quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EBD: Mefibosete e o milagre da Restituição e da Honra


Texto Áureo

E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete”
II Samuel 4:4

Verdade Aplicada
A Graça Divina não mira nossos defeitos nem tampouco nossas impossibilidades, ela não pede nenhum outro esforço que não seja a fé para que a aceitemos em nossas vidas.

Texto de Referência
II Samuel 9:6, 10,11 e 12  

E, vindo Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, a Davi, se prostrou com o rosto por terra e se inclinou; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo.
Trabalhar-lhes-às, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão e coma; e Mefobosete, filho de teu senhor, de contínuo comerá pão à minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos e vintes servos.
E disse Ziba ao rei: Conforme a tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo. Porém Mefibosete comerá à minha mesa como um dos filhos do rei.  E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica; e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete.

A Força de uma Aliança

Após derrotar o gigante Golias, o jovem Davi é conduzido nos braços do povo até o palácio real, causando um perigoso sentimento de inveja no rei. Saul recebe Davi com as honras prometidas, mas imediatamente desenvolve um imenso desprezo por aquele que seria seu genro, que só aumenta à medida que Davi vai mostrando seu valor e ganhando apresso popular. Se o atual Rei temia que o jovem Davi pudesse tira-lo de seu trono, seu sucessor imediato pensa exatamente o contrário, aceitando o fato que o verdadeiro herdeiro do trono de Israel não será identificado pelo sangue, mas sim pela unção. Desde a primeira vez que viu Davi, Jonatas se simpatizou com a figura jovial do belemita, e enquanto seu pai fazia pouco caso do pastorzinho recentemente promovido a herói nacional, Jonatas vislumbra o futuro da nação, e num ato profético, retira seu manto real e veste Davi com ele. Jonatas também entrega para Davi suas vestes, a sua espada, o seu arco e o seu cinto, numa transferência simbólica do direito de ser o herdeiro legítimo do trono. Ali, nasce uma amizade profunda e verdadeira, capaz de entrelaçar suas almas; e é selada uma aliança tão intensa, que a Bíblia nos diz que um amou o outro como se fosse sua própria alma (I Samuel 18:1-4). Amigos, conselheiros e confidentes. Era em Jonatas que o futuro rei encontrava abrigo e segurança, um ouvido atento que absorvia os seus desabafos, e um conselho imparcial sempre que necessário. Tamanha era a compreensão de um com o outro, que Davi chegou a afirmar que a amizade de Jonatas lhe era melhor que o amor das mulheres. 
Com a popularidade de Davi cada vez mais alta, o rei Saul se viu corroído pela inveja e pelo medo de ser sobrepujado por seu genro, e então deixou-se dominar pela loucura, sendo constantemente atormentado por um espírito mau. Neste ponto, Jonatas se torna um verdadeiro “anjo da guarda” para Davi, já que toda vez que o rei Saul elabora um plano para eliminar seu desafeto, Jonatas alertava seu amigo, e o perigo era neutralizado (I Samuel 19:1-2). Com furor crescente, Saul intensificou seus ataques contra Davi, inclusive realizando uma tentativa de assassinato. Como não logrou êxito em seu intento, o rei cuidou de desconstruir a imagem de Davi, o tornando em um inimigo público, o que evidenciou ainda mais a amizade ente Davi e Jonatas, já que sendo aliado de um fugitivo colocava em risco a própria vida. Mesmo assim, Jonatas se manteve leal a Davi. Quando a guerra contra os filisteus irrompeu novamente, os encontros de Davi e Jonatas ficaram cada vez mais escassos, e com a iminência de uma tragédia anunciada, ambos selam uma aliança, que determinaria o futuro do personagem que iremos estudar: 

E disse Jônatas a Davi: O Senhor Deus de Israel seja testemunha! Sondando eu a meu pai amanhã a estas horas, ou depois de amanhã, e eis que se houver coisa favorável para Davi, e eu então não enviar a ti, e não to fizer saber; O Senhor faça assim com Jônatas outro tanto; que se aprouver a meu pai fazer-te mal, também to farei saber, e te deixarei partir, e irás em paz; e o Senhor seja contigo, assim como foi com meu pai. E, se eu então ainda viver, porventura não usarás comigo da beneficência do Senhor, para que não morra? Nem tampouco cortarás da minha casa a tua beneficência eternamente; nem ainda quando o Senhor desarraigar da terra a cada um dos inimigos de Davi.
Assim fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: O Senhor o requeira da mão dos inimigos de Davi. E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma.

