A Arte pode ser definida
como sendo uma habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma
finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e
racional. Por esta definição pragmática, já é possível um entendimento que a
arte pode (e deve) ser usada como uma ferramenta de adoração, já que nosso
culto ao Senhor, também deve ser consciente, controlado e racional.
Em Romanos 12:1, o
apóstolo Paulo nos ensina que devemos apresentar o nosso corpo à Deus, como um
“sacrifício vivo”, santo e agradável, e que este seria nosso culto racional. No
grego, o termo equivalente a culto é “latreya”, que significa “serviço”. Já a
palavra “racional” vem de “logikos”, que nos remete a ideia de algo prático,
lógico, raciocinado. Considerando que o ato de sacrificar constitui-se no fato
de imolar uma vítima como oferta a uma divindade afim de expiar uma culpa ou
oferecer oblação, o que Paulo nos ensina é que, diante do Senhor, devemos
sacrificar nossos desejos e intenções, matar nossas próprias ambições, e usar
nossas habilidades e disposições com o único propósito de agradá-lo. E este
processo serviente, apesar de santificado, precisa ser realizado de forma
consciente, controlada e racional.
Um “artista” é alguém
envolvido na produção da arte, empregando sua criatividade e habilidades para a
transmissão de uma mensagem. Assim, todo artista pode usar sua arte para o bem
ou para o mal, seja buscando transmitir valores corrompidos, ou honrando ao
Senhor com seu serviço. Tudo passa pela consciência.
No século XVIII, os
europeus desenvolveram o conceito das belas-artes, classificando inicialmente
seis delas: MÚSICA, DANÇA, PINTURA, ESCULTURA, ARQUITETURA e POESIA. Já no fim
século XIX, os irmãos Lumière, desenvolveram a tecnologia cinematográfica
(CINEMA), que através do “Manifesto das Sete Artes” (escrito pelo italiano
Ricciotto Canudo), passou a ser conhecido como a sétima arte. De forma
extraoficial, outras manifestações artísticas passaram a integrar esta lista a
partir do último século: FOTOGRAFIA, QUADRINHOS e GAMES. Todas estas
manifestações artísticas são prodigiosas formas de se transmitir uma mensagem,
estabelecer conceitos e transformar a sociedade na qual são disseminadas.
Assim, todo artista é um formador de opiniões, um influenciador de gerações e
um artesão de mentes.
Exatamente por isso, as
artes são uma poderosa ferramenta de evangelização e discipulado, o que nos
remete automaticamente a adoração do serviço racional. E estas ferramentas já
são usados por homens e mulheres de Deus a muito tempo, e inclusive,
ultrapassam os limites da existência humana.
Após a travessia do Mar
Vermelho, Miriam liderou as mulheres hebreias numa celebração de ritmos e
danças (Êxodo 15:20). Ao ver a Arca da Aliança voltando para Jerusalém, Davi
louvava a Deus “bailando e saltando” (II Samuel 6:16). Em Apocalipse 4, ao
narrar sua visão na Ilha de Patmus, João testemunha que ao redor do Trono do
Altíssimo, acontecia um espetáculo de adoração saltava aos olhos: relâmpagos,
trovões, vozes, lâmpadas de fogo, os vinte e quatro anciões que em meio ao
louvor executavam movimentos ritmados com suas coroas, e a representação quase
teatral dos seres viventes de múltiplas faces (leão, águia, boi e homem). Isso
sem contar a eximia coreografia das asas angelicais descritas pelo profeta em
Isaías 6:2, que reverenciavam a santidade de Deus. Habilidades artísticas
humanas e angelicais, sendo usada para adorar ao Altíssimo.
Adorar a Deus é uma
entrega sincera de corpo, alma e espírito, libertando-se de convenções e
legalismo, sem abrir mão da racionalidade, para da forma mais sincera possível,
e usando aquilo que temos de melhor, celebrar ao Criador do Universo, cantando,
gritando, dançando, falando em línguas ou até mesmo em contido e profundo
silêncio. Independentemente de sua arte, o “ADORARTISTA”, ou seja, o “artista
adorador”, precisa derramar seu coração no altar, demostrando amor ao Senhor de
forma honesta, pura e perfeita, sendo verdadeiro consigo e com Deus.
Não existe qualquer demérito em ser extravagante, ousado e criativo, desde que estas habilidades sejam depositadas aos pés de Jesus (Lucas 7:37-38). Na adoração, não existem regras absolutas pré-definidas por padrões humanos, mas sempre haverá uma condição a ser seguida, estabelecida pelo próprio Cristo: Espírito e Verdade (João 4:23)
Não existe qualquer demérito em ser extravagante, ousado e criativo, desde que estas habilidades sejam depositadas aos pés de Jesus (Lucas 7:37-38). Na adoração, não existem regras absolutas pré-definidas por padrões humanos, mas sempre haverá uma condição a ser seguida, estabelecida pelo próprio Cristo: Espírito e Verdade (João 4:23)
Pb. Miquéias Daniel Gomes
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