº 96 - Editora Betel
Comentarista: Pr. Abner de Cássio Ferreira
Sinais, Milagres e Livramentos do Novo Testamento 
Lição 2

Comentários Adicionais (em verde):
Pb. Miquéias Daniel Gomes



 

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