I Samuel 20:12-17

Quando a tragédia bate na porta

A história de Mefibosete traz um misto de fracasso e de sucesso. Ele era o filho de Jonatas, o amigo de Davi. Jonatas era um homem sábio, que viu em Davi a unção de rei, sabia que seu próprio pai estava reprovado por suas ações e vida de desonra a Deus, e mesmo sendo o sucessor ao trono, renunciou porque via em seu amigo o homem escolhido para liderar os exércitos e a nação de Israel (I Samuel 18:3-4).Antes da morte de Saul, Jonatas e Davi firmaram um pacto entre famílias. Jonatas o protegia das loucuras de seu pai Saul e se um dia ainda vivesse, Davi tornando-se rei cuidaria dele e de seus descendentes (I Samuel 20:13-17).Para a tristeza de Davi, Jonatas e Saul morrem no mesmo dia, e Davi se tornou o rei de Israel. Era comum que um novo rei exterminasse a todos os familiares do antecessor para que não houvesse uma insurreição. Assim, quando a notícia da morte de Jonatas e Saul se espalhou, a desgraça veio a casa de Jonatas e seu filho Mefibosete de cinco anos de idade, além de perder seu pai e o futuro trono de Israel, ficou coxo de ambos os pés, porque no afã de salvá-lo da morte a ama que dele cuidava o derrubou (II Samuel 4:4).
Existem momentos em nossas vidas que tudo parece piorar; pois tentando salvar o menino, a mulher piorou sua situação. Existem certos tipos de ajuda na hora da aflição que somente pioram aquilo que já está ruim. Devemos ter o cuidado com alguns tipos de boas intenções, é bom sempre discernir o que está a nossa volta. Nesse caso, ele tinha apenas cinco anos, era imaturo e não podia agir por si mesmo.
Após a ascensão de Davi ao trono de Israel não se houve mais falar em Mefibosete, ele é levado para Lô-Debar e lá vive exilado e totalmente esquecido por todos, inclusive Davi. “Lo-Debar” significa: “sem pasto” um lugar deserto e árido, e “Mefibosete” significa: “semeador de vergonha”. Em Lô-Debar, Mefibosete viveu sem fé, sem esperança e sem Deus. Além de tudo isso, a pessoa que foi encarregada de cuidar dele usurpou todos os bens que possuía (II Samuel 9:2-3). No deserto, com medo da morte, andando com dificuldades, e totalmente aquém da sociedade, Mefibosete não possuía qualquer perspectiva de mudança em sua vida, nem mesmo sabia da aliança entre Davi e seu falecido pai (II Samuel 9:3-4-7).

Do Palácio para o Deserto

O dia do nascimento de Mefibosete foi uma verdadeira festa nacional, onde o povo celebrou a chegada de um futuro rei e a família real pode vislumbrar um futuro glorioso de sucessões no trono de Israel. Mas a história desta família teria um desfecho trágico apenas cinco anos depois, quando em uma ferrenha batalha contra os filisteus, seu pai Jonatas foi morto em combate, e seu avô Saul, para não ser capturado, se suicidou com a própria espada. Os gritos histéricos e desesperados ecoavam pelos corredores do palácio. Os nobres estavam em polvorosa, pois temiam que com a queda do rei, seu maior inimigo conhecido, ao tomar o trono, como era usual nestes casos, eliminaria todos os descendentes do rei anterior (mesmo não sendo esta a intenção de Davi) .  Para evitar que Mefibosete tivesse um fim trágico, uma de suas “amas” o pega no colo afim de retira-lo do palácio e o levar a um esconderijo seguro, mas acaba tropeçando e caindo com o menino, que na queda, quebra ambos os pés, causando-lhe uma deficiência permanente, já que seus ossos cicatrizaram incorretamente, causando a dupla deformação, além de imensa dor física e profundos traumas emocionais.
Ao longo de sua vida, Mefibosete foi chamado por três nomes distintos. Ao nascer, recebeu de seu pai o  nome de Meribe-Baal (Lutador do Senhor), mas devido a sua sonoridade pagã (que lembrava os deuses cananeus), seu nome foi trocado para Ishboset (homem da vergonha), até que finalmente se tornou conhecido por Mefibosete (que pode ser entendido como “aquele que expulsa a vergonha”). E este é um bom resumo de sua vida. Nascido príncipe, perdeu o direito ao trono e qualquer perspectiva de reconquista-lo no mesmo dia, pois a deficiência física que adquiriu em sua infância, não o permitia desenvolver habilidades bélicas, o que eliminava a chance de liderar um exército para tentar reaver o trono perdido. Além disso, devido a sua condição, ele sequer poderia entrar no palácio, pois não se permitia aleijados ali. Desta forma, Mefibosete foi levado para uma cidade chamada Lô Debar, localizada em uma região árida e de solo infértil, tanto que não existia pastagens ali. Aquele lugar era uma colônia de doentes, cegos, leprosos, miseráveis, desprezados e marginalizados, e é exatamente por isto que Lô Debar era conhecida popularmente por “lugar do esquecimento”. E foi exatamente isso o que aconteceu. Por quase vinte anos, Mefibosete ficou completamente esquecido ali, vivendo uma vida tão miserável, que definiu a si mesmo como um “cão morto” (II Samuel 9:8)

O tempo passou e Mefibosete cresceu no deserto de Lô-Debar longe de tudo que lhe era de direito. Até que o tempo de deus chegou e Davi se lembrou da aliança que havia feito com Jonatas. Observe as palavras de Davi. Ele usa o mesmo termo para graça e honra. “Benevolência”. E disse o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu use com ele da benevolência de Deus? (II Samuel 9:3). E Ziba responde: “Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés”. Isso nos recorda muitas situações do cotidiano não é mesmo?
Enquanto Davi intenciona honrar Mefibosete, o mal intencionado Ziba, que havia se apossado das terras do príncipe aponta seus defeitos. Ziba conhecia a generosidade do rei e mostrou o defeito para impedir o rei de abençoá-lo (Provérbios 3:16; 18:12). Quem era Ziba afinal? Ziba era o homem que passou a cuidar dos bens de Mefibosete e se apropriou de tudo o que possuía. Ziba sabia que o retorno de Mefibosete seria o final de seu império e o principio de seu retorno a servidão. Por isso fez questão de frisar para Davi que Mefibosete era coxo e como tal, ele sequer poderia entrar no palácio. Existem pessoas que são mal intencionadas. Ziba não nega a existência, mas faz questão de apresentar o defeito, ele sabia que uma pessoa deficiente não poderia entrar no palácio, só não sabia que aquele estava marcado com o selo real e com o pacto da promessa. Na verdade, não importava o que Ziba via, mas o que o rei estava vendo
Jerusalém, Cidade de Príncipes

Quando os guardas bateram à porta de Mefibosete em Lô-Debar, deve ter sido para ele como o dia do juízo, pois sabia que sua vida estava em risco, e como não podia correr deve ter pensado: “agora chegou meu fim”. Mas o que para ele parecia o fim, para Deus era o começo de uma nova história. Ninguém pode impedir nossa honra quando chega o tempo do Rei nos honrar. Ele sabe nosso endereço, e quando bate a nossa porta não é para nos punir, mas sempre manifestar sua graça e misericórdia. Naquele dia Mefibosete entrou na carruagem real para dar adeus ao lugar de anonimato. Deus não se esquece da aliança eterna feita com o filho ao nosso respeito (Lucas 22:20). Há quem diga que o deserto é terrível e doloroso. Todavia, o deserto é lugar de grandes manifestações e milagres também. Deserto não é morada, é lugar de passagem, e o tempo de seguir adiante na vida de Mefibosete estava apenas começando. A partir dali, ele comeria de continuo à mesa do rei (II Samuel 9:13). Mefibosete era conhecido pelo nome de Meribe-Baal (I Crônicas 8.34; 9:40). “Merbe” significa: “lutador” e “Baal” é uma palavra em hebraico que significa: senhor, lorde, marido ou dono. A visão que Jonatas tinha para o futuro de seu filho era que como um príncipe dele se tornasse um “lutador do Senhor”, esta seria a tradução mais correta para Meribe-Baal. Era comum entre os Israelitas dar um nome que representasse o caráter da pessoa, alguns desses nomes eram também colocados após a morte, representando seus feitos. Podemos destacar aqui quatro visões importantes sobre a vida de Mefibosete:
1) Jonatas o via como um lutador do Senhor;
2) Ziba o via como um aleijado impedido de entrar na presença do rei;
3) Ele se via como um cão morto;
4) Davi o via como um príncipe a quem deveria honrar e restituir

Ziba que tanto apontou defeito, agora foi destituído da função de senhor, tornando-se servo de Mefibosete, a quem havia lesado todos os anos em que viveu em Lo-Debar- “Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão para comer; mas Mefibosete, filho de teu senhor, sempre comerá pão à minha mesa” (II Samuel 9:10a) -  A justiça de Deus pode parecer demorar, mas certamente chegará. Ziba é um tipo de Satanás, que rouba, nos envergonha, e se apossa do que temos. Porém, no dia em que deus nos honrar, ele terá que devolver tudo o que nos roubou, com juros e correções, e ainda nos verá sentados à mesa do rei (II Samuel 9:9-11). Um dia com o outro qualquer trouxe a Mefibosete o cumprimento de uma promessa a seu respeito. Que possamos descansar no Senhor porque Ele é justo e o que foi prometido a cada um de nós, não tardará, chegará no tempo certo (Habacuque 2:1-3).
A vida de Mefibosete vai de um extremo ao outro, ele começa no deserto, na sequidão, e no anonimato, e termina no palácio real assentado à mesa do rei. A graça Divina é assim, ela tem o poder de nos transportar e nos elevar de uma posição a outra (Efésios 2:6).

Lições Práticas
Mefibosete era um príncipe que vivia no deserto. Num lugar obscuro, com medo e sem nada. Ele tipifica os filhos que o rei está à procura pra honrar e mudar suas vidas; aqueles filhos de rei que nunca entraram no palácio, que vivem à margem da sociedade e não desfrutam da mesa de seu rei (Lucas 18:14). Deus está falando de um tempo de revelações, de sair do anonimato, e de um alimento especial e particular que só existe em sua mesa; Mefibosete representa os filhos que nunca estiveram face a face com o rei. Deus está falando de um tempo de intimidade com Ele, de uma mesa onde todos são iguais; Mefibosete representa os filhos de rei que nunca comeram pão diariamente. Alguns provaram aqui ou ali, mas diariamente não. Deus fala de um tempo de revelação continua, sem escassez, todos os dias, na presença dor rei (II Coríntios 4:3). Mefibosete representa os filhos do Rei que serão restituídos. Ziba teve que devolver tudo, o que trabalhou, plantou e colheu; representa aqueles que saem do nada, e mesmo não sendo dignos, se sentam á mesa do rei.

Quando as trombetas do palácio anunciavam à chegada de Mefibosete toda a casa do rei poderia se perguntar por que o rei quebrava o protocolo e deixava um deficiente como aquele não somente entrar, mas sentar-se à mesa e comer como um de seus filhos (II Samuel 9:13). Poucas pessoas sabem o que Deus conversa conosco em secreto, e poucos sabiam a respeito da aliança de Davi e Jonatas, a qual simbolizava aliança de Deus conosco por intermédio de Jesus. Os filhos belos de Davi, Joabe o capitão da guarda, estavam juntos a mesa. E a mesa é reveladora, porque da cintura para cima todos são diferentes, mas quando estão sentados todos são iguais, os defeitos desaparecem (Romanos 2:11; Gálatas 3:28; Colossenses 3.11).
Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém... (II Samuel 9:13). Esse é o final que o Senhor deseja dar a todos aqueles que estão aliançados com Ele. DE uma só vez, a vida de Mefibosete mudou de anonimato a personagem célebre, e isto se chama honra. Jerusalém tipifica a eternidade, e Lô-Debar o lugar das nossas provações. Porém, numa hora que ninguém espera, num dia especial que somente o Rei conhece, a carruagem real vai passar como passou nos tempos de Elias, e levará consigo os simples de coração, os habitantes do deserto, os que Ziba tem lesado durante toda a vida, para encontrar-se com o Rei e por Ele ser honrados em sua mesa (Lucas 22:14-17).Mefibosete era um filho de rei que vivia num lugar obscuro, com medo e sem nada. É tempo dos filhos do Rei saírem do deserto do anonimato, serem honrados, e terem suas vidas transformadas. Até mesmo a criação espera por esse momento em nossas vidas (Romanos 8:19).

O Convite da Graça

A história de Mefibosete nos remete automaticamente para um vislumbre da Graça, que por Deus nos é concedida. Graça nada mais é do que um favor imerecido, um presente pelo qual não esperamos, uma “promoção” que não tencionávamos receber. Por vinte anos, Mefibosete viveu de favores na casa de Maquir, numa cidade esquecida, cercado de pessoas tão desesperançadas quanto ele. Talvez ele se desse por satisfeito pelo fato de ter sobrevivido à sua grande tragédia familiar, ou, quem sabe, as vezes desejava ter morrido com seus familiares. Fato é, que Mefibosete nada esperava de seu futuro, e seu passado de nobreza havia sido apagado pelo seu presente, onde o antes “príncipe”, agora era conhecido apenas como “o aleijado”. Seu único contato na capital era um ex servo de Saul cujas intenções eram escusas, e Mefibosete não fazia nenhuma questão que Davi soubesse de sua existência. Ele não se sentia digno e nem merecedor de qualquer favor real. Mas Davi tinha certeza do contrário.
Quando a guarda imperial bateu na porta de Maquir e perguntou por Mefibosete, não houve em seu coração nenhum lampejo de esperança, mas sim a certeza que aquele seria seu fim. No caminho para o palácio, Mefibosete não apreciou a paisagem, não dialogou com os guardas, e apenas orou por uma morte rápida e indolor. Quando chegou ao palácio, o mesmo local onde havia perdido a capacidade de andar com segurança, ele só esperava pelo pior. Diante de Davi, ele se lança ao chão clamando por misericórdia, mas em contrapartida ouve do rei uma frase que lhe acalma instantaneamente o coração: - Não tenha medo!- Ele se autodenomina “servo”, mas Davi o trata como um “príncipe” Ao invés de ódio, recebe carinho, ao invés de violência, recebe admiração, ao invés de inimigo, é chamado de filho. Davi imediatamente transfere para Mefibosete todo o amor que sentia por Jonatas, e honra no filho, a aliança que fizera com o pai.

Jamais poderemos dizer que somos melhores do que Mefibosete. Nossos erros e falhas nos fizeram cair e na queda, nossos pés espirituais se fragmentaram como cacos de vidro. Aleijados, incapacitados e envergonhados, nosso passado de glória é enterrado sobre uma avalanche de pecados, que nos arrasta rumo a Lô-Debar, onde nos mantemos distantes de Deus, esquecidos pelas pessoas e esquecendo de quem somos e de quanto somos amados por Deus. Mas uma coisa é certa: Jesus é melhor que Davi. Ele não faz perguntas sobre nosso paradeiro, pois sabe onde estamos, já que nunca nos perdeu de vista. Ele não envia tropas para nos buscar, mas vai até Lô Debar pessoalmente, e insiste veementemente para que não tenhamos medo. Por ele somos elevados a posição de “filhos” e não “servos”, feitos herdeiros de Deus e co-herdeiros em Cristo.  Não há por nossa parte, merecimento ou mérito que justifique tamanha generosidade. Mas nisto reside a beleza da Graça... Não é preciso merece-la, basta aceita-la.
Mefibosete passou duas décadas de sua vida morando numa casa que não era sua, numa terra que não era seu lugar. Agora, é convidado a morar em Jerusalém, sua cidade natal, e sem aviso prévio, recebe de volta todas as propriedades de sua família, saindo da miséria para ser um dos homens mais ricos de Israel. Mas isso ainda não é o suficiente para Davi, ele precisa provar definitivamente o quanto Mefibosete lhe era querido, e nada melhor do que lhe fornecer uma cadeira cativa no lugar mais nobre da nação, onde apenas reis, rainhas, príncipes e princesas tinham direito a ascender: A mesa real. 
O Sino que anuncia o jantar ecoa no palácio do Rei. Davi se dirige a ponta da mesa e se senta. Poucos momentos depois chega Amnom – o esperto e calculista Amnom – para se assentar a esquerda de Davi. A doce e graciosa Tamar, jovem, bela e encantadora, chega e se coloca ao lado de Amnom. De repente, surge Salomão, caminhando vagarosamente, vindo de seus estudos, Salomão sempre brilhante, precoce e preocupado. Logo em seguida surge Absalão, jovem bonito, atraente, com seus cabelos esvoaçantes e negros que chegam aos ombros, e assume seu lugar. Naquela noite em especial, Joabe, o guerreiro corajoso que comanda as tropas de Davi, foi convidado para participar do jantar. Homem musculoso e bronzeado, ele se senta perto do rei. Depois, todos esperam. Eles ouvem o som de pés se arrastando, o barulho das muletas tocando o solo até que Mefibosete, mesmo desajeitado, encontra seu lugar à mesa e se senta (...) e a toalha da mesa lhe cobre os pés. Pergunto: Será que Mefibosete entendeu o sentido da Graça?
(Charles Swindool)

Para compreender o cuidado divino através das intervenções milagrosas na história do seu povo, participe neste domingo (02/11/2014), da Escola Bíblica Dominical.

Material Base:
Revista Jovens e Adultos nº 93  
Milagres do Velho Testamento Editora Betel


Comentários Adicionais
Pb. Miquéias Daniel Gomes


